A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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sábado, 15 de agosto de 2009

Uma nova civilização

"Não se trata pois de encontrar "soluções" para certos "problemas", mas de visar uma alternativa global ao estado de coisas existente, uma nova civilização, um modo de vida outro, que não seria a negação abstracta da modernidade, mas a sua "sobresumpção" (Aufhebung), a sua negação determinada, a conservação das suas melhores aquisições e a sua superação rumo a uma forma superior da cultura - uma forma que restituiria à sociedade certas qualidades humanas destruídas pela civilização burguesa industrial. Isto não significa um regresso ao passado, mas um desvio pelo passado, em direcção a um novo futuro, desvio que permite ao espírito humano tomar consciência de toda a riqueza cultural, de toda a vitalidade social que foram sacrificadas pelo processo histórico desencadeado pela revolução industrial e procurar os meios de as fazer reviver. Não se trata pois de querer "abolir" o maquinismo e a tecnologia, mas de os submeter a uma outra lógica social - isto é, de os transformar, reestruturar e planificar em função de critérios que não são os da circulação das mercadorias: a reflexão socialista autogestionária sobre a democracia económica e a dos ecologistas sobre as novas tecnologias alternativas - como a geotermia e a energia solar - são primeiros passos nesta direcção. Mas são objectivos que exigem uma transformação revolucionária do conjunto das estruturas socio-económicas e político-militares actuais"

- Michael Löwy / Robert Sayre, Révolte et mélancolie. Le romantisme à contre-courant de la modernité, Paris, Payot, 1992, pp.301-302.

domingo, 9 de agosto de 2009

Da revolução como "tradição mais profunda"

"Uma revolução é um apelo de uma tradição menos perfeita a uma tradição mais perfeita, um apelo de uma tradição menos profunda a uma tradição mais profunda, um recuo de tradição, uma ultrapassagem em profundidade; uma busca em fontes mais profundas; no sentido literal, uma refontalização...No fundo uma revolução não é uma revolução plena a não ser que seja uma mais plena tradição, uma mais plena conservação, uma tradição anterior, mais profunda, mais verdadeira, mais antiga, e assim mais eterna"

- Charles Péguy, Oeuvres en Prose, 1, Paris, La Pléiade, 1968, pp.1377-1378.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Espécies de Revolução

"Há, talvez, duas espécies de revolução: uma é a de mudar o mundo, como tanto tem sido tentado, sempre com resultados muito aquém das levantadas esperanças, a outra a de mudar cada pessoa, já que as perspectivas da transformação oposta ou parecem muito exageradas, muito desmentidas pelos resultados no quotidiano, ou envolvem tais dificuldades ou tais riscos, mesmo vitoriosas, e sobretudo quando vitoriosas, que parece melhor tentar a alternativa. É isso o que diríamos da revolução pessoal que tem, no Ocidente, os exemplos de São Paulo ou São Francisco, no Oriente, e por exemplo também, o caso de Buda e de, quase em nosso tempo, Ramakrishna, que experimentou as três vias do hinduísmo, do cristianismo e do islão, nelas três atingindo suas metas. Quem sabe se não haveria ainda que trilhar novo caminho: o de, tomando toda a simplicidade, todo o despojamento, toda a disciplina, toda a dedicação do que foi citado - e bem sabendo de nossas inferioridades e limitações - ninguém se retirar do mundo, como muitos deles fizeram, ninguém se recolher a convento algum, mas no século permanecer, com bom humor, paciência, entusiasmo, fé no triunfo e absoluta confiança nas qualidades do homem, quaisquer que sejam as aparências. Combater sem agressividade, esperar sem se tornar passivo, acreditar haver saída para tudo, conservar-se na marcha geral, embora escolhendo o seu próprio caminho e jamais esquecendo seu rumo, abertos sempre a novas ideias e acolhedores de todos os estimulos. Sem internas quebras, navegar o que parece impossivel, sem desânimo, adiantar a tarefa sem temer o paradoxo, dar toda a eternidade à corrida do tempo, sem pressa nunca cessando a marcha. E ver em todos os companheiros não um grupo que se seguia, o que logo faz surgir hierarquias, mas o nosso amparo, o nosso incitamento: Mestres, afinal, não discípulos"

sábado, 21 de fevereiro de 2009

SOBRE AS REVOLUÇÕES...













1. As revoluções são, por regra, más e não é por acaso que quem tanto as preza denote um perfil tipicamente adolescente: quem vive em permanente crise de identidade, só pode gostar da “revolução permanente”.

2. Se isso é assim no plano individual, tanto ou mais assim é no plano colectivo. Os povos dados a revoluções denotam, desde logo, a sua falta de maturidade.

3. Desde logo porque as revoluções fomentam o pensamento maniqueísta, o mesmo é dizer, o grau zero de pensamento: numa revolução, o passado é sempre absolutamente negro e algo a renegar por inteiro. Daí a necessária antítese: é preciso fazer tudo ao contrário…

4. Para não recuarmos mais, no século XX em Portugal ocorreram 3 revoluções: em 1910, em 1926 e em 1974. As três revoluções deram-me mais pela implosão dos três regimes depostos – Monarquia, I República e Estado Novo – do que propriamente pela força dos seus opositores, mas, ainda assim, em todas elas, a lógica maniqueísta emergiu em todo o seu esplendor: pela diabolização da Monarquia pela I República, pela diabolização da I República pelo Estado Novo; pela diabolização do Estado Novo pelo 25 de Abril…

5. Quando chegaremos, enfim, à maturidade? Já vai sendo a Hora…