A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

NOS 150 ANOS DA MORTE DE SCHOPENHAUER

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, nasceu em Danzing, a 22 de Fevereiro de 1788, e faleceu em Frankfurt, a 21 de Setembro de 1860, fazem agora 150 anos.

Em 1820, aos trinta e dois anos, recebeu o primeiro convite para assumir um cargo temporário e muito mal remunerado para dar aulas de Filosofia na Universidade de Berlim. De imediato, marcou a sua cadeira, intitulada A Essência do Mundo, para a mesma hora da cadeira dada por Hegel, chefe de departamento e o mais famoso filósofo da época. Assim, enquanto 200 alunos se acotovelavam para ouvir Hegel, apenas cinco ouviram Schopenhauer definir-se como um vingador que veio libertar a filosofia pós-kantiana dos paradoxos vazios e linguagem obscura e deturpada da filosofia contemporânea. Os seus alvos eram Hegel e Fichte. No semestre seguinte, não teve um único aluno, nunca mais dando aulas.

Nos trinta anos que viveu em Frankfurt, até morrer em 1860, levou uma vida tão rígida como a de Kant, começando por escrever três horas, a que se seguia uma hora a tocar flauta. Mesmo a meio do Inverno, raro era o dia em que não nadava no frio rio Meno. Almoçava sempre no mesmo clube, o ‘English Hof’, de casaca e peitilho engomado branco, traje que era a alta moda da sua juventude, mas estava completamente ultrapassado em Frankfurt, em meados do século XIX. Pagava dois almoços para garantir que ninguém se sentava na mesma mesa. Tinha a mania de discutir assuntos impróprios e chocantes como, por exemplo, elogiar a nova descoberta científica que impedia que adquirisse uma infecção venérea bastando, após o coito, mergulhar o pénis numa solução de cloreto. Costumava levar para junto da mesa onde almoçava, o seu poodle Atman, que tratava por Sir, chamando-lhe Humano, quando o cão se portava mal.

Num jantar, um jovem perguntou qualquer coisa ao filósofo, a que ele respondeu “Não sei”. Como o jovem comentou: “Pensei, que o senhor, um sábio, soubesse tudo”. O filósofo respondeu: “Não, o conhecimento é limitado, só a estupidez é ilimitada.

Qualquer pergunta sobre mulheres ou casamento tinha sempre uma resposta azeda. Assim, uma vez teve de aguentar a companhia de uma mulher muito faladora, que lhe contou detalhes de como sofria com o casamento. Ouviu-a pacientemente e quando a mulher lhe perguntou se compreendia, respondeu:

“- Não, mas compreendo o seu marido.” Noutra conversa, perguntaram-lhe se pensava casar-se, tendo respondido: “Não, pois só me traria aborrecimentos, porque teria ciúmes por a minha mulher me trair, pois eu ia merecê-lo por me ter casado.

Segundo ele, os médicos usam duas letras diferentes, uma quase ilegível, nas receitas, e outra, clara e bonita, nas contas.

“Só como celibatário se pode assumir o risco de viver sem trabalho e com poucos rendimentos.”

A sua maior raiva, era contra os dois filósofos consagrados do s.XIX, Fichte e Hegel. Num livro, vinte anos depois da morte de Hegel, refere-se a ele como sofista e “um banal, oco, asqueroso, repulsivo e ignorante charlatão, que cometeu a inigualável afronta de escrever um conjunto de disparates pegados, que foi aclamado pelos seus seguidores mercenários no exterior como sendo uma sabedoria eterna”.

Procurou na filosofia hindu o refúgio para o sofrimento pessoal. Introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã.

Escreveu ensaios pungentes e aforismos ácidos, sendo um dos poucos filósofos que Wittgenstein lia e admirava.

Os temas principais do seu sistema são: volição, resignação e pessimismo; sendo o seu conceito, a vontade está acima do espaço e do tempo, mas seguir os seus ditames é o caminho mais rápido para a miséria. A sua obra principal é O Mundo como Vontade e Representação (1819), embora o seu livro mais conhecido seja Parerga e Palipomena (1851).

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ecos do Oriente: um diálogo entre Schopenhauer e Wagner



Hoje, 4 de Março, pelas 17h, Beatriz Lobo, investigadora do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, dará uma prelecção sobre o tema: "Ecos do Oriente: um diálogo entre Schopenhauer e Wagner" (Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).

Uma iniciativa no espírito ENTRE!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Acerca do Problema da Existência

Do Pensamento Pessoal

12. Quando consideramos a grandeza e o imediatismo do problema da existência, desta existência ambígua, atormentada, fugidia, onírica – tão grande e tão imediata que assim que tomamos consciência dela, domina e obscurece todos os outros problemas e alvos; e quando, então, vemos como os homens, com algumas raras excepções, não têm uma consciência clara deste problema, na realidade parecem não ter qualquer consciência, preocupando-se antes com tudo que não este problema, e vivendo a pensar apenas no dia a dia e no espaço de tempo do seu próprio futuro individual, ou recusando-se expressamente a considerar este problema ou contentando-se com algum sistema de metafísica popular; quando consideramos este facto, chegamos à conclusão de que o homem pode ser chamado um ser pensante apenas num sentido muito lato desse termo e já não sente grande surpresa face à ausência de pensamento ou a qualquer idiotice, mas perceberá antes que enquanto o horizonte intelectual do homem normal é mais vasto que o do animal – cuja existência total é, como deve ser, um presente continuo, sem consciência do passado ou do futuro – não é tão imediatamente mais vasto do que em geral se supõe.

Schopenhauer

Publicado no MILhafre, por Antígona:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/acerca-do-problema-da-existencia.html

sábado, 17 de outubro de 2009

"A vida é uma caçada..."

"A vida é uma caçada interessante e, ora caçadores, ora caçados, os seres disputam uns aos outros os retalhos desse horrível despojo: é uma espécie de história natural da dor" - Schopenhauer, O Mundo como Vontade e como Representação.

sábado, 13 de junho de 2009

"Renascerás um dia sob a forma daquele que ofendes hoje e sofrerás as mesmas ofensas"

"Dizer que o tempo e o espaço são simples formas do nosso conhecimento, e não determinações da coisa em si, redunda em afirmar a identidade da doutrina da metempsicose, "Renascerás um dia sob a forma daquele que ofendes hoje e sofrerás as mesmas ofensas", com a fórmula frequentemente citada do bramanismo: Tat twam asi: "Tu és isso"" - Schopenhauer, Do Mundo como Vontade e como Representação, Suplementos, XLVII, "Da moral".