OSSIP EMILIEVITCH MANDELSTAMM
Varsóvia, 1891 – (executado algures na) Rússia, 1938 (provavelmente no campo de concentração de distribuição, «Vtoraya Rechka», próximo de Vladivostok).
Shema Yisrael Adonai Eloheinu Adonai Ehad!
«Somente na Rússia a poesia é respeitada – conduz os poetas à morte. Existe porventura outro lugar no mundo em que a poesia seja uma justificação comum para o assassínio?»
Ossip Emilievitch Mandelstamm
Tradução de Klatuu Niktos
(A ESTÁLINE)
Vivemos num país ora irreal e estranho;
Não há quem nos ouça a dez passos de distância.
Mas quando cochichando temos conversado,
O montanhês do Kremlin sempre é nomeado.
O dedo grosso, verme gordo, gesticula.
Suas palavras chegam como um forte murro.
Bigodes de barata são de riso amável,
O cano das suas botas brilha de impecável.
Seu bando de senhores está sempre a postos,
Brutais, semi-humanos à sua ordem tortos.
Decretos incessantes, como pontapés
Acertam-nos nos olhos, baixo-ventre, testas.
Tem busto atlético, da Geórgia uma beleza.
E cada nova morte é sua sobremesa.
Ossip Emilievitch Mandelstamm
Tradução de Jorge de Sena
Varsóvia, 1891 – (executado algures na) Rússia, 1938 (provavelmente no campo de concentração de distribuição, «Vtoraya Rechka», próximo de Vladivostok).
Shema Yisrael Adonai Eloheinu Adonai Ehad!
«Somente na Rússia a poesia é respeitada – conduz os poetas à morte. Existe porventura outro lugar no mundo em que a poesia seja uma justificação comum para o assassínio?»
Ossip Emilievitch Mandelstamm
Tradução de Klatuu Niktos
(A ESTÁLINE)
Vivemos num país ora irreal e estranho;
Não há quem nos ouça a dez passos de distância.
Mas quando cochichando temos conversado,
O montanhês do Kremlin sempre é nomeado.
O dedo grosso, verme gordo, gesticula.
Suas palavras chegam como um forte murro.
Bigodes de barata são de riso amável,
O cano das suas botas brilha de impecável.
Seu bando de senhores está sempre a postos,
Brutais, semi-humanos à sua ordem tortos.
Decretos incessantes, como pontapés
Acertam-nos nos olhos, baixo-ventre, testas.
Tem busto atlético, da Geórgia uma beleza.
E cada nova morte é sua sobremesa.
Ossip Emilievitch Mandelstamm
Tradução de Jorge de Sena