EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): autores em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

Para o 22º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.



Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Texto que nos chegou...

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Afonso Rocha

NO CENTENÁRIO DE A ÁGUIA:
QUE PORTUGAL O DA NOVA ÁGUIA?

Ainda hoje, quer o facto de Sampaio (Bruno) não ter pertencido à A Águia e à «Renascença Portuguesa», quer o facto de Raul Proença, Fernando Pessoa, António Sérgio e outros... se terem afastado de tal projecto, não poderá deixar de fazer pensar...
E, a meu ver, quer a atitude de um, quer a atitude de outros, deverá ser tida em tanto mais atenção quanto é possível constatar que a divergência ou afastamento do projecto em apreço não só não foi impeditivo da continuação dum certo relacionamento posterior entre uma parte e outra, como não tolheu que, posteriormente, a generalidade dos que divergiram se servisse uma ou outra vez d’A Águia para escrever um ou outro artigo .
E, porque, como outros, sou dos que valorizam as razões que terão estado na base do procedimento destes homens, também, naturalmente, não foi sem uma certa hesitação que anuí ao convite-pedido que me foi dirigido pela direcção da Nova Águia, para que colaborasse com um artigo neste seu número, de comemoração do centenário d’A Águia.
Obviamente que, ao aceitar o pedido de uma tão honrosa colaboração, também desde logo se apossou de mim a percepção de que, para um esforço de abordagem justa, se imporia entrar em linha de consideração, quer com os aspectos de divergência, quer com os aspectos de convergência, já que, hoje como ontem, sempre foi inquestionável que, entre os dois lados, nunca deixou de se dar uma essencial e comum preocupação... Isto, obviamente, para além duma postura que significasse de forma inequívoca o reconhecimento do mérito das pessoas que corporizam o tão importante projecto da Nova Águia...
Assim sendo, haverá que ter antes de mais em boa nota duas coisas: em primeiro lugar, que todos, quer os que integraram o projecto d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», quer os que dissentiram dele ou nem mesmo lhe chegaram a pertencer, foram adeptos da República; em segundo lugar, que todos quiseram a República, mas com a «renascença» de Portugal, ou seja, com um Portugal que, «renascendo» para a sua «alma» e para a sua história, rompesse com a sua situação de país «desnacionalizado» e «estrangeirado».
Só que, sob o aspecto duma posição completamente idêntica, sucedia que, enquanto o projecto d’A Águia e da «Renascença Portuguesa» liderado por Pascoaes significava a expressão dum país que, «para crear uma nova vida» e/ou para fazer «renascer» Portugal para a sua «alma», subsumia que os portugueses teriam que «regressar às fontes originárias» e/ou à «Saudade revelada» , Bruno, Proença, Pessoa, Sérgio e outros... subsumiam que o «renascimento» de Portugal, no âmbito duma inequívoca «renascença» ou recuperação da «alma portuguesa», deveria consistir num projecto pautado por parâmetros de universalismo e de abertura ao exterior, por conseguinte um «renascimento» baseado no universalismo indispensavelmente situado, que tanto guardasse e desenvolvesse a memória histórica do Portugal de Quinhentos como integrasse na actual identidade de Portugal o exterior, o estrangeiro, a Europa e o Mundo.
E o certo é que, enquanto A Águia e/ou a «Renascença Portuguesa», conforme Pascoaes o faz supor no seu projecto de manifesto sobre a «Renascença Portuguesa» e no texto que publica sob o título «Renascença» no número de Janeiro de 1912 (2.ª série) , declaram que a perdição da «alma portuguesa» e/ou a «confusão cahotica» do país se deve às «más influências literárias, politicas e religiosas vindas do estrangeiro [Europa]», de sorte que Portugal, para «poder cumprir o destino que por natureza, nascimento e sangue lhe pertence», não tem outra solução que não seja a de fazer com que «todos os portugueses» «regressem» à sua «realidade essencial» e/ou às «fontes originárias» da «Saudade revelada», em contrapartida, Bruno, Pessoa, Proença, Sérgio e outros..., sem prejuízo de defenderem também um Portugal de identidade «nacional» (na história, no pensamento e na cultura), não deixarão, no entanto, de afirmar com ênfase o carácter imperscriptivelmente aberto, cosmopolita e universal do «Portugal novo» a construir .
De uma tal perspectiva da «Renascença» e do «renascimento» de Portugal, serão por antonomásia expressões, quer Sampaio (Bruno), quer Fernando Pessoa: o primeiro, porque, contestando de forma categórica o carácter histórico, material e pessoal do messianismo português, do messianismo judaico e do messianismo do Quinto Império do padre António Vieira, se apresenta como um defensor inquebrantável do carácter ontologicamente espiritual, impessoal do messianismo e/ou da perspectiva aberta, cosmopolita e universal do Portugal do futuro; o segundo, porque, fazendo supor o questionamento quer do «espírito» «lusitanista» e «saudosista» do messianismo de Pascoaes , quer do carácter histórico-milenarista do messianismo do Quinto Império do padre António Vieira, se apresenta como alguém que, por um lado, concebe e afirma o messianismo do Quinto Império de Portugal em termos substantivamente mítico-simbólicos, e como alguém que, por outro lado, concebe e afirma o messianismo do Quinto Império em termos de um misticismo gnóstico-cristão-pagão, de natureza tão «espiritual» e «universal» como «racional» e «anti-católica», de cuja concepção não só resulta ser impossível subsumir o messianismo do Quinto Império de Pessoa em termos de um «Império» histórico e «português», como até só resulta ser possível subsumir o Quinto Império de Portugal em termos de Quinto Império do Mundo, o mesmo é dizer, como um «imperialismo» místico-messiânico de essência «espiritual», «racional», «anti-católica» e «universal».
Bom, mas se a «renascença» d’A Águia e da «Renascença Portuguesa» hegemonizada por Pascoaes labora nos aludidos pressupostos, então, também não deixará de ser oportuno que se formulem as seguintes questões: primeira, por que razão, quando se escreve ou quando se fala d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», se assiste a que, com frequência, mesmo no âmbito da Nova Águia, se refira Bruno, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Proença, Pessoa, Sérgio e outros... como se todos tivessem pertencido, ou todos tivessem pertencido do mesmo modo, à A Águia e à «Renascença Portuguesa»? Segunda, por que razão pretender afirmar que a concepção do Portugal d’A Águia e/ou da «Renascença Portuguesa» é, por exemplo, segundo a interpretação de António Cândido Franco , é a de um país «geo-estrategicamente» europeu e universal, análoga ou mesmo idêntica à de Bruno, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Proença, Pessoa, Sérgio e outros..., como se o ideal destes últimos quanto à «renascença» de Portugal, nomeadamente de Bruno e Pessoa, fosse no essencial o mesmo que A Águia e o movimento da «Renascença Portuguesa», mormente de Pascoaes, consagram?
De resto, se porventura esta segunda questão for considerada como susceptível de suscitar estranheza, nada, a nosso ver, como, sem que entretanto se percam de vista nomeadamente os textos de Pascoaes já mencionados, ter em atenção os quatro primeiros números da Nova Águia, e muito designadamente o último, com o qual, apesar do esforço empreendido para demonstrar o teor europeu da geo-estratégia de Pascoaes e d’A Águia, se não logra evitar a ideia de que A Águia e a «Renascença Portuguesa» terão efectivamente consistido num projecto de cariz fechado e de sabor nacionalista...
Aliás, no tocante a esta questão, independentemente de não se excluir de todo a possibilidade de alguma imprecisão no âmbito do afirmado, não deixa de se nos configurar como indispensável o aparecimento de um estudo monográfico (ou estudos), devidamente objectivo e fundamentado (coisa que, no nosso ponto de vista, ainda não existe), sobre o pensamento filosófico, político-messiânico e místico-religioso de Pascoaes, através do qual se torne possível esclarecer e avaliar de forma adequada e justa as questões em apreço.
Contudo, não obstante tudo, não somos dos que consideram descabido que a Nova Águia tenha surgido e exista. De modo algum!
Bem ao contrário, somos dos que pensam que hoje, comparativamente com os tempos d’A Águia e da «Nova Renascença», existem mesmo razões acrescidas, para que os portugueses se interroguem de forma especial sobre o problema da sua identidade e futuro como povo e país. E isto, porque, se, nos tempos d’A Águia e da «Renascença Portuguesa», a ideia que existia sobre a identidade de Portugal e o seu futuro era a de um Portugal-Império, hoje, tal ideia de Portugal já não tem qualquer adesão à realidade, porque nós já não somos um Império, mas sim um país e um povo integrado a corpo inteiro na Europa, de tal decorrendo em consequência que a Europa não possa deixar de constituir o fundamento natural e primacial da nossa actual ideia de Portugal e do seu futuro, ainda que sem nunca incorrermos no erro de enjeitar, quer a memória histórica materializada sobretudo na época de Quinhentos e que tem a ver com o carácter aberto, cosmopolita e universal que nos caracteriza, e que Pessoa identificou com a idiossincrasia do «ser tudo, de todas as maneiras» , quer o relacionamento privilegiado de Portugal com o Mundo lusófono, embora sempre a partir da Europa e com a Europa.
Bom, mas, porque toda esta reflexão e reformulação continua praticamente por fazer, então, um projecto como o da Nova Águia não só terá que ser considerado como oportuno e justificado, como deverá ser considerado em termos de um projecto que é não só urgente como mesmo mais complexo do que o que ontem mobilizou os homens d’A Águia e/ou da «Renascença Portuguesa».
Só que, nesta medida, para que logre cumprir com a missão que a nova situação orgânica e geo-estratégica confronta o país, a Nova Águia não poderá limitar-se a assumir e a reafirmar os problemas e as perspectivas d’Águia de Pascoaes como se a questão da identidade de Portugal continuasse a poder ser equacionada essencialmente à luz dum país e dum povo que ainda sejam, respectivamente, um Império sob o ponto de vista orgânico e um Povo «estrangeirado» e «desnacionalizado» sob o ponto de vista político-cultural, mas ela deverá, sim, olhar para a nova situação orgânica e/ou geo-estratégica de Portugal e adoptá-la como fundamento e parâmetro de equacionação do problema da identidade e do futuro do país, passando, por conseguinte, não só a afirmar Portugal como um país e um povo europeu, mas também como uma entidade que deverá continuar a dar provas de um povo e de um país por excelência aberto, cosmopolita e universal, muito designadamente em relação ao Mundo da lusofonia, porém, agora, a partir da Europa e com a Europa.
E, então, sim, a Nova Águia, projecto essencial do Portugal que está para cá da descolonização e da sua integração na União Europeia, fazendo prova de ser capaz de integrar os Brunos, os Pascoaes, os Leonardos, os Proenças, os Pessoas, os Sérgios e todos os demais..., não só se revelará um projecto à altura de contribuir para que o Portugal de hoje se cumpra em coerência com o enquadramento orgânico e geo-estratégico que o define actualmente, como se revelará mesmo um projecto com condições para corresponder à ânsia da maioria dos portugueses que, porventura sem o verbalizarem, estarão querendo um Portugal bem diferente do que lhes estão dando...