Compilação dos sketches do Black Skin no Marquês do Pombal, em frente ao cartaz do PNR, do 1º episódio da 2ª série do "Vai tudo Abaixo"
SOS Racismo congratula-se com condenação da extrema-direita
04-Out-2008
A sentença que condenou 29 dos 36 arguidos no julgamento do grupo neo-nazi Frente Nacional foi bem recebida pela associação anti-racista, apesar de serem apenas seis os criminosos que cumprirão penas de prisão efectiva, e um deles já se encontrar preso por tráfico de droga. O SOS Racismo diz que o tribunal provou "pela primeira vez na história portuguesa que incentivar ao ódio contra os outros é crime". Veja aqui a lista dos condenados e absolvidos.
"Uma ideologia que defende o ódio, que defende a violência contra terceiros, que defende o uso de armas como estratégia, que defende a discriminação, que defende o nazismo (como se viu pelo sinal hitleriano usado por Mário Machado na televisão à saída do tribunal) não pode ser aceitável em nenhuma sociedade que assente os seus princípios no respeito pelos Direitos Humanos", diz o comunicado da associação SOS Racismo.
Para esta ONG antiracista, era urgente travar "a onda xenófoba e racista que se desenvolveu este Verão, mostrando à evidência que estamos bem longe do paraíso de inserção que os nossos governantes tanto gostam de proclamar" e esta sentença vai nesse sentido, já que "era muito importante que os actos de discriminação começassem a ser punidos". "Esperemos que a sentença hoje lida em Monsanto, seja um primeiro sinal de que a intolerância racista e xenófoba, os atropelos aos direitos humanos e a violência gratuita sobre outras pessoas que apenas pensam diferente, vestem de outro modo, vão a outras igrejas, tenham outra cor de pele, comece a ser combatida!", conclui o comunicado do SOS Racismo.
A sentença do tribunal condenou um dos elementos da Frente Nacional a sete anos de prisão efectiva por duas tentativas de homicídio e dois crimes de sequestro, quando atingiu duas pessoas a tiro na estação da CP da Amadora e depois entrou num automóvel, obrigando o condutor e a criança que este transportava a acompanhá-lo na fuga. Nessa tarde, Paulo Maia queria ainda dirigir-se para junto de outros elementos neo-nazis que já se encontravam na Faculdade de Letras de Lisboa, para tentarem impedir os estudantes da Faculdade de prosseguirem a pintura de um mural pela liberdade e contra o nazismo.
As outras penas de prisão efectiva foram aplicadas ao líder da FN Mário Machado, pelos crimes de ameaça, coacção agravada, detenção de arma ilegal, dano e ofensa à integridade física qualificada, que lhe valeram 4 anos e dez meses. A que se junta o crime de discriminação racial, a motivação que unia todos os que agora foram condenados. Também Rui Veríssimo, considerado o responsável pela logística da organização neo-nazi, tendo alugado a primeira "Skinhouse" em Loures, foi condenado a três anos e nove meses, que se vão juntar à pena que actualmente cumpre por ter sido apanhado com 1,5 Kgs de cocaína à chegada ao aeroporto da Portela. O juíz considerou que não ficaram reunidas as provas suficientes do narco-financiamento da extrema-direita em Portugal, embora tenham sido interceptadas mensagens de Veríssimo a garantir aos companheiros que não denunciara os elementos do grupo responsáveis pela venda da droga que trazia.
Outro condenado a prisão efectiva foi Pedro Isaque (na foto com Mário Machado e o presidente do PNR, Pinto Coelho), que com Machado, Veríssimo, José Amorim (condenado a três anos e seis meses com pena suspensa) e Vasco Leitão (o nº 2 do PNR, condenado a um ano e oito meses com pena suspensa) compunha o "núcleo duro" da organização neo-nazi Frente Nacional e era presença assídua nas deslocações a eventos da extrema-direita europeia. Isaque participou também em várias agressões do grupo hammerskin e isso foi determinante para a condenação. Por outras agressões e ameaças foi condenado Paulo Lamas, a três anos, e Alexandre Dias, a dois anos e dez meses. Todos os condenados foram-no também por posse de armamento proibido.
O skinhead que profanou o cemitério judeu e era também arguido neste processo acabou por ser condenado a cinco anos com pena suspensa, tendo agora de ser julgado pela acção anti-semita. Também Fernando Pimenta, ligado ao processo do tráfico de armas, foi alvo de acusação separada deste processo. Quanto ao skinhead que ameaçou a filha de Ricardo Araújo Pereira, o que motivou a alteração de residência do humorista, foi condenado a três anos de pena suspensa, enquanto a sua mulher, também arguida, foi condenada a um ano e meio de prisão, igualmente com pena suspensa.
O juíz garantiu aos arguidos que no caso de poderem substituir as penas suspensas por trabalho comunitário, não os enviará para bairros sociais da área metropolitana de Lisboa "por questões de segurança", contrariando a proposta do Instituto de Reinserção Social. À saída do Tribunal, Mário Machado disse que "quem merecia a prisão eram os pretos e os ciganos que andaram aos tiros na Quinta da Fonte".
Eis a lista dos condenados e absolvidos do julgamento da Frente Nacional:
Paulo Maia: Sete anos de prisão efectiva
Pedro Isaque: Cinco anos de prisão efectiva
Mário Machado: Quatro anos e 10 meses de prisão efectiva
Rui Veríssimo: Três anos e 9 meses de prisão efectiva
Paulo Lamas: Três anos de prisão efectiva
Alexandre Dias: Dois anos e 10 meses de prisão efectiva
Carlos Seabra: Cinco anos (pena suspensa)
José Amorim: Três anos e 6 meses (pena suspensa)
Francisco Rosa: Três anos (pena suspensa)
Nuno Pedrosa: Três anos (pena suspensa)
Paulo Correia: Dois anos e 5 meses (pena suspensa)
Paulo Ramos: Dois anos e 4 meses (pena suspensa)
Paulo Florência: Dois anos e 2 meses (pena suspensa)
Daniel Mendes: Dois anos e 2 meses (pena suspensa)
Pedro Domingues: Dois anos e 2 meses (pena suspensa)
Bruno Sousa: Dois anos e 2 meses (pena suspensa)
Bruno Martins: Dois anos (pena suspensa)
Vasco Leitão: Um ano e 8 meses (pena suspensa)
Bruno Malhoa: Um ano e 10 meses (pena suspensa)
Nélson Pereira: Um ano e 6 meses (pena suspensa)
Dina Ferreira: Um ano e 6 meses (pena suspensa)
Sandra Correia: Um ano e 6 meses (pena suspensa)
Phillippe Debonnet: Um ano e 4 meses (pena suspensa)
Miguel Ângelo Lopes: Um ano (pena suspensa)
Sérgio Sousa: 250 horas de trabalho comunitário
João Sousa: Três mil euros de multa
Tiago Jacinto: Dois mil euros de multa
Tiago Leonel: 1920 euros de multa
Nélson Pinto: 960 euros de multa
Rogério Pereira: Absolvido
Nuno Themudo: Absolvido
João Carvalho: Absolvido
José Coelho: Absolvido
Diogo Cordeiro: Absolvido
João Ricardo: Absolvido
Vasco Carvalho: Absolvido
Notícia retirada de
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=8536&Itemid=28
Ver Também...
A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
1ª condenação por racismo em Portugal
sábado, 5 de setembro de 2009
Só no futebol?
"Português levezinho
Verde na bola
Andam por aí muitas virgens ofendidas no seu orgulho pátrio por ver Liedson a jogar na Seleção. Já com Deco tinha havido o mesmo burburinho. Coisa única do futebol, supõe-se, já que as naturalizações de Nelson Évora e de Obikwelu não causaram o mesmo tipo de afrontamentos.
Houve um tempo em que os portugueses se espalharam pelo Mundo. Agora o Mundo devolve-nos a amabilidade e espalha-se pelo País. Ainda bem. E se o país tem essa mistura não vejo porque deveria ser imaculada a nossa Seleção. Mais: tendo em conta que a Nação em festa seguiu Scolari durante uns anos é um pouco ridículo que se arme em pura quando chega a vez dos jogadores.
Apenas dois reparos. O primeiro: a naturalização deve corresponder à vida dos jogadores e não deve ser apenas um negócio. É o caso de Liedson, que cumpre todos os critérios para pedir a nacionalidade. Se for apenas uma forma de comprar jogadores para as seleções trata-se de concorrência desleal com os países mais pobres e a utilização da lógica dos clubes nas seleções. Não é o caso.
O segundo: os jogadores não devem ter um tratamento especial em relação aos restantes cidadãos estrangeiros. Portugal precisa de bons jogadores, como precisa de bons artistas, bons engenheiros, bons empregados de mesa ou bons canalizadores. E se aqui vivem e querem continuar a viver, se é aqui que pagam impostos e é aqui que dão o melhor que têm, merecem tanto a nacionalidade portuguesa como Liedson. Não tem sido assim.
Uma seleção deve ser o retrato de um país e Liedson devia ser um símbolo da forma como tratamos quem aqui decide viver. Infelizmente não o é. Mas talvez o futebol seja uma boa maneira de começar derrubar-se algumas barreiras e preconceitos.
Autor: DANIEL OLIVEIRA
Data: Sexta-Feira, 4 Setembro de 2009 - 18:04"
Fonte:
www.record.pt
Link:
http://www.record.pt/noticia.aspx?id=e33eaddd-18ed-4f81-a4d6-266b9dc7850f&idCanal=00000124-0000-0000-0000-000000000124
PS: Cabe a nós, brasileiros, negros, ciganos, emigrantes, chineses compreender que somos todos seres humanos, e que se formos usar a consciência para lidar com a questão nada material tem dono, somos donos apenas dos nossos pensamentos, sentimentos e ações e tentar de forma pacífica fazer com que o outro conviva com as diferenças exteriores, e que todos temos a oportunidade de lhes mostrar o quanto ser gentil, honesto, educado... É elegante.
Cabe também a nós, nos colocarmos no lugar daquele que discrimina e compreender a imaturidade da nossa espécie, vivemos num mundo onde um pai abusa sexualmente de uma filha, pais matam os seus filhos, filhos matam os seus pais, enfim, estamos todos no mesmo barco.
Cabe a nós que percebemos e passamos pela experiência de ser discriminados, sairmos da posição de vítima, estar sempre vítima é dar poder ao outro e ao assumirmos uma posição madura passamos a compreender.
Reflita... A discriminação está ligada a inveja e a baixo auto estima.
Verde na bola
Andam por aí muitas virgens ofendidas no seu orgulho pátrio por ver Liedson a jogar na Seleção. Já com Deco tinha havido o mesmo burburinho. Coisa única do futebol, supõe-se, já que as naturalizações de Nelson Évora e de Obikwelu não causaram o mesmo tipo de afrontamentos.
Houve um tempo em que os portugueses se espalharam pelo Mundo. Agora o Mundo devolve-nos a amabilidade e espalha-se pelo País. Ainda bem. E se o país tem essa mistura não vejo porque deveria ser imaculada a nossa Seleção. Mais: tendo em conta que a Nação em festa seguiu Scolari durante uns anos é um pouco ridículo que se arme em pura quando chega a vez dos jogadores.
Apenas dois reparos. O primeiro: a naturalização deve corresponder à vida dos jogadores e não deve ser apenas um negócio. É o caso de Liedson, que cumpre todos os critérios para pedir a nacionalidade. Se for apenas uma forma de comprar jogadores para as seleções trata-se de concorrência desleal com os países mais pobres e a utilização da lógica dos clubes nas seleções. Não é o caso.
O segundo: os jogadores não devem ter um tratamento especial em relação aos restantes cidadãos estrangeiros. Portugal precisa de bons jogadores, como precisa de bons artistas, bons engenheiros, bons empregados de mesa ou bons canalizadores. E se aqui vivem e querem continuar a viver, se é aqui que pagam impostos e é aqui que dão o melhor que têm, merecem tanto a nacionalidade portuguesa como Liedson. Não tem sido assim.
Uma seleção deve ser o retrato de um país e Liedson devia ser um símbolo da forma como tratamos quem aqui decide viver. Infelizmente não o é. Mas talvez o futebol seja uma boa maneira de começar derrubar-se algumas barreiras e preconceitos.
Autor: DANIEL OLIVEIRA
Data: Sexta-Feira, 4 Setembro de 2009 - 18:04"
Fonte:
www.record.pt
Link:
http://www.record.pt/noticia.aspx?id=e33eaddd-18ed-4f81-a4d6-266b9dc7850f&idCanal=00000124-0000-0000-0000-000000000124
PS: Cabe a nós, brasileiros, negros, ciganos, emigrantes, chineses compreender que somos todos seres humanos, e que se formos usar a consciência para lidar com a questão nada material tem dono, somos donos apenas dos nossos pensamentos, sentimentos e ações e tentar de forma pacífica fazer com que o outro conviva com as diferenças exteriores, e que todos temos a oportunidade de lhes mostrar o quanto ser gentil, honesto, educado... É elegante.
Cabe também a nós, nos colocarmos no lugar daquele que discrimina e compreender a imaturidade da nossa espécie, vivemos num mundo onde um pai abusa sexualmente de uma filha, pais matam os seus filhos, filhos matam os seus pais, enfim, estamos todos no mesmo barco.
Cabe a nós que percebemos e passamos pela experiência de ser discriminados, sairmos da posição de vítima, estar sempre vítima é dar poder ao outro e ao assumirmos uma posição madura passamos a compreender.
Reflita... A discriminação está ligada a inveja e a baixo auto estima.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A velha Europa racista...

Um cidadão alemão natural de Angola candidato pela União Democrata-Cristã (CDU) às próximas eleições regionais na Alemanha, marcadas para o dia 30, encontra-se sob protecção policial depois de ter sido intimado a abandonar o país pelo Partido Nacional Democrático, uma força de extrema-direita, conotada com o neonazismo. "Não tenho medo, por natureza não sou uma pessoa medrosa", afirma Zeca Schall, o candidato ameaçado, em declarações ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, assegurando que vai continuar a participar na campanha dos democratas-cristãos da CDU, partido da chanceler Angela Merkel, para as próximas eleições regionais.
Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1336404&seccao=Europa
terça-feira, 23 de junho de 2009
Despistagem do Racismo!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Em Portugal não há racismo? Claro que há e bem mais disseminado do que se julga…

1. Quanto em Portugal se fala de racismo, o alvo é sempre o óbvio: a nossa dita “extrema-direita”, que, mimetizando as suas congéneres europeias, defende paradigmas completamente contrários à nossa tradição histórico-cultural. Como aqui tenho dito e redito, ser racista, no caso português, não é apenas estúpido – é, sobretudo, anti-patriótico.
2. Esse alvo óbvio, que existe e deve ser denunciado, tem, contudo, servido para escamotear um racismo bem mais disseminado e subtil (em particular, no outro lado do espectro político).
3. Para quem, todavia, tem olhos para ver e não se deixa complexar com o PC (Politicamente Correcto), papagueando as tretas do costume, esse outro racismo mais subtil torna-se igualmente evidente.
4. Defende este, por exemplo, que a África deve ser para os africanos (leia-se: “para os pretos”). E, por isso, que todos os portugueses (leia-se: “os brancos”) foram muito bem expulsos no tempo da dita “descolonização”.
5. De resto, é hoje (cada vez mais) sabido que alguns países foram quase que “descolonizados” à força. Pela simples mas suficiente razão de serem “países de pretos”.
6. Quer o Dr. Alberto João Jardim a independência da Madeira? Simples. Convide, para lá viveram, alguns milhares de “pretos”. Verá que logo a atitude no continente mudará. Afinal, não é Portugal um país “europeu” (leia-se: “branco”)?
sábado, 16 de agosto de 2008
Mail vindo do Brasil a propósito do último Comunicado MIL...
Não será justo se todos os imigrantes em Lisboa, especificamente os Brasileiros serem marginalizados e discriminados por erros e vacilos de alguns; pois onde estaria o multiculturalismo, a diversidade e o respeito ao outro com todas as suas diferenças? É imperioso que se faça um alargamento dos horizontes de reflexões embasados na compreensão, na empatia e no discernimento para que possamos lograr a ética e os valores do ser integral com respeito a tudo e a todos.
EM PROL DO "PASSAPORTE LUSÓFONO"
Sérgio Prosdócimo
Florianópolis/Santa Catarina/Brasil
EM PROL DO "PASSAPORTE LUSÓFONO"
Sérgio Prosdócimo
Florianópolis/Santa Catarina/Brasil
terça-feira, 10 de junho de 2008
SANGUE NA RUA
ESCRITO EM 10 DE JUNHO DE 2006, EM LISBOA, APÓS TER TOMADO CONHECIMENTO QUE SKINS NAZIS TINHAM INSULTADO E TENTADO ESPANCAR UMA TOXICODEPENDENTE AFRICANA
«Gosto das ruas assim, vazias. Custa-me menos, as paredes não têm olhos e não as posso recriminar por não terem mãos. Às vezes, no silêncio, sem nada, sinto até que esta rua é uma espécie de lar. Às vezes é lindo, brinco com a meia dúzia de cães que também fizeram deste pedaço de cidade a sua casa, eles riem, rebolam, saltam e conseguem fazer-me sorrir – e crescem flores pequeninas entre as pedras da calçada, duram pouco, só enquanto as ruas estão desertas, até serem pisadas de novo – e então agita-se o ar, é como um perdão branco, descem os pombos e nunca se assustam comigo, não querem saber se as minhas mãos estão sujas e são pretas. Por vezes distraio-me com coisas estúpidas, para que o tempo passe depressa, gostava de poder arranjar as minhas unhas, de lavar e pentear o cabelo, de pintar os lábios.
Não me lembro de quando na minha fome o desejo e a comida passaram a ser a droga. Não sei bem o que me aconteceu. Lembro-me de ter sido mulher, do meu orgulho e da minha vaidade de africana me cobrirem de roupas bonitas, de dançar nas discotecas, de fazer amor com vontade. Depois alguma coisa aconteceu, abriu-se um rasgão na minha vida e quando acordei encontrei-me aqui sentada, neste degrau duro e frio, a ver passar as pernas dos outros, rua abaixo, rua acima.
Já nada mais posso perder, já nada mais tenho que me possam roubar, a não ser o meu coração, esse quero guardá-lo dentro de mim até ao dia da minha morte, tão escondido que não o poderão magoar, é por isso que nunca me hei-de prostituir. Sento-me aqui, como os homens-estátua, nesta rua, sento-me aqui, calada, não peço nada, mas às vezes um par de pernas detém-se e dão-me alguma coisa, digo, «Obrigada.», sempre com vergonha, com muita, muita vergonha.»
«Gosto das ruas assim, vazias. Custa-me menos, as paredes não têm olhos e não as posso recriminar por não terem mãos. Às vezes, no silêncio, sem nada, sinto até que esta rua é uma espécie de lar. Às vezes é lindo, brinco com a meia dúzia de cães que também fizeram deste pedaço de cidade a sua casa, eles riem, rebolam, saltam e conseguem fazer-me sorrir – e crescem flores pequeninas entre as pedras da calçada, duram pouco, só enquanto as ruas estão desertas, até serem pisadas de novo – e então agita-se o ar, é como um perdão branco, descem os pombos e nunca se assustam comigo, não querem saber se as minhas mãos estão sujas e são pretas. Por vezes distraio-me com coisas estúpidas, para que o tempo passe depressa, gostava de poder arranjar as minhas unhas, de lavar e pentear o cabelo, de pintar os lábios.
Não me lembro de quando na minha fome o desejo e a comida passaram a ser a droga. Não sei bem o que me aconteceu. Lembro-me de ter sido mulher, do meu orgulho e da minha vaidade de africana me cobrirem de roupas bonitas, de dançar nas discotecas, de fazer amor com vontade. Depois alguma coisa aconteceu, abriu-se um rasgão na minha vida e quando acordei encontrei-me aqui sentada, neste degrau duro e frio, a ver passar as pernas dos outros, rua abaixo, rua acima.
Já nada mais posso perder, já nada mais tenho que me possam roubar, a não ser o meu coração, esse quero guardá-lo dentro de mim até ao dia da minha morte, tão escondido que não o poderão magoar, é por isso que nunca me hei-de prostituir. Sento-me aqui, como os homens-estátua, nesta rua, sento-me aqui, calada, não peço nada, mas às vezes um par de pernas detém-se e dão-me alguma coisa, digo, «Obrigada.», sempre com vergonha, com muita, muita vergonha.»
Klatuu Niktos
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