EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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sexta-feira, 17 de julho de 2015

De Miguel Real, sobre Sampaio Bruno, na NOVA ÁGUIA 16

SAMPAIO BRUNO: UMA SÍNTESE DO SEU PENSAMENTO NOS 100 ANOS DA SUA MORTE

 
Sampaio Bruno, sendo um dos autores mais esquecidos da cultura portuguesa, é, simultaneamente um dos autores de maior culto entre um reduzido grupo de intelectuais numa linha que vai de Leonardo Coimbra a Joaquim Domingos, passando por Álvaro Ribeiro, António Telmo, José Marinho e António Quadros, isto é, de autores que privilegiam as teses da “Filosofia Portuguesa”. Para além destes autores, excessivamente encomiásticos, possuímos um bom estudo de Joel Serrão,[1] exterior ao ideário do biografado, desenvolvido numa vertente cultural racionalista, de pendor sergiano, o clássico Amorim de Carvalho, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno. As Influências de Comte e Hartmann. Crítica e Reflexões Filosóficas (1960),[2] útil e investigativo livro, que não deve ser lido sem as correcções explicitadas por António Telmo em “Prefácio” a O Brasil Mental. Esboço Crítico,[3] e, principalmente, as advertências muito lúcidas feitas por Joaquim Domingues nos artigos “A Ética Cósmica de Bruno” e “Bruno e Euclides da Cunha no contexto do positivismo finissecular”, insertos em De Ourique ao Quinto Império. Para uma Filosofia da Cultura Portuguesa,[4] bem como o livrinho do mesmo autor, muito justo na apreciação da evolução e da filosofia de Sampaio Bruno, O Essencial sobre Sampaio (Bruno).[5]. Descuidada na apreciação crítica da filosofia de Sampaio Bruno é a de José Barata-Moura, no seu livro Estudos de Filosofia Portuguesa, no capítulo “Tópicos para um panorama da filosofia em Portugal no século XX”.[6] Porém, a verdade é que Barata-Moura restringe a filosofia de Sampaio Bruno à análise do livro A Ideia de Deus (1902), olvidando tanto as anteriores ideias filosóficas de Sampaio Bruno quanto, principalmente, a sua marcante superação do positivismo, ficando a supor o leitor, pelos extractos apresentados, ser a teoria de Sampaio Bruno uma espécie de nefalibatismo espiritual pairando no céu da filosofia mística sobre um térreo vendaval político entre republicanos e monárquicos.

(excerto)



[1] Joel Serrão, Sampaio Bruno, O Homem e o Pensamento, Lisboa, Livros Horizonte, 19862. De aconselhável a leitura de Manuel Gama, O Pensamento de Sampaio Bruno. Contribuição para a História da Filosofia em Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1994, bem como AA. VV., Colóquio Antero de Quental dedicado a Sampaio Bruno, Aracaju, Secretaria de Estado da Cultura, 1995, com um conjunto de importantíssimas comunicações, cujo leque teórico fornece uma das melhores introdução ao todo do pensamento de Sampaio Bruno.
[2] Amorim de Carvalho, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno. As Influências de Comte e Hartmann. Crítica e Reflexões Filosóficas; Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1960.
[3] António Telmo, “Prefácio” a Sampaio Bruno, Brasil Mental. Esboço Crítico, [1898], Porto, Lello & Irmãos, 1997.
[4] Cf. Joaquim Domingues, De Ourique ao Quinto Império. Para uma Filosofia da Cultura Portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002, respectivamente, pp 85 ss e 97 ss.,
[5] Joaquim Domingues, O Essencial sobre Sampaio (Bruno), Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002.
[6] Cf. José Barata-Moura, Estudos de Filosofia Portuguesa, Lisboa, Ed. Caminho, 1998, pp. 249 – 281.

sábado, 11 de julho de 2015

BIOBIBLIOGRAFIA DE SAMPAIO (BRUNO), PARA A NOVA ÁGUIA 16...

por JOSÉ LANÇA-COELHO



1857 – A 30 de Novembro, pelas 17h, na cidade do Porto, na rua de Santa Catarina, nº 429, nasceu José Pereira de Sampaio (Bruno), filho de José Pais de Sampaio e Ana Albina Pereira Barroso.

1860 – Sampaio (Bruno) muda-se para a rua do Bonjardim, nº 410, também no Porto.

1867 – Na biblioteca do pai, Sampaio (Bruno) lê tudo o que apanha à mão. Na sua obra Carta Íntima destaca três livros que preencheram a sua adolescência, Mário, de Silva Gaio, a versão portuense de Santos Silva de Os Miseráveis de Victor Hugo e, Mistérios do Povo de Eugène Sue.

1872 – A 8 de Abril, com apenas catorze anos, publica o seu primeiro artigo no Diário da Tarde, influenciado pelos artigos de Guilherme Braga, e assina-o com o pseudónimo de Sampaio (Bruno), condoído com o suplício infligido pela Inquisição a Giordano Bruno. «Anchi io son pittore» (Também eu sou pintor), exclamou Corrégio ao ver a primeira vez um quadro de Rafael, o que levou Sampaio a pensar, «Também eu hei-de redigir artigos». Ainda neste ano, de colaboração com Júlio A. Barbosa e Silva, Henrique Barbosa e A. Cardoso, funda o jornal académico O Laço Branco, de que se publicaram três números. Também publicou o romance Os Três Frades.

1873 – De colaboração com Gervásio Ferreira de Araújo e António Pereira de Sampaio (Aubin), fundou outro jornal, O Vampiro, também de curta existência, seis números. Ainda neste ano, surgiu a revista Harpa, dirigida por Joaquim de Araújo. Desta revista saíram vinte números e nela participaram, além de Sampaio (Bruno), Magalhães Lima, Bettencourt Rodrigues, Cesário Verde, etc.

1874 – Tinha Sampaio (Bruno) dezasseis anos e frequentava o 5º ano do Liceu, quando começou a escrever a Tribuna, revista onde participaram Latino Coelho, Pinheiro Chagas e outros. Fundou um cenáculo literário onde se discutiam problemas de toda a índole. Dessa tertúlia faziam parte Manuel Teixeira-Gomes, Basílio Teles e Gomes Leal.

Neste ano, Sampaio (Bruno) publicou Análise da Crença Cristã, Porto.

1875 – Adoeceu gravemente, não pôde matricular-se na Escola Politécnica do Porto.

1876/77 – Realizou os exames de física, química, e história natural com aprovação. Desde então trocou a carreira das ciências pelas letras.

1879 – Surgiu a Gazeta do Realismo de que só saiu um número e foi apreendida pela polícia devido ao seu sucesso. Sampaio (Bruno) participou nela com o pseudónimo de Alphonse Daudet, escrevendo o artigo de fundo, Enquanto o pano não sobe.

1881 – Fundou os semanários O Democrático e O Norte Republicano, e deu colaboração ao jornal Folha Nova, dirigido por Emídio de Oliveira (Spada). Prefacia o livro de Alexandre Braga, Discurso Anti-Jesuítico, Porto.

1883 – Organizou o diário A Discussão.

1884 – Prefacia o livro de Joaquim de Araújo, Lira Íntima, Braga.

1886 – Publicou A Geração Nova, Porto. Prefacia o livro de Pacheco de Amorim, Aerólitos, Braga.

1889 – Prefacia o livro de Simão José da Luz Soriano, História do Cerco do Porto, Porto.

1890 – Surgiu o jornal A República Portuguesa, onde também participaram João Chagas, Júlio de Matos, Guerra Junqueiro, entre outros.

1891 – Bruno foi para o exílio, de onde só regressou após a amnistia, sendo acolhido por Guerra Junqueiro.

Publicou Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana Portuguesa de 31 de Janeiro de 1891, Paris.

1893 – Regressou a Portugal, depois de viver na Galiza e em Paris. Publicou Notas do Exílio, Porto.

1895 – Prefaciou o livro de Guilherme Braga, O Bispo, Porto.

1896 – Prefaciou o livro de Moreira Lopes, Lágrimas de Amor, Porto.

1897/1908 – Escreveu no diário A Voz Pública.

1898 – Publicou O Brasil Mental, Porto.

1901 – Prefaciou o livro de D. João de Castro, Paráfrase e Concordância, Porto.

1902 – Sampaio (Bruno) é vítima de uma agressão praticada por Afonso Costa. Publicou A Ideia de Deus, Porto; e, prefaciou os livros de H. Schaefer, História de Portugal, Porto; e de António Nobre, Despedidas, Porto.

1903 – Publicou um folheto escrito em francês intitulado Theorie Exacte et notation finale de la musique, Porto, no qual demonstrou a solução do problema sobre as divisões musicais. A essas divisões, rigorosamente exactas, chamou-lhes Escala Tessaradecatónica. Resolveu mandar construir um pequeno harmónio para demonstrar a sua solução. Prefaciou o livro de Maximiano Rica, Líricas, Porto.

1904 – Publicou O Encoberto, Porto.

1905 – Prefaciou a tradução portuguesa da obra de Vítor Hugo, Os Génios, Porto.

1906 – Publicou Os Modernos Publicistas Portugueses, Porto; e, Portugal e a Guerra das Nações, Porto.

1907 – Publicou A Questão Religiosa, Porto. Prefaciou o livro de Augusto Luso, Últimos Versos, Porto; e o de Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos, Porto.

1908 – É nomeado 2º oficial conservador da Biblioteca Municipal do Porto. Publicou Portugueses Ilustres, 3 vols., Porto.

1909 – Surgiu o jornal A Pátria, cujo director era Duarte Leite, onde Bruno escreveu três artigos por semana até 1910. Por morte de Rocha Peixoto, é nomeado primeiro bibliotecário da Real Biblioteca Municipal do Porto. Publicou A Ditadura, Porto; e prefaciou a obra de Joaquim Costa, A Alma Portuguesa, Porto.

1910 - Prefacia os livros de Afonso Vasques Calvo, O Livro da Corte Imperial, e do Infante D. Pedro, O Livro Virtuosa Benfeitoria, manuscritos dados à estampa pela Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1911 – No Porto, publicou no jornal Diário da Tarde, uma declaração ao povo e ao Governo expondo razões porque resolvia suspender esta publicação. Enviou também a vários jornais a seguinte declaração: «Rogo-lhes o obséquio de darem publicidade no seu jornal a esta declaração que entendo dever fazer, e é de que, desta data em diante, me retiro, completa e absolutamente enojado, da vida política portuguesa.». Prefacia o livro de Tomé Pinheiro da Veiga, O Livro Fastigímia, manuscrito dado à estampa pela Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1912 – Publicou O Porto Culto, Porto; e, prefacia a obra de Manuel Pereira de Novais, Anacrisis Historial, manuscrito dado à estampa pela Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1912/13 – Durante este biénio trabalhou na preparação do livro Teoria Nova da Antiguidade.

1914/15 – Colaborou na revista A Águia e no jornal O Primeiro de Janeiro com artigos sobre Filosofia e História. Publicou Do Livro da Arte de Furtar e de seu Verdadeiro Autor, Porto; e prefacia o livro de Artur Botelho, Alma Lusitana, Porto. Antes de falecer, prefaciou ainda o livro de Borges Carneiro, Esboços Pálidos, Porto; e o de António Joaquim, Rapsódia Camiliana, Porto.

1915 – 6 de Novembro, faleceu vítima de hidrocele que nos últimos anos o impossibilitara de caminhar.
 
1931 – A 30 de Novembro deste ano, realizou-se a primeira homenagem póstuma a Sampaio (Bruno) no Salão Nobre da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, tendo discursado Leonardo Coimbra e Teixeira Rego.
 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tema do 16º número (2º semestre de 2015)


 Sampaio Bruno, “fundador da filosofia portuguesa”: nos 100 anos do seu falecimento.

Para o 16º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

SAMPAIO BRUNO, TEIXEIRA REGO E CAMILO CASTELO BRANCO POR AGOSTINHO DA SILVA

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

Agostinho da Silva no seu livro Ir à Índia sem Abandonar Portugal, mais especificamente no capítulo intitulado ‘A Cidade do Porto’ (p. 29), tece interessantes considerações que têm como intervenientes Sampaio Bruno (1857-1915), Teixeira Rego (1880-1934) e Camilo Castelo Branco (1825-1890).

Agostinho da Silva diz que Teixeira Rego foi o professor que mais seguiu e admirou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, cujas habilitações literárias eram a 3ª classe da Instrução Primária ou o 3º ano do liceu, pois isso, nunca ninguém o averiguou.

Porém, as suas habilitações literárias oficiais nada tinham que ver com as privadas, uma vez que, desde menino, Teixeira Rego, ia muito cedo para a Biblioteca Municipal do Porto ler tudo o que apanhava à mão.

Ainda de acordo com o testemunho de Agostinho da Silva, Sampaio Bruno, que era o director da Biblioteca Municipal, um dia, ao entrar nesta instituição, viu aquele menino a ler. Aproximou-se dele e ficou surpreendido com a matéria que ocupava a sua atenção. Porém, Agostinho da Silva não nos sabe informar, qual a matéria que Teixeira Rego indagava.

A partir deste momento, Sampaio Bruno interessou-se a fundo com a educação daquela criança precocemente inteligente, e de tal modo o guiou que, quando fundaram no Porto, simultaneamente, a Faculdade de Letras e o Instituto Superior de Comércio, houve a dúvida de pôr Teixeira Rego, na primeira instituição a dar aulas de Gramática Comparativa das Línguas Românicas, ou na segunda, a ministrar Matemáticas Gerais.

Agostinho da Silva confessa então, que, para sua sorte, Teixeira Rego foi colocado como professor de Gramática Comparativa das Línguas Românicas na Faculdade de Letras do Porto, facto que levou Agostinho da Silva a ser seu aluno e a conhecer o homem extraordinário que ele era.

O autor de Ir à Índia sem Abandonar Portugal afirma que, no Porto que conheceu, haviam duas tradições. A referida até este momento, a que chama a de Sampaio Bruno, e uma outra que envolve o nome do homem de S. Miguel de Seide.

Na verdade, Agostinho da Silva afirma ter conhecido lojistas estabelecidos “em frente à estação de S. Bento que ainda tinham uma raiva danada do Camilo, porque o Camilo dizia mal deles (…)”.

Para além destas tradições do seu tempo, Agostinho da Silva refere ainda que havia o hábito de conversar em redor da estátua do rei D. Pedro IV (1798-1834), local que afirma ser “uma verdadeira universidade”, em que se encontrava gente muito interessante, não só portuguesa, mas também espanhola, porque o Porto ficava no caminho para Espinho, havendo muitos espanhóis, principalmente de Salamanca, que quando queriam ir à praia, lhes dava mais jeito deslocarem-se a Espinho do que à distante costa espanhola, como eram os casos de Unamuno (1864-1936) e Carracid.

terça-feira, 16 de março de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

"A Pátria é um princípio de solidariedade colectiva"



“Noite de esperança, noite de angústia, menos caliginosa e turva do que o claro dia subsequente, ensolelhado, em demoníaco sarcasmo.
Noite entenebrecida e cruel, onde o clangor amarelo do rebate, afeiçoando-as, pôs nas almas em sobressalto a nota romanesca das catástrofes. Noite densa, noite escura, ai de nós, a noite luminosa e viva.
Noite de sonho, noite de anelo, em que pelo ar perpassou a cândida imagem da liberdade e fulgurou, crepitante, o clarão sagrado do futuro. Noite de pesadelo, noite de agonia, em que rangeram os ferrolhos das prisões, ávidas da pitança, e o anjo-da-guarda da pátria, soluçando, escondeu o rosto, na dor, desesperada e alucinante, da derrota.
O anjo-da-guarda da pátria! Da pátria? Sem ela não podemos subsistir, na verdade. Mas será esta bem a nossa?
Assim como se não pode viver sem pão, diz o poeta que também se não pode viver sem pátria.
Porém entendamo-nos: – a Pátria não é uma zona qualquer onde acidentalmente nascêssemos, povoada por gente que connosco não participe ideias e sentimentos, que ria da nossa aflição e rejubile com a nossa desdita! Um homem não está preso pelo pé ao húmus como uma hortaliça, e a terra donde proveio é-lhe bem indiferente, se essa leira, dura e ingrata, nem sequer se deixa infiltrar de suas corrosivas lágrimas.
A Pátria é um princípio de solidariedade colectiva. A Pátria é uma religião. Ora, se no templo não temos ingresso, consoante no campo não sofrem que construamos a tenda, somos, evidentemente, de mais. A hostilidade moral expulsa os que escapem à intimação económica de pronto despejo. Para outros é que luz o Sol; escorraçados como leprosos infectos, mendigos morais, teremos de deitar a sacola aos ombros, volver as costas, partir.
Nós, republicanos, estamos hoje, na sociedade portuguesa legal, proximamente como nela se achavam os cristãos-novos no século XVII. Curiosa contradição, que a nossa pusilanimidade explica. Constituímos, de secção consciente, a maioria, e não temos direitos; somos provisoriamente permitidos, por tolerância e como que por caridade. Mas não falaremos, não escreveremos, não nos associaremos, sob pena de purgarmos na cadeia o delito de possuir sangue na cabeça para conceber ideias, sangue no coração para as propagandear.”

Sampaio Bruno, in O Brasil Mental, Lello & Irmão, 1898

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http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/ao-redor-do-31-de-janeiro-6.html

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"Portugal, porque reaparecesse um vínculo colectivo, voltaria a ser uma Pátria"



“É que decididamente, havia então, há hoje só uma palavra: – República!Hesita ainda, apesar de tudo, uma parte da nossa população letrada. E, inquieta, pergunta a si-mesmo o que seria, se em Portugal se implantasse a República.Há pouco mo perguntaram, para que em público à pergunta respondesse.Respondi começando por advertir que o pedido que me era feito me recordara certo incidente da história anedótica, literária e política, nossa contemporânea.Com efeito, quando aqui há anos exerceu o seu efeito sobre a poesia portuguesa o simbolismo francês, uma das composições que apareceram e mais impressão causaram tinha o título fúnebre Quando a morte vier, e dizia os filosóficos desenganos das vaidades mundanais que no pó das sepulturas liquidam.Logo nas colunas literárias duma folha política lisbonense se leu uma paródia a essa peça de versos, e esta paródia por título tinha: Quando a República vier, e dizia o descalabro dos egoísmos devoristas, que na igualdade democrática finalizam e concluem. Havia um ritornello típico. Era este:

Quando a República vier,
Ireis cavar pés de burro;
Ireis cavar pés de burro,
Quando a República vier.

E não teriam direito de queixumes aqueles que fossem dispensados por haverem gozado até ali do favoritismo que vive, parasitariamente, do trabalho nacional. Pois que só esses é que receio possam nutrir de que de os prejudique o advento da República. Visto como a República não é o governo dum partido nem o monopólio de tal ou tal casta de gente. A República é, pelo contrário, o governo de todos, por todos e para todos. A causa da República compreende todo o país e, no fim e ao cabo, a República é a Nação.Se, pois, a República se implantasse em Portugal, o povo português adquiriria a consciência da soberania e ganharia as virtudes políticas que fundamentam a dignidade cívica. Ele tomar-se-ia a sério. Respeitar-se-ia, e o verdadeiro patriotismo faria pulsar os corações. Se a República se implantasse em Portugal, o progresso da civilização portuguesa seria ininterrupto e logo de início se assinalaria pelo timbre de grandíssimos avances efectuados. Se a República se implantasse em Portugal, o povo português viria novamente a contar na história do mundo, onde hoje, quando não é desprezado, passa despercebido.Se a República se implantasse em Portugal, Portugal deixaria de ser aquele «sítio onde cinco milhões de egoísmos se exploram reciprocamente e se aborrecem em comum», consoante da definição pretérita de Eça de Queiroz. Portugal, porque reaparecesse um vínculo colectivo, voltaria a ser uma Pátria. E essa Pátria novamente se integraria na Civilização.Consequentemente, ontem como hoje, hoje como ontem, ainda e sempre uma só palavra havia, uma só palavra há: - República!
FIM”


Sampaio Bruno, in A Dictadura, Lello & Irmão, 1909

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http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/ao-redor-do-31-de-janeiro-5.html

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Pátria "é onde não seja crime vulgarizar opiniões, onde uma atmosfera de simpatia inteligente vivifique o espírito individual".

Sampaio Bruno, Brasil Mental, 1898, pag. 56.

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres

"Porque o desfecho e remate do homem não é gozar, repita-se. Se o mundo não existe para que o homem o saiba, odioso seria fantasiar que o universo continua subsistindo para que o desfrute o homem. Este erro antropocêntrico é a imoralíssima moral dos filósofos evolucionistas [...].

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres.[...]

A moral religiosa é falsa, porque é a moral do indivíduo. A moral filosófica, à maneira materialista, positivista, evolucionista, livre-pensante, é falsa, porque exclui os animais. A moral ascética é falsa, porque exclui as coisas.
O ascetismo e o abandono são falsos, porque importariam ou a salvação pessoal ou, tão só, a sectarista. A não resistência ao mal é falsa, porque, precisamente, eliminar o mal é o fim do homem, único e supremo.
Não foi Tolstoi. Quem encontrou a palavra do enigma foi o poeta alemão Novalis. Novalis escreveu que: - o fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza. Esta palavra vai até o fundo do fundo do abismo. Nunca nenhuma assim sublime brotou de lábios inspirados. O fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza.
Como? Trabalhando, para saber, a fim de poder. E, podendo, cumpre-lhe esquecer-se, não acreditando, como até aqui, que a decifração dos mistérios é para que sua curiosidade se satisfaça; para que, redundantemente, seus prazeres aumentem. O homem tem de dar contas do supremo dever que lhe incumbe, o dever para com a natureza inteira. Libertando-se a si, libertando os seus irmãos de espécie, ele contribuirá já para a grande libertação universal"

- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, Porto, Lello & Irmão, 1902, pp.468-470.