EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão e António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte).

Para o 20º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

1810 – 2010 : 2º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO





DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO


1810 – 2010 : 2º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO



“ Não tem título honorífico, condecoração ou distinção alguma e espera em Deus que nunca as terá.” – Alexandre Herculano, in jornal A Nação de 22 de Setembro de 1877.


“ [Um homem que] tinha o egoísmo da sua honestidade, da sua virtude.” – Ariosto da Silva.


“ (…) algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e um chapéu de Braga [ é tudo o que preciso para ser feliz).” – Alexandre Herculano em confissão ao seu amigo Almeida Garrett.


Se quiséssemos definir Alexandre Herculano, cujo segundo centenário do nascimento se comemora no presente ano de 2010, as frases transcritas acima, cumpririam bem essa finalidade, pois nelas se encontra tudo o que o Homem, de quem iremos de seguida traçar o perfil, desejava para si.

O cidadão Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nasceu em Lisboa, no Pátio do Gil, Rua de S. Bento, a 28 de Março de 1810, filho de Maria do Carmo de São Boaventura e de Teodoro Cândido de Araújo, recebedor da Junta dos Juros.

Estuda Humanidades nas aulas dos padres dos oratorianos dos Congregados de São Filipe Néri preparando-se para ingressar na Universidade, o que não sucede devido a cegueira contraída pelo pai, facto que empurra este último para a aposentação no ano de 1827.

Alexandre Herculano vê-se então forçado a seguir um curso prático de Comércio, onde estuda Diplomática (Paleografia) na Torre do Tombo e línguas, francês, inglês e alemão.

Entre 1827-1828 manifesta-se já a sua vocação literária, lendo autores românticos, nomeadamente, os alemães Schiller (1759-1805), Burger e Klopstock (1724-1803), e os franceses Lamennais (1782-1854), Casimir Delavigne (1793-1843), Chateaubriand (1768-1848), Lamartine (1790-1869) e Vigny (1797-1863), escrevendo poesia, travando conhecimento com poetas da estatura dum António Feliciano de Castilho (1800-1875) cuja tertúlia frequenta, bem como a Marquesa de Alorna (1750-1839), que homenageará, em 1844, num artigo publicado em O Panorama, onde a consagra como a «Madame de Stael (1766-1817) portuguesa».

As suas convicções liberais obrigam-no, no ano de 1831, a exilar-se, devido a ter participado na conspiração de 21 de Agosto, - revolta do regimento de Cavalaria 4, em Lisboa -, contra o regime absolutista de D. Miguel (1802-1866). O seu périplo começa por Inglaterra, primeiro em Plymouth, depois em cidades de província como, Stone House e Devonport, deslocando-se depois para França, Normandia (Granville), Bretanha (Rennes, cuja biblioteca Herculano frequenta de manhã à noite).

No ano seguinte, 1832, vamos encontrá-lo na ilha Terceira, Açores, onde se junta, como soldado raso, ao contingente liberal organizado por D. Pedro (1798-1834) que vem desembarcar no Mindelo, cercando o Porto, em cuja biblioteca pública trabalha, primeiro, sem descurar as suas obrigações militares, e, depois, em 1833, como segundo-bibliotecário, para além de colaborar no Repositório Literário (1834-1835).

1836 é o ano da Revolução de Setembro, que leva à abolição da «Carta Constitucional», jurada por Herculano, e a consequente reposição da «Constituição de 1822», o que determina que o escritor, fazendo alarde da dignidade que sempre caracterizou a sua existência, se demita do seu cargo e rume a Lisboa, onde publica com extremo êxito A Voz do Profeta (1ª série, 1836; 2ª série, 1837), onde se nota a influência de Lamennais (1782-1854), e que adquire o estatuto de um panfleto político contra a «Revolução Setembrista».

Actuando como jornalista, funda a revista literária O Panorama (1837), órgão de difusão do primeiro romantismo português e de divulgação dos diversos romantismos europeus, ao mesmo tempo que, dirige o Diário do Governo.

Dois anos depois, 1839, o segundo marido da rainha portuguesa D. Maria II (1819-1853), D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha (1816-1885), nomeia Herculano bibliotecário-mor das Bibliotecas Reais da Ajuda e das Necessidades. Influenciado por historiadores como Guizot (1787-1874) e Thierry dedica-se a uma exaustiva pesquisa documental que culminará, em 1842, na publicação das Cartas sobre a História de Portugal na Revista Universal Lisbonense. Este primeiro ensaio originará o volume inicial da sua História de Portugal 1846, que provocará uma violenta polémica com as autoridades clericais, ao negar o aparecimento de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques (1109-1185), antes da batalha de Ourique, além da negação de outras lendas de cariz religioso, e que determinará a produção dos famosos opúsculos Eu e o Clero, e, Solemnia Verba, ambos de 1850.

A sua História de Portugal publicada entre 1846 e 1853, abrange o período compreendido entre a fundação da nacionalidade e a representação dos municípios nas Cortes, no reinado de D. Afonso III (1210-1279).

Não nos adiantemos, e voltemos a 1840, para registar a eleição de Herculano como deputado pelo Partido Cartista, cargo que apenas exercerá durante um ano, pois abandona o Parlamento desiludido com a não implementação do seu projecto sobre ensino popular.

Em 1846, Herculano é eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, instituição de que chegará a ser vice-presidente em 1855. O prestígio do historiador português não cessa de crescer e, assim, tornar-se-á membro da Academia de Turim (1850) e da Academia de História de Madrid (1851).

Em 1850, opondo-se à ditadura de Costa Cabral (1803-1889), Alexandre Herculano assina um documento em que denuncia a “lei da rolha” no respeitante à liberdade de imprensa. No ano seguinte, dá-se a queda de Cabral, com a consequente Regeneração do marechal Saldanha (1790-1876), e Herculano funda o jornal O País. Dois anos depois, é a vez do aparecimento de um outro órgão de comunicação, também fundado por Herculano, O Português, onde se opõe às ideias do governo de Fontes Pereira de Melo (1819-1887) e Rodrigo da Fonseca Magalhães (1787-1858).

Meia dúzia de anos depois, 1856, Herculano e outros apaniguados políticos fundam o Partido Progressista Histórico e, no ano seguinte, o historiador ataca com violência a Concordata com a Santa Sé. Entre 1860 e 1865 participa na redacção do 1º Código Civil Português, e propõe o casamento civil ao religioso, provocando nova acesa polémica com o clero, que se encontra coligida na obra de 1866, Estudos sobre o Casamento Civil.

Fatigado com estas polémicas e desiludido com a vida política, no ano seguinte, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, Azóia, concelho de Santarém, comprada com o dinheiro recebido com a venda dos seus livros. Após o casamento com o grande amor da sua vida, Maria Hermínia Meira, ambos vão viver para o meio da Natureza. Desde cedo, Herculano que, adorava fazer jardinagem, dedica-se então, com grande satisfação à agricultura, em especial à produção de azeite, o melhor do país de acordo com testemunho da época que, comercializa, com a marca «Herculano».

No seu amado retiro, Herculano não abandona a investigação histórica – continuando a trabalhar nos Portugalie Monumenta Histórica, publica o 1º volume dos Opúsculos (1872) –, nem as polémicas em que é ‘obrigado’ a intervir – a famigerada proibição das «Conferências do Casino» -, bem como a correspondência com os vultos literários e políticos seus contemporâneos.

Relativamente à obra literária de Alexandre Herculano, comecemos por analisar a sua poesia, género que foi também o primeiro a que se dedicou, limitada ao período da sua juventude, ao contrário do seu amigo Almeida Garrett (1799-1854), exprimindo um nacionalismo que fundamenta o seu conceito de realismo. Aliás, já que falámos em Garrett, este é o momento ideal para afirmar, sem qualquer dúvida, que, Herculano e Garrett são os introdutores do Romantismo em Portugal.

A narrativa dramática caracteriza quase toda a obra poética de Alexandre Herculano, o que o empurra para a grandiloquência a que são alheios o conteúdo conceptual bem como a originalidade de imagens.

Outra importante característica da poética de Herculano é a oposição entre o campo e a cidade, merecendo-lhe o primeiro, os maiores elogios e, o segundo, as críticas mais negativas. Esta dualidade de carácter moralista encontramo-la, também, na prosa, embora aqui, ela surja com uma notável originalidade no respeitante à adjectivação, como se pode constatar na obra, Eurico, o Presbítero, 1844, com a qual Herculano funda o romance histórico português, seguindo as pegadas do escocês Walter Scott (1771-1832), a que se seguirão dentro do mesmo género literário, O Monge de Cister, 1848; Lendas e Narrativas, 1851; o Bobo, 1843.

Para além da enorme e rigorosa pesquisa histórica, Herculano denota uma consciência romântica, que terá em Antero de Quental o seu expoente máximo.

São as seguintes, as obras principais de Alexandre Herculano:


POESIA:

A Voz do Profeta, 1836; A Harpa do Crente, 1838; Poesias, 1850.


FICÇÃO:

Eurico, o Presbítero, romance, 1844; O Monge de Cister, romance, 1848; Lendas e Narrativas, 1851; O Bobo, romance, 1878; O Pároco da Aldeia, O Galego, novelas, 1973.


HISTÓRIA:

História de Portugal, 1846-1853; História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, 1854-1859.


TEXTOS DIVERSOS:

Estudos sobre o Casamento Civil, 1866; Opúsculos, 1873-1876.


CORRESPONDÊNCIA:

Cartas, 1911-1914; Cartas Inéditas de Alexandre Herculano, 1944; Cartas de Vale de Lobos, 1980-1981.