EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Proposta MIL: Eleição de Lula da Silva a Presidente da CPLP





No dia 30 de Março de 2011, o ex-Presidente Brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recebeu por parte da Universidade de Coimbra o Doutoramento Honoris Causa. O MIL: Movimento Internacional Lusófono associa-se a essa Homenagem, que desde logo prestigia esta secular Universidade Portuguesa.

No ano em que se assinalam os 15 anos da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o MIL propõe que se crie o cargo de Presidente da CPLP, com a duração de 3 a 5 anos, renováveis, e que a primeira pessoa a ocupar esse cargo seja – por eleição dos Presidentes de todos os Países de Língua Portuguesa ou de outro modo a ser acordado por todas as partes – Lula da Silva. Deste modo, a CPLP passaria a ser representada, em todas as instâncias internacionais, por uma figura de ímpar prestígio à escala global, o que levaria a CPLP a afirmar-se de vez como o porta-voz político-institucional da Comunidade Lusófona.

MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

Domingo, 27 de Março de 2011

Novo livro de Pinharanda Gomes

Diário da NOVA ÁGUIA: 27 de Março...

António Carlos Carvalho, na Biblioteca Municipal de Sesimbra


Foi uma semana em cheio – esta, a primeira da NOVA ÁGUIA nº 7.
Há uma semana, na sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono, no âmbito de um Debate sobre os 15 anos da CPLP. Depois, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no âmbito de um Seminário sobre Filosofia e Literatura. Depois, no Palácio da Independência, no âmbito do Colóquio sobre Eudoro de Sousa promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Depois ainda, na Academia dos Saberes, Universidade Sénior da Câmara Municipal de Loures. Ontem, finalmente, na Biblioteca Municipal de Sesimbra, na abertura do I ciclo de estudos em homenagem a António Telmo.
Nesta semana, regressaremos ao Porto e iremos a Angola. Sem sair de Lisboa. Impossível? Ora, ora – então não houve quem tivesse ido à Índia sem sair de Portugal?

Terça-feira, 22 de Março de 2011

REINALDO FERREIRA (FILHO)

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO


Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira, nasceu a 20 de Março de 1922, em Barcelona, sendo filho do célebre jornalista e homem de Letras, Repórter X (Lisboa, 10.8.1897-Id., 4.10.1935).

Em 1942, vamos encontrá-lo em Lourenço Marques, (actual Maputo), Moçambique, onde termina o antigo 7º ano dos Liceus (hoje 11º ano de escolaridade), ficando a trabalhar nos Serviços Administrativos da ex-colónia.

Entre 1947 e 1949, publica diversos poemas em páginas literárias dos jornais moçambicanos, tanto de Lourenço Marques como da Beira

No ano seguinte, estreia de “Uma Casa Portuguesa”, (quem não sabe trautear “Quatro paredes caiadas/ um cheirinho a alecrim/ um cacho de uvas doiradas/ duas rosas num jardim/… É uma casa portuguesa, com certeza!/ É com certeza, uma casa portuguesa!//) cujo poema foi escrito por Reinaldo Ferreira, cantado pela intérprete angolana Sara Chaves, feito em homenagem ao Colégio Militar de Lisboa, que se deslocara em visita a Moçambique, e que, rapidamente, se torna num grande êxito internacional

Outros êxitos musicais, cuja letra é assinada por Reinaldo Ferreira, são “Kanimambo”, “Piripiri”, “Menina dos olhos tristes”, musicado por Zeca Afonso e interpretado por este último e Adriano Correia de Oliveira e cujo refrão diz: O soldadinho não volta/ do outro lado do mar//

No ano de 1952, Reinaldo Ferreira passa a desempenhar funções de orientador da secção de teatro do Rádio Clube de Moçambique.

Entre 1955 e 56, Reinaldo Ferreira escreve as primeiras composições de “Poemas Infernais”. Neste ano de 1956, surge o primeiro de três números da revista de Artes e Letras moçambicana “Capricórnio” que incluirá poemas seus, nomeadamente alguns que farão parte da colectânea que terá o nome “Natal e Paixão de Cristo”, e ainda a reprodução do seu retrato a óleo pintado por João Ayres. A colaboração poética de Reinaldo Ferreira estende-se a outras duas publicações moçambicanas, intituladas “Itinerário” e “Paralelo 20”.

Em 1958, manifestam-se os primeiros sintomas da doença, cancro de pulmão, que o há-de vitimar. Ainda neste ano, procede à selecção dos poemas que haveriam de constituir a colectânea poética “Um voo cego a nada”. Passa férias em Lisboa, regressando a Lourenço Marques em Janeiro do ano seguinte

Em Março de 1959, desloca-se à África do Sul, com o objectivo de fazer um tratamento em que deposita as suas derradeiras esperanças, porém, em Maio, regressará a Moçambique sem que a doença deixe de se agravar.

Falece a 30 de Junho de 1959.

Ainda no ano de 1959, no primeiro de Agosto, tem lugar uma reunião na casa do seu amigo, Fernando Ferreira, que inclui também os seus companheiros, Eugénio Lisboa e Guilherme de Melo, com a finalidade de proceder à edição de um livro que inclua toda a produção poética de Reinaldo Ferreira. Assiste à reunião, Jorge Gouveia, fiel depositário do espólio do poeta, que o entregará para análise e posterior publicação.

Cerca de um ano após esta reunião preliminar, mais propriamente, a 30 de Junho de 1960, é lançada a primeira edição de “Poemas” de Reinaldo Ferreira, por iniciativa do Governo-Geral de Moçambique e através da Casa da Imprensa de Lourenço Marques, ao mesmo tempo que, os seus amigos promovem uma romagem ao túmulo do poeta, onde deixam uma placa comemorativa com um dos seus poemas gravados em bronze.

Dois anos depois, a mesma obra é lançada no continente pela editora Portugália, precedida de uma introdução analítica escrita pelo grande poeta José Régio, que, tal como Vitorino Nemésio, tecem os maiores elogios à sua poesia, que pode ser enquadrada na tendência presencista, com muitos elementos que a ligam, simultaneamente, ao simbolismo e ao decadentismo. Juntamente com a ironia, o niilismo e o absurdo, manifesta-se um forte humanismo, que se salienta na crítica a certos mitos. Régio acerca da poesia de Reinaldo, escreve: “Ressonâncias de Antero e Fernando Pessoa perpassam por aqui; mormente dum Fernando Pessoa em quem o germe metafísico se complicou pelos jogos dum modernismo formal. Como Antero ou Fernando Pessoa, - posto não haja atingido a plena realização artística destes – Reinaldo Ferreira é intelectual e crítico. Está, pois, mais próximo de estes que, por exemplo, de um António Nobre ou um Cesário, embora também não sejam os Poemas obra acabada e consecução triunfante como o ou O Livro de Cesário Verde”. (1)

Depois das influências, Régio escreve o seguinte acerca dos «Poemas» no seu conjunto: “ Decerto não são alguns deles menos acabados – isto é: menos seguros na expressão atingida e nas sugestões oferecidas – que os bons poemas de Cesário e Nobre. Se, não tendo a extensão destes, não têm o desenvolvimento e a diversidade que só a extensão proporciona, sobre estes oferecem a vantagem do seu fermento metafísico.” (2)

Relativamente ao autor dos «Poemas», José Régio afirma: “O que Reinaldo Ferreira diz vem do fundo, - toleremos a expressão vulgar. Transmite mais ou menos directamente uma vivência, por muito que o artista exigente se apure na forma, e o intelectual se intrometa com a sua carga de ideias e germe de ideias.” (3)

Em 1965, e para que não se esqueça o nome deste enorme vate da língua e poesia portuguesas, é criado em Lourenço Marques, o grupo de teatro e poesia “Reinaldo Ferreira” que manterá a sua actividade através da representação de peças de teatro e recitais de poesia, até à independência de Moçambique, em 25 de Junho de 1975, momento em que a grande maioria dos participantes voltou para Portugal.

Notas:

(1) RÉGIO, José, Sobre os «Poemas» de Reinaldo Ferreira, Introdução aos «Poemas» de Reinaldo Ferreira, Portugália Editora, Lisboa, 4ª ed., s/d, p. XVI.

(2) Id., id., p. XVI.

(3) Id., id., p. XVII.


Hoje, no Palácio da Independência

Rodrigo Sobral Cunha, António Braz Teixeira e Pinharanda Gomes

No próximo Domingo, em Sintra

Curso

A ATLÂNTIDA
– MAIS DO QUE UM MITO

Manuel J. Gandra

27 Março, 14h30-19h (Dom)
Inscrições Limitadas


A Atlântida configura uma história muito estranha, todavia verdadeira, cuja incontornável popularidade lhe granjeou tornar-se uma das mais glosadas de sempre e a inspiradora de um impressionante acervo de obras literárias (mais de 50000 livros, ensaios e artigos) e artísticas (peças musicais, documentários, filmes e até uma ópera).

Não obstante, grande parte da energia dispendida não raro se tem desvanecido em devaneios, à revelia de Platão, invariavelmente mais empenhados em evidenciar vaidades e protagonismos pessoais do que em suscitar o estudo criterioso e a reflexão ponderada.

De facto, os erros de tradução e a paralaxe hermenêutica dos textos platónicos, somados à manipulação de pretensas evidências, têm permitido a uma legião de autores disseminar Atlântidas improváveis pelos lugares mais inverosímeis e recônditos do planeta e tornar credíveis inúmeras teorias incongruentes, baseadas na amálgama de argumentos falaciosos com artefactos arqueológicos, autênticos ou forjados.

Muitos pensarão, com alguma legitimidade, ter-se exaurido completamente o filão, nada mais havendo a acrescentar ao já conhecido, enquanto outros acharão descabido relançar a discussão sobre um tema que têm por indigno de crédito, ao qual, aprioristicamente, recusam qualquer verosimilhança histórica, mesmo sob pena de sonegarem à ciência o seu objecto específico: o conhecimento!

No que me concerne, move-me a intenção de exumar da condição de mexerico este autêntico tabu e partilhá-lo com aqueles, tal como eu, inquietos face ao declínio da identidade e expressão lusíada da Tradição, em consequência da morte dos mitos (na realidade, os genuínos promotores do movimento da História!).

O objecto desta conferência é rastrear os ecos reminiscentes da cultura atlante.

O método, como se depreende, supõe uma evocação multidisciplinar (Geologia, Paleoclimatologia, Paleontologia, Paleozoologia, Paleobotânica, Genética, Arqueologia, História, Etnografia, Filologia, etc.) de enorme envergadura.


Preço: 30 €

Inscrições: casadofauno@gmail.com (ou tlm: 914 844 923)

www.casadofauno.wordpress.com

Quinta, Sexta e Sábado: mais 3 lançamentos NA 7

24.03.11 - 14h30: Academia dos Saberes: Pólo de Loures

25.03.11 - 14h30: Academia dos Saberes: Pólo de Sacavém

26.03.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra

Inclui ainda:

- Apresentação do livro A Aventura Maçónica – Viagens à Volta de Um Tapete (Zéfiro), de António Telmo, por Luís Paixão
- Conferência: António Telmo, Fernando Pessoa e a rectificação da Maçonaria, por António Carlos Carvalho

Hoje, mais uma sessão NOVA ÁGUIA

Palácio da Independência (Lisboa)

Colóquio "A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa"

17h30: Apresentação

Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI, nº 7 (1º semestre de 2011): «Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP)».

Por António Braz Teixeira

Teixeira de Pascoaes: Saudade, Física e Metafísica, de Celeste Natário

Por Pinharanda Gomes

Filosofia do Ritmo Portuguesa, de Rodrigo Sobral Cunha

Ontem, no Porto...

Afonso Rocha, apresentando a NA7

Domingo, 20 de Março de 2011

Amanhã, com a benção do Dragão, a NOVA ÁGUIA invade o Porto...

21.03.11 - 17h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Sala de Reuniões)
Apresentação de Afonso Rocha: NOVA ÁGUIA nº 7

No mesmo local, às 12h, é apresentado o mais recente volume da Colecção NOVA ÁGUIA: "Teixeira de Pascoaes: Saudade, Física e Metafísica", de Celeste Natário.
Apresentação de Diogo Alcoforado

Vídeo do 1º lançamento da NOVA ÁGUIA 7

Um primeiro lançamento em grande...



Rodrigo Sobral Cunha, ontem, na sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono

22 de Março

Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Este Sábado: 1º lançamento da NA 7

19 de Março, Sábado, 18h
Sociedade da Língua Portuguesa
Lisboa, Rua Mouzinho da Silveira, 23 (junto ao Marquês de Pombal)

Apresentação do nº 7 da NOVA ÁGUIA:
“Fernando Pessoa: Minha pátria é a língua portuguesa – nos 15 anos da CPLP”

Apresentação de FILOSOFIA DO RITMO PORTUGUESA,
de Rodrigo Sobral Cunha

Quarta-feira, 16 de Março de 2011

Diário da NOVA ÁGUIA: 16 de Março...


De uma forma ou de outra, os lançamentos da NOVA ÁGUIA acabam sempre por ser marcantes. Em 2008, foi através de um destes lançamentos (ainda do 1º número) que o Paulo Santos conheceu o António Telmo, em Évora. Hoje, foi a caminho de mais um lançamento que o mesmo Paulo Santos ia partindo um pé. Falso alarme - já depois de todas as consultas realizadas. Abraço grande, Paulo. E votos das mais rápidas melhoras...

Hoje: último lançamento da NA 6

16.03.11 - 15h00: Escola Secundária de Caneças

Segunda-feira, 14 de Março de 2011

António Quadros, 18 anos depois: no Palácio Foz

NOVA ÁGUIA 7: PRIMEIROS 3 LANÇAMENTOS

19.03.11 - 18h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
No âmbito de um Debate sobre “A CPLP nos media”
21.03.11 - 17h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
No âmbito de um Seminário sobre “Filosofia e Literatura”
22.03.11 - 17h30: Palácio da Independência (Lisboa)
No âmbito do Colóquio “A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa”

Sábado, 12 de Março de 2011

Selene: vale a pena conhecer



Desenhar o corpo da Montanha da Lua com poesia, filosofia, artes visuais, música, pensamentos imbuídos de beleza, eis o desiderato de «Selene – Culturas de Sintra». Sintra merece a atenção, dedicação e amor de todos os artistas do universo. «Selene – Culturas de Sintra» (www.selene-culturasdesintra.com) é um jornal trimestral online, que irradia de dentro da Vila de Sintra para todo o universo cibernético.

Somos uma nave cósmica em viagem utópica, queremos contar com todos os sonhadores, todos aqueles que querem um presente melhor para toda a humanidade, porque do futuro já vimos nós, iluminados pela beleza eterna que vagueia pelos trilhos da floresta sintrense. Queremos que toda a humanidade seja sintrense para desfrutar da paz profunda dos seus bosques, do recolhimento necessário à germinação interior da criatividade no interior das suas paisagens quiméricas, porque só no amor à natureza o homem encontrará o balanço fundamental para o devir do seu próprio Ser.

A partir do dia 23 de Março estará disponível online para todos os cibernautas o Número 1 de «Selene – Culturas de Sintra». Começamos com a Primavera, que em Sintra se revela sempre como uma fonte inesgotável de energia para todos os sonhadores e utopistas. Mas como não somos apenas virtuais, como temos também uma realidade física, como existimos na nossa sociedade, convidamos todos os Amigos/as da bela liberdade criativa a comparecerem fisicamente no lançamento do número 1 de «Selene – Culturas de Sintra» no:

Dia 23 de Março, no café-bar 2 ao Quadrado, Rua João de Deus, n.º 70, Sintra (por trás da estação da CP), em dois momentos distintos, das 18h às 20h, e das 22h às 00h.

Quinta-feira, 10 de Março de 2011

"Lusofonia em Movimento"



"O Diabo", 08.03.2011

NOVA ÁGUIA 7: Já há Editorial...


EDITORIAL

Não existe – porventura nunca existirá – uma grelha analítica que dê conta da totalidade da obra de Fernando Pessoa, o maior enigma da história da cultura portuguesa do século XX. Consciente desta intrínseca impossibilidade, Nova Águia não podia, no entanto, deixar de dar um contributo para um melhor esclarecimento da obra do autor maior da cidade de Lisboa e da língua portuguesa na primeira metade do século XX. Obedecendo aos quesitos teóricos da revista refundada por Teixeira de Pascoaes, desejámos voluntariamente que o contributo do nº 7 da Nova Águia não partisse de leituras vanguardistas, que ligam legitimamente Pessoa ao modernismo português, mas, diferentemente, de leituras vinculadoras da sua obra aos veios nervosos da cultura portuguesa, toda a cultura portuguesa, sem preconceitos nem limites.

Entre a morte do pai, a partida para Durban, África do Sul, e o regresso definitivo a Portugal, em 1905, Fernando Pessoa sofreu um triplo e anormal bloqueamento: familiar, provocado por uma radical ruptura na constituição do seu agregado familiar; linguístico, com a abrupta mudança do universo cultural de língua portuguesa para o de língua inglesa; pessoal, efeito dos dois anteriores, provocando um forte isolamento e ensimesmamento, comprovado por inúmeros textos autobiográficos.

No regresso a Portugal, este triplo bloqueamento, solidificado, manifesta-se na inadaptação escolar na frequência do curso de Filosofia no Curso Superior de Letras, no afastamento dos colegas, no desastre financeiro da tipografia Íbis e na inconformidade com a situação política portuguesa (greves de estudantes em 1907, nas quais, segundo o meio-irmão de Pessoa, este terá participado; “ditadura” de João Franco no mesmo ano; regicídio em 1908 e implantação da República em 1910). Do ponto de vista literário, o adolescente Pessoa é atraído pelo exotismo de vida solitária do poeta seu tio, general Henrique Rosa, e pela descoberta dos simbolistas franceses. Na África do Sul, Pessoa dá nascimento a múltiplos e tímidos “eus”: James Faber, Alexandre Search, Charles James Search, Charles Robert Anon…, todos esteticamente inclassificáveis: pseudónimos?, semi-heterónimos?, pré-heterónimos?, ou, como os classifica Robert Bréchon, “pseudópodos”? A solução parece assentar neste último conceito. Com excepção de Alexandre Search, de obra com alguma consistência, espécie de elo de ligação entre os estudos clássicos ingleses e o modernismo europeu, todos os outros “eus” se constituem como momentos autorais de intervalo, pontos de apoio psicológicos e estéticos na passagem entre a adolescência e a maturidade poética, esta caracterizada pelo duplo efeito de despersonalização própria e de cristalização do eu nos três heterónimos principais da sua poesia. Terminara o tempo dos Search (busca), dos Anon (anónimo) e dos Jean Seul () – Pessoa vazara definitivamente o seu eu em três principais “eus”, correspondentes a três visões poéticas do mundo, que culminarão com a “emergência” do “dia triunfal” de 8 de Março de 1914 e a irrupção de Orpheu, em 1915.

Através do dossier apresentado, sentimos ter-se tornado mais forte a análise cultural (não estritamente poética ou literária) da obra de Pessoa, com relevo para a aproximação à saudade, à consciência cultural da língua e aos aspectos esotéricos – esse “Adamastor” de que os pessoanos pós-modernistas tanto receiam.

*

Para além de Fernando Pessoa, outros autores são abordados neste número da Nova Águia – nomeadamente, António Feliciano de Castilho, Carlos Queiroz e António Quadros, de quem publicamos um texto, “Da língua portuguesa para a filosofia portuguesa. Neste número, quisemos ainda homenagear Malangatana, recentemente falecido, dada a sua importância para a cultura lusófona. Para além das rubricas habituais, publicamos ainda um longo ensaio de cariz pedagógico, bem como algumas recensões, a maior parte delas de títulos da “Colecção Nova Águia”, em que se publicaram já mais de vinte títulos (ver lista no final).

Incluindo este número todos esses textos, mais alguns poemas – a Nova Águia tem sempre publicado poesia –, tivemos que sacrificar em parte a secção “Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP)”, apesar da importância do tema para nós – como se pode ler no “Manifesto da Nova Águia”, publicado no primeiro número da revista: “Portugal não pode ser pensado fora da grande comunidade dos cerca de 240 milhões de falantes, em todo o mundo”. Alguns dos textos que não couberam neste número serão, contudo, publicados no próximo, cujo tema maior será: “O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro”.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Renato Epifânio, Celeste Natário e Miguel Real

Quarta-feira, 9 de Março de 2011

Sobre a Manifestação de 12 de Março: Comunicado do MIL



O MIL tem acompanhado a mobilização para a anunciada Manifestação de 12 de Março, que decorrerá em diversas cidades do país. Tendo começado por ser uma Manifestação da auto-proclamada “Geração à Rasca”, temos verificado que a ela se juntaram, entretanto, os mais díspares movimentos cívicos, inclusive alguns partidos políticos, aqueles que, mais oportunisticamente, estão sempre prontos para parasitar os legítimos descontentamentos sociais – isto, sublinhe-se, numa Manifestação que sempre se assumiu como “apartidária”.

Entretanto, chegaram apelos para que o MIL se junte a essa Manifestação, dando-lhe a sua caução – apelos bem intencionados, não questionamos isso. Estávamos de resto à espera que tal acontecesse – dado que o MIL é uma das instituições mais prestigiadas da sociedade civil, que tem merecido o apoio expresso de algumas das mais relevantes personalidades do nosso meio cultural e cívico, é natural que a caução do MIL seja vista, cada vez mais, como valiosa.

Após consulta a algumas dessas mais relevantes personalidades do nosso meio cultural e cívico que estão vinculadas ao MIL – desde logo, o nosso Presidente Honorário, o Doutor Fernando Nobre –, a Direcção do MIL entende, contudo, que não pode dar a sua caução institucional a uma Manifestação que, não obstante os seus legítimos e generosos propósitos iniciais, não assumiu um programa reivindicativo claro e coerente, deixando-se, por isso, como seria expectável, contaminar pelos mais contraditórios propósitos, inclusive o de “demitir toda a classe política”.

Estamos solidários com muitas das reivindicações que motivaram esta Manifestação. Desde que existe, o MIL tem denunciado o “beco sem saída” a que chegou Portugal – tendo apostado tudo na integração europeia, pagou, para isso, o preço de aniquilar grande parte do seu tecido produtivo. Mas, mais do que contestar, o MIL tem defendido o necessário horizonte de viragem: a progressiva aposta, sem que isso implique a saída da União Europeia, no espaço lusófono, com todo o seu potencial, inclusive económico, que não tem sido, Governo após Governo, minimamente aproveitado.

O MIL defende a Mudança – mas através de reformas, não de forma revolucionária. A “demissão de toda a classe política” levar-nos-ia apenas ao caos e à vacuidade – o que será atractivo para alguns, mas não para nós. Temos tido um discurso muito crítico quanto ao nosso sistema partidocrático – denunciando quer a falta de visão estratégica dos partidos que têm sustentando os sucessivos governos, quer a indigência dos nossos partidos da oposição (de que a anunciada “moção de censura” do Bloco de Esquerda é apenas mais um sinal). Mais do que isso, temos tido uma acção coerente com o nosso discurso – por isso, por exemplo, apoiámos a candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre: pela sua condição trans-partidária e pela sua sintonia com a nossa aposta na Convergência Lusófona.

O MIL não ficará, pois, jamais em “cima do muro”, antes reafirma o seu propósito de uma intervenção cívica cada vez mais empenhada, assumindo-se, nessa medida, com um dos porta-vozes mais representativos e responsáveis da nova geração, desta que, justamente, se assume “à rasca”. Declaramo-nos, nessa medida, desde já disponíveis para, em colaboração com outros movimentos cívicos, promovermos outras Manifestações contra a situação em que vivemos – mas apenas à luz de um programa reivindicativo claro e coerente, que não se deixe contaminar pelos mais contraditórios propósitos.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

NOVA ÁGUIA 7: Já há Índice...




Editorial…5

"MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA": NOS 15 ANOS DA CPLP
Adriano Moreira, UMA PROSPECTIVA DA CPLP…8
António José Borges, TIMOR-LESTE – UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE…9
Carlos Manuel Pona Pinto Carreira, TRILEMA TRIDENTINO…14
Eduardo Aroso, A PÁTRIA E A LÍNGUA NO E ALÉM TEMPO E ESPAÇO…23
Rui Martins, “DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR”…25
Renato Epifânio, NOS 15 ANOS DA CPLP: A FUTURA “PÁTRIA DE TODOS NÓS”…27

SOBRE FERNANDO PESSOA
Nuno Sotto Mayor Ferrão, FERNANDO PESSOA: O SENTIMENTO LUSÓFONO NA SUA OBRA…34
Nuno Freixo, A CONSCIÊNCIA INFELIZ DE FERNANDO PESSOA…39
Paulo Ferreira da Cunha, FERNANDO PESSOA, HERMENÊUTICA JURÍDICA E RETÓRICA…41
Pedro Cipriano, A MENSAGEM NA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL…45
Pedro Martins, A LÂMINA…47
Abdul Cadre, UM FERNANDO PESSOA…50
Abel António de Guimarães Coelho, CARTA AO AMIGO POETA DESENCANTADO, SCRIB-DOR IMPENITENTE…62
António Braz Teixeira, BREVE NOTA SOBRE A SAUDADE NO “LIVRO DO DESASSOSSEGO”…67
Antonio Cardiello, SCHOPENHAUER “EDUCADOR” DE FERNANDO PESSOA E JORGE LUIS BORGES…69
Artur Manso, A PROPÓSITO DE O GUARDADOR DE REBANHOS DE CAEIRO…74
Celeste Natário, ENTRE CAEIRO E PASCOAES: BREVE APONTAMENTO…79
Conceição Jacinto, NÃO SEI…81
Gabriel Viviani de Sousa, O SER EM CONFLITO: ANÁLISE DA OBRA DE SÁ-CARNEIRO E FERNANDO PESSOA…83
Gabriela Lança, CONSCIÊNCIA, REALIDADE E TEMPO MÍTICO EM FERNANDO PESSOA…89
Gilberto de Lascariz, A VIA CAINITA DA SERPENTE EM FERNANDO PESSOA…95
José Leitão, IPSISSIMUS PESSOA…99
Júlia Dieguez, FERNANDO PESSOA: UNA HERMENÉUTICA CONCILIADORA DE LAS DIFERENCIAS Y DE LAS RAZONES…101
Lúcia Helena Alves de Sá, EM VIZINHANÇA DA EXPERIÊNCIA DO PENSAR…107
Manuel Ferreira Patrício, MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA. LENDO O POETA À LETRA E… AO ESPÍRITO…109
María Martín Gómez, FERNANDO PESSOA Y PORTUGAL…112
Maria Luísa de Castro Soares, A LÍNGUA E A PÁTRIA PORTUGUESAS E(M) FERNANDO PESSOA…116
Miguel Filipe M., TOTALIDADE E LITERARIEDADE – UMA LEITURA PESSOANA…123
Miguel Real, MENSAGEM: AMBIGUIDADE POLÍTICA NA IMAGÉTICA PROVIDENCIALISTA DO IMPÉRIO…130

SOBRE CASTILHO, CARLOS QUEIROZ E ANTÓNIO QUADROS
Joaquim Domingues, APOLOGIA DE CASTILHO…134
José Lança-Coelho, CARLOS QUEIROZ: 62 ANOS APÓS O FALECIMENTO DE UM GRANDE POETA, AMIGO DE PESSOA…138
António Quadros Ferro, SOBRE A TRANSGERACIONALIDADE EM ANTÓNIO QUADROS…143
António Quadros, DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA A FILOSOFIA PORTUGUESA…146

AINDA SOBRE ALEXANDRE HERCULANO
António Cândido Franco, HISTORIOGRAFIA E HISTÓRIA EM ALEXANDRE HERCULANO…160

HOMENAGEM A MALANGATANA
Maria de Deus Beites Manso, RETRATO DE MULHER: MULHER É PAI (MALANGATANA)…164

RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…168
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…173
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…182
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…183

EXTRAVOO
Sérgio Quaresma, A EMERGÊNCIA DA COMPLEXIDADE E A PROFISSIONALIDADE DOCENTE…186

BIBLIÁGUIO
O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO EM PORTUGAL E NO BRASIL, por José Maurício de Carvalho…194
ITINERÁRIOS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS, por Afonso Rocha…197
JOSÉ SARAMAGO - DA CEGUEIRA À LUCIDEZ, por Joaquim Miguel Patrício…198
O VIAJANTE, por Rodrigo Sobral Cunha…200
UMA NOVA PERSPECTIVA SOBRE A TRADIÇÃO FILOSÓFICA PORTUGUESA, por Renato Epifânio…202

POEMÁGUIO
Fernando Pessoa, MAR PORTUGUÊS…7
Isabel Mendes Ferreira, VAI. VOA…32
Giancarlo de Aguiar, ETERNAS ROSAS…32
António José Queiroz, DÁLIAS, LÍRIOS E ROSAS…33
Catarina Inverno, PESSOA…45
Gabriela Lança, A FERNANDO PESSOA…49
Isabel Guimarães, PEDRA DE ALVIDRAR…77
Maria Luísa Francisco, PESSOA DE TI…77
Cynthia Guimarães Taveira, PORTUGAL…82
Henrique Madeira, EXPRESSÃO …111
Eduardo Aroso, POEMA ASCENSIONAL…115
Renato Epifânio, TÃO-SÓ PESSOA…122
Francisco Ribeiro Soares, NÃO FICAR…122
Fernando Esteves Pinto, O NADA…133
Gilda Nunes Barata, REPOUSO…159
Maria Leonor Xavier, CLARO ESCURO...163
Joel Henriques, RETRANSMISSOR…167
António José Borges, A VONTADE DA FLOR…203

MAPIÁGUIO…203
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…204

Este Sábado

Segunda-feira, 7 de Março de 2011

“Portugal e as suas relações com os Países da CPLP”

Uma 'casa' nova para recordação do António Telmo



Meus caros Amigos
Abri esta 'casa' nova para recordação do António Telmo:
http://antoniotelmo.wordpress.com/
Ali, procurarei ir colocando alguns excertos significativos das '101 cartas' que guardo e também
das memórias de conversas e episódios vários.

Obrigado!
Pedro Sinde

Domingo, 6 de Março de 2011

Próximos Eventos Culturais na Casa do Fauno, Sintra


PRÓXIMOS EVENTOS CULTURAIS
CASA DO FAUNO, SINTRA

PALESTRAS:
Entrada Livre


AS SOCIEDADES SECRETAS | Jorge de Matos
16 Março, 21h (4ªf)

SCRYABINE, O ACORDE MÍSTICO E O SEU MYSTERIUM | Paulo Brandão
31 Março, 21h (5ªf) - Entrada Livre


CURSOS:
Inscrições Limitadas

A ATLÂNTIDA - MAIS DO QUE UM MITO | Manuel J. Gandra
27 Março, 14h30-19h (Dom)

LER NAS PEDRAS | António Carlos Carvalho
2 e 9 Abril, 15h-18h (Sáb)

KABBALAH: TEORIA E PRÁTICA | Paulo Brandão
Primeira 3ªf de cada mês
Início: 5 Abril, 20h-22h (3ªf)

GEOMÂNCIA OCIDENTAL | Manuel J. Gandra
30 Abril, 14h30-19h (Sáb)

Mais Informações: www.zefiro.pt/eventos_culturais_net.htm

Local: Casa do Fauno, Sintra (Quinta dos Lobos, Caminho dos Frades - a 500 m da Quinta da Regaleira)