Com os
nossos
não podemos ser nós!
Com os
outros
não somos nós!
Que triste
existência esta
de não podermos
ser nós
e de não sermos nós!
Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 12 de Abril de 2006
Com os
nossos
não podemos ser nós!
Com os
outros
não somos nós!
Que triste
existência esta
de não podermos
ser nós
e de não sermos nós!
Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 12 de Abril de 2006
Quando carrego no “d”
Alguns doutos ignorantes
Riem-se da inovação
Quando mastigo um “r”
Lá vem a correcção dos
Supostos eruditos
Quando me pronuncio
Moçambicanamente
Alguém expressa
Um sorriso estridente
Quase incontínuo
Deixem-me dar o grito
Que não é do Ipiranga
Mas que o é.
- Caramba!
Escrevo o país de mim
Falo o povo de mim
Falo o espaço que é meu
Canto o canto que é meu.
Ninguém compreende
Minha singularidade
Talvez Camões
Compreendesse
E eu danço nela.
Delmar Maia Gonçalves
Meu irmão
Semeou a morte
Em território sagrado
Construí uma jangada de esperança
Entreguei-me ao oceano
Em busca de porto seguro
Mas escrito estava
Em mar aberto
Que havia uma linha de fronteira
Entre a morte e a vida
O mar devolveu-me à morte
Consentida por esse artificio
Mas a jangada essa…
Pode passar a fronteira
E chegar ao destino sem dono!
Delmar Maia Gonçalves
Cartaxo, 23 de Março de 2008
