A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Caso Suiça: Situação se complica, mas devemos ainda ser prudentes

A brasileira Paula Oliveira, que alega ter sido atacada por neonazistas na semana passada, na Suíça, teria comunicado os amigos sobre sua suposta gravidez de gêmeos em um e-mail com uma imagem de ultrassonografia falsa. Segundo reportagem da revista Época, uma ex-colega de trabalho da brasileira afirmou que a mensagem, com a reprodução de uma imagem de ultrassom que pode ser encontrada pelo Google, foi enviada no dia 16 de janeiro para mais de 30 pessoas que trabalharam com ela na multinacional dinamarquesa Maersk. A colega afirma ainda que Paula tinha um histórico de inventar coisas para chamar a atenção, e que chegou a afirmar que seu marido tinha morrido no acidente com o avião da TAM em Congonhas, que saiu da pista e matou 199 pessoas em julho de 2007. Para piorar ainda mais a situação da brasileira, o Partido do Povo da Suíça (SVP), de extrema direita, quer abrir um processo contra a brasileira sob a acusação de que ela inventou o ataque que diz ter sofrido uma semana atrás. Enquanto autoridades e parentes acumulam contradições, o partido tenta ganhar publicidade e mais popualridade visando as próximas eleições com o caso, que qualifica "farsa". Na segunda-feira, 16, a polícia insistiu que ainda não tem uma conclusão definitiva, mas indicou que a tese da autoflagelação(?) é a mais provável. Paula deixou o hospital de Zurique na tarde desta terça-feira, 17, depois seis dias internada, e agora deve se recuperar em sua casa na cidade suíça, visto que a mesma está impedida de deixar o país enquanto o caso não chegar as conclusões finais. A advogada não conversou com a imprensa e saiu pelo subsolo do hospital para evitar maiores polêmicas. Segundo seu pai, Paulo Oliveira, ela teria pedido para não ser exposta aos jornalistas.A mãe de Paula, Jeni Ventura, afirmou que a filha já sabe da versão apresentada pela polícia de que ela teria se automutilado. Ventura garantiu que a filha teria exames que comprovariam a gravidez. Paula alega que estava grávida de gêmeos e que sofreu aborto após ter sido agredida. Para a polícia suíça, ela não estava grávida na ocasião dos ferimentos. Em e-mails enviados a amigos, a brasileira falava da gravidez. Em um deles, enviado no dia 9, data da suposta agressão, Paula afirmava que havia feito um exame de sangue que comprovava a gestação.

Itamaraty

O governo brasileiro defendeu, inicialmente, a tese de que tudo levava a crer em motivação xenófaba para o caso. A interpretação predominou nas declarações de vários ministros do governo e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, descartou qualquer pedido de desculpas ao governo Suíço pelas declarações. De acordo com Amorim, Brasil e Suíça têm mantido contato intenso desde o início das investigações. O caso merece maior prudência e ser devidamente examinado. (Créditos: Jornal do Brasil)

Agenda: Polo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras

Real Gabinete Português de Leitura, sediado no centro do Rio de Janeiro, oferece um intercâmbio de pesquisa cultural com: Carlos Mendes de Sousa, da Universidade do Minho.

Sobre: Miguel Torga e Eduardo Lourenço-Conversa Inacabada.
Dia 5 de Março de 2009(5ª Feira) ás 14:30 Horas.
Entrada Gratuita


Real Gabinete Português de Leitura
Rua Luís de Camões, nº 30 - Centro - Rio de Janeiro
Telefones: (55 21) 2221-3138 / (55 21) 2221-2960
Sítio: www.RealGabinete.com.br

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Miscelânea de Carnaval no Cine Odeon!

Nesta Terça-Feira(17/2/2009) acontece no Rio de Janeiro, a partir das 19:00 Horas, a Super Festa de Carnaval promovido pelo Cine Odeon que fica na Cinelândia, no Centro da cidade.
A programação inclui de: Eletro Music, show de marchinhas de Carnaval com banda ao vivo, show de cantores(as) de Samba e MPB, passando por Cinema e Poesia.

Quando? Nesta Terça(17/2)
Onde? Rio de Janeiro - Cinelândia - Centro.
Horário: A partir das 19 Horas.
Quanto? Gratuito!

´´O Rio é basicamente o Mar.
O Mar o Amor
E o tantã do tambor!``

Maiores informações e programação completa:
Visite o Sítio Oficial do Evento!

Eu estarei lá, com cerveja!(ou melhor: com certeza!!! ;)

A Suiça mostra sua verdadeira face

É chocante saber que o Neonazismo prolifera na Suiça, e que até mesmo, autoridades locais cooperam, direta ou indiretamente, para a mesma. O fato da brasileira violentada numa estação de metrô, está sendo tido como farsa por alguns setores locais da mídia. ´´A polícia da cidade de Zurique afirmou que as circunstâncias exatas não estão claras em relação ao caso da jovem brasileira machucada e encontrada em uma estação de trem. A mídia brasileira sugere que houve uma agressão racista contra a mulher", afirmou o suíço "Nzz Online". Como?

Em uma tarde de dezembro passado, o chefe de polícia de Passau, na Baviera, Alois Mannichi, saía de sua casa no subúrbio, quando foi esfaqueado. A lâmina por pouco não lhe atingiu o coração. No hospital, relatou que o atacante lhe dissera que ele nunca mais iria profanar o túmulo de seus camaradas. Semanas antes, o policial mandara retirar da tumba do dirigente neonazista do NPD, Friedhelm Busse, uma cruz gamada, símbolo proibido na Alemanha de hoje. Em outra tarde, a da última segunda-feira, a brasileira Paula Oliveira chegava ao subúrbio de Dubendorf, em Zurique. Desceu do trem e se dirigiu à cabine telefônica, a fim de falar com a mãe no Brasil. Ao ouvir a língua estrangeira, três homens jovens a cercaram, agarraram-na, levaram-na a um canto, e com uma lâmina de barbear riscaram seu ventre e suas pernas, com as letras SDP, sigla do partido neonazista da Suíça. Nos dois casos, tão semelhantes e tão diferentes, as autoridades, encarregadas de investigá-los, tentam desmoralizar as vítimas e a elas atribuir a culpa do ocorrido. O policial alemão é conhecido pela luta contra os neonazistas no land da Baviera, e havia a ordem para a abertura da cova de um de seus líderes e o confisco da cruz gamada que adornava o cadáver. Apesar de tantas evidências, não podendo dizer que o próprio policial se esfaqueara, os investigadores alegam que se tratou de "um drama familiar". No caso da brasileira Paula de Oliveira, as autoridades suíças insinuam que a moça se autoflagelou. Ela se encontrava bem, vivendo legalmente no país, com o namorado, cidadão suíço – que confirmou sua versão, incluída a da gravidez. Advogada, ali trabalhava em sua profissão, e não em atividades mal remuneradas e humilhantes. Não havia razões para que assim agisse. Desde o primeiro momento, a polícia suíça desdenhou o depoimento da jovem. Outra versão, de sexta-feira, era a de que o aborto se dera "antes" da agressão e não "depois". É difícil crer que uma jovem que acaba de sofrer um aborto, em sórdido banheiro de estação ferroviária, vá telefonar para o Brasil, antes de buscar socorro médico. Como diziam os racionais padre Brown, de Chesterton, e Sherlock Holmes, de Conan Doyle, é necessário começar pela lógica. O crime não deixou de ser crime se, no momento em que se deu, a moça estava ou não grávida. O fato é que, corretas ou não as versões sobre os dois episódios, o nazismo e o racismo se encontram de volta à Europa, se é que a deixaram algum dia. Também é fato que os governos europeus estão sendo coniventes com esses criminosos. Em seu conhecido ensaio, Repressive tolerance, Marcuse mostra que a tolerância para com os intolerantes é atitude de conivência e cumplicidade. Se a República de Weimar houvesse cortado, com a força do Estado, o avanço de Hitler e seus sequazes, o mundo não teria sofrido o que sofreu nos campos de batalha e de extermínio. Não estaríamos hoje discutindo sobre o Holocausto que, como registra a História, não vitimou apenas os judeus. Vale lembrar o campo especial de Natzweiller-Struthof, no qual os nazistas submeteram ciganos a experiências com bactérias, incluídas as do tifo, e, também, aos efeitos dos gases que empregariam mais tarde no extermínio dos "seres inferiores". Houve tempo suficiente para entender o que queriam os nazistas, que não escondiam seu propósito, mas a população estava de acordo com a eliminação dos "inúteis". É o que parece ocorrer na Europa de nossos dias. Na Suíça alemã (onde o racismo é mais agudo) essa política procura justificar-se no sentimento de Befremdung. O vocábulo significa espanto diante de qualquer coisa estranha, que deve ser eliminada, como são os pobres do resto do mundo, estejam ou não entre eles. Trata-se de cínica torção ontológica, para desculpar o propósito da ampliada Endlösung, a solução final dos nazistas de 1942. Nesse clima, vale registrar a atitude do governo britânico, ao impedir a entrada no país do deputado direitista holandês Geert Wilders, que iria apresentar seu filme anti-islâmico Fitna. De vez em quando a velha Inglaterra surpreende com seu pragmatismo. Em A Guerra das salamandras, excelente romance antitotalitário – em que as salamandras representam os nazistas, naquela época em ascensão – o tcheco Karol Capek atribui ao Foreign Office uma frase magistral: "O governo de sua majestade britânica tem todo o respeito pelos animais, mas não pode dialogar com eles".

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Portugal curva a espinha

O mais espantoso no acordo ortográfico celebrado entre o Brasil, Portugal e os outros seis países em que se fala o português, que por aqui acaba de entrar em vigor (embora ainda haja prazo até 2012), é que os portugueses tenham concordado em assiná-lo. Por um motivo simples: é que o assim chamado português de Portugal (quanto à versão escrita do idioma, não haverá mais razão para tal referência, pois agora as ortografias se fundem artificialmente) sai muito mais machucado da reforma do que o português do Brasil. Por isso, Portugal resistiu a aderir ao acordo durante quase vinte anos, mas, de repente, inexplicavelmente, curvou a espinha e perdeu toda a dignidade, digamos, filológica (eu ia dizer mais corretamente "linguística", porém a palavra sem trema é insuportável, soa a linghística). Um exemplo simples de como Portugal perdeu muito mais: no Brasil jamais se dirá que alguém "foi à festa com seu fato mais elegante". Se o bom leitor ouvir essa frase em alguma boca, pode-se ter certeza rigorosa de que a ouviu vazada no belo sotaque português. Nenhum brasileiro usa tal forma de expressão, pois aqui a palavra "fato" significa apenas "acontecimento". Só em estado de dicionário, como dizia o velho Drummond, poderá ser encontrada como sinônimo de "terno" (embora há muito tempo as peças sejam só duas, pois o colete caiu de moda, a roupa masculina manteve a designação).

Já em Portugal, para designar "acontecimento", o termo é, sempre foi, "facto" — e ninguém, nos últimos cem anos (ou quase isso, pois a ortografia portuguesa ora alterada não sofria qualquer mudança substancial desde 1911, quando entrou em vigor, após trabalho inestimável do foneticista Gonçalves Viana, trabalho que acabou com a balbúrdia ortográfica), pensou em eliminar o "c" medial que no Brasil há muito deixou de existir. Na grafia portuguesa, entretanto, foi mantido porque sempre soou de maneira claríssima na pronúncia, correspondendo ao significado único de "acontecimento". Pergunta-se: ainda que a equivocada mudança tenha botado abaixo o "c" da palavra "facto", os portugueses deixarão de pronunciá-lo? É de duvidar-se, pois a língua falada, que é a língua primitiva, original, mãe da outra, tem uma força muito superior à da língua escrita (verdade que a atual mudança anticientífica não levou em consideração). Por essas e por outras é que se disse que o português de Portugal, tal como foi usado no último século, fica muito mais prejudicado graficamente do que o português do Brasil. Não apenas em relação à citada palavra "facto". Lá eles escrevem — e pronunciam, eis o dado básico — "acto", "actor", "director" e dezenas de outras palavras nas mesmas condições.

Entretanto, também os brasileiros sofremos. Nossa "idéia" e muitas palavras com final semelhante perdem o acento gráfico para deixar tudo igual e sem caráter por lá e por aqui. Que diabo, o acento servia exatamente para mostrar que a palavra tem um jeito, um sabor especial aqui e outro lá (em Portugal a pronúncia é muito próxima de algo como idaia)! Assim, eram roupagens diferentes para palavras diferentes com pronúncias rigorosamente diferentes, mas agora enfiaram tudo numa trituradora brutalizante.

Os burocratas que trabalharam pelo acordo insensato sabem muito bem que, na prática, ele é irrealizável. Não se passarão cinquenta (a pronúncia seria cinkenta?) anos para que se reclame a volta do bom senso. No momento a situação é esta: telefono para a responsável pelo setor de revisão de uma grande editora. Minha amiga, competente e habitualmente tranquila, parece perder a respiração, afogada entre hifens que surgem como visita incômoda ou caem como fruta madura. E toda a sua equipe lembra a casa de orates do Dr. Simão Bacamarte, no caso apenas atrás de pulgas que nascem numas palavras e morrem noutras. Que desejam afinal os autores do acordo? Simples. Querem é impedir nosso prazer de ler Eça e Camilo ou, entre os atuais, Saramago e Miguel Sousa Tavares. Prazer que, entre outras coisas, vem das pequeninas diferenças ortográficas, que não atrapalham em nada o idioma único, mas nos fazem sentir o prazer de ler os portugueses como portugueses. E eles se autodefinem a partir da ortografia. Ou se autodefiniam. Querem acabar aos poucos com cada um dos nossos pequenos prazeres. Acabam de matar mais um.

Colaborou: Marcos de Castro - Escritor

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Pop salvará o liberalismo?

Estava com saudade deste espaço tão interessante. Estive durante os últimos 20 dias viajando, em alguns lugares do Brasil e em outros da América do Sul. Estive em três capitais latino-americanas, e pude observar de perto o entusiasmo e a euforia em torno do novo nome da Política, digamos: POP. Ele é um astro. Por onde passei, ele é o destaque. Não sai da boca do povo. A Obamamania tomou conta da AL, inclusive da terra de Hugo Chávez, Venezuela. Sei que este artigo, pode parece repetitivo, pois muito já se falou e se fala(como nós agora) sobre o Presidente mais POP de todos os tempos. Mas cá prá nós, Obama ser comentário em bares e restaurantes da ideaneoditadorial Carracas, já é demais! Chávez se corrói. Não sabe o que falar, até porque ainda é cedo, ou porque não tem nada para dizer(como pouco teve ao decorrer desses anos). Obama ainda é uma interregoção, muito cedo para tecer-mos quaisquer comentários, mas que o cara é POP, meu amigo ... disso ninguém duvida. O Liberalismo está nas mãos de um homem POP. O destino do liberalismo está em seus ombros. Se governar de forma bem-sucedida, viveremos nova era política. Se não, o país se abrirá para novas alternativas conservadoras. Não sabemos, de fato, como Barack Obama vai governar. O que temos até agora é um discurso de posse, que dá indícios de que ele deve ter aprendido mais sobre Reagan do que às vezes deixa transparecer. O discurso de Obama foi abertamente pró-americano e implicitamente conservador. Obama apela para a autoridade de "nossos ancestrais", "nossos documentos fundamentais", e mesmo – atente para a correção política – para "nossos pais que nos geraram". Enfatizou que os americanos não vão pedir desculpas pelo seu modo de vida nem vão acenar em sua defesa. O presidente quase não falou em direitos (só mencionou "os direitos do homem", atrelado ao "domínio da lei" no contexto de uma discussão sobre a Constituição). Obama pediu "uma nova era de responsabilidade". Hoje os perigos não são absolutos, e os conflitos se mostram menos duros. Ainda assim, haverá tempos difíceis durante a presidência de Obama, e a liberdade vai precisar de fortes defensores. Pode Obama remodelar o liberalismo para ser, como na época de Franklin Delano Roosevelt, uma crença patriótica e forte em defesa da liberdade? Seria um serviço para os EUA.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Guerra da Água

"Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, 'há uma realidade histórica de guerras pela água' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias". Raymond Dwek - The Guardian, [24/NOV/2002] *

A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem.
Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo. E a conquista das reservas de água? Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário "Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra" (que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...) disse que "a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo". Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. Ali, ele é o "dono" das:

- águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

- águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.

Tais águas são 'transfronteiriças', recursos naturais compartilhados. Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países. Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.
Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais. A estratégia de Israel é outra. Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que "é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade" (1). Palavras do ministro da agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território. O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região.

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um 'direito adquirido sobre a água'. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu:

"Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza".

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados das casas), confiscam as bombas d'água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d'água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização.
Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.
A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito. Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos? Dá pra imaginar a sobrevivência de qualquer estado e, nesse caso, da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita? Botar a mão na água é coisa antiga. Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras (em especial da Palestina) de olho nas águas da bacia do rio Jordão. Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:

- a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier);

- em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon falou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d'água;

- em 2002, a construção o 'muro de segurança' viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Segundo Noam Chomsky, "o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem..." (2). Antes do muro, ele já fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, agora falta água para beber à população palestina do entorno do muro;

- antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.

Quantos falam a respeito disso?

Em 2003, na 3ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados que objetivavam apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel. Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água - palavras bonitas no papel, nas mesas de negociação, na mídia. Na prática, é utopia. O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas mesmo que estas contidas em convenções, acordos, declarações (e outras abobrinhas)? Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais?

Este texto pode ser reproduzido deste de que a fonte seja citada