Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
quarta-feira, 13 de maio de 2009
O Grito (do) Criador
Paulo não transmitia às almas a sua doença, porque elas já sofriam, como ele; mas sofriam sem remédio. Escravas, ignoravam a liberdade; criminosas, ignoravam o perdão; mortais, ignoravam a imortalidade. E eis que aparece um criminoso, que viu o perdão em Jesus Cristo; um escravo, que viu a liberdade em Jesus Cristo; um mortal, que viu a imortalidade em Jesus Cristo. É S. Paulo.
Todos queremos emendar a nossa vida; mais: emendar a Vida. A que aspira o criminoso? A ser inocente. E quem sofre? A gozar. E quem morre? A ressuscitar. Será possível? A razão diz que não. Mas Paulo diz que sim, gritando. Este sim é ele mesmo, volatilizado num grito, que abala e renova todas as coisas. Podemos duvidar duma palavra, dum grito ninguém duvida; vem de mais fundo que a palavra e sobe mais alto do que ela. O verbo do apóstolo tem a intensidade dos gritos. É o verbo divino da loucura, que todo o acto criador é de loucura, desde o Genesis. Ofende a ordem estabelecida, a harmonia consagrada, os ditâmes da razão humana. A atitude divina é anti-racional [supra].
Paulo afirma de tal modo a sua ideia religiosa, que lhe dá perfeita realidade. É um condensador de nubelosas, um acendedor de estrelas. Para ele, evocar é materializar. Evoca Jesus e converte-o num ser presente. A dor pertence ao corpo, embora seja a alma a padecê-la. A dor é deste mundo; e o seu poder plástico infinito concebe anjos e deuses, que penetram nos domínios da existência.
Paulo afirma Jesus e todos o acreditam, porque o vêem, na sua afirmação, como ele o vê. Paulo viu Jesus e ouviu-o! Como descrer ou duvidar? A descrença é cegueira e a dúvida é falta de vista. Duvidar é pensar em linha quebrada; mas crer é pensar em linha recta. A crença é a mais curta distância entre a Verdade e o nosso pensamento, ou é, talvez, a ausência de distância entre a Verdade e o Pensamento.
Nem os seus olhos nem os seus ouvidos se enganaram. Não é Paulo o espírito da luz e o do som, o instinto fatal que não se ilude? Esse instinto de anjo ou bruto, que divinizou a ibis e o touro negro, no Egipto, e outros bichos ainda, que nos bichos, e até nas árvores, há um valor secreto e mitológico. Moisés e Alexandre usaram chifres, na cabeça. Tocaram-se de mistério e divindade, como Virgílio, cingindo a coroa de louros, e os padres celtas envolvendo-se na sombra litúrgica dos bosques.»
Teixeira de Pascoaes, São Paulo
«Já viram Deus as minhas sensações...»
Fernando Pessoa, Passos da Cruz
sábado, 25 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Violência na literatura, assunto para escritores

As múltiplas expressões da violência na literatura serão discutidas em um encontro internacional, que acontecerá no Centro Cultural São Paulo entre os dias 4 e 6/11.
Com organização da Biblioteca Mário de Andrade, o evento Violência e Literatura contará com a participação de escritores de diversos países que têm o português como língua oficial: Ondjaki (Angola); Nelson Saúte e Paulina Chiziane (Moçambique); Germano Almeida (Cabo Verde); Ernesto de Melo e Castro, Luís Serguilha, Jorge Melícias e Cristina Norton (Portugal); Ignácio de Loyola Brandão, Antônio Torres, Márcia Denser, Fernando Bonassi e Ana Paula Maia (Brasil).
Os interessados em acompanhar os debates devem comparecer ao local com uma hora de antecedência para retirar a senha de ingresso. Todas as mesas serão gratuitas e abertas ao público.
O Centro Cultural São Paulo fica na Rua Vergueiro, 1000. (Centro), tel: 3383-3400.
Programação
04/11
10h - Apresentação: Rubens Ricupero
Mesa 1 - 10h30 às 13h - Márcia Denser e Cristina Norton
Mediação: Fernando Segolin
Mesa 2 - 19h às 21h30 - Antonio Torres e Ignácio de Loyola Brandão
Mediação: Susana Ventura
05/11
Mesa 3 - 10h30 às 13h - Jorge Melícias e Ana Paula Maia
Mediação: Fernando Segolin
Mesa 4 - 14h às 15h - Ondjaki e Cristina Norton
Mediação: Mediação: Susana Ventura
Mesa 5 - 19h às 21h30 - Paulina Chiziane e Ondjaki
Mediação: Susana Ventura
06/11
Mesa 6 - 16h às 18h - Luis Serguilha e Fernando Bonassi
Mediação: Fernando Segolin
Mesa 7 - 18h às 20h30 - Germano Almeida, Nelson Saúte
Mediação: Susana Ventura
Mesa 8 - 20h30 às 22h - Ernesto de Melo e Castro
Mediação: Fernando Segolin
Fonte: Viva o Centro - Notícias


