Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.
- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.
- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.
- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.
- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.
- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"
- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.
- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.
- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.
- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.
- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).
- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).
- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).
- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.
- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).
- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.
Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24
As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.
Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).
Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!
Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.
A Direcção da NOVA ÁGUIA
Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.
NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:
https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
quinta-feira, 14 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
terça-feira, 16 de março de 2010
Palestra: "A Gnose de Sampaio Bruno" amanhã (dia 17) em Lisboa por Abdul Cadre & Renato Epifânio
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Texto que nos chegou...
Afonso Rocha
NO CENTENÁRIO DE A ÁGUIA:
QUE PORTUGAL O DA NOVA ÁGUIA?
Ainda hoje, quer o facto de Sampaio (Bruno) não ter pertencido à A Águia e à «Renascença Portuguesa», quer o facto de Raul Proença, Fernando Pessoa, António Sérgio e outros... se terem afastado de tal projecto, não poderá deixar de fazer pensar...
E, a meu ver, quer a atitude de um, quer a atitude de outros, deverá ser tida em tanto mais atenção quanto é possível constatar que a divergência ou afastamento do projecto em apreço não só não foi impeditivo da continuação dum certo relacionamento posterior entre uma parte e outra, como não tolheu que, posteriormente, a generalidade dos que divergiram se servisse uma ou outra vez d’A Águia para escrever um ou outro artigo .
E, porque, como outros, sou dos que valorizam as razões que terão estado na base do procedimento destes homens, também, naturalmente, não foi sem uma certa hesitação que anuí ao convite-pedido que me foi dirigido pela direcção da Nova Águia, para que colaborasse com um artigo neste seu número, de comemoração do centenário d’A Águia.
Obviamente que, ao aceitar o pedido de uma tão honrosa colaboração, também desde logo se apossou de mim a percepção de que, para um esforço de abordagem justa, se imporia entrar em linha de consideração, quer com os aspectos de divergência, quer com os aspectos de convergência, já que, hoje como ontem, sempre foi inquestionável que, entre os dois lados, nunca deixou de se dar uma essencial e comum preocupação... Isto, obviamente, para além duma postura que significasse de forma inequívoca o reconhecimento do mérito das pessoas que corporizam o tão importante projecto da Nova Águia...
Assim sendo, haverá que ter antes de mais em boa nota duas coisas: em primeiro lugar, que todos, quer os que integraram o projecto d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», quer os que dissentiram dele ou nem mesmo lhe chegaram a pertencer, foram adeptos da República; em segundo lugar, que todos quiseram a República, mas com a «renascença» de Portugal, ou seja, com um Portugal que, «renascendo» para a sua «alma» e para a sua história, rompesse com a sua situação de país «desnacionalizado» e «estrangeirado».
Só que, sob o aspecto duma posição completamente idêntica, sucedia que, enquanto o projecto d’A Águia e da «Renascença Portuguesa» liderado por Pascoaes significava a expressão dum país que, «para crear uma nova vida» e/ou para fazer «renascer» Portugal para a sua «alma», subsumia que os portugueses teriam que «regressar às fontes originárias» e/ou à «Saudade revelada» , Bruno, Proença, Pessoa, Sérgio e outros... subsumiam que o «renascimento» de Portugal, no âmbito duma inequívoca «renascença» ou recuperação da «alma portuguesa», deveria consistir num projecto pautado por parâmetros de universalismo e de abertura ao exterior, por conseguinte um «renascimento» baseado no universalismo indispensavelmente situado, que tanto guardasse e desenvolvesse a memória histórica do Portugal de Quinhentos como integrasse na actual identidade de Portugal o exterior, o estrangeiro, a Europa e o Mundo.
E o certo é que, enquanto A Águia e/ou a «Renascença Portuguesa», conforme Pascoaes o faz supor no seu projecto de manifesto sobre a «Renascença Portuguesa» e no texto que publica sob o título «Renascença» no número de Janeiro de 1912 (2.ª série) , declaram que a perdição da «alma portuguesa» e/ou a «confusão cahotica» do país se deve às «más influências literárias, politicas e religiosas vindas do estrangeiro [Europa]», de sorte que Portugal, para «poder cumprir o destino que por natureza, nascimento e sangue lhe pertence», não tem outra solução que não seja a de fazer com que «todos os portugueses» «regressem» à sua «realidade essencial» e/ou às «fontes originárias» da «Saudade revelada», em contrapartida, Bruno, Pessoa, Proença, Sérgio e outros..., sem prejuízo de defenderem também um Portugal de identidade «nacional» (na história, no pensamento e na cultura), não deixarão, no entanto, de afirmar com ênfase o carácter imperscriptivelmente aberto, cosmopolita e universal do «Portugal novo» a construir .
De uma tal perspectiva da «Renascença» e do «renascimento» de Portugal, serão por antonomásia expressões, quer Sampaio (Bruno), quer Fernando Pessoa: o primeiro, porque, contestando de forma categórica o carácter histórico, material e pessoal do messianismo português, do messianismo judaico e do messianismo do Quinto Império do padre António Vieira, se apresenta como um defensor inquebrantável do carácter ontologicamente espiritual, impessoal do messianismo e/ou da perspectiva aberta, cosmopolita e universal do Portugal do futuro; o segundo, porque, fazendo supor o questionamento quer do «espírito» «lusitanista» e «saudosista» do messianismo de Pascoaes , quer do carácter histórico-milenarista do messianismo do Quinto Império do padre António Vieira, se apresenta como alguém que, por um lado, concebe e afirma o messianismo do Quinto Império de Portugal em termos substantivamente mítico-simbólicos, e como alguém que, por outro lado, concebe e afirma o messianismo do Quinto Império em termos de um misticismo gnóstico-cristão-pagão, de natureza tão «espiritual» e «universal» como «racional» e «anti-católica», de cuja concepção não só resulta ser impossível subsumir o messianismo do Quinto Império de Pessoa em termos de um «Império» histórico e «português», como até só resulta ser possível subsumir o Quinto Império de Portugal em termos de Quinto Império do Mundo, o mesmo é dizer, como um «imperialismo» místico-messiânico de essência «espiritual», «racional», «anti-católica» e «universal».
Bom, mas se a «renascença» d’A Águia e da «Renascença Portuguesa» hegemonizada por Pascoaes labora nos aludidos pressupostos, então, também não deixará de ser oportuno que se formulem as seguintes questões: primeira, por que razão, quando se escreve ou quando se fala d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», se assiste a que, com frequência, mesmo no âmbito da Nova Águia, se refira Bruno, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Proença, Pessoa, Sérgio e outros... como se todos tivessem pertencido, ou todos tivessem pertencido do mesmo modo, à A Águia e à «Renascença Portuguesa»? Segunda, por que razão pretender afirmar que a concepção do Portugal d’A Águia e/ou da «Renascença Portuguesa» é, por exemplo, segundo a interpretação de António Cândido Franco , é a de um país «geo-estrategicamente» europeu e universal, análoga ou mesmo idêntica à de Bruno, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Proença, Pessoa, Sérgio e outros..., como se o ideal destes últimos quanto à «renascença» de Portugal, nomeadamente de Bruno e Pessoa, fosse no essencial o mesmo que A Águia e o movimento da «Renascença Portuguesa», mormente de Pascoaes, consagram?
De resto, se porventura esta segunda questão for considerada como susceptível de suscitar estranheza, nada, a nosso ver, como, sem que entretanto se percam de vista nomeadamente os textos de Pascoaes já mencionados, ter em atenção os quatro primeiros números da Nova Águia, e muito designadamente o último, com o qual, apesar do esforço empreendido para demonstrar o teor europeu da geo-estratégia de Pascoaes e d’A Águia, se não logra evitar a ideia de que A Águia e a «Renascença Portuguesa» terão efectivamente consistido num projecto de cariz fechado e de sabor nacionalista...
Aliás, no tocante a esta questão, independentemente de não se excluir de todo a possibilidade de alguma imprecisão no âmbito do afirmado, não deixa de se nos configurar como indispensável o aparecimento de um estudo monográfico (ou estudos), devidamente objectivo e fundamentado (coisa que, no nosso ponto de vista, ainda não existe), sobre o pensamento filosófico, político-messiânico e místico-religioso de Pascoaes, através do qual se torne possível esclarecer e avaliar de forma adequada e justa as questões em apreço.
Contudo, não obstante tudo, não somos dos que consideram descabido que a Nova Águia tenha surgido e exista. De modo algum!
Bem ao contrário, somos dos que pensam que hoje, comparativamente com os tempos d’A Águia e da «Nova Renascença», existem mesmo razões acrescidas, para que os portugueses se interroguem de forma especial sobre o problema da sua identidade e futuro como povo e país. E isto, porque, se, nos tempos d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», a ideia que existia sobre a identidade de Portugal e o seu futuro era a de um Portugal-Império, hoje, tal ideia de Portugal já não tem qualquer adesão à realidade, porque nós já não somos um Império, mas sim um país e um povo integrado a corpo inteiro na Europa, de tal decorrendo em consequência que a Europa não possa deixar de constituir o fundamento natural e primacial da nossa actual ideia de Portugal e do seu futuro, ainda que sem nunca incorrermos no erro de enjeitar, quer a memória histórica materializada sobretudo na época de Quinhentos e que tem a ver com o carácter aberto, cosmopolita e universal que nos caracteriza, e que Pessoa identificou com a idiossincrasia do «ser tudo, de todas as maneiras» , quer o relacionamento privilegiado de Portugal com o Mundo lusófono, embora sempre a partir da Europa e com a Europa.
Bom, mas, porque toda esta reflexão e reformulação continua praticamente por fazer, então, um projecto como o da Nova Águia não só terá que ser considerado como oportuno e justificado, como deverá ser considerado em termos de um projecto que é não só urgente como mesmo mais complexo do que o que ontem mobilizou os homens d’A Águia e/ou da «Renascença Portuguesa».
Só que, nesta medida, para que logre cumprir com a missão que a nova situação orgânica e geo-estratégica confronta o país, a Nova Águia não poderá limitar-se a assumir e a reafirmar os problemas e as perspectivas d’Águia de Pascoaes como se a questão da identidade de Portugal continuasse a poder ser equacionada essencialmente à luz dum país e dum povo que ainda sejam, respectivamente, um Império sob o ponto de vista orgânico e um Povo «estrangeirado» e «desnacionalizado» sob o ponto de vista político-cultural, mas ela deverá, sim, olhar para a nova situação orgânica e/ou geo-estratégica de Portugal e adoptá-la como fundamento e parâmetro de equacionação do problema da identidade e do futuro do país, passando, por conseguinte, não só a afirmar Portugal como um país e um povo europeu, mas também como uma entidade que deverá continuar a dar provas de um povo e de um país por excelência aberto, cosmopolita e universal, muito designadamente em relação ao Mundo da lusofonia, porém, agora, a partir da Europa e com a Europa.
E, então, sim, a Nova Águia, projecto essencial do Portugal que está para cá da descolonização e da sua integração na União Europeia, fazendo prova de ser capaz de integrar os Brunos, os Pascoaes, os Leonardos, os Proenças, os Pessoas, os Sérgios e todos os demais..., não só se revelará um projecto à altura de contribuir para que o Portugal de hoje se cumpra em coerência com o enquadramento orgânico e geo-estratégico que o define actualmente, como se revelará mesmo um projecto com condições para corresponder à ânsia da maioria dos portugueses que, porventura sem o verbalizarem, estarão querendo um Portugal bem diferente do que lhes estão dando...




