Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
sábado, 19 de dezembro de 2009
As alterações climáticas, o consumo de carne e a solução vegetariana - Comunicado à Imprensa do Partido Pelos Animais
Unidas sobre as Alterações Climáticas, momento fundamental na definição do rumo do
planeta, que o Partido Pelos Animais naturalmente aplaude, sobretudo pelo envolvimento dos mais importantes líderes políticos mundiais e pela sempre positiva exposição mediática de que o tema está a ser alvo. Contudo, e porque os olhos do Mundo se viram nesta altura para Copenhaga e para a Dinamarca, não podemos deixar de recordar os milhares de baleias e golfinhos massacrados anualmente nas Ilhas Faroé em nome de uma bárbara tradição, repudiando que práticas deste género possam persistir no século XXI perante a conivência da coroa dinamarquesa, que detém soberania sobre o arquipélago.
O Partido Pelos Animais tem acompanhado a Conferência de forma atenta e interessada e
pretende por isso manifestar a sua preocupação perante a atenção quase exclusiva dedicada ao dióxido de carbono, votando à indiferença outros gases com efeito de estufa e, acima de tudo, outras possíveis soluções para as alterações climáticas. Estamos absolutamente de acordo com a noção de que a redução das emissões de dióxido de carbono é uma prioridade a que todos os países devem dedicar atenção e investimento, mas preocupa-nos a irrelevância atribuída a outros gases, nomeadamente ao metano, até por se tratar daquele cujas emissões seria, provavelmente, mais fácil reduzir.
O metano é um gás cujo potencial de aquecimento global é de 25, ou seja, cada partícula de metano contribui para o aquecimento global 25 vezes mais do que uma partícula de dióxido de carbono. Embora as emissões de metano para a atmosfera sejam consideravelmente inferiores às de dióxido de carbono, a sua influência nas alterações climáticas é determinante e está rigorosamente documentada. Além disso, mais de metade das emissões de metano devem-se a actividades humanas,
enquanto para o dióxido de carbono essa proporção é inferior a 5%. Por essa razão, a
redução das emissões de metano teria um impacto muito mais significativo na sua
concentração na atmosfera do que a redução das emissões de dióxido de carbono. Assim,
apontar baterias para a redução das emissões de origem antropogénica de metano é tão ou mais importante para o futuro da Terra do que no caso do dióxido de carbono.
A maior fonte de metano de origem antropogénica é a agropecuária
intensiva, em particular o sistema digestivo dos ruminantes. O consumo massivo de carne por grande parte da população ocidental alimenta hoje uma indústria altamente poluente, que além das emissões´de metano contribui também largamente para a poluição dos lençóis freáticos e é responsável por 91% da desflorestação da Amazónia desde 1970 o que por sua vez favorece também a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera.
Pelo exposto, o Partido Pelos Animais, a par de diversas organizações de todo o mundo e de Sir Paul McCartney, que discursou sobre o tema perante o Parlamento Europeu há duas semanas, acompanhado e apoiado pelo Prof. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, assume
a sua convicção de que a melhor forma de lutar contra as alterações climáticas é promover activamente a redução do consumo de carne.
Além dos óbvios benefícios para a saúde e em termos de direitos dos animais, é hoje claro que optar por uma dieta sem carne, ou pelo menos diminuir o seu consumo, é uma das decisões individuais com maior e mais positivo impacto ambiental. Por esse motivo, cabe às entidades políticas nacionais e internacionais a divulgação clara desses dados e a sensibilização das populações para essa necessidade. O Partido Pelos Animais considera que esta questão não deveria, de modo algum, estar ausente da agenda da Conferência de Copenhaga, pelo que aqui regista a sua veemente discordância.
De acordo com o seu Manifesto e Declaração de Princípios, o Partido Pelos Animais assume o compromisso de informar os cidadãos e convidá-los à reflexão sobre esta matéria. Nesse âmbito, avançámos recentemente com uma proposta para um Dia Vegetariano por semana, à 3ª feira, confiando na adesão de todos aqueles que partilham das nossas preocupações ecológicas e com o bem-estar dos animais. Insistiremos continuamente na crucial importância deste tema, na expectativa de que não volte a ser excluído do debate político, social e mediático sobre as alterações climáticas e as grandes questões ambientais.
Quartafeira, 16 de Dezembro de 2009
A Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais
Para mais informações contacte:
Paulo Borges
918113021
www.partidopelosanimais.com
geral@partidopelosanimais.com
Fontes:
Intergovernmental Panel for Climate Change, Working Group I (2001). Climate Change 2001:
The Scientific Basis. Contribution of Working Group I to the Third Assessment Report of the
IPCC [versão electrónica]. Cambridge University Press. Cambridge e Nova Iorque. Acedido
em 14 de Dezembro de 2009.
http://www.grida.no/publications/other/ipcc_tar/
Intergovernmental Panel for Climate Change, Working Group I (2007). Climate Change 2007:
The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fourth Assessment Report
of the IPCC [versão electrónica]. Cambridge University Press. Cambridge e Nova Iorque.
Acedido em 14 de Dezembro de 2009.
http://www.ipcc.ch/publications_and_data/publications_ipcc_fourth_assessment_report_wg1_r
eport_the_physical_science_basis.htm
Livestock a major threat to environment (2006, 29 de Novembro). FAO Newsroom. Acedido
em 14 de Dezembro de 2009.
http://www.fao.org/newsroom/en/news/2006/1000448/index.html
Margulis, Sergio (2004). World Bank Working Paper No. 22: Causes of Deforestation of the
Brazilian Amazon [versão electrónica]. The World Bank. Washington, D. C.. Acedido em 14 de
Dezembro de 2009.
http://wwwwds.
worldbank.org/servlet/WDSContentServer/WDSP/IB/2004/02/02/000090341_2004020213
0625/Rendered/PDF/277150PAPER0wbwp0no1022.pdf
Mohr, Noah (2005). A New Global Warming Strategy: How Environmentalists are Overlooking
Vegetarianism as the Most Effective Tool Against Climate Change in Our Lifetimes [versão
electrónica]. EarthSave International. Acedido em 14 de Dezembro de 2009.
http://www.earthsave.org/news/earthsave_global_warming_report.pdf
Steinfeld, H., Gerber, P., Wassenaar, T., Castel, V., Rosales, M. e de Haan, C. (2006).
Livestock's long shadow Environmental
issues and options [versão electrónica]. FAO. Roma.
Acedido em 14 de Dezembro de 2009.
http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.htm
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Psicologia, Saúde e Doenças
Adolescentes vegetarianos podem apresentar distúrbios alimentares
Você sabia que pessoas que se dizem vegetarianas, podem apenas sofrer de distúrbios alimentares? Foi o que revelou, recentemente, uma pesquisa realizada na Universidade de Minnesota, EUA, mostrando que o vegetarianismo, declarado por 20% dos jovens norte-americanos, é apenas um problema psicológico.
Durante os estudos, 2.516 jovens com idades entre 15 e 23 anos, tiveram seus hábitos alimentares analisados. Após o acompanhamento, chegou-se a conclusão de que quase um em cada 20 deles, 4,3%, não come carne. Dentre os vegetarianos, dois de cada 10, afirmaram comer verduras e legumes somente para perder peso ou manter o peso atual, sendo que no controle da balança, alguns comem pouco e ainda provocam o vômito. (tirania do super-ego sobre o ego, devido ao sentimento de culpa)
Trazendo para a nossa realidade, no Brasil, também segundo pesquisas, a maioria dos vegetarianos diz ter parado de comer carne por sentir pena dos animais. Aproximadamente 90% desse total são mulheres com menos de 20 anos que, muitas vezes, usam o vegetarianismo para mascarar problemas mais graves.
Essa mistura de "boa" alimentação com debilidade pode ser chamada de ortorexia, porém, ainda não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OSM).
Para a psicóloga Karolina Pinto, a ortorexia é um possível novo transtorno alimentar e pode ser definida como uma preocupação exagerada com a alimentação saudável. “Ela vem sendo estudada nos últimos tempos e um grupo de pesquisadores, deseja que o problema seja reconhecido oficialmente como transtorno alimentar. Ainda há discussões sobre o tema, já que especialistas defendem não ser um novo distúrbio, mas sim uma variedade da anorexia nervosa, ou até mesmo do espectro obsessivo-compulsivo", explica Karolina Pinto, tutora de psicologia do Portal Educação.
Muitas vezes, a decisão de cortar a carne do prato é tomada sem a opinião de um nutricionista, porque este repreenderia essa atitude. Sendo assim, os jovens têm procurado as informações na internet, o que acaba sendo mais perigoso ainda.
http://www.difundir.com.br/site/c_mostra_release.php?emp=1273&num_release=4531&ori=T
A psicologia utilizada nesta propaganda até pode ser eficaz nas sociedades de supersize. Por exemplo, fiquei surpreendido que possa ser surpresa para o americano médio que "a carne tenha sangue". Mas duvido que por cá, descontando o provincianismo de alguns, conseguisse despertar mais que sorrisos condescendentes.
É certo que a utilização do medo para alterar hábitos de consumo não é novidade. Quando se quer vender antivirais, solta-se uma gripe de aves nos média e o negócio está assegurado. A idéia em transmissão constante é que, para além do nosso sofá, o mundo é um lugar perigoso. Assim, o estilo de vida sedentário, confortável, superalimentado e temente por esta segurança mantém-se receptivo aos pânicos que quisermos engendrar.
A novidade aqui é o uso dessa tática para imposição de um produto (o vegetarianismo) com uma lógica de valores oposta ao sedentarismo. Para o conseguir, foi preciso cuidado onde o medo é aplicado e, sobretudo, balanceá-lo com sentimentos de culpa primários (a proteção das crianças, o conceito de família para os animais, etc.) que não hostilizem o receptor.
Por exemplo, nós sabemos que a gordura de carne e produtos lácteos gordos a mais engordam e aumentam o risco de doenças cardiovasculares. A falta de exercício também. Mas reafirmá-lo seria contraproducente, para além de hostilizar-nos e tornar-nos menos receptivos ao medo. Logo, a mensagem passada é "se não fores vegetariano, ficas gordo e acabas por morrer de enfarte cardíaco". Poder evitar este destino sem sair do sofá é a terra prometida.
Como manipulação brilhante do sentimento de culpa, destaco a razão 4 para ser vegetariano: "porque não deveriamos mentir aos nossos filhos acerca daquilo que comemos". É perfeito: quem mente fica envergonhado; quem não mente descobre-se também mau pai pois é-lhe dito que o normal é esconder esses pormenores traumatizantes. Culpabilizante em dose dupla.
A escolha das imagens também é importante. Como pano de fundo, não se mostra matadouros normais mas uns fragmentos de vídeo descontextualizados e com situações que a lei há muito que já pune. Nada diferente do uso, noutras campanhas, de fotografias de primatas dissecados de há trinta ou quarenta anos atrás.
Claro que nenhum elemento deste spin funciona entre os portugueses, somos demasiado cínicos para cair por tão pouco. Mais difícil ainda seria convencer alguém que em Portugal "peixe também é carne". Aqui, a campanha seria feita pela vergonha, principalmente. Tentando convencer-nos que o modernismo e o progresso são adversos ao arroz de cabidela e que a matança do porco é um acto de bárbaros.
Dorean Paxorales
Do Pastorício

I
Queria do neofascismo de Evola, que fosse ruína, e do seu tradicionalismo (do seu, em particular, não de todo), e depois, que tudo o que importasse fosse “estar de pé entre as ruínas”. Também Evola imaginou a civiltà solare, que devolveria a Tradição. Por isso foi sempre um pau de dois gumes (por motivos que penso que escapem às mentes políticas). Na plebe visão, Evola deseja febrilmente salvar o homem de si mesmo (a velha questão do alienígena, embora seja esta igualmente a questão atacada), e a sua má fé no homem e no mundo (moderno) é colossal, do tamanho dos seus cegos soldados. As minhas ruínas são uma Noite, e para a noite (como para se ver a treva) importa o entendimento, é essa a luz. Toda a sabedoria só pode ser mero e acidental (natural) reflexo.
II
Aprendi a olhar para o futuro com a mesma calma com que se olha para a morte. E às vezes imagino um mundo vegetariano, em que a mulher se esqueceu do prazer da carne como se esqueceu do prazer de subir às árvores, e depois de esquecer o prazer de comer carne passou a achar a cópula nojenta e impraticável. Talvez se venha a matar a fome – o problema primordial -, e todos seremos vegetais com um computador ligado às nossas cadeiras de rodas. Mas até morrer, nas datas sagradas, comerei carne crua.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
França: Brigitte Bardot pede ao Presidente Nicolas Sarkozy para instaurar um dia vegetariano
carburantes, que acabou de se tomar em Nova Iorque e antes de ser posta
em prática em França, a Fundação Brigitte Bardot interveio junto do
Presidente Nicolas Sarkozy para pedir a percentagem sobre a criação de
gado cujas repercussões ambientais são das mais preocupantes.
De facto, no seu relatório «a criação de gado também é uma ameaça para o
ambiente», a Organização das Nações Unidas para a alimentação e a
agricultura (FAO) indica que o sector da criação de gado emite gazes
perniciosos que são mais elevados que os produzidos pelos transportes
(todas as categorias incluídas). Por seu lado, o Banco Mundial
demonstrou que, desde 1970, 90% da deflorestação na Amazónia está ligada
às necessidades da indústria da carne, acentuando portanto os efeitos do
aquecimento climático que nos preocupa tanto hoje em dia.
O sector representa, por outro lado, respectivamente 37% de todo o
metano devido às actividades humanas (contribuindo para o aquecimento 23
vezes mais que o CO2), em grande parte produzido pelo sistema digestivo
dos ruminantes, e 64% do amoníaco que contribui para as chuvas ácidas.
A criação de gado é também responsável pelo empobrecimento dos solos e
põe em perigo as reservas naturais de água uma vez que a produção de um
só quilo de carne de vaca necessita de 323 m² de pastagens, 7 a 16
quilos de cereais ou feijões de soja e cerca de 15.500 litros de água!
O sector da criação de gado tem, portanto, uma incidência directa sobre
o aquecimento climático, a poluição dos solos, dos lençóis freáticos, e
representa um terrível desperdício pois perto de um terço dos cereais
produzidos mundialmente destina-se a alimentar animais para a produção
de carne.
Se os países « desenvolvidos » diminuíssem o consumo de carne, seria
possível erradicar a fome que mata perto de seis milhões de crianças
todos os anos.
É por isso que, numa carta em 25 de Setembro dirigida ao Chefe de
Estado, Brigitte Bardot pede ao Presidente para «dar um sentido às
declarações do auge sobre o clima e ser coerente pondo em prática uma
taxa carbono», instaurando um dia vegetariano em todos os
estabelecimentos públicos e convidando os estabelecimentos privados a
fazerem o mesmo, numa medida citadina e responsável.
Para Brigitte Bardot: «Para além destas preocupações ambientais e
humanitárias, recusar o consumo de carne é também o melhor
meio de protestar contra a inumanidade e a barbárie presentes em todo o
lado nas criações de gado, durante o transporte ou no momento do abate
de milhares de animais sacrificados e consumidos todos os anos.»
E conclui : «Já existe o «dia sem automóvel», o «dia sem tabaco», mas
instaurar um dia vegetariano teria repercussões bem mais fortes que
todas as taxas «carbono» juntas e o planeta sentir-se-ía infinitamente
melhor (ele sentir-se-ía ainda bem melhor se esta medida vegetariana
fosse seguida 365 dias por ano)…»
...
É necessário abrir os olhos para esta questão. E já agora vejam o video "Meat the Truth" no Videotube: uma verdade mais do que inconveniente!
O Partido pelos Animais vai lançar em breve a campanha por um dia vegetariano em Portugal.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Uma nota sobre um post
Uma nota ao texto do Clavis "Da vantagem do vegetarianismo..."
Não são muitas as pessoas que em Portugal têm na verdade uma dieta "à base de carne vermelha", a não ser que nisso incluamos as obscenidades que passam por hamburgueres, salsichas ou peitinhos de frango nas cadeias de fast-food. Mas essa é a ponta do iceberg de uma questão mais ampla.
Eu nasci num mundo em que a minha avó, que nunca ouviu falar de institutos de pesquisa, de vez em quando matava uma galinha e muitas vezes comprava umas sardinhas à peixeira da rua - mas o essencial da alimentação, por uma questão económica e por uma questão de saúde, era o trigo do pão e o leite da vaca (trazido pelos produtores), era o azeite e a batata, a couve e a fruta simples (e bichosa...) das árvores. Deve ser dramático ser um jovem urbano de hoje à procura de "causas" (mas não faltam elas - é verdade).
As alterações climáticas são outro tema que desde há muito (antes da moda lançada pelo Gore) me preocupa, e aliás ando há muitos meses a esquecer-me de publicar aqui um texto importante sobre isso. No contexto do post do Clavis, não devemos esquecer que a primeira alternativa que se apresentará ao consumo da carne será a monocultura intensiva da soja - enquanto se não desenvolver a produção industrial de plancton ou sintéticos. Vale a pena ler certos textos brasileiros sobre o assunto.
Por último (outra questão ainda) é certo que o vegetarianismo casa bem, digamos assim, com uma certa frugalidade de vida que sempre foi (justamente) considerada 'boa': o jejum ou a abstinência (alcool e carne), em várias formas e em diferentes graus, são conhecidos e recomendados por várias tradições espirituais, a ocidente e oriente. E a isso não é estranho o facto de o vegetarianismo como prática moderna ter sido introduzido na Europa por círculos ligados à Sociedade Teosófica ou à escola espírita de Kardec - curiosamente o mesmo público-alvo do anarquismo, da "protecção dos animais" e do cooperativismo, a pequena-burguesia urbana tão bem descrita por Marx (e, não por acaso, viveiro inconsciente mas não sei se inocente dos totalitarismos dos anos 30 e 40).
Dito isto, o que está centralmente em causa, do meu ponto de vista, é o de saber como conseguir retomar uma vida assente na vida, em vez de uma pseudo-vida (colectiva) assente nisto que temos, que é uma hiper-tecnologia material "compensada" por uma "fuga em frente" pseudo-espiritual; e esse, não outro, é o caminho que as sociedades ditas modernas estão a seguir (Portugal com elas).
E o fundamental é perceber que essa é uma questão muito diferente da de saber, em abstracto, se uma "vida simples" é ou não boa do ponto de vista ético, ou até a de definir rigorosamente, à maneira prescritiva dos teólogos, em que consiste essa 'bondade'. Quero dizer com isto que o problema prático não estará tanto nos fins como nos meios, e isso porque tendemos a esquecer, até ser tarde demais, as enormes consequências económico-sociais negativas de certas acções hipotéticas formalmente "boas" (como a de uma lei que proibisse o consumo de carne). As alterações radicais da sociedade têm um preço elevado - o momento da aterragem é um dos mais perigosos do voo.
No contexto deste blog, sinto-me tentado a esclarecer o óbvio: é claro que numa sociedade livre como a que talvez possamos fazer (e certamente desejamos activamente), as diferentes experiências de vida, quer se orientem para a imbricação em sistemas tecnológico-informaticos (ao género do Second Life..) quer se virem para a busca ou invenção de caminhos espirituais, só podem ser colectivamente (ou melhor: politicamente) encaradas da mesma forma simples com que o que devem ser as práticas, vivências e experiências afectivo-sexuais de cada um - uma zona privada, uma área de pura não-interferência da lei.
Mas se este princípio é simples de afirmar, deve ser notado - e normalmente também não o é - que a sua aplicação levanta complexíssimos problemas económicos, legais, éticos e sociológicos para os quais se deve evitar o recurso a uma fórmula simples voluntarista ou à "crença" numa predestinação ou ajuda mais ou menos "divina". Não creio que deva caber à lei combater o "pecado" (mesmo que seja o pecado pequenino e moderno da "obesidade"), e receio os profetas mais do que os pecadores. Receio, principalmente, os inquisidores que sabem onde mora o mal.
P.S. Um dos meus grandes amigos é vegetariano convicto - e come um hamburguer por dia. Está pronto a prescindir dele se alguém lhe duplicar o salário de quatrocentos euros por mês, ou se convencer o call-center a instalar-se ao lado de sua casa. Deixo aqui o apelo aos compassivos.
Da vantagem do vegetarianismo para o Clima e para a Saúde Humana
O estudo não conseguiu identificar o mecanismo que liga a Leucemia ao consumo de carne, mas teve o cuidado de excluir correlações com o tabagismo, a obesidade ou o alcoolismo. Podemos estar perante um mecanismo de proteção induzido por algum elemento de uma dieta vegetariana ou apenas por uma consequência do consumo de carne, ausente na população vegetariana. O estudo também demonstrou que a incidência total de cancro nos indivíduos que consomem peixe é mais baixa do que nos carnívoros.
A adoção de uma dieta vegetariana - ou pelo menos de uma dieta preferencialmente vegetariana - é benéfica para a saúde. Este estudo vem apenas confirmar isso mesmo, não sendo revolucionário nas suas conclusões. Mas é também certo que a adoção de um regime vegetariano pode ser decisivo para a salvação do planeta. O presidente do comité climático da ONU, Rajendra Pachauri, apelou recentemente a que todos deixássemos de consumir carne pelo menos uma vez por semana como forma de combater o aquecimento global já que a produção de carne no mundo é diretamente responsável por uns consideráveis 20% de todas as emissões de gases de efeito de estufa. Reduzir o consumo de carne é assim não somente uma decisão positiva para a nossa saúde individual e família - como demonstra mais este estudo - mas também um contributo relevante para o combate a essa catástrofe de proporções cósmicas que nos ameaça todos que é o Aquecimento Global, como é ainda uma obrigação moral de todos nós se tivermos em conta as condições cruéis e frequentemente sádicas em que decorre a produção pecuária de tipo industrial. Uma causa do PPA, que sufragamos.
Fonte:
http://www.guardian.co.uk/science/2009/jul/01/vegetarians-blood-cancer-diet-risk