A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Da Hipnose do Nobel



Em 1973, juntamente com o diplomata norte-vietnamita Le Duc Tho, Henry Kissinger foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz. Isso não impediu que, enquanto responsável pela diplomacia norte-americana, estivesse envolvido em acontecimentos tão revoltantes quanto a deposição de Salvador Allende no Chile, barbaramente assassinado pelos esbirros do General Pinochet no Palácio de La Moneda, precisamente nesse ano de 1973, que instaurou uma das ditaduras mais sanguinárias que a América Latina conheceu, ou a invasão de Timor-Leste pela Indonésia, com as consequências trágicas que são bem conhecidas.

O mediatismo do fim da guerra do Vietname, a primeira com um impacto televisivo de largo espectro nas sociedades ocidentais, terá sido determinante para a atribuição do Nobel da paz a esta figura tétrica da história recente deste mundo em permanente convulsão. Houve outras atribuições que seguiram o mesmo paradigma, também elas polémicas. O que têm de comum é que premiavam a coragem de avançar para o diálogo e de aceitar o fim de conflitos aparentemente insolúveis (no Médio-Oriente, apesar de tudo, ou apesar de nada, deram-se passos importantes no sentido da criação de dois Estados, embora a plena consumação deste desiderato tenha enfrentado novos obstáculos que ressuscitaram todos os outros, mesmo os que se julgava definitivamente ultrapassados).

Quando as sociedades deixam que o ressentimento se torne o motor da sua história, não só se criam as condições para a instauração do totalitarismo, como se geram as condições propícias ao agudizar conflitos internos e externos. É por esta razão que Nelson Mandela representa hoje para o mundo a capacidade de suportar a opressão sem sucumbir ao ódio. Nobel da Paz em 1993 em parceria com Frederik de Klerk, "pelo seu esforço para a abolição pacífica do regime do apartheid, e por terem estabelecido as bases para uma nova África do Sul democrática”, Nelson Mandela é hoje um ícone político que representa a capacidade de resolução de problemas vitais para o presente e o futuro das sociedades, pela via do diálogo democrático e da verdade ética e existencial como centro atractor da convivialidade política, categoria ainda por explorar de forma profunda pela teoria política, mas que se coloca cada vez mais como a alternativa à razoabilidade mediatizada e submetida às regras da oferta e da procura eleitoral.

O problema da democracia não é a existência de eleições. Como me parece óbvio. É, antes de mais, considerar-se as eleições como a única via de participação política dos cidadãos, transformados em actantes da sociedade do espectáculo (assumo aqui um categoria de Guy Debord que neste momento é cada vez mais importante para podermos chegar aonde é preciso na problematização em torno da actualidade em que nos inserimos) desinvestidos da condição de agentes. O cidadão é cada vez mais um consumidor, um espectador também ele já mediatizado, apropriado pelo medium em que a própria sociedade já se transformou. O lema mcLuhaniano “the medium is the message” deve dar-nos que pensar, uma vez que estamos embebidos no ‘meio’ de ‘comunicação’, com o quadro arquetipal subvertido, uma vez que somos já parte da mensagem, e o destinador e os destinatários desmultiplicam-se em fractal sobre o plissado desta urdidura caótica e englobante que alimenta os discursos e subverte a paisagem mental em que se constrói a subjectividade humana e, no seu seio, a subjectividade política.

A verdade ética será o que ainda poderá ser salvo dessa metastática profusão da demiurgia do Lógos sem dia-logia, sem abertura para o outro de si, ou para a sua instauração em discursividades diversas, excêntricas e desconexas entre si, hoje tudo é discurso do mesmo sobre o mesmo, o caldeirão mediatizado de todas as teorias, a abolição das fracturas simbólicas e a erosão da agudeza das dissidências. É o Lógos sem diabolia, essa dispersividade excessiva, incircunscriptível que, como tão bem o viu Eudoro de Souza, é a possibilidade, impossibilitante e, paradoxalmente, facilitadora (a categoria de órgão-obstáculo de Jankélévitch expressa muito bem este paradoxo) da simbolização, que pode ser assumida como um retorno a uma Ítica reeditada, ou a uma condição paradisíaca abandonada.

Foi no bojo desse caldeirão que os novos feiticeiros da metafísica da história (um híbrido entre a teodiceia messiânica e o marketing político ‘puro e duro’) engendraram o ‘fenómeno Obama’, o candidato-Oprah, hollywoodofílico, completamente descomprometido com o passado tenebroso da América e do mundo, sem as máculas do bushismo e das fracturas ancestrais duma América avidamente à procura de pontes para a temporalidade mítica da instauração da Terra da Promissão que o devir histórico preteriu, em progressivo e inexorável afastamento em relação à Idade de Ouro da Fundação – Obama aparece como um herdeiro do sonho americano, o arquétipo forjado pelos Pais Fundadores e que permanece, paradoxalmente, como a meta quiliástica do progresso social.

Foi em nome da Esperança que o Comité Nobel atribuiu a Barak Obama o Prémio Nobel da Paz, fazê-lo a um Presidente em exercício, tratando-se do Chefe de Estado duma superpotência com liames a todas as instâncias de luta pelo poder e de fractura no tabuleiro geoestratégico é um acto, no mínimo, arriscado. Subordinar à Esperança o significado mais emblemático deste acto de reconhecimento tem em si uma hybricidade (que desfecho esta hybris desencadeará?) que o mundo talvez não esteja preparado para suportar, uma vez que essa é uma categoria-caixa-de-Pandora, dentro do seu invólucro está o detonador de todas as formas de loucura política que surgiram à luz do dia nos dois últimos milénios, a escatologia acaba de ser reapropriada pela hiper-rede do simbolismo mediático erguido em anti-Mitologia, a derradeira exaltação da Metafísica totalizadora.

Obama parece incarnar o arquétipo do Papa Angélico, nascido no fervor da emergência da visão joaquimita da história e que João Paulo II recuperou ao interpretar o texto do terceiro segredo de Fátima como uma referência ao atentado que sofreu em 1981, na Praça de S. Pedro. Se tivermos em conta que este mitema tem como imagem axial um Papa vestido de branco cuja missão seria governar o mundo até ao fim da História, não é difícil perceber a monstruosidade (no sentido do que ‘dá a ver’, e sem um sentido pejorativo) do que está aqui em causa, já que João Paulo II torna pública esta interpretação no ocaso da sua vida. Simbolicamente o ciclo histórico da Igreja encerra-se e tudo o que virá a seguir estará já fora da História da Salvação. Trata-se do acto mais grave que um Papa promulgou em toda a história do catolicismo.

O que temos que procurar entender é o porquê deste gesto de megalomania teológica. Estaria Carol Woytila convencido de que era o último Papa? Ou, pelo menos, de que nos abeirávamos do fim da Civilização?

Talvez, simplesmente não se tenha apercebido do significado simbólico do seu gesto.

Nem esta anedota da história contemporânea terá pesado no espírito dos membros do Comité Nobel. Mas, neste caso, as consequências poderão atingir uma escala difícil de antecipar.

Haverá História depois de Obama?




Paulo Feitais

arevistaentre.blogspot.com

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um desastre obâmico...



Depois de mais uma muito bem sucedida sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA (falarei disso depois na próxima página do “Diário”) e de mais um empate do “Clube de Portugal” (ai de quem se atreva a falar disso…), chego a casa e vejo as últimas notícias do Afeganistão. E, por uma vez, concordo com os comentários do Miguel Sousa Tavares: chegou-se, em absoluto, a um beco sem saída. Politicamente, a democracia afegã tornou-se numa piada de muito mau gosto. Militarmente, assistimos a uma guerra cada vez mais perdida e condenada ao fracasso…

Mais cedo ou mais tarde, apesar da sua insistência, que já começa a ser obsessiva, na “guerra boa” (extraordinário conceito para um Prémio Nobel da Paz…), o Obama vai ter que retirar do Afeganistão. E a América – e o Ocidente em geral – vai ter que aprender, enfim, que não se ganham guerras em território adverso, contra as respectivas populações, por maior poderio militar que se tenha. A única real excepção (há sempre uma excepção a confirmar a regra) foi o Japão: mas o Japão é uma ilha, não tinha aliados na região, e tiveram que usar a bomba atómica…

O mundo não é uma página em branco que se possa redesenhar a nosso gosto, por muito generoso que seja o nosso internacionalismo missionário. O mundo, goste-se ou não disso, tem, de facto, fronteiras: linguísticas, culturais, civilizacionais, religiosas, etc. Não perceber isso é sempre meio caminho andado para o desastre…

Renato Epifânio

domingo, 11 de outubro de 2009

Ora, ora...



Anda meio mundo perplexo com a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Barack Obama. Alega-se que foi demasiado cedo. Ora, ora. No próximo ano já seria demasiado tarde. Afeganistão. Para ficar na letra A...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Já nesta notícia, há qualquer coisa que não soa bem...

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Barack Obama vence Prémio Nobel da Paz de 2009

A Academia Sueca acaba de anunciar a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelo impacto que teve na política internacional e pelos esforços na questão das armas nucleares

Segundo o Comité do Nobel, Obama recebeu o prémio «pelos seus extraordinários esforços de reforço da diplomacia internacional e cooperação entre povos».

«Só raramente uma pessoa consegue, como fez Obama, capturar a atenção de todo o mundo e dar ao seu povo esperança para um futuro melhor», disse o Comité no seu anúncio.

«A sua diplomacia é fundada no conceito de que os que lideram o mundo devem fazê-lo com base nos valores partilhados pela maioria da população mundial».

O Comité afirmou ainda que atribui especial importância ao esforço de Obama em trabalhar por um mundo sem armas nucleares.

«Obama criou, enquanto presidente, um novo clima na política internacional. A diplomacia multilateral recuperou uma posição de destaque, com ênfase no papel das Nações Unidas e de outras entidades internacionais».

A Academia Sueca recebeu neste ano o número recorde de 205 nomeações para o Nobel da Paz.

Fonte: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=150257

domingo, 20 de setembro de 2009

Controlo total da saúde pelo Estado, sem opção

A Verdade Sobre o Novo Sistema De Saúde Proposto Por Obama

Nos EUA a proposta de um novo plano de saúde gerou uma surpreendente resposta do povo americano, que encheu os salões das prefeituras para reclamar junto aos seus representantes no congresso. Semana passada, milhões de americanos foram a Washington para protestar contra o plano de saúde feito pelo governo federal e a perda dos direitos individuais. Ainda assim, a imprensa de massa fez pouco caso desta incrível manifestação do povo americano e minimizou o número de pessoas.

No entanto, principalmente no Brasil, este plano vem sido apresentado como uma solução para todos os que não têm plano de saúde, ao invés de ser apresentado como ele realmente é: controlo total da saúde pelo Estado, sem opção.

Enquanto isso, Obama fez um pronunciamento na TV e no Congresso defendendo o seu plano para tentar mudar a opinião da população e dos congressistas, suscitando uma reacção inesperada de Joe Wilson, da Carolina do Sul. Quando Obama disse que um dos pontos polémicos, que os imigrantes ilegais não teriam plano de saúde de graça, Wilson gritou: "você mente".

Numa pesquisa feita pela revista newsmax, de 105.324 pessoas que fizeram parte da pesquisa, 77% declaram não suportar o plano de saúde de Obama.

Eu traduzi abaixo um resumo dos principais pontos polémicos e a página onde ele pode ser encontrado.
Pag 22: Ordena ao governo auditar todos os empregados que tiverem seguro separado
pag 30: Haverá um comité do governo que decidirá que tratamento e benefícios você terá
pag 354 - Governo irá restringir a entrada de pessoas com necessidades especiais
pag 50: Seguro de saúde irá ser providenciado a todos os imigrantes, ilegais ou não
pag 170: Todos os imigrantes serão isentos de taxas individuais (residentes americanos irão pagar)
pag: 58: Governo terá acesso em tempo real às finanças dos indivíduos e um cartão nacional de saúde será emitido
pag: 59: Governo terá acesso directo à conta bancária do utente para transferência electrónica de fundos, sem outra escolha
pag: 124 Nenhuma companhia poderá processar o governo por fixar preços. Não haverá revisão judicial contra o monopólio do governo
pag 127: O salário dos Médicos será definido pelo governo.
pag 145: Todos os empregadores deverão registar automaticamente os empregados no plano público, sem escolha
pag 239: GOVERNO IRÁ REDUZIR SERVIÇOS MÉDICOS para idosos, e pessoas de baixa renda
pag 241: Médicos, não importa a especialidade, terão o mesmo vencimento
pag 425: Governo irá decidir em relação a opções de prolongamento de vida (living will), sem escolha
pag: 427: Governo ordena programa para finalização da vida. O governo tem a palavra em como a vida deve ser terminada.
pag 430: O governo irá decidir que nível de tratamento você terá no fim da sua vida.

In Blog A Nova Ordem Mundial

quinta-feira, 12 de março de 2009

CARTA A BARAK OBAMA

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Excelentíssimo

Sr. Barak Obama

Presidente dos Estados Unidos da América.

Sou uma cidadã comum angolana que acompanhou atentamente, como outros angolanos, a vossa eleição bem como a tomada de posse, a semelhança dos outros povos dos quatro cantos do MUNDO, e que aguardam com ansiedade que aconteça o mesmo nos seus países ainda dominado pelos a versos a democracia. MUDANÇA. O sonho de Luter king “ I HAVE A DREAM” e V.excia disse “WE CAN”. Os angolanos sonham por uma liberdade efectiva e agora inspirados pelo vosso pensamento, acreditam que finalmente também podem, porque tudo tem o seu tempo.

Sou cristã, mas católica romana que pretende dizer o seguinte, V.excia é tão ser humano como qualquer um, mas nunca nenhum outro comoveu e influenciou de forma positiva na nossa era, o Mundo, como Vexcia. Para mim parece um enviado de Deus para salvar o Mundo da tirania, em particular a África em que a democracia parece distar-se dela ainda 200 anos.

A carta de Teresa Feliciana dirigida ao presidente dos Estados Unidos pode ser encontrada na íntegra em http://quintasdedebate.blogspot.com

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Pop salvará o liberalismo?

Estava com saudade deste espaço tão interessante. Estive durante os últimos 20 dias viajando, em alguns lugares do Brasil e em outros da América do Sul. Estive em três capitais latino-americanas, e pude observar de perto o entusiasmo e a euforia em torno do novo nome da Política, digamos: POP. Ele é um astro. Por onde passei, ele é o destaque. Não sai da boca do povo. A Obamamania tomou conta da AL, inclusive da terra de Hugo Chávez, Venezuela. Sei que este artigo, pode parece repetitivo, pois muito já se falou e se fala(como nós agora) sobre o Presidente mais POP de todos os tempos. Mas cá prá nós, Obama ser comentário em bares e restaurantes da ideaneoditadorial Carracas, já é demais! Chávez se corrói. Não sabe o que falar, até porque ainda é cedo, ou porque não tem nada para dizer(como pouco teve ao decorrer desses anos). Obama ainda é uma interregoção, muito cedo para tecer-mos quaisquer comentários, mas que o cara é POP, meu amigo ... disso ninguém duvida. O Liberalismo está nas mãos de um homem POP. O destino do liberalismo está em seus ombros. Se governar de forma bem-sucedida, viveremos nova era política. Se não, o país se abrirá para novas alternativas conservadoras. Não sabemos, de fato, como Barack Obama vai governar. O que temos até agora é um discurso de posse, que dá indícios de que ele deve ter aprendido mais sobre Reagan do que às vezes deixa transparecer. O discurso de Obama foi abertamente pró-americano e implicitamente conservador. Obama apela para a autoridade de "nossos ancestrais", "nossos documentos fundamentais", e mesmo – atente para a correção política – para "nossos pais que nos geraram". Enfatizou que os americanos não vão pedir desculpas pelo seu modo de vida nem vão acenar em sua defesa. O presidente quase não falou em direitos (só mencionou "os direitos do homem", atrelado ao "domínio da lei" no contexto de uma discussão sobre a Constituição). Obama pediu "uma nova era de responsabilidade". Hoje os perigos não são absolutos, e os conflitos se mostram menos duros. Ainda assim, haverá tempos difíceis durante a presidência de Obama, e a liberdade vai precisar de fortes defensores. Pode Obama remodelar o liberalismo para ser, como na época de Franklin Delano Roosevelt, uma crença patriótica e forte em defesa da liberdade? Seria um serviço para os EUA.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Para o Barack Obama

Amanhã vais tomar posse, mas, por mim, fica tranquilo. Se depois da amanhã continuar este frio, não irei ficar desiludido por causa disso.

Há meio mundo a esperar de ti todos os milagres mas tu sabes (se não o sabes, aprenderás depressa), que milagres, em política, não existem.

Não será pois contigo que irá jorrar paz, pão e liberdade em todos os cantos do mundo…

A esse respeito, li ontem num jornal de esquerda que o mal do Bush tinha sido querer implantar a Democracia em todos esses cantos, quando, manifestamente, havia sítios que ainda não estão preparados para ela. O argumento parece-me um pouco salaz… (tu sabes), mas, neste mundo, já nada me espanta.

De resto, com a Hillary ao leme da política externa, já sabemos o que nos espera: os “bons anos Clinton” (mais hipocrisia, mas tudo exactamente igual). Só espero que, para desviar as atenções de uma Mónica qualquer, não mandes disparar uns mísseis…

Cumprimentos à Michelle

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Para o Barack Obama

Ouvi-te dizer que tens “muito a dizer” sobre o que se está a passar na Faixa de Gaza mas que, por agora, ficas calado.

Compreendo-te. Primeiro, é preciso que Israel faça o “trabalho sujo”.

Depois, quando o terreno estiver “limpo”, poderás então vir com o teu habitual discurso de pastor evangélico.

Por mim, contudo, podes ficar calado para sempre. Há coisas que, a dizerem-se, dizem-se na altura certa. Depois, soam obscenas. Ou bastante hipócritas.

Cumprimentos trans-atlânticos

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A "revolução" de Obama...

Já é conhecida a equipa do Obama.
Tudo gente que vem da Administração Clinton. Incluindo a própria Hillary.
Ah, há uma excepção. Robert Gates, Ministro da Defesa de Bush...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Para o Obama



Ganhaste. Por isso, antes de mais, os meus parabéns.

Acrescidos pelos facto de tu, a princípio, te teres imposto contra tudo e contra todos. Sempre gostei de gajos teimosos e obstinados, com Vontade. Gajos que dizem: “Sim, é possível.”. E a verdade é que conseguiste.

Se bem que a tua prova de fogo tinha sido no início, contra a outra (a Clinton). Depois, foi relativamente fácil. Apesar do teu adversário ser um tipo decente.

Como bem sabes, provocaste por todo o mundo, e também por cá, uma histeria que chegou a tornar-se doentia. Como sou um viciado em jornais, fui acompanhando – e muito sorri, com as manipulações, por vezes bem grosseiras, que se foram fazendo. E tu até não precisavas disso.

Agora que ganhaste, vai começar a desilusão. Afinal, tu foste eleito Presidente dos Estados Unidos e sabes bem que todos os países, para mais o teu, têm, antes de mais, que defender os seus interesses. Sei que o farás e não me desiludirei por isso – pela simples razão de que nunca tive ilusões a esse respeito.

Irei seguir pois, tranquilamente, a tua actuação. Se não somos todos americanos, nada de americano nos pode ser por inteiro indiferente. Em todo os planos – mesmo que a América sempre me tenha despertado as mais ambivalentes sensações.

Não sei se conheces o Heidegger (sim, aquele…), mas ele formou muito a minha ideia do mundo e da América em particular. Mas, acredita, não sou um anti-americano ontológico. Prezo, em particular, algum do vosso cinema. Uma das minhas alcunhas até é, imagina, Clint (Eastwood). E, no final do “The Dear Hunter”, do Cimino, até já me surpreendi a cantarolar o “God bless America”. Para “anti-americano” e “ateu”, não está nada mal…

Sabes como é. Sempre tive um fraco por personagens complexas. Sou, à minha maneira, como tu, mestiço. Por isso, também nunca gostei do outro. Ainda que queira ir ver o filme do Stone. Depois conto-to. Suponho que não terás tempo para o ver…

Com um abraço

quarta-feira, 25 de junho de 2008

REMARKS AT AIPAC POLICY CONFERENCE Senator Barack Obama



June 4, 2008
As Prepared for Delivery

It's great to see so many friends from across the country. I want to congratulate Howard Friedman, David Victor and Howard Kohr on a successful conference, and on the completion of a new headquarters just a few blocks away.

Before I begin, I want to say that I know some provocative emails have been circulating throughout Jewish communities across the country. A few of you may have gotten them. They're filled with tall tales and dire warnings about a certain candidate for President. And all I want to say is – let me know if you see this guy named Barack Obama, because he sounds pretty frightening.

But if anyone has been confused by these emails, I want you to know that today I'll be speaking from my heart, and as a true friend of Israel. And I know that when I visit with AIPAC, I am among friends. Good friends. Friends who share my strong commitment to make sure that the bond between the United States and Israel is unbreakable today, tomorrow, and forever.

One of the many things that I admire about AIPAC is that you fight for this common cause from the bottom up. The lifeblood of AIPAC is here in this room – grassroots activists of all ages, from all parts of the country, who come to Washington year after year to make your voices heard. Nothing reflects the face of AIPAC more than the 1,200 students who have travelled here to make it clear to the world that the bond between Israel and the United States is rooted in more than our shared national interests – it's rooted in the shared values and shared stories of our people. And as President, I will work with you to ensure that it this bond strengthened.

I first became familiar with the story of Israel when I was eleven years old. I learned of the long journey and steady determination of the Jewish people to preserve their identity through faith, family and culture. Year after year, century after century, Jews carried on their traditions, and their dream of a homeland, in the face of impossible odds.

The story made a powerful impression on me. I had grown up without a sense of roots. My father was black, he was from Kenya, and he left us when I was two. My mother was white, she was from Kansas, and I'd moved with her to Indonesia and then back to Hawaii. In many ways, I didn't know where I came from. So I was drawn to the belief that you could sustain a spiritual, emotional and cultural identity. And I deeply understood the Zionist idea – that there is always a homeland at the center of our story.

I also learned about the horror of the Holocaust, and the terrible urgency it brought to the journey home to Israel. For much of my childhood, I lived with my grandparents. My grandfather had served in World War II, and so had my great uncle. He was a Kansas boy, who probably never expected to see Europe – let alone the horrors that awaited him there. And for months after he came home from Germany, he remained in a state of shock, alone with the painful memories that wouldn't leave his head.

You see, my great uncle had been a part of the 89th Infantry Division – the first Americans to reach a Nazi concentration camp. They liberated Ohrdruf, part of Buchenwald, on an April day in 1945. The horrors of that camp go beyond our capacity to imagine. Tens of thousands died of hunger, torture, disease, or plain murder – part of the Nazi killing machine that killed 6 million people.

When the Americans marched in, they discovered huge piles of dead bodies and starving survivors. General Eisenhower ordered Germans from the nearby town to tour the camp, so they could see what was being done in their name. He ordered American troops to tour the camp, so they could see the evil they were fighting against. He invited Congressmen and journalists to bear witness. And he ordered that photographs and films be made. Explaining his actions, Eisenhower said that he wanted to produce, "first-hand evidence of these things, if ever, in the future, there develops a tendency to charge these allegations merely to propaganda."

I saw some of those very images at Yad Vashem, and they never leave you. And those images just hint at the stories that survivors of the Shoah carried with them. Like Eisenhower, each of us bears witness to anyone and everyone who would deny these unspeakable crimes, or ever speak of repeating them. We must mean what we say when we speak the words: "never again."

It was just a few years after the liberation of the camps that David Ben-Gurion declared the founding of the Jewish State of Israel. We know that the establishment of Israel was just and necessary, rooted in centuries of struggle, and decades of patient work. But 60 years later, we know that we cannot relent, we cannot yield, and as President I will never compromise when it comes to Israel's security.

Not when there are still voices that deny the Holocaust. Not when there are terrorist groups and political leaders committed to Israel's destruction. Not when there are maps across the Middle East that don't even acknowledge Israel's existence, and government-funded textbooks filled with hatred toward Jews. Not when there are rockets raining down on Sderot, and Israeli children have to take a deep breath and summon uncommon courage every time they board a bus or walk to school.

I have long understood Israel's quest for peace and need for security. But never more so than during my travels there two years ago. Flying in an IDF helicopter, I saw a narrow and beautiful strip of land nestled against the Mediterranean. On the ground, I met a family who saw their house destroyed by a Katyusha Rocket. I spoke to Israeli troops who faced daily threats as they maintained security near the blue line. I talked to people who wanted nothing more simple, or elusive, than a secure future for their children.



KEEP READING…