A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Na NOVA ÁGUIA nº 33: de e sobre Miguel Real...

 

MIGUEL REAL (1ª EDIÇÃO DO PRÉMIO MATRIZ PORTUGUESA – 2023) | Annabela Rita

OS PORTUGUESES (DISCURSO DE AGRADECIMENTO PELO PRÉMIO) | Miguel Real

MIGUEL REAL – 40 ANOS DE ESCRITA: LITERATURA, FILOSOFIA E CULTURA | Renato Epifânio

O ÚLTIMO MINUTO NA VIDA DE SARAMAGO: A NARRAÇÃO DE UM HOMEM REVOLTO E PLÁCIDO (UM SONHO SUBLIME DE MIGUEL REAL) | António José Borges

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

22 de Setembro, em Sintra: “Miguel Real. 40 anos de Escrita: Literatura, Filosofia e Cultura”

 

Com a chancela da Universidade da Beira Interior, publicou-se em 2022 um monumental volume, de mais de oitocentas páginas, com o título Miguel Real – 40 anos de Escrita: Literatura, Filosofia e Cultura, que resultou, em grande medida, do Colóquio Internacional “Miguel Real – Literatura, Filosofia, Cultura”, realizado, na mesma Universidade, quatro anos antes. É, de facto, um monumental volume, muito bem organizado – por Carla Luís, Annabela Rita e Alexandre Luís –, que faz jus a um caminho já com mais de quarenta anos de escrita, sobretudo nessas três referidas áreas: Literatura, Filosofia e Cultura.

Não tendo nós competência para avaliar a marca que Miguel Real deixa na História da nossa Literatura, permitam-nos que salientemos aqui a marca a nosso ver indelével que Miguel Real deixa na História da nossa Filosofia e Cultura, mais precisamente, na filosofia da cultura portuguesa das últimas décadas, marca que procurámos salientar no nosso ensaio, neste volume publicado, “A visão de Miguel Real sobre Portugal e a Lusofonia”. Tendo também aqui em conta a sua área ideológica, a visão de Miguel Real sobre Portugal e a Lusofonia é, de facto, singular e assaz corajosa.

Com efeito, em contra-corrente a um número cada vez maior de vozes que, sobretudo na sua área ideológica, estigmatizam toda a nossa história – em particular, a história da nossa expansão marítima –, Miguel Real não só não o faz como tem uma visão futurante dessa mesma história, compreendendo que, no século XXI, esse futuro se constrói em torno do conceito de Lusofonia. A nosso ver, estamos perante o seguinte dilema histórico: ou a Lusofonia se cumpre e, retrospectivamente, toda a nossa história faz, no essencial, sentido; ou a Lusofonia não se cumpre, dando assim (aparente) razão a todos os detractores da nossa história. Perante esse dilema histórico, Miguel Real está, a nosso ver, do lado certo. Saudamo-lo aqui, fraternal e efusivamente, por isso.

Renato Epifânio

segunda-feira, 1 de junho de 2020

De Miguel Real, para a NOVA ÁGUIA 26...



O coronavírus, e o medo dele, que hoje esvazia as ruas, criando o terror à nossa volta, não é superior à esperança que sempre acalentou o homem e se cada um em sua casa, hoje, cria uma nova rotina forçada, os artistas, os escritores, os pintores, os músicos, homens como os outros, animados por emoções insólitas ligadas ao mal e ao medo, encontrar-se-ão já imbuídos desse húmus caótico do qual nascerão doravante grandes obras de arte. Como dizia Hegel, “a ave de Minerva levanta-se ao entardecer”, isto é, é possível que após a passagem desta pandemia se vejam os resultados culturais e, quem sabe, uma nova visão do homem que há muito está a ser preparada, um homem mais amigo da natureza e do Outro.
Eduardo Lourenço, quando jovem, na sua estada em Paris, escreveu um texto (que não consigo identificar agora) em que falava da personagem de um romance (salvo erro de Somerset Maugham) que, nos últimos dias de vida, se levanta da cama, vai ao quintal e planta uma bolota de carvalho. É a realização concreta do princípio da esperança: ele nunca verá o carvalho elevar-se sobre a paisagem, mas foi o seu contributo para que a vida continuasse. Que cada um de nós, hoje, neste tempo suspenso, perante um futuro vazio, plante a sua bolota – uns escrevendo, outros pintando, outros compondo música, outros fazendo teatro, cinema, animação, jornalismo, outros trabalhando nas suas profissões. Aqui à minha frente, vejo da janela a senhora da câmara, solitária, fardada de verde, a recolher o pouco lixo das ruas de Colares e na casa ao lado, do Exército de Salvação, um rapaz ou uma rapariga ensaia tocando tuba (pelo som que ouço à distância parece uma tuba). É a bolota deles.

(excerto)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

De Miguel Real, sobre Sampaio Bruno, na NOVA ÁGUIA 16

SAMPAIO BRUNO: UMA SÍNTESE DO SEU PENSAMENTO NOS 100 ANOS DA SUA MORTE

 
Sampaio Bruno, sendo um dos autores mais esquecidos da cultura portuguesa, é, simultaneamente um dos autores de maior culto entre um reduzido grupo de intelectuais numa linha que vai de Leonardo Coimbra a Joaquim Domingos, passando por Álvaro Ribeiro, António Telmo, José Marinho e António Quadros, isto é, de autores que privilegiam as teses da “Filosofia Portuguesa”. Para além destes autores, excessivamente encomiásticos, possuímos um bom estudo de Joel Serrão,[1] exterior ao ideário do biografado, desenvolvido numa vertente cultural racionalista, de pendor sergiano, o clássico Amorim de Carvalho, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno. As Influências de Comte e Hartmann. Crítica e Reflexões Filosóficas (1960),[2] útil e investigativo livro, que não deve ser lido sem as correcções explicitadas por António Telmo em “Prefácio” a O Brasil Mental. Esboço Crítico,[3] e, principalmente, as advertências muito lúcidas feitas por Joaquim Domingues nos artigos “A Ética Cósmica de Bruno” e “Bruno e Euclides da Cunha no contexto do positivismo finissecular”, insertos em De Ourique ao Quinto Império. Para uma Filosofia da Cultura Portuguesa,[4] bem como o livrinho do mesmo autor, muito justo na apreciação da evolução e da filosofia de Sampaio Bruno, O Essencial sobre Sampaio (Bruno).[5]. Descuidada na apreciação crítica da filosofia de Sampaio Bruno é a de José Barata-Moura, no seu livro Estudos de Filosofia Portuguesa, no capítulo “Tópicos para um panorama da filosofia em Portugal no século XX”.[6] Porém, a verdade é que Barata-Moura restringe a filosofia de Sampaio Bruno à análise do livro A Ideia de Deus (1902), olvidando tanto as anteriores ideias filosóficas de Sampaio Bruno quanto, principalmente, a sua marcante superação do positivismo, ficando a supor o leitor, pelos extractos apresentados, ser a teoria de Sampaio Bruno uma espécie de nefalibatismo espiritual pairando no céu da filosofia mística sobre um térreo vendaval político entre republicanos e monárquicos.

(excerto)



[1] Joel Serrão, Sampaio Bruno, O Homem e o Pensamento, Lisboa, Livros Horizonte, 19862. De aconselhável a leitura de Manuel Gama, O Pensamento de Sampaio Bruno. Contribuição para a História da Filosofia em Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1994, bem como AA. VV., Colóquio Antero de Quental dedicado a Sampaio Bruno, Aracaju, Secretaria de Estado da Cultura, 1995, com um conjunto de importantíssimas comunicações, cujo leque teórico fornece uma das melhores introdução ao todo do pensamento de Sampaio Bruno.
[2] Amorim de Carvalho, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno. As Influências de Comte e Hartmann. Crítica e Reflexões Filosóficas; Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1960.
[3] António Telmo, “Prefácio” a Sampaio Bruno, Brasil Mental. Esboço Crítico, [1898], Porto, Lello & Irmãos, 1997.
[4] Cf. Joaquim Domingues, De Ourique ao Quinto Império. Para uma Filosofia da Cultura Portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002, respectivamente, pp 85 ss e 97 ss.,
[5] Joaquim Domingues, O Essencial sobre Sampaio (Bruno), Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002.
[6] Cf. José Barata-Moura, Estudos de Filosofia Portuguesa, Lisboa, Ed. Caminho, 1998, pp. 249 – 281.

sexta-feira, 27 de março de 2015

De Miguel Real, para a NOVA ÁGUIA 15...


Na relativamente longa historiografia da bibliografia pessoana, qual o estatuto deste notável livro de Jerónimo Pizarro, que, se não revoluciona os estudos pessoanos, de certeza os marcará durante longo tempo? Pessoa Existe? título voluntariamente provocador, corresponde hoje, à entrada da segunda década do século XXI, à síntese e ao resultado actualizados da historiografia sobre a obra de Fernando Pessoa, iniciada pelos directores da revista presença, José Régio, João Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro, no início da década de 1930. (excerto)

domingo, 31 de agosto de 2014

De Miguel Real, para a NOVA ÁGUIA 14

Mensagem foi o único livro escrito em língua portuguesa publicado em vida por Fernando Pessoa. O tema da totalidade do livro reside em Portugal e na sua história. Porém, não se trata de uma simples história de Portugal em verso. Diferentemente, trata-se de revelar o sentido sagrado, providencial e messiânico da história de Portugal como país e povo eleito por Deus para, após êxitos (os Descobrimentos e a criação do Império) e fracassos (decadência posterior à perda da independência em 1580), atingir o momento hierofântico, sagrado, de criação do Quinto Império, um império cultural e espiritual. (excerto)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Este Sábado: “Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa”

II Ciclo de tertúlias na Casa Bocage 
Rua Edmond Bartissol 12, Setúbal 
11 de JANEIRO– 16h Miguel Real 
“Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa” | lançamento do livro “Comentário à Mensagem de Fernando Pessoa”

Organização: Associação Agostinho da Silva

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Próxima sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 12

07.11.13 - 19h00: Livraria Bertrand Chiado (por Renato Epifânio).

Na mesma sessão, Miguel Real apresentará a recente reedição da "História Secreta de Portugal", de António Telmo, e Ruy Ventura a mais recente obra de Pedro Martins, "Teoria Nova da Saudade" (edições Zéfiro).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

27 Setembro: "À Mesa com Miguel Real"

A Sociedade de Língua Portuguesa leva a efeito no próximo dia 27 deste mês, sexta-feira, pelas 20 horas, no Hotel Açores Lisboa, Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 3, em Lisboa (esquina com a Praça de Espanha), um jantar temático "À Mesa com Miguel Real", escritor, ensaísta e crítico literário do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, com vasta obra publicada, que proferirá uma conferência subordinada ao tema "A Mensagem, de Fernando Pessoa".

O preço do jantar, em regime de bufete, sentados, com bebidas incluídas é de 22 euros.

Marcação prévias para os telefones 968099698 ou 914132418 ou para jantarestematicosslp@hotmail.com, indicando nome e contacto telefónico

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Esta Quinta: Ciclo Agostinho da Silva, na FNAC Chiado


    5 de Setembro, 18.30h
         “Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa”, por Miguel Real

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Miguel Real, ARTE E MORAL: NO ANO DA MORTE DE JOSÉ ENES, para a NOVA ÁGUIA 12

Face a esta situação de vazio histórico e ontológico a que a metafísica fora conduzida no século XX, a proposta de José Enes é a de regressar à metafísica, não do modo sistemático por que ganhara escola ao longo da tradição ocidental, mas à sua fonte primeva, a grega de Aristóteles, lida pela inspiração cristã de São Tomás de Aquino. É o que José Enes fará na sua tese de doutoramento, relendo ambos à luz auroral da hermenêutica de Martin Heidegger...

(excerto)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

De Miguel Real, para a NOVA ÁGUIA 12: A “PATRIOSOFIA” DE ANTÓNIO QUADROS

António Quadros intenta desenhar um “projecto áureo” de futuro para Portugal após a derrocada do nacionalismo imperial do Estado Novo, ressuscitando das cinzas magoadas do 25 de Abril de 1974 o sonho providencialista português, expressão histórica, agora dinamicamente actualizada, de todas as tradições “arqueológicas” (no sentido alvarino de pensamento dos “arcanos”) de Portugal e dos povos pré-históricos que lhe habitaram o actual território europeu.

(excerto)

sábado, 18 de maio de 2013

18 DE MAIO, NA CASA DO BISPO: MIGUEL REAL E ANTÓNIO CARLOS CARVALHO APRESENTAM OS SEUS NOVOS LIVROS


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“Sinais dos Tempos”, significativamente, é o mote da sessão a realizar no próximo dia 18 de Maio, pelas 15:30, na Casa do Bispo, no âmbito da programação do Círculo António Telmo para esse mês. Entre o presente e o futuro, entre a filosofia e a religião, entre o pensamento e a profecia, dois nomes marcantes da cultura portuguesa e membros da família télmica regressam a Sesimbra para falar dos seus mais recentes livros. Miguel Real dá a conhecer a Nova Teoria da Felicidade, acabada de publicar com a chancela da Dom Quixote, e, depois, António Carlos Carvalho apresenta A Profecia dos Papas de São Malaquias, volume saído a lume pela Zéfiro e que conta com uma aprofundada introdução da sua autoria.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Miguel Real, da Direcção da NOVA ÁGUIA, premiado pela SPA



"O Feitiço da Índia", de Miguel Real, melhor livro de ficção (Prémio Sociedade Portuguesa de Autores)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"A Vocação Histórica de Portugal", de Miguel Real


Na esteira de mais de uma dúzia de obras publicadas nesta última década sobre Portugal e a sua tradição cultural e filosófica, ora em geral ora sobre alguns autores em particular , série iniciada, auspiciosamente, com o premiado ensaio Portugal. Ser e Representação, de 1995, ofereceu-nos, Miguel Real, mais uma obra com o sugestivo título de A Vocação Histórica de Portugal. Desde logo pelo título mas, sobretudo, pelo conteúdo, esta obra retoma uma outra que, também aqui, nas páginas da NOVA ÁGUIA, no seu primeiro número, destacámos . Referimo-nos à obra A Morte de Portugal, de 2007. Nesta, diagnosticava o autor “os quatro complexos culturais por que Portugal se foi concebendo a si próprio ao longo de 800 anos de História”. O primeiro designa-o como o “complexo viriatino” – por ele se denota a alegada “origem exemplar de Portugal” . O segundo é o “complexo vieirino” – por ele se denota o alegado estatuto de Portugal como “nação superior” . Contrapolar a este é o terceiro complexo, que designa como o “complexo pombalino” – por ele, ao invés, se denota o alegado estatuto de Portugal como “nação inferior” . Resultante da contrapolaridade destes dois últimos, mas ainda em referência ao primeiro, indica o autor um quarto, que designa como o “complexo canibalista” . Por este, “não temos feito história da cultura com o pensamento, mas com o sangue, sustentando-nos antropofagicamente do corpo do adversário”. Daí, enfim, o impiedoso retrato que Miguel Real fez, nessa obra, do Portugal de hoje: “O Portugal desenhado pelos quatro complexos acima enunciados encontra-se moribundo, submerso pela avalanche de costumes liberais e americanos (…).”; “Mistura de complexo pombalino com um arreigado individualismo americano, o projecto político português caracteriza-se hoje, nos comecinhos do século XXI, pela exaltação unidimensional do homem técnico, o homem-eficiente, o homem-contabilista, o homem-robótico, desprovido de consciência histórica global (…).”; “É um novo Portugal que está nascendo, sem sublimidade, sem espiritualidade, sem projecto superior às suas forças e à sua dimensão (…), o Portugal dos pequeninos (…). ”. Em suma, somos hoje, como conclui, uma “canina imitação do pior da Europa”. 
 
Nesta obra, A Vocação Histórica de Portugal, esse diagnóstico não se alterou propriamente. Mas, se na obra A Morte de Portugal esse era ou pelo menos parecia ser um diagnóstico sem esperança, aqui, ao invés, há um Horizonte que se abre, um “novo espaço histórico a criar” – como escreve Miguel Real, logo na apresentação da obra: “Assim, contra a tese de Jorge Borges de Macedo (…), considera-se não existir um destino histórico para Portugal, antes uma vocação histórica segundo a vontade das suas elites e a tendência conjuntural europeia e internacional. A vocação histórica de Portugal, hoje, à entrada do século XXI, é, incontestavelmente, a de cruzar a nova experiência europeia com a antiga provação imperial, gerando um novo e exemplar espaço político internacional de igualdade e prosperidade – a Lusofonia. Este novo espaço é, hoje, para o futuro de Portugal, mais importante do que o espaço europeu”. Eis, em suma, a tese que Miguel Real desenvolve ao longo de três capítulos. No primeiro deles, intitulado “O Espírito da Europa”, faz, Miguel Real, um tão grande quanto justo elogio ao espírito europeu, o que em nada colide com a posição de princípio pró-lusófona. É, de resto, um elogio pertinente, tanto mais porque é contra-corrente, podendo até ser, pelo menos em parte, ser visto como “politicamente incorrecto”. Com efeito, Miguel Real defende, expressamente, que “outro continente não existe com tão grandiloquente e realizador passado” – por isso, “deve a Europa respeitar e orgulhar-se dos seus feitos passados”. Como concretiza, “nenhum outro continente teve Platão e Galileu, Aristóteles e Copérnico, Leibniz e Newton, Kant e Einstein”. E daí “a grande, grande diferença entre a Europa e os restantes continentes”: “a Europa é o continente da cultura”, “o continente que transformou o animal homem no homem humano”. Como escreveu ainda Miguel Real, a fechar o ensaio inicial do primeiro capítulo: “nunca a humanidade do homem tão alto se elevou quanto na Europa, o genuíno e autêntico continente da única forma mentis que abarca a totalidade da humanidade”. Isso deve-se, desde logo, como refere a abrir o ensaio seguinte “O decálogo civilizacional da Europa”, a quatro primados: “o primado da Cidade (Polis) sobre a Horda e a Tribo”, “o primado do Direito (Jus) sobre a Tradição”, “o primado da Ética (Ethos) sobre o Interesse” e, finalmente, “o primado da Razão sobre o Mito e a Magia”. Por via desses quatro primados e de outros factores – como, em particular, “a separação entre o Estado e a Religião”, “a criação do Sistema Democrático” e a “industrialização do mundo” –, conclui Miguel Real: “Nenhum outro continente pode apresentar tão alto sistema de valores e realizações operados para o bem e o progresso humanístico da humanidade no seu conjunto. Os valores culturais asiáticos e árabes, centrados na religião, e africanos e sul-americanos, centrados no tribalismo, estatuem-se como menores (e, até, por vezes insignificantes) para a totalidade do mundo se comparados com a criação política, filosófica, religiosa, estética, científica, social e económica europeia.” Contudo, como defende no ensaio seguinte, com o título de “A Decadência da Europa”: “pela primeira vez em três mil anos, a Europa habita o panteão dos povos e territórios que não fazem História, antes a contemplam, vendo-a passar ao longe, a Oeste e a Este”; “tecnologicamente (que é o actual padrão de medida do progresso), a Europa parou na II Guerra Mundial”, passando a ser “internamente vista como um apêndice dos Estados Unidos da América”. Por tudo isso, como conclui Miguel Real: “o europeu de hoje é um cidadão conformista, acrítico, por vezes mesmo acéfalo, pasto de programas imbecis de televisão, de revistas fúteis, de campeonatos nacionalistas de futebol, adorador dos mais medíocres bezerros de ouro (políticos, futebolistas…), um cidadão movido pelo interesse, desprovido de sonho e transcendência. A Europa é hoje um continente cego guiado por políticos cegos./ Assim, nenhuma forma de vida é criticada ou asperamente excluída da cidade. Na Europa, hoje, o espírito nómada da aventura e da viagem tornou-se um modismo experimental, uma ânsia da novidade, do exótico, do insólito, do selvagem, do fantástico, num imoral cruzamento entre pornografia e misticismo, como a arte e, dentro desta, a literatura de mercado bem revela.”. Não obstante este diagnóstico, que o próprio assume como “muito cruel”, Miguel Real defende no ensaio que se segue e que encerra o primeiro capítulo, intitulado “Esperança na ressurreição da Europa”, que, precisamente, “a esperança na possibilidade de uma futura ressurreição europeia não deve ser abandonada”. E aqui assumimos a divergência maior relativamente a Miguel Real. Ao contrário dele, nós não temos a menor “esperança na ressurreição da Europa”. Falamos, em particular, da União Europeia, enquanto alegada consagração política deste continente. Com efeito, ainda que hoje isso pareça fazer parte de uma história hoje já muito distante, o grande “cimento” da construção da União Europeia foi a ameaça que o bloco soviético, que, como sabemos, se estendeu a toda a Europa de Leste, constituiu, durante quase meio século, para a Europa ocidental. Isso e a posição subalterna que a Alemanha aceitou, como expiação da sua culpa pela II Guerra Mundial – a Alemanha (falamos, obviamente, antes da reunificação, da Alemanha ocidental) não poderia afirmar-se politicamente, apenas financiar todo o projecto político da construção europeia. E deveria até mostrar entusiasmo por isso. Com o fim da ameaça soviética e com a reunificação alemã, era inevitável que também essa derradeira máscara caísse. A Alemanha reunificada voltou a ser, naturalmente, um país como os outros – não mais do que os outros, mas também não menos. Para mais, acedeu ao poder uma geração que já não carregava sobre os seus ombros esse peso histórico da “culpa alemã”. O que a Alemanha tinha a pagar, já o havia feito. Agora, defenderia simplesmente os seus interesses, tal como todos os outros países europeus. Quem a poderia impedir? E eis como inevitavelmente se encerrou o último acto da farsa da “solidariedade europeia”. Chegados aqui, e concordado de novo com Miguel Real: “existe hoje, em Portugal, uma alternativa à Europa sem que desta nos tenhamos necessariamente de desvincular, uma alternativa de futuro aos actuais valores europeus (que, verdadeiramente, já são mais os valores americanos que europeus) sem o corte radical com a Europa – o retorno à antiga comunidade de língua portuguesa: a lusofonia./ De facto, existe uma nova geração que, desejando um futuro diferente para Portugal, assume sem complexos neo-colonialistas a existência passada do Império, projectando-o no futuro da língua comum. O que tem esta nova geração para dar? Nada, a não ser a vontade e o entusiasmo de transformar o passado comum num futuro comum assente numa língua comum e num espírito comum”. Como escreve ainda Miguel Real, a finalizar o penúltimo ensaio do terceiro capítulo, sugestivamente intitulado “Morte e ressurreição de Portugal” : “Se, para Portugal, entre 1975 e 2010, a Europa esteve sempre primeiro, é hora de nos centrarmos nas infinitas possibilidades virtuais presentes na Lusofonia, tanto do ponto de vista económico como diplomático, como, sobretudo, do ponto de vista cultural e tecnológico, criando entre os seus países constituintes uma comunidade semelhante à Europeia.”. Semelhante?! O próprio Miguel Real, já no último ensaio, intitulado “O Futuro da Lusofonia”, se corrige – “A Lusofonia deve criar uma paisagem política nova” –, dado que, ainda nas palavras do autor: “Diferentemente, a Lusofonia corresponde a um genuíno programa civilizacional de fundo, unindo num vínculo único povos que a História fez encontrar e desencontrar. A Lusofonia não é uma ilusão política porque se fundamenta na história dos encontros/desencontros dos seus povos constituintes unidos actualmente por um falar comum.”. Eis, em suma, o Horizonte que Miguel Real nos abre como via de superação da “morte de Portugal” que ele próprio, como referimos, havia diagnosticado. Horizonte que, entre nós, tem sido defendido sobretudo pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono , que tem dado voz a essa “nova geração”. 

(publicado no décimo número da NOVA ÁGUIA - excerto)