EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PAÍSES EUROPEUS CANDIDATOS À FALÊNCIA

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António Justo

A Grécia, país da zona monetária Euro, encontra-se às portas da Bancarrota. Segundo a imprensa alemã, há grande preocupação e nervosismo por trás dos bastidores da União Europeia (EU). Esta vê-se obrigada a elaborar cenários de salvação, todos eles muito complicados porque as dívidas de cada país estão distribuídas por toda a Europa. Segundo o tratado de Lisboa nenhum país europeu pode responsabilizar-se pelas dívidas do outro. Uma nova crise financeira não seria aceite pelos cidadãos.

GRÉCIA SUJEITA AO DITADO DA EU POR DOIS ANOS

Para que a Grécia não vá à falência a EU receitou-lhe pílulas muito amargas. Passa a ser obrigada a reduzir os ordenados dos funcionários públicos entre 4 e 6% e a ter um stop de contratos de pessoal público durante um ano; terá também que criar novos impostos sobre imobiliário; 10% das despesas orçamentais planeadas têm que ser guardadas numa reserva de segurança; tem que modificar o sistema de saúde; tem que reformar o sistema de reformas da função pública dado os respectivos funcionários receberem uma reforma quase tão alta como o vencimento no tempo de activos; tem de criar um imposto especial acrescido de 7 cêntimos sobre todos os combustíveis.

Assim a EU administra indirectamente por dois anos o orçamento de estado grego tendo como objectivo de reduzir o défice do Estado de 12,7% para 2,8% até 2012. Se a EU não constatar progresso a Grécia terá de pagar uma multa de 0,5% do PIB.

PAÍSES QUE CAUSAM DORES DE CABECA À EUROPA RICA

Estados que causam grande preocupação e dores de cabeça à EU, para além da Grécia com 113% de dívidas do Estado em relação ao PIB anual nacional, são, a Espanha com 54%, Portugal com 77%, a Islândia com 118%, a Itália com 115%, Letónia com 33%, Ucrânia com 85%.

Há países com grandes dívidas, mas não causam tanta preocupação, como no caso da Itália, porque muitos dos seus débitos são internos e possuírem grande capacidade económica nacional, não estando tão dependentes do estrangeiro, como outros estados com menos percentagem de dívidas mas com pouca produção nacional.

Representantes de estados europeus pensam que a melhor solução será entrarem como fiadores. Querem resolver o problema rapidamente para que os mercados financeiros internacionais não comecem já a especular qual será o próximo candidato à falência. Um país sem crédito tem de pagar altos juros ao estrangeiro e com o aumento dos juros sobem as dívidas do país. Este é também o grande problema dos países do terceiro mundo.

A Irlanda, que não pertencia ao Euro, pôde desvalorizar a sua moeda e deste modo estimular as exportações.

Com a crise, a Grécia teve que passar a pagar mais 2,29 % de juros ao estrangeiro do que os alemães. É o preço da credibilidade do país. A Grécia gasta um terço do orçamento de Estado para pagar os juros. É o país mais fraco da zona Euro com 300 biliões de € de dívidas. Tem uma nova dívida de 13% quando a EU só permite um máximo de 3% do PBI. Sem medidas drásticas, de aperto do sinto dos cidadãos e dos funcionários, chega-se ao momento em que o país se encontra falido, não olhando então a medidas para alcançar o crédito e a honra perdida a nível internacional, tal como aconteceu em Portugal em 1928, vendo-se o país então obrigado a chamar Salazar para tirar o país da falência.

O problema é que se a Grécia cair também caem a Espanha e Portugal. Este é o grande receio dos países fortes. A EU não pode ajudar directamente a Grécia, doutro modo, logo, a Espanha e a Irlanda pederiam o apoio de Bruxelas. Além do mais, uma ajuda externa significaria um apoio à indolência dum país que não precisaria de se esforçar! Por outro lado a EU não se pode permitir uma intervenção drástica na soberania dum estado como a Grécia numa fase em que a EU ainda não se encontra consolidada. Deixar a Grécia dependente dos empréstimos da IWF implicaria uma cura radical mas por outro lado a sua ingerência num país de EU.

O Banco Central Europeu encontra-se em apuros. Os seus donos são, entre outros, Portugal com 1,75 do capital, a Alemanha com 18,94%, a Inglaterra com 14,52%, a França com 14,22%, a Itália com 12,5%, a Áustria com 1,94%, a Grécia com 1,96%, a Espanha com 8,3%, a Dinamarca com 1,48%, a Suécia com 2,22%, a Polónia com 4,9%, a Hungria com 1,39%, a Roménia com 2,46% (cf. EZB/2009).


ALEMANHA EM MAUS LENÇÓIS

A Alemanha está preocupada com o dinheiro que emprestou a países a caminho da falência. DIE ZEIT refere que os Bancos Alemães emprestaram 38 biliões de € a empresas, governo e repartições públicas gregas; 191 biliões de € à Espanha, 202 biliões de € à Itália. Só os turistas alemães levam 15 biliões de € por ano para Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

No caso dum país não poder pagar os juros, o Banco Alemão teria grandes perdas o que obrigaria o Estado alemão a ter de entrar com o dinheiro para apoiar o Banco, doutro modo, haveria de novo uma crise bancária.

Um país como a Grécia que ainda tem dinheiro para pagar aos professores e à polícia, a deixar agravar a sua situação conduziria à sublevação do povo.

Por outro lado os especuladores internacionais estão interessados em que um país como a Grécia perca a credibilidade financeira e que saia a Zona Euro.

Tudo isto revela a necessidade das potências industriais europeias seguirem uma nova política de solidariedade com os países da periferia. Se o núcleo dos países da EU não quiserem ver a estabilidade do Euro posta continuamente em perigo pelos países mais fracos, terão de implementar a criação de empresas estáveis nestes países. Não chega produzir no centro e vender na periferia. A periferia terá que poder subsistir por ela.

PERDA DA SUBERANIA NACIONAL

Um estado sem controlo sobre o orçamento do Estado tem condições muito agravadas no mercado de capital, dependendo estas da sua capacidade de crédito. Instituições, como a Rating-Agentur Titch, que controlam a credibilidade de crédito dos países através da observação do seu crescimento económico, taxa de inflação e cobrança de impostos, estão muito atentas ao desenvolvimento e chamam a atenção internacional para o estado dum Estado em desequilíbrio.

Estados salvos ou em grave crise além de terem de pagar muito mais juros pelos empréstimos, têm de ceder grande parte da soberania ao estrangeiro e a organizações internacionais. Estes passam a determinar as taxas de impostos e as despesas para escolas, estradas, etc., à margem do parlamento nacional, tal como acontece no terceiro mundo. As empresas internacionais procuram salvar o seu dinheiro retirando os seus investimentos do país que não ofereça credibilidade.

Segundo a imprensa internacional, Portugal permitiu aumentos de salário superiores ao dobro em relação à média europeia. Ao contrário da Grécia, Portugal já tem um bom sistema de controlo fiscal, mas o que não compreendem são as reformas do funcionalismo público. Por outro lado o dinheiro público é, por vezes, investido em projectos de prestígio e não em projectos produtivos para a nação. Na Espanha o dinheiro foi empregado em objectos de construção especulativa.

Um país com grandes dívidas perde a moral, tal como aconteceu na primeira república portuguesa. A oposição parlamentar portuguesa, em vez de se aproveitar da situação catastrófica em que se encontra o país para ganhar créditos políticos partidários, tem mostrado grande responsabilidade ajudando o governo socialista de Sócrates a elaborar um Orçamento de Estado que impeça a situação da Grécia. O problema é que em Portugal as instituições políticas e sociais geralmente não trabalham com consciência nacional nem de Estado.

Um país como Portugal, com fraca produção nacional e muita importação, não pode equilibrar as dívidas externas apenas com os apoios da União Europeia e com as remessas dos emigrantes e permitir-se, ao mesmo tempo, continuar a levar uma vida de rico. Um país que não se refinancia a si mesmo e vive de empréstimos do estrangeiro incapacita-se e torna-se num problema para os outros membros da União que, por outro lado, não pode permitir-se a bancarrota dum dos seus membros pelo impacto que isso teria a nível internacional e em relação ao Euro que cairia bastante em relação ao dólar.

Dado o Estado não poder desvalorizar por si mesmo a moeda única, só lhe resta poupar nas despesas públicas e tornar os seus produtos concorrentes no mercado. Isto significa contenção nos ordenados por um período de vários anos. De facto, Portugal tem um défice de produtividade económica que se contabiliza num buraco de 12,1 % da balança comercial. Portugal come mais do que produz e nalguns sectores do imobiliário tem impostos superiores à média europeia! Por outro lado quando se vai ao supermercado fazer as compras alimentares constato (neste caso constatação subjectiva minha) que o preço, à excepção do pão, de bolos e pouco mais, é cerca de 20% mais caro que na Alemanha!

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/paises-europeus-candidatos-falencia.html