A qualquer um pareceria mal
empregado esforço imaginar o que teria acontecido se, em vez do rumo que tomou
a partir de 1755, o País tivesse logrado que, a par de um monarca sábio e
poderoso, fosse dirigido por um patriarca sábio e piedoso, ambos apostados,
ainda que em planos diferentes, no mesmo fito. E contudo houve um poeta que, a
seu modo, intuiu o quanto importava que a Igreja e o Estado fossem as duas
faces complementares por via das quais o génio português realizasse enfim a sua
vocação universal; na qual tanto esperava que redigiu até um guia para o
efeito, a Arte de Ser Português. Queimado
pelas tropas napoleónicas o solar da família, é de crer que não fosse na
biblioteca familiar, mas em Coimbra, nas aulas de Lopes Praça, que Teixeira de Pascoaes
ouvisse pela primeira vez encarecer a personalidade e a obra do P.e
António Pereira de Figueiredo; de quem Bruno lhe falaria no entanto em termos
justificativos da especial menção que lhe faz na derradeira nota daquele livro;
cuja leitura tanto me intrigou e à qual estas linhas pretendem ser um mero
comentário. (excerto)