EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

1810 – 2010 : 2º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO





DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO


1810 – 2010 : 2º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO



“ Não tem título honorífico, condecoração ou distinção alguma e espera em Deus que nunca as terá.” – Alexandre Herculano, in jornal A Nação de 22 de Setembro de 1877.


“ [Um homem que] tinha o egoísmo da sua honestidade, da sua virtude.” – Ariosto da Silva.


“ (…) algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e um chapéu de Braga [ é tudo o que preciso para ser feliz).” – Alexandre Herculano em confissão ao seu amigo Almeida Garrett.


Se quiséssemos definir Alexandre Herculano, cujo segundo centenário do nascimento se comemora no presente ano de 2010, as frases transcritas acima, cumpririam bem essa finalidade, pois nelas se encontra tudo o que o Homem, de quem iremos de seguida traçar o perfil, desejava para si.

O cidadão Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nasceu em Lisboa, no Pátio do Gil, Rua de S. Bento, a 28 de Março de 1810, filho de Maria do Carmo de São Boaventura e de Teodoro Cândido de Araújo, recebedor da Junta dos Juros.

Estuda Humanidades nas aulas dos padres dos oratorianos dos Congregados de São Filipe Néri preparando-se para ingressar na Universidade, o que não sucede devido a cegueira contraída pelo pai, facto que empurra este último para a aposentação no ano de 1827.

Alexandre Herculano vê-se então forçado a seguir um curso prático de Comércio, onde estuda Diplomática (Paleografia) na Torre do Tombo e línguas, francês, inglês e alemão.

Entre 1827-1828 manifesta-se já a sua vocação literária, lendo autores românticos, nomeadamente, os alemães Schiller (1759-1805), Burger e Klopstock (1724-1803), e os franceses Lamennais (1782-1854), Casimir Delavigne (1793-1843), Chateaubriand (1768-1848), Lamartine (1790-1869) e Vigny (1797-1863), escrevendo poesia, travando conhecimento com poetas da estatura dum António Feliciano de Castilho (1800-1875) cuja tertúlia frequenta, bem como a Marquesa de Alorna (1750-1839), que homenageará, em 1844, num artigo publicado em O Panorama, onde a consagra como a «Madame de Stael (1766-1817) portuguesa».

As suas convicções liberais obrigam-no, no ano de 1831, a exilar-se, devido a ter participado na conspiração de 21 de Agosto, - revolta do regimento de Cavalaria 4, em Lisboa -, contra o regime absolutista de D. Miguel (1802-1866). O seu périplo começa por Inglaterra, primeiro em Plymouth, depois em cidades de província como, Stone House e Devonport, deslocando-se depois para França, Normandia (Granville), Bretanha (Rennes, cuja biblioteca Herculano frequenta de manhã à noite).

No ano seguinte, 1832, vamos encontrá-lo na ilha Terceira, Açores, onde se junta, como soldado raso, ao contingente liberal organizado por D. Pedro (1798-1834) que vem desembarcar no Mindelo, cercando o Porto, em cuja biblioteca pública trabalha, primeiro, sem descurar as suas obrigações militares, e, depois, em 1833, como segundo-bibliotecário, para além de colaborar no Repositório Literário (1834-1835).

1836 é o ano da Revolução de Setembro, que leva à abolição da «Carta Constitucional», jurada por Herculano, e a consequente reposição da «Constituição de 1822», o que determina que o escritor, fazendo alarde da dignidade que sempre caracterizou a sua existência, se demita do seu cargo e rume a Lisboa, onde publica com extremo êxito A Voz do Profeta (1ª série, 1836; 2ª série, 1837), onde se nota a influência de Lamennais (1782-1854), e que adquire o estatuto de um panfleto político contra a «Revolução Setembrista».

Actuando como jornalista, funda a revista literária O Panorama (1837), órgão de difusão do primeiro romantismo português e de divulgação dos diversos romantismos europeus, ao mesmo tempo que, dirige o Diário do Governo.

Dois anos depois, 1839, o segundo marido da rainha portuguesa D. Maria II (1819-1853), D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha (1816-1885), nomeia Herculano bibliotecário-mor das Bibliotecas Reais da Ajuda e das Necessidades. Influenciado por historiadores como Guizot (1787-1874) e Thierry dedica-se a uma exaustiva pesquisa documental que culminará, em 1842, na publicação das Cartas sobre a História de Portugal na Revista Universal Lisbonense. Este primeiro ensaio originará o volume inicial da sua História de Portugal 1846, que provocará uma violenta polémica com as autoridades clericais, ao negar o aparecimento de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques (1109-1185), antes da batalha de Ourique, além da negação de outras lendas de cariz religioso, e que determinará a produção dos famosos opúsculos Eu e o Clero, e, Solemnia Verba, ambos de 1850.

A sua História de Portugal publicada entre 1846 e 1853, abrange o período compreendido entre a fundação da nacionalidade e a representação dos municípios nas Cortes, no reinado de D. Afonso III (1210-1279).

Não nos adiantemos, e voltemos a 1840, para registar a eleição de Herculano como deputado pelo Partido Cartista, cargo que apenas exercerá durante um ano, pois abandona o Parlamento desiludido com a não implementação do seu projecto sobre ensino popular.

Em 1846, Herculano é eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, instituição de que chegará a ser vice-presidente em 1855. O prestígio do historiador português não cessa de crescer e, assim, tornar-se-á membro da Academia de Turim (1850) e da Academia de História de Madrid (1851).

Em 1850, opondo-se à ditadura de Costa Cabral (1803-1889), Alexandre Herculano assina um documento em que denuncia a “lei da rolha” no respeitante à liberdade de imprensa. No ano seguinte, dá-se a queda de Cabral, com a consequente Regeneração do marechal Saldanha (1790-1876), e Herculano funda o jornal O País. Dois anos depois, é a vez do aparecimento de um outro órgão de comunicação, também fundado por Herculano, O Português, onde se opõe às ideias do governo de Fontes Pereira de Melo (1819-1887) e Rodrigo da Fonseca Magalhães (1787-1858).

Meia dúzia de anos depois, 1856, Herculano e outros apaniguados políticos fundam o Partido Progressista Histórico e, no ano seguinte, o historiador ataca com violência a Concordata com a Santa Sé. Entre 1860 e 1865 participa na redacção do 1º Código Civil Português, e propõe o casamento civil ao religioso, provocando nova acesa polémica com o clero, que se encontra coligida na obra de 1866, Estudos sobre o Casamento Civil.

Fatigado com estas polémicas e desiludido com a vida política, no ano seguinte, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, Azóia, concelho de Santarém, comprada com o dinheiro recebido com a venda dos seus livros. Após o casamento com o grande amor da sua vida, Maria Hermínia Meira, ambos vão viver para o meio da Natureza. Desde cedo, Herculano que, adorava fazer jardinagem, dedica-se então, com grande satisfação à agricultura, em especial à produção de azeite, o melhor do país de acordo com testemunho da época que, comercializa, com a marca «Herculano».

No seu amado retiro, Herculano não abandona a investigação histórica – continuando a trabalhar nos Portugalie Monumenta Histórica, publica o 1º volume dos Opúsculos (1872) –, nem as polémicas em que é ‘obrigado’ a intervir – a famigerada proibição das «Conferências do Casino» -, bem como a correspondência com os vultos literários e políticos seus contemporâneos.

Relativamente à obra literária de Alexandre Herculano, comecemos por analisar a sua poesia, género que foi também o primeiro a que se dedicou, limitada ao período da sua juventude, ao contrário do seu amigo Almeida Garrett (1799-1854), exprimindo um nacionalismo que fundamenta o seu conceito de realismo. Aliás, já que falámos em Garrett, este é o momento ideal para afirmar, sem qualquer dúvida, que, Herculano e Garrett são os introdutores do Romantismo em Portugal.

A narrativa dramática caracteriza quase toda a obra poética de Alexandre Herculano, o que o empurra para a grandiloquência a que são alheios o conteúdo conceptual bem como a originalidade de imagens.

Outra importante característica da poética de Herculano é a oposição entre o campo e a cidade, merecendo-lhe o primeiro, os maiores elogios e, o segundo, as críticas mais negativas. Esta dualidade de carácter moralista encontramo-la, também, na prosa, embora aqui, ela surja com uma notável originalidade no respeitante à adjectivação, como se pode constatar na obra, Eurico, o Presbítero, 1844, com a qual Herculano funda o romance histórico português, seguindo as pegadas do escocês Walter Scott (1771-1832), a que se seguirão dentro do mesmo género literário, O Monge de Cister, 1848; Lendas e Narrativas, 1851; o Bobo, 1843.

Para além da enorme e rigorosa pesquisa histórica, Herculano denota uma consciência romântica, que terá em Antero de Quental o seu expoente máximo.

São as seguintes, as obras principais de Alexandre Herculano:


POESIA:

A Voz do Profeta, 1836; A Harpa do Crente, 1838; Poesias, 1850.


FICÇÃO:

Eurico, o Presbítero, romance, 1844; O Monge de Cister, romance, 1848; Lendas e Narrativas, 1851; O Bobo, romance, 1878; O Pároco da Aldeia, O Galego, novelas, 1973.


HISTÓRIA:

História de Portugal, 1846-1853; História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, 1854-1859.


TEXTOS DIVERSOS:

Estudos sobre o Casamento Civil, 1866; Opúsculos, 1873-1876.


CORRESPONDÊNCIA:

Cartas, 1911-1914; Cartas Inéditas de Alexandre Herculano, 1944; Cartas de Vale de Lobos, 1980-1981.