EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): autores em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

Para o 22º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.



Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nota evocativa: A Vida Portuguesa – Inquérito à vida nacional

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José Gama
Faculdade de Filosofia, Braga – UCP

Em ano de centenário do surgimento da revista A Águia, proponho-me fazer uma breve evocação de uma outra publicação periódica, que de algum modo está ligada ao grupo promotor e ao espírito que promoveu a criação da revista e o seu enquadramento no movimento da Renascença Portuguesa. Trata-se do boletim A Vida Portuguesa, dirigido por Jaime Cortesão, entre Outubro de 1912 e Novembro de 1915.
A Vida Portuguesa (AVP) surge dentro da Associação da Renascença Portuguesa (RP). A revista A Águia, como órgão oficial a partir da 2ª série, iniciada em Janeiro de 1912, é predominantemente doutrinária; à nova publicação AVP, em cadernos de oito páginas, caberia um papel informativo mais próximo da realidade nacional, o que não significa puramente noticioso.
A dimensão que aqui pretendo salientar é o carácter essencialmente conciliador entre as duas principais tendências que se manifestaram na fundação da RP, e que opuseram o grupo do norte e o grupo do sul. Estabeleceu também, desse modo, a ponte de ligação que uniu a tendência manifestada claramente pelo grupo de Lisboa e a orientação do movimento da Seara Nova, lançado em 1921, com a publicação da revista com o mesmo nome, como órgão oficial. Os protagonistas são fundamentalmente os mesmos, cabendo a Jaime Cortesão o papel determinante e omnicompreensivo, enquanto congrega os grupos fundadores da RP, integrando o do norte (Coimbra/Porto), dá corpo ao boletim conciliador AVP, e reúne à sua volta o “Grupo da Biblioteca Nacional” que dá início à Seara Nova. Neste novo grupo encontramos os principais elementos do anterior grupo do sul, na criação da RP, com destaque para Raul Proença.
São bem conhecidas as tendências que opuseram os grupos fundadores da Renascença. Pelo norte/Porto, o espiritualismo patriótico e nacionalista liderado pelo poeta Teixeira de Pascoaes, e pelo sul/Lisboa, o programa reformista de intervenção sócio-política, orientado para um socialismo democrático, liderado pelo escritor Raul Proença. Os respectivos manifestos-programa, elaborados para as reuniões preparatórias da criação da Associação, realizadas em Agosto e em Setembro de 1911, só mais tarde são divulgados, precisamente nas páginas do número 22 de AVP, de 10 de Fevereiro de 1914.
A orientação saudosista que Teixeira de Pascoaes imprimiu à revista A Águia, como órgão da RP, está patente desde o primeiro número, em particular no texto de apresentação “Renascença”. No número seguinte, de Fevereiro de 1912, no artigo “Renascença (O espírito da nossa Raça)”, insiste na “verdadeira interpretação da Saudade, isto é, a verdadeira interpretação do génio, do espírito da alma portuguesa”, e não deixa passar a oportunidade para lançar a observação irónica à “ingenuidade dos que se julgam práticos, modernos…”, e ao “preconceito do senso prático”. Mais tarde, Jaime Cortesão, já em vésperas do lançamento do boletim AVP, no artigo “Da Renascença Portuguesa e seus intentos”, inscreve o projecto da RP num horizonte mais amplo e europeu, que “não é incompatível com as aspirações modernas”, e que “promoverá no Povo português a parte da boa cultura que a Europa lhes possa trazer”.

A ideia fundadora de AVP é situada por Jaime Cortesão na reunião de 2 de Junho de 1912 da Direcção do Conselho de Administração da RP, que decidiu “a publicação dum quinzenário de inquérito à vida nacional sob o quádruplo aspecto do problema religioso, pedagógico, económico e social”. O primeiro caderno é publicado em 31 de Outubro de 1912. Manter-se-á até Novembro de 1915, com a edição de 39 números, em cadernos de 8 páginas cada, e organizados em 2 volumes. A periodicidade foi variando, e daí a mudança do subtítulo da publicação, que se iniciou com “Quinzenário de inquérito à vida nacional”, passou a “Boletim de inquérito à vida nacional”, mensal, e, finalmente, como “Boletim da «Renascença Portuguesa»”, com a periodicidade mensal ou de 3 semanas, com excepção do último caderno, de Novembro de 1915, que sai cinco meses depois do anterior.
A leitura atenta do artigo de apresentação, de Jaime Cortesão, permite perceber a resposta interna à exigência de alargar o horizonte de incidência da reflexão e da intervenção, renovadoras e criativas, na vida nacional. A indicação dos quatro domínios temáticos é acompanhada das comissões respectivas, com atribuição dum programa de acção. O objectivo que este inquérito à vida nacional se propõe, procura conciliar a atenção refundadora do “original espírito da Pátria Portuguesa”, na linha do saudosismo de Pascoaes, com a “harmonia com o espírito moderno, e especialmente em conformidade com as necessidades actuais”. Parece aflorar aqui a tensão latente entre a atitude hostil a todas as “más influências [literárias, políticas e religiosas] vindas do estrangeiro”, apregoada por Pascoaes, e a necessidade urgente de abertura ao “espírito moderno” que Jaime Cortesão propõe, em evidente ressonância do programa do manifesto do grupo de Lisboa, redigido por Raul Proença. Este programa posiciona-se frontalmente em oposição ao nacionalismo cultural do saudosismo. Por exemplo, perante a situação caótica da vida nacional, após a revolução triunfante, a resposta à palavra de ordem “renascença nacional” é a seguinte: “Que fazer então? – Pôr a sociedade portuguesa em contacto com o mundo moderno, fazê-la interessar pelo que interessa os homens lá de fora, dar-lhe o espírito actual, a cultura actual, sem perder nunca de vista, já se sabe, o ponto de vista nacional e as condições, os recursos e os fins nacionais. Temos de aplicar a nós mesmos, por nossa conta, esse espírito do nosso tempo, de que temos estado tão absolutamente alheados”.
E surge A Vida Portuguesa, como inquérito à vida nacional. As grandes questões vão surgindo, em análises das questões económicas, das questões educativas (lançamento de um inquérito a nível nacional), da organização da indústria, da vulgarização científica, e da “menina dos olhos” de Jaime Cortesão, que foi o lançamento e dinamização das Universidades Populares.
Além destas análises das grandes questões, o boletim foi-se recheando cada vez mais com as referências e divulgação das actividades da RP. São as indicações cronológicas de todas as acções realizadas, e que permitem acompanhar a par e passo a vida da Associação; são os documentos e transcrições do eco da RP nos periódicos nacionais e alguns internacionais; são os anúncios e programas dos cursos realizados nas Universidades Populares; são as listas de obras da Biblioteca da RP; são os artigos e as listas relacionadas com a “subscrição nacional a favor de Gomes Leal”…
É a voz da Renascença Portuguesa, como consciência activa do seu papel de rejuvenescimento da Raça e da Pátria, sem trair a linha de rumo delineada por Teixeira de Pascoaes, mas apelando com insistência à intervenção da geração nova que se orienta mais para o Futuro, para uma nova Vida e novo Mundo. Sem esquecer “aqueles que têm aquela experiência, aquele saber, e ponderação, que só o tempo dá”.
É também a voz da crítica, não apenas referenciada nas alusões e nas respostas às críticas públicas, mas sobretudo nas inúmeras páginas do boletim com textos de António Sérgio, preparando e acompanhando a famosa “polémica sobre o saudosismo” com Teixeira de Pascoaes, nas páginas de A Águia, de Outubro de 1913 a Julho de 1914. Para além de outros textos extensos, atendendo à dimensão do boletim, é de destacar o artigo “Golpes de malho em ferro frio – Aos portugueses de 16 anos que não ambicionam ser poetas líricos”, que preenche na quase totalidade as oito páginas do caderno nº 16, de 2 de Agosto de 1913, e que desfere a terrível acusação à RP “de ser uma sociedade do elogio mútuo. Creio que realmente tem havido orgia de elogio mútuo. Reconheçamo-lo, emendemo-nos e sigamos adiante”. É a preparação próxima da polémica com Pascoaes, no órgão oficial. A sua oposição ao saudosismo é directa e frontal: “Só alcançarmos um viver decente quando atirarmos completamente ao diabo o Historismo e o Saudosismo”. A crítica de Jaime Cortesão vai no sentido de apontar os erros e contradições, “para não dizer dispautérios”, de Sérgio, com o texto “O parasitismo e o anti-historismo – Carta a António Sérgio” ; a resposta de Sérgio às objecções sairá no nº 20, de uma forma mais clara, em estilo límpido e em linguagem da ciência e sem imagens, no texto “O parasitismo peninsular – Carta a Jaime Cortesão” .
A colaboração de António Sérgio manter-se-á até aos últimos cadernos, chegando mesmo a assumir a direcção da “Biblioteca de Educação”, nos projectos editoriais da RP, e que permanecerá anunciada nas páginas do boletim até ao penúltimo caderno, em Junho de 1915.
Como nota curiosa, regista-se a ausência de colaboração de Teixeira de Pascoaes nas páginas deste boletim, para além de um breve texto – “Gomes Leal na miséria” , com o apelo ao apoio urgente a um grande Poeta na miséria. O seu domínio era o de A Águia, nos altos voos de inspiração saudosista, sem concessões ao sentido prático dos que viam na intervenção do quotidiano uma exigência inadiável para todo o projecto de renovação cultural.
A partir de Agosto de 1914, o drama da “Guerra Grande” marca presença nas páginas do boletim. Álvaro Pinto escreve a crónica “Portugal e a Guerra Grande” , onde analisa as razões da guerra e os motivos da loucura alemã, e interroga-se sobre a atitude de Portugal, apontando para um apoio à causa da justiça e à vitória do direito. Jaime Cortesão, no mês seguinte, com o texto “A Renascença Portuguesa e a Guerra”, exorta à solidariedade greco-latina, perante o perigo que ameaça a França, e propõe “à meditação e actividade dos nossos amigos este belo motivo a solicitar as suas energias” . E, coerente com a sua posição, em breve se alista nas fileiras dos voluntários como médico, retomando assim a actividade profissional que tinha suspendido havia alguns anos.
As dissidências no seio da Renascença Portuguesa e a dispersão que a Guerra provocou, vão apressar o fim da publicação do Boletim A Vida Portuguesa. Em breve se assistirá ao abandono da direcção da revista A Águia por Teixeira de Pascoaes, às dissidências mais surpreendentes de Jaime Cortesão e de Álvaro Pinto, e à criação do movimento e da publicação da Seara Nova…
Jaime Cortesão desiste dum projecto, mas continua a lutar pelos mesmos ideais de renovação, que o hão-de levar a novos empreendimentos e a longínquas paragens. Por agora, fica a mudança de estratégia, que ele explica em carta ao amigo Álvaro Pinto: “A Renascença, nascida antes da guerra, correspondeu a uma época do mundo e a uma idade nossa que passou. Sob o ponto de vista de ideias, que deram a célebre discussão entre Pascoaes e Sérgio, eu hoje pendo para o lado do último. No túmulo cheio de velhos miasmas, que é a Nação, devem entrar lufadas de ar distante e renovador”.