EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

Para o 24º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 23

Capa da NOVA ÁGUIA 23

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 23

Tendo germinado em 2006, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, o MIL: Movimento Internacional Lusófono nasceu no início de 2008, aparecendo já expressamente referido no Manifesto da Nova Águia, nos seguintes termos: “O projecto Nova Águia não se esgota na revista assim designada, sendo uma das expressões de um movimento mais vasto de carácter cultural, cívico e pedagógico, o MIL: Movimento Internacional Lusófono, que pretende continuar o trabalho do movimento da Renascença Portuguesa, no início do século XX, agora a uma escala também lusófona (…)”.

Uma década depois, começamos por recordar alguns dos momentos mais marcantes desta caminhada – que, bem o sabemos, está ainda no início –, e algumas das nossas posições de princípio. Uma década depois, o MIL é decerto a maior instituição da sociedade civil no que se refere ao reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade. Sendo a Nova Águia uma das expressões maiores desse nosso horizonte.

Por isso, sem complexos, como sempre, continuamos a salientar as figuras maiores da cultura lusófona – em particular, aquelas que os nossos “media” mais estrangeirados continuam a desprezar. Dalila Pereira da Costa é um excelente exemplo disso: em 2018, assinalaram-se os cem anos do seu nascimento; que outra revista cultural em Portugal, a não ser a Nova Águia, assinalou devidamente esse centenário?... Por isso, voltamos à carga: depois de no número anterior lhe termos dado o destaque de capa, publicando dez ensaios sobre a sua obra, publicamos neste número mais meia dezena (e mais uma Carta): ensaios apresentados, em primeira mão, num Ciclo evocativo que promovemos, durante todo o ano passado, no Palacete Visconde de Balsemão, no Porto.

Em 2020, assinalam-se os cinquenta anos da morte de Almada Negreiros, outra figura singular da cultura lusófona – antecipando essa efeméride, publicamos neste número um ensaio de fôlego (e de fogo) de Elísio Gala. Depois, evocamos mais uma dúzia de figuras relevantes da nossa cultura e, em “outros voos”, publicamos uma dezena e meia de textos, sobre as mais diversas temáticas. Como tem sido hábito, também neste número publicamos textos inéditos de Agostinho da Silva e António Telmo. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma dezena de recensões de diversas obras publicadas recentemente. No início de uma nova década, a Nova Águia irá assim, com a descomplexada convicção de sempre, prosseguir o seu voo.

A Direcção da Nova Águia

Post Scriptum: Saudamos aqui o ingresso de mais três Vice-Directores da Nova Águia: Anna Galvão, Nuno Sotto Mayor Ferrão e Samuel Dimas. Nas suas respectivas áreas (Artes Plásticas, História e Filosofia), eles irão decerto reforçar este nosso voo cada vez mais partilhado.

Já na fase final da paginação deste número, recebemos a triste notícia do falecimento do nosso colaborador João Bigotte Chorão. Em sua Homenagem, publicaremos, no próximo número, alguns textos sobre a sua Obra, bem com a série completa das suas “Cartas sem resposta” (algumas delas já publicadas em números anteriores da NOVA ÁGUIA).

NOVA ÁGUIA Nº 23: ÍNDICE

Editorial…5

NOS 10 ANOS DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

DEZ POSIÇÕES DE PRINCÍPIO…8

ALMADA NEGREIROS, 50 ANOS DEPOIS

PORTUGAL: PÁTRIA, NAÇÃO E PARAÍSO | Elísio Gala…14

AINDA SOBRE DALILA

DALILA, UM SOPRO DE MISTÉRIO OU POESIA | Henrique Manuel Pereira…40

O DOURO DE DALILA PEREIRA DA COSTA: 20 000 ANOS DE IDENTIDADE E TRADIÇÃO | José Almeida…44

POESIA E SABEDORIA EM DALILA PEREIRA DA COSTA | José Carlos Seabra Pereira…48

ENTRE SERPENTE E IMACULADA: DALILA PEREIRA DA COSTA OU O BREVIÁRIO DOS INSTANTES DE UMA FILOSOFIA AUTOBIOGRÁFICA | Luísa Borges e Joaquim Pinto…50

DALILA LELLO PEREIRA DA COSTA: TRÊS INSTANTES DE UMA MÍSTICA (QUASE) DESCONHECIDA | Pedro Sinde…56

CARTA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | António Cândido Franco…60

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

ALBANO MARTINS | António José Borges…62

ANTÓNIO QUADROS | Renato Epifânio…63

CABRAL DE MONCADA | Pedro Velez…64

DAMIÃO DE GÓIS | Delmar Domingos de Carvalho…66

FERREIRA DEUSDADO | J. Pinharanda Gomes…68

FRANÇOIS GUIZOT | Ricardo Vélez Rodríguez…75

GASPAR DE QUEIROZ RIBEIRO | António José Queiroz…88

MANUEL ANTUNES E MIGUEL TORGA | José Lança-Coelho…92

MANUEL FERREIRA PATRÍCIO | Emanuel Oliveira Medeiros…93

ORTEGA Y GASSET | Joaquim Pinto e Luísa Borges…110

SAMPAIO BRUNO | José Carlos Casulo…116

VASCO GRAÇA MOURA | José Almeida…121

OUTROS VOOS

SOBRE A PAZ | Adriano Moreira…124

A GERAÇÃO “NÓS” NA CULTURA GALEGA | António Braz Teixeira…127

DA UTILIDADE DO INÚTIL, OU PORQUE SE DEVE ENSINAR FILOSOFIA NO ENSINO SECUNDÁRIO | Artur Manso…138

USOS E COSTUMES DE LISBOA E DO PORTUGAL DO SÉCULO XVIII − O RELATO DO VIAJANTE-PEREGRINO NICOLA ALBANI DE MELFI | Brunello Natale De Cusatis…144

O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO: CORPO, CARNE E ETERNIDADE | Carlos Aurélio…150

CORPO DANÇANTE E COMUNICAÇÃO: UM OLHAR CONTEMPORÂNEO A PARTIR DO GRUPO DE DANÇA CABO-VERDIANA RAIZ DI POLON | Elter Manuel Carlos…158

SITUAÇÃO DO KRAUSISMO NA CULTURA PORTUGUESA | Joaquim Domingues…169

A RENASCENÇA PORTUGUESA E A GRANDE GUERRA: O NÚMERO ESPECIAL DE A ÁGUIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NO CONFLITO MUNDIAL | José Carlos Casulo…173

A ROBOTIZAÇÃO DO MUNDO: O FUTURO DA HUMANIDADE E A UTOPIA DA CONSTRUÇÃO DE UMA ARISTOCRACIA GLOBAL | José Eduardo Franco e Vítor Silva…185

OLHARES SOBRE MOISÉS E A RELIGIÃO | José Maurício de Carvalho, Thais Caroline Reis de Ávila e Wallace Félix Cabral Silva…191

APONTAMENTOS SOBRE “O POBRE TOLO” E “O POBRE LOUCO” | Luís de Barreiros Tavares…198

EQUADOR À LUZ DE OS MAIAS: UMA LEITURA DIALÓGICA | Paula Oleiro…203

“ANTES TEOR QUE TEOREMA”: DO AMOR PELA SABEDORIA À SABEDORIA DO AMOR | Pedro Vistas…208

OITO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…219

AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…225

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…240

CINCO ESCRITOS INÉDITOS | António Telmo…242

BIBLIÁGUIO

OBRAS PUBLICADAS EM 2018 | Renato Epifânio…246

SOBRE A SAUDADE: V COLÓQUIO LUSO-GALAICO | Miguel Ángel Martínez Quintanar…247

O MUNDO ÀS AVESSAS: O MANICÓMIO CONTEMPORÂNEO | Pedro Vistas…251

A SUBJETIVIDADE NOS LIMITES DA RAZÃO, ENSAIOS DE ESTÉTICA | Samuel Dimas…255

ÉTICA RELACIONAL: UM CAMINHO DE SABEDORIA & SIDONIO PAES: HERÓI E MÁRTIR DA REPÚBLICA | José Almeida…258

FULGORES DE FÁTIMA | Joaquim Domingues…260

PORTUGAL CATÓLICO | Manuel Curado…262

O TRATADO DE VERSIFICAÇÃO PORTUGUESA | Júlio Amorim de Carvalho…269

RAÍZES DE PESSOA NA GALIZA | Maria Dovigo…273

A CIDADE VIRTUOSA | Maria Leonor Xavier…275

POEMÁGUIO

ISRAEL | Jesus Carlos…38

O ESPLENDOR DA VERDADE | Joel Henriques…39

INTRODUÇÃO À ETERNIDADE | António José Borges…122

ANTECEDAM OS CENSOS | Jaime Otelo…123

(À ANA); “OLHA, DAISY” ; EU NÃO ESQUEÇO ; (PARA A MYRIAM) | Manoel Tavares Rodrigues-Leal …237

FILHO; AURIGA | Luísa Borges…239

ARLEQUIM | António José Queiroz…245

SIDÓNIO | Renato Epifânio…245

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 4 de março de 2008

Vidas Portuguesas: Dalila Pereira da Costa (1918) 90 Anos


“E agora, todo o esgotamento e dor sentido por todos nós aqui numa pátria, é o da iminência. Do rebentar desse fruto-segredo. Que se sabe ser para já. E que se sabe, duplamente ser rebentar por ele só, quando ele quiser, mas que humanamente terá, precisará da nossa ajuda - aqui na, ou como, manifestação. E é este ajudar, colaborar, serviço necessário, e perigosíssimo e irreversível, o que faz tremer. Porque tudo, nesse último momento, é frágil e indelével, e por nossas mãos ficará marcado para todo o sempre da sua vida. (Vida, como sua ulterior história, existência, vida, fazendo-se, desabrochando de novo sobre a terra.) Neste acto último de dar à luz.
É esta iminência, em dor e sangue desta hora. Numa pátria”.
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Apontamento Biográfico
Há quem diga que Dalila Lello Pereira da Costa, oriunda de uma família do Douro, nasceu, no dia 10 de Março de 1918, na cidade do Porto, no entanto, segundo o relato de Pinharanda Gomes (1939), a poeta e ensaísta nasceu, ao invés, no dia 4 de Março. Assim sendo, fará hoje 90 anos.
Dalila Pereira da Costa estudou na Universidade de Coimbra, na qual se licenciou, em 1944, em Ciências Histórico-Filosóficas. Nesta instituição, foi aluna de Joaquim de Carvalho (1892-1958) – de quem se diz discípula -, de Damião Peres (1889-1976) e de Torquato de Sousa Soares (1903-1988), por exemplo.
Entre 1959 e 1965 viveu em São Paulo (Brasil), no Bairro dos Jardins, perto da Avenida Paulista. A vivência brasileira revelou-se, como ela própria conta, marcante e inolvidável. Um pouco mais abaixo, no n.º 324 da Rua José Clemente (Jardim Paulista) – casa, talvez melhor centro de cultura, aberta a filósofos, poetas, professores e artistas de muitos cantos do mundo -, viviam Dora (1918-2006) e Vicente Ferreira da Silva (1916-1963), no entanto, Dora e Dalila conhecer-se-iam apenas mais tarde. Se fosse viva, Dora Mariana Ferreira da Silva faria, em Julho próximo, também 90 anos. Para além de serem da mesma safra, Dalila e Dora têm muita coisa em comum: ambas são gregas, clássicas... com o olhar no Futuro.
Dalila Pereira da Costa morou ainda, por algum tempo, na Bélgica. Mas hoje vive na casa onde nasceu, no Porto, no n.º 444 da Avenida 5 de Outubro.
Dalila tem dedicado a sua vida ao estudo da cultura portuguesa, à arqueologia da fisionomia e do pensar lusos.

Apontamento Crítico
Dalila Pereira da Costa é uma pensadora e uma poeta que, nas suas obras, privilegia o arquétipo, o símbolo, o mistério, o enigma, o sagrado e a saudade como meios de realização espiritual e de gnose extra-sensitiva e superior. Neste aspecto, ao lançar mão de categorias que são tão caras aos filósofos que potencializaram a criação do movimento da filosofia portuguesa e também àqueles que acabaram por constituí-lo, Dalila corrobora a versão de que Portugal, enquanto país messiânico, missionário e profético, possui a chave que abre a porta dos mistérios humanos (quiçá divinos, também). Por esse motivo, tem-se dedicado, na maior parte dos seus escritos, ao estudo da arqueologia portuguesa, à decifração das múltiplas raízes remotas e aurorais que fundam Portugal na sua raça, na sua cultura, na sua religião, na sua língua, no seu espaço geográfico e extra-físico, na sua relação com o Mar e com o que lhe está Além. A postura de Dalila Pereira da Costa é própria de quem, como ela, está mergulhado numa tradição e num passado profundíssimos e neles se inspira para olhar e cuidar do Futuro. Quando escava arqueologicamente a história do seu país, nas suas obras, Dalila sabe que, em cada uma delas, junta pequenas (mas preciosas) filigranas que, no Futuro, renderão um tesouro que já não será apenas particular e situado. O compromisso da nossa sibila, no fundo, é com o universal e com o etéreo.
Naturalmente, pela matriz de onde vem, a pensadora portuense dará à Saudade uma atenção especial. Não só mas, essencialmente, no seu livro Introdução à Saudade. No seu ponto de vista, tal categoria ontológica reconhece-se na vivência prática e não na abstracção intelectual, formal e pura. A Saudade é, pois, conhecida experiencialmente, em primeiro lugar porque é um sentimento, em segundo porque se caracteriza singular e intransferível. Poder-se-á até discorrer acerca da Saudade, na medida em que é possível construir-se um conhecimento que não é meramente subjectivo, contudo, a sua vivência não é passível de transferência entre sujeitos. Ao fim e ao cabo, a Saudade é um sentimento / conhecimento espiritual e anímico que permite, a cada ser humano, fundir-se com a sua essência (com o Ser pleno), logo, com aquilo que, no seu seio, existe de sagrado e divino. Neste aspecto, a Saudade constitui-se como via ascética, como meio de libertação e salvação. De igual forma, para Dalila, o saber / sentir saudoso é a comunhão dos pólos antagónicos, é a síntese superadora. Neste sentido, a Saudade é a única categoria ontológica e escatológica capaz de driblar a morte e de conferir a imortalidade. Mas Dalila não chega a estas conclusões apenas nos seus ensaios. A sua poesia é igualmente esclarecedora destas temáticas.
Se relermos um dos seus livros de poemas mais recentes – Mensagens do Anjo da Aurora –, deparamo-nos praticamente com a maioria dos temas e das categorias que, ao longo da sua vida, têm ocupado o seu pensar. A saber, a profecia, a saudade, o sagrado, a relação entre o homem e a divindade, a morte, o ser e o nada, o amor, o futuro ou o tempo novo, o silêncio, a luz e a aurora. De qualquer forma, este conjunto de poemas, escrito entre os meados dos anos ’80 e o fim dos anos ’90, alerta para uma questão primacial na hermenêutica de Dalila acerca do mundo e da natureza. Nestas Mensagens, a poeta portuense afirma categoricamente que o conhecimento do cosmos não depende de uma interpretação coisificada e material, nem sequer de uma leitura unilateral da relação do homem com a divindade e as suas esferas, mas, acima de tudo, da atenção a dar às mensagens que, enviadas por Deus, são descodificadas pelos Anjos (seres de mediação) aos humanos. O que Dalila parece querer mostrar é que as nossas preces e as nossas interrogações são atendidas e esclarecidas pelo ser divino. Contudo, a relação que se estabelece entre o homem e Deus não é imediata, mas, antes, mediada pelo Anjo da Aurora que, quando se espalham os primeiros raios de luz, vem, anunciar (e também sossegar) que “eu vos falo detrás das grades do vosso mundo. Nós vimos do mundo da verdade, mas ao vosso é preciso chegar por atalhos. Caminhos de bárbaros impedem o acesso directo. O limiar entre vida e morte, céu e terra, cavalga-o até ao limite do dia. Ao dar teu amor, tira-te dele como se ao oferecer um fruto lhe extraísse o caroço amargo e duro e só a doce polpa ao calor do céu sazonada teu amado recolhesse. Depois a alma dança ao som da música celeste em novo copo que Cristo na ressurreição desfez, e tornou a fazer no fogo do amor. Por enquanto as máscaras do mistério da vida não sabeis o que escondem: uma essência rara, matemática depois em geometria transmutada. No seio cristalino creador, esfera estrelífera, brota o Verbo incandescente, em faúlhas intermitentes” (Dalila Pereira da Costa, Mensagens do Anjo da Aurora, p. 134).

Bibliografia Indicativa
O esoterismo de Fernando Pessoa (1971)
A força do mundo (1972)
Encontro na noite (1973)
Duas epopeias das Américas (1974)
Introdução à Saudade (1976)
A nova Atlântida (1977)
A nau e o Graal (1978)
Orpheu, Portugal e o homem do futuro (1978)
A cidade e o rio (1982 )
Elegias da terra-mãe (1983)
Da serpente à imaculada (1984)
Místicos portugueses do século XVI (1986)
Gil Vicente e sua época (1989)
Os sonhos: porta de conhecimento (1991)
O novo argonauta (E a Ilha Firme) (1996)
Entre desengano e esperança: ensaios portugueses (1996)
D. Sebastião, El-Rei ungido: Rei eleito (1996)
Os instantes nas estações da vida (1999)
Dos mundos contíguos (1999)
Mensagens do Anjo da Aurora (2000)
As Margens Sacralisadas do Douro Através de Vários Cultos (2006)

Agradecimento: ao meu caro amigo Dr. Joaquim Domingues pelas nótulas biográficas que me facultou acerca de Dalila Pereira da Costa.

5 comentários:

Paulo Daniel disse...

Desejo as maiores felicidades à Senhora Doutora Dalila Pereira da Costa.

Prometi a uma amiga ler pelo menos uma das suas obras, falta cumprir a promessa... Fica no entanto o aprezo por tão nobre figura que por tão largos anos se dedicou a tão nobres estudos (apesar do que digam os Homens).

Anónimo disse...

Para mim, torna-se de algum modo enigmática a correcção de J. Pinharanda Gomes sobre a data de nascimento de Dalila Pereira da Costa, corrigindo a data de 10 de Março para 4. Também é curioso que neste dia (4) nasceu o Infante D. Henrique na mesma cidade, o Porto. Simples coincidências?
Uma vida longa para o inesgotável espírito que é Dalila Pereira da Costa, são os votos deste seu admirador.

Eduardo Aroso

Renato Epifânio disse...

Caro Eduardo

Bom vê-lo por cá! Ainda não respondeu ao nosso convite...

Renato Epifânio disse...

Aproveito a oportuna lembrança da Romana (que felicito, pelos belos textos que aqui tem publicado) para informar que, em Maio, nos dias 19 (Porto) e 20 (Viana do Castelo), decorrerá um Colóquio sobre a Saudade, de Homenagem a Dalila Pereira da Costa. Nele participarão alguns membros da NOVA ÁGUIA e do MIL, como o Paulo Borges e eu próprio. Depois, daremos informação mais detalhada na nossa Agenda MIL...

Klatuu o embuçado disse...

«O Esoterismo de Fernando Pessoa», livro já meio esfarrapado, que guardo com estima, foi um marco fundamental na minha formação espiritual e patriótica.