Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Elinor Ostrom, primeira mulher a receber o Nobel de Economia
Até ontem, o nome Elinor Ostrom poderia ser desconhecido para qualquer defensor da cultura livre e partilhador mas agora que esta cientista política professora da Universidade de Indiana recebeu juntamente com Oliver Williamson o Prémio Nobel da Economia de 2009, achei conveniente salientar aqui o seu trabalho em defesa dos bens comuns ou commons devido à sua importância fulcral no acesso livre aos bens culturais e ao conhecimento.
Esta não é a primeira vez que a Academia Real das Ciências da Suécia premeia alguém dentro do mundo da Economia com uma visão bastante céptica do sistema de propriedade intelectual em vigor. Veja-se o caso de Joseph Stiglitz.
Mas o caso de Elinor Ostrom é diferente. As suas investigações relativas ao modo como a apropriação de bens materiais e imateriais por uma pequena minoria podem prejudicar o conjunto da sociedade serviram de inspiraçãodirecta e indirecta a vários movimentos defensores desse grande ecossistema digital que é a Internet.
Movimentos como o do software livre e da cultura livre, assim como projectos mais específicos como a associação Creative Commons, a enciclopédia colaborativa Wikipedia e o Internet Archive foram beber aos livros de Ostrom como Governing The Commons de 1990 a ideia de que é possível criar comunidades auto-geridas pelos utilizadores segundo um modelo não hierárquico sem que ocorra um esgotamento dos recursos disponíveis devido à sobre-exploração por parte de alguns abusadores.
Para tal, é apenas necessário um pequeno conjunto de princípios instituídos a nível local e aprovados pelos membros. Em certas situações, argumenta Ostrom, o nível de eficácia económica destes recursos acaba por ser mais elevado do que o da apropriação dos bens por uma minoria de proprietários. No fundo, o que ela demonstra é que para além do controlo dos recursos pelo Estado e do domínio do mercado, existe uma terceira solução assente no cooperativismo e pela autogestão e que essa via pode ser muito mais vantajosa do que a teoria económica convencional nos fazia acreditar.
Nesse sentido, a atribuição do Prémio Nobel da Economia a Ostrom é um autêntico “golpe de rins” aplicado a todos os defensores da crença neo-liberal de que não existe outra alternativa à economia de mercado centrada no individualismo puro e no “salve-se quem puder.”
Mas se o trabalho original de Ostrom começou por se focar essencialmente em bens escassos e rivais como os recursos naturais (mares, campos, florestas, lagos, atmosfera, água, etc.), nos últimos anos a sua atenção começou a deslocar-se para o campo dos recursos não rivais e abundantes, bens digitais que permitem o acesso à informação e ao conhecimento.
É que apesar do surgimento desses movimentos em defesa da partilha do saber e do conhecimento em regime de co-propriedade, as últimas duas décadas ficaram também marcadas por um novo tipo de emparcelamento dos bens comunssemelhante ao registado com as enclosures ocorridas na Inglaterra no final do século XIII, como James Boyle denuncia. O que está em causa é a apropriação desse bem comum que é a Rede por uma mão-cheia de entidades privadas: exemplos disso são a introdução das DRMs, o aumento do número de concessões de patentes e os sucessivos alargamentos do prazo de protecção concedido pelos direitos de autor.
Em “Ideas, Artifacts, and Facilities: Information as a Common-pool Resource”, escrito em co-autoria com Charlotte Hess em 2003, Elinor Ostrom denuncia o facto de “informação que costuma estar anteriormente livremente disponível estar a ser crescentemente privatizada, monitorizada, encriptada e restrita.” Segundo ela, “o emparcelamento é provocado por conflitos e contradições entre as leis de propriedade intelectual e as capacidades alargadas das novas tecnologias.”
O artigo termina afirmando que “os governos, as forças do mercado, as editoras e as bibliotecas universitárias tradicionais podem ter uma influência, mas são incapazes de travar o movimento internacional da informação distribuída. As características físicas e virtuais da informação digital distribuída criaram um tipo de artefacto informacional totalmente novo.”
Agora que os estudos de Ostrom foram reconhecidos com um Prémio Nobel, esperemos que as faculdades de economia deste e de outros países comecem a ter em conta esta interessante linha de investigação e não apenas os “mandamentos” da teoria económica convencional.
(foto de wfiupublicradio segundo licença CC-BY-NC 2.0)
Publicado por Laura em:
umoutroportugal.blogspot.com
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
A ECONOMIA DA CULTURA
Rui Martins*
"Se fosse (Tom Sawyer) um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que o trabalho consiste em tudo o que se é obrigado a fazer, e o prazer consiste naquilo que se não é obrigado a fazer."
Tom Sawyer, Mark Twain
O esgotamento iminente de um conjunto essencial de matérias-primas, desde o ferro ao carvão, passando pelos combustíveis fósseis, indica que se aproxima um momento de viragem para a forma de vida que o Homem tem seguido nas suas organizações, vida comunitária e sistemas económicos. O esgotamento das matérias-primas e das formas convencionais de produção energética indicam que a Economia tem que alterar os seus paradigmas essenciais e que passam pela extração bruta de matérias-primas, o seu transporte e armazenamento, transformação e distribuição até ao consumidor final. A escassez que inevitavelmente cairá sobre todos nós – cedo ou tarde – vai forçar a Economia a mudar de objetivos desde a fabricação de "coisas" até uma nova geração de paradigmas em que a produção de serviços, de bens imateriais e virtuais será cada vez mais importante, até se tornar – finalmente – dominante sobre as formas convencionais de produção económica, "coisificadas", tão ao sabor do dogma do "crescimento contínuo", imposto pelos teóricos da maior parte das escolas de pensamento económico, de Adam Smith a Keynes, passando por David Ricardo e Malthus.
Como dizia Agostinho da Silva, "antes de poder filosofar, há que encher a barriga". Sejamos assim claros: uma economia de novo tipo, centrada na produção multiforme e pluritária de bens culturais, só poderá florescer num ambiente em que as condições de sobrevivência mínima estejam plenamente cumpridas. Se na antiga Grécia houve florescimento da Filosofia, tal foi apenas possível devido à existência de uma camada social de abastados proprietários de terras que gozavam os seus lucros enquanto os escravos trabalhavam... Estes escravos hoje são – ou deviam ser – as máquinas. São estas que pela via da automação, da hidropónica e da cibernética deviam assumir a tarefa de nutrir e vestir o Homem, para que este possa Pensar e dedicar-se à verdadeira missão que é a de criar Pensamento, Cultura e Inovação. Deixemos ao Homem a Criatividade e às máquinas as tarefas maquinais, repetitivas, mecânicas e desumanas que hoje dominam ainda o essencial da produção industrial e agrícola. Dir-nos-ão que é Utopia, e eu direi que é Meta. Não temos que chegar a uma sociedade destas num único supetão, nem que estabelecer uma qualquer "ditadura do proletariado" (em que os Fins valem mais que os Meios) para acelerarmos a vinda desse mundo novo, como acreditam os totalitaristas de todas as cores. Deixemos as coisas surgirem de per si, de forma suave e gradual... Plantemos as nossas sementes, formemos comunidades de amigos e familiares no seio das nossas cidades, empresas e escolas que se regem segundo estes novos princípios e depois – pela virtude do extraordinário poder do exemplo – deixemos que a contaminação percorra toda a sociedade.
As sociedades do futuro que assim antevimos serão extremamente frugais e espartanas do ponto de vista material. As sociedades da abundância que existiram depois da Segunda Grande Guerra e até à atualidade no Ocidente encontrarão o seu ocaso inevitável quando os recursos de cujo crescente devoramento dependem chegarem ao fim. E não falamos apenas dos combustíveis sólidos, mas também do carvão e do ferro, que estarão esgotados em pouco mais de 50 anos. Sem recursos naturais para transformar, perante a evidência da impossibilidade da reciclagem e reutilização total das matérias-primas, o modelo de desenvolvimento económico que depende do crescimento eterno do Produto irá esgotar-se. Novos padrões de desenvolvimento, social e humano terão que se impor, inevitavelmente. Se o Desenvolvimento não puder ser medido pelo consumo bruto de bens, então terá que ser medido pelo consumo de serviços culturais e pelo desenvolvimento individual da pessoa humana, que será dotada pela primeira vez na História de meios para realizar plenamente a capacidade criativa, que séculos de Pedagogia castradora – para a Ordem e Disciplina – se esforçaram por reprimir.
Só pelo consumo de bens culturais é que o Homem se poderá realizar e cumprir a sua missão no planeta: Criar. Ter esse prodígio natural chamado cérebro e utilizá-lo apenas para tarefas repetitivas, mecânicas ou animalescas é insultar essa dádiva que a Natureza nos concedeu. Tornemo-nos assim todos – cada qual à sua maneira – em criadores. Sejam obras de marcenaria, esculturas de mármore, contos e poesia ou até ensaios filosóficos ou invenções mecânicas, deixemos a nossa marca no mundo. Passar pela vida sem nunca a marcar é viver de forma passageira e transitiva. Busquemos a eternidade nas nossas realizações e não nas fugidias promessas de "vida para além da Morte" de todas as religiões... Se na economia atual da cidade de Nova Iorque (uma das cidades mais prósperas do mundo) mais de metade da riqueza já é gerada pela Cultura, se em Portugal se estima que a Cultura e a Língua valham já um terço do PIB nacional, então fica demonstrada a viabilidade de um modelo de Economia onde os bens culturais sejam privilegiados em relação aos materiais, mas fazendo sempre a devida ressalva à necessária satisfação das necessidades básicas de qualquer ser humano.
Utilizemos as novas tecnologias a nosso favor. Não para que nos desumanizemos e transformemos em autómatos pós-industriais ou em escravos da máquina, mas para cumprirmos a nossa plena humanidade e utilizando as suas virtualidades que – pela via eletrónica – permitem que um número inédito de criadores, ensaístas, filósofos, poetas e ficcionistas cheguem a custo zero a milhões de leitores, permitindo a instauração da "economia gratuita" de Agostinho da Silva, de uma forma que ele já não pôde antecipar. Nunca – como hoje – houve tantos criadores sendo conhecidos por tantos leitores. Haverá certamente um preço de falta de qualidade a cobrar nesta democratização da Cultura, e tal fenómeno incomoda sobremaneira os meios académicos que ao longo dos séculos se habituaram às suas confortáveis cátedras altaneiras e cobertas de privilégios e "Autoridade". Se a Cultura cair "na rua", se as populações saírem do papel que a "Cultura Académica" reservou para elas, de consumidores passivos e acríticos, então os lugares exclusivistas, transmitidos de geração em geração, por autenticas dinastias de académicos e de outros "proprietários" da Cultura, então essas elites deixarão de gozar da importância a que hoje se arrogam.
Esse é o caminho de um futuro que o presente já deixa antever: um mundo do porvir em que todos terão a sua profissão, e que nos seus tempos "livres" serão consumidores e produtores de bens culturais, gratuitos porque não dependerão, democráticos por produção e origem e de qualidade, porque quando submetidos à opinião dos leitores, estes, através de sistemas de votação como os atualmente existentes em sítios na Internet como o Chuza.org ou Digg.com, aplicariam o seu crivo a estas produções culturais, repelindo aquelas que fossem de má qualidade.
Em Portugal, em 2050, haverá 215 idosos para cada 100 jovens. Estas pessoas, não poderão ter vidas passivas e culturalmente estéreis, se quiserem manter algum tipo de qualidade de vida. Com a massificação de ferramentas de produção cultural pela Internet (redes sociais, blogs, correio eletrónico, etc.), estas pessoas, reformadas e logo com tempo livre, poderão contribuir para uma multiplicação da produção cultural no país.
Se queremos manter esta Terra – a única que temos à nossa disposição até terraformarmos Marte ou a Lua – habitável, temos que a preservar. E para o fazer não temos que ser luditas, nem de repelir toda a tecnologia. Guardemos toda a tecnologia "verde", de reduzir o impacto no meio ambiente e no clima, reduzamos ainda mais essa pegada ecológica e simultaneamente procuremos formas engenhosas e acessíveis de levar o Homem até ao Espaço, a "fronteira final" da Ficção Científica, que é afinal o destino último da humanidade, assim ela saiba compatibilizar a sua existência com o planeta que a viu nascer... Algo que só pode suceder se ultrapassarmos o dogma industrial produtor-consumidor de Bens e assumirmos o paradigma pós-industrial de consumo mínimo de materiais e de produção e consumo máximo de bens culturais.
* Membro do Conselho Editorial da NOVA ÁGUIA e da Comissão Executiva do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
" Pátria Madrasta Vil "
O texto que se segue chegou-me às mãos e não resisti em publicá-lo, por várias razões que deixo ficar ao espírito critico dos leitores, sem, no entanto, poder deixar de salientar a forma como a autora joga com as palavras e o domínio que tem sobre elas, escolhendo termos simples mas de enorme riqueza de significado.
O texto refere-se ao Brasil, mas sou de opinião que há toda a conveniência em o tornar conhecido em Portugal, principalmente em vésperas de eleições, onde estas assumem irresponsável e inconscientemente carácter clubista.
A autora chama-se Clarice Zeitel, uma estudante brasileira de 26 anos, na altura aluna do curso de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro
O texto é uma redacção que a autora enviou para o concurso com o tema “como vencer a pobreza e a desigualdade”, organizado pela UNESCO, ao qual concorreram 50.000 estudantes universitários.
O texto de Clarice foi premiado e incluído num livro com outros que se distinguiram e pode ser encontrado no sítio da Biblioteca Virtual da UNESCO.
“PÁTRIA MADRASTA VIL
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí.
O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo.
Sem egoísmo.
Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se:
quero ser pobre no Brasil?
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?
Ser tratado como cidadão ou excluído?
Como gente... Ou como bicho? “
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Sobre a queda da produção de cereais em Portugal e o que isso significa
- http://www.dorothylane.com
Em mais um sinal da desindustrialização e ermamento agrícola de Portugal, em obediente cumprimento das ordens emanadas a partir de Bruxelas, por uma camada de funcionários portugueses (também conhecidos como "classe política") dócil e servil, a produção de cereais caiu 40% apenas na campanha de 2008/2009. É verdade que Portugal nunca foi auto-suficiente em cereais, desde a Idade Média, mas em 2009, vai alcançar-se o patético recorde do país produzir apenas 25% dos cereais de consome. Isso é inédito e devia fazer pensar os nossos governantes, se de tal eles fossem capazes...
Este é o resultado de políticas de duradouras e teimosas de Tercialização da nossa Economia, de desprezo pelos setores industriais e agrícola, de forma a que os países do norte nos consigam inundar com os seus produtos altamente subsidiados e que a China esmague qualquer atividade industrial que exista fora do seu território, esse antioásis de Direitos Laborais e de Respeito ao Ambiente.
O esvaziamento do interior - tradicional bastião agrícola do país - representa o culminar de uma política centralizadora que recua a Dom Pedro I e que cerceou gradualmente as autonomias municipais até as tornar num passivo canal de ressonância do Paço lisboeta. Menos alimentos, são mais importações e um maior agravamento de um já esmagador déficite comercial...
Portugal nunca foi verdadeiramente independente em termos alimentares. Aliás, foi essa crónica deficiência que nos levou a tornar na maior potência comercial do mundo no século XVI. Como qualquer dificuldade ou crise, esta pode ser criadora e potenciar a desenvolvimentos que sem esta seria impossível ver nascer. E esta constante evaporação da nossa área cultivada, ano após ano, não é sustentável a prazo. As políticas de subsídios, sobre subsídios não alteraram o quadro, parecendo até tê-lo agravado nalguns setores. Os minifúndios do norte - economicamente irrealistas, mas muito produtivos, acabaram quase todos sem que se conseguisse criar as cooperativas de produtores que os poderiam ter salvo. A sul, as grandes herdadas forjadas nos anos loucos do Salazarismo, sempre primaram pela ineficiência e pela inadequação crónica ao tipo de solos do Alentejo. O resultado é que estamos num país inundado de leite, numa obsessão incompreensível na produção leiteira, que rouba terrenos a outras culturas mais necessárias, mas menos subsidiadas, como azeite ou a batata, de quem somos também crónicos importadores...
Portugal tem que se tornar a recentrar no Interior, renegar os comandos destruidores que lhe mandam de Bruxelas, reforçar as competências dos seus municípios, reforçando a capacidade económica destes, especialmente pela via agrícola, concedendo-lhes maior autonomia de forma a transformá-los na "federação de municípios independentes" do sonho agostiniano e despertar a ambição fisiocrata que tornava a agricultura o centro de uma economia saudável... Não temos que ser exportadores de alimentos, temos que ser capazes de produzir o mínimo para nos alimentarmos e de libertar a balança comercial do peso desnecessário das importações agrícolas, produzir artigos em que somos bons, como azeite, vinho, cortiça, vegetais, frutos, etc e os demais alimentos em número bastante e idêntico ao que produzíamos há apenas vinte anos... Não é um objetivo impossível. Assim queira Lisboa despertar e repovoar o resto do país. O que é duvidoso, sem a descentralização municipalista que defendemos...
Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/portugal-esta-mais-dependente-do-exterior-para-se-alimentar=f529637
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Crescimento Zero: Um novo paradigma económico?
Tradução livre de "Maior não é melhor" do economista Peter A. Victor
Não há nada como uma boa crise para nos fazer pensar sobre ideias antigas. A Depressão de 1930 levou à rejeição da ideia então prevalecente de que o desemprego se corrigiria sozinho somente se as pessoas trabalhassem por salários mais baixos. Estas ideias foram derrubadas pela experiência e pela invenção da Macroeconomia moderna por John Maynard Keynes. Na época do fim da Segunda Grande Guerra, a maioria dos governos ocidentais tinham adoptado políticas económicas keynesianas de forma a garantir níveis mínimos de desemprego.
Os economistas keynesianos concluíram que o pleno emprego, hoje, produzia uma economia maior, amanhã, porque algum do investimento necessário para manter baixo o desemprego: infraestruturas, construção e equipamentos também aumentava a capacidade produtiva da Economia. E o mesmo efeito tinham uma população em expansão e uma força laboral crescente. Inicialmente, os governos desejavam o crescimento económico como forma de manter o pleno emprego, mas na década de 50, o crescimento económico tornou-se o objetivo número da política económica e todos os outros, como a produtividade, a inovação, a competitividade, e até a educação tornaram-se em simples meios para alcançar esse fim último do crescimento.
Os economistas neoliberais rejubilavam de contentamento até 2007 altura em que o colapso do mercado imobiliário norte-americano deu indícios claros de que algo estava mal no paraíso neoliberal... E que as peças de dominó iam começar a tombar, umas a seguir às outras. As falências dos bancos especializados no imobiliário, arrastaram seguradoras como loucamente aventureira AIG e grandes bancos como o Bank of America e o Citigroup. A Globalização (outro "filho querido" dos neoliberais) encarregou-se de propagar rapidamente, pelo mundo fora, a crise, transformando-a na recessão que agora vivemos. A necessidade keynesiana de "estimular" as economias tornou-se consensual em todo o mundo, em todos os governos, alinhados ou não à Esquerda ou à Direita. O "pensamento único" que negava o direito à intervenção direta do Estado nas economias, mudou de sentido e tornou-se quase sacrossanto.
O problema é que a solução de Keynes não é adequada aos tempos modernos. A população mundial já triplicou três vezes desde a sua época, e a Economia mundial já se multiplicou por dez, no mesmo período... Um e outro factor significam que estas a exercer uma pressão inédita sobre os recursos limitados do planeta e a emitir mais emissões para a atmosfera do que em qualquer outro período da História. Talvez tenha chegado o momento de colocar em causa o modelo que advoga uma expansão permanente da Economia...
Uma solução intermédia ou de transição poderá ser converter a Economia atual numa "Economia Verde" em que se mantém o paradigma de "crescimento económico" contínuo, mas se reduz o consumo de bens e matérias-primas, através de uma produção mais eficiente de energia e bens manufaturados e pela redução do consumo privado e público. Estas medidas podem servir num período mais imediato, mas a prazo não resolverão o "problema" de termos apenas uma Terra para consumir. Mais cedo ou mais tarde , teremos que mudar o paradigma económico e repensar a relação da Humanidade com a Natureza.
Uma solução de maior foco poderá ser a "Economia Ecológica" que encara a Economia como um subsistema do ecosistema terrestre, sustentada por um afluxo constante de materiais e energia. Estes fluxos não podem ser ignorados, como faz a Economia convencional que ignora completamente a integração com o Ambiente e que julga a "protecção ambiental" como um entre muitos outros "custos".
É possível manter num país moderno o pleno Emprego, baixos níveis de Pobreza, reduções nas emissões dos gases com efeito de estufa e orçamentos equilibrados num tal modelo de economia? Isto é, sem Crescimento contínuo? Há varias soluções - propostas desta a concepção do conceito "Crescimento Zero" na década de 60 - desde:
1. Uma jornada de trabalho inferior para reduzir o Desemprego sem perder as vantagens do progresso tecnológico. O Tempo Livre remanescente deve ser gasto em fortalecer os laços familiares, dedicando mais tempo às crianças e consumindo e produzindo Bens Culturais (imateriais) de todos os tipos.
2. Um "preço de Carbono" a cada produto de forma a desencorajar as emissões de gases com Efeito de Estufa. Este preço deve constar em cada etiquetagem e sempre de forma separada do preço regular, de forma a instruir cada consumidor sobre a escala da sua Pegada de Carbono e a racionalizar os seus hábitos de consumo.
3. Programas anti-pobreza muito generosos, para estimularem o Consumo e melhorarem a qualidade de vida.
Neste novo modelo de Economia, o sucesso seria medido mais pelo Bem Estar pessoal e comunitário do que por métricas abstratas de crescimento económico. Nesta Economia, seria mais importante o consumo de serviços, culturais, médicos ou de puro lazer, do que o consumo "bruto" de bens e equipamentos. E os Bens consumidos seriam mais privilegiados se duradouros e resilientes do que se estivessem de acordo com o "design" do momento ou a última moda tecnológica (desnecessária, como o Blue Ray ou o HD-DVD). O Uso e a Necessidade seriam mais importantes que o Estatuto Social na escolha de um dado Bem. Só assim o Consumismo desregrado das sociedades modernas poderia ser estancado. Tendo que ser radicalmente alterados os paradigmas que impulsionam o mundo da Publicidade, tão virado para o cego Consumismo e para a promoção de ocos padrões de Estatuto...
Infraestruturas, edifícios e todos os mais diversos tipos de equipamentos devem ser concebidos a pensar na eficiência energética e na sua durabilidade e resistência e não em função de fátuos Modismos. Todo o Consumo deve favorecer a produção Local e não a Globalização com extensos, anti-ecológicos e desumanas cadeias de produção e distribuição.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O Movimento Anti-Consumista e o "Buy Nothing Day"
- http://www.cagreens.org
Nos EUA começa a ganhar força um original movimento cívico que convida os seus membros a comprar e a utilizar menos bens e serviços: menos combustíveis fósseis, menos alimentos processados (cereais, barras de cereais, congelados, etc), menos presentes e gadgets e assim a reduzir a tremenda "pegada ecológica" que cada cidadão do dito "mundo desenvolvido" deixa sobre a Terra.
O Movimento é ainda muito minoritário nos EUA, já que a maioria dos seus cidadãos continuam empenhados numa descontrolada orgia consumistas alimentada por níveis de endividamento pessoal perfeitamente absurdos. Os membros deste Movimento acordaram não trocar de presentes este ano, uma das varias medidas defendidas pelo Movimento que recebeu o nome "Buy Nothing Day" e que elementos já em mais de 40 países. O Movimento começou em 1993, em Vancouver, no Canadá. Alguns usam badges indicam a sua pertença ao Movimento Anti-Consumista, outros optaram por uma abordagem mais discreta, mas preferem passar o seu tempo com os amigos ou filhos em vez de o passarem nas compras...
Nos EUA, as vendas médias de produtos de consumo subiram 4,8% nos últimos dez anos. Mesmo agora, em plena recessão da economia norte-americana, com uma queda do PIB superior aos 6% cada casa norte-americana gasta mais de 1600 dólares em prendas, viagens, entretenimento, decorações em cada período anual de férias.
O Movimento Anti-Consumismo tem ganho adeptos, especialmente entre os meios mais ligados à Esquerda pela sua defesa de uma filosofia de "vida simples", sem luxos nem excessos.
Joe Hill, um dos organizadores do evento "Buy Nothing Day" acredita que o Sobre-Consumo é uma das raízes fundamentais dos males das sociedades modernas: "produtos que têm efeitos horríveis no Meio Ambiente são desenvolvidos por Corporações apenas para fazerem dinheiro. Os Sindicatos são manipulados de forma a que as pessoas possam ter produtos mais baratos do Extremo Oriente."
Em 2008, a organização estima que mais de um milhão de pessoas cumpriram o "Buy Nothing Day". Não é muito, especialmente à escala global, mas o facto de este artigo existir prova que a mensagem pelo menos está a passar...
As atividades do Movimento são coordenadas através do site www.adbusters.org e quem estiver interessado em juntar-se ao Movimento e explorar formas de vida menos dependentes do Consumo pode inscrever-se em grupo de discussão intitulados "círculos da simplicidade" no site www.simpleliving.net.
Tenha ou não sucesso, o atual modo de vida Ocidental é, a prazo completamente insustentável. Hoje em dia 5% da população do Canadá e dos EUA, ou seja 5% da população mundial, consome 33% de todos os recursos produzidos pelo globo, num ano. Isto significa que mais um terço da poluição, dos Gases de Efeito de Estufa, também são produzidos por eles... E a Europa não esta muito longe destes valores. A escala geométrica dos padrões de consumo não pára de aumentar e a após esta Recessão Global, em grande medida "artificial" porque residiu no exagero de produtos virtuais do mercado financeiro, haverá uma Recessão bem mais real quando o globo não conseguir produzir alimentos suficientes ou quando o Ambiente deixar de conseguir suportar o nosso (Ocidental) estilo de vida. Talvez possamos aproveitar esta Recessão, com o seu "Credit Crunch" para alterar os nossos hábitos de consumo e evitar esta próxima Recessão, de efeitos muito mais graves e duradouros que a presente... Ou não.
Os críticos poderão dizer que o Consumismo é a base das nossas economias. E até certo ponto, tal é verdade. Mas que tipo de vida é esta em que o Homem não é mais do que um Produtor-Consumidor de Coisas, como dizia Agostinho da Silva?
Fonte:
http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2000/11/26/BU55310.DTL
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Comunicação do VEENLP mobiliza imprensa no mundo
O V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesas (VEENLP) é assunto na mídia mundial, principalmente entre os meios de comunicação dos países lusófonos. Esta edição conta ainda com alguns parceiros de comunicação importantes; destaque para a Agência Lusa, País Econômico, Portugal Digital, AD2M, TEC Digital, Afromedia e a Web Rádio Livre. O objetivo, além de divulgar o evento, é disponibilizar o maior número possível de informações e dados sobre a comunidade lusófona.
Com números expressivos, como a quantidade de pessoas que falam português no mundo, que é de aproximadamente 250 milhões de pessoas, ou o total de importação e exportação que os países lusófonos realizam anualmente (que gira em torno de US$ 550 bilhões), a Comunidade de Paises da Língua Portuguesa (CPLP) está constantemente na mídia. Consequentemente, o V Encontro também está tendo uma importante repercussão. Neste contexto, o site do evento procura fazer uma seleção da maioria das matérias publicadas, disponibilizando-as na seção “Últimas sobre o Encontro”.
A CPLP possui um boletim institucional, Notícias CPLP, cuja duas edições tratarão especificamente do VEENLP, a de setembro e a de dezembro. Este boletim será replicado em diversos meios: Jornal Expresso, Revista Courrier Internacional e Revista Exame, em Portugal; Ministério dos Negócios Estrangeiros de Angola, AICEP em Luanda e Embaixada de Portugal também em Luanda; Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil; Jornal A Semana em Cabo Verde; Semanário, do Timor-Leste; Nô Pintcha, em Guiné-Bissau. O portal Portugal Digital também está preparando uma edição especial de uma newsletter somente sobre o V Encontro.
O V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa será realizado nos dias 28 e 29 de setembro, no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza – CE. O evento é uma promoção do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil (CCPCB), da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBP-CE) e Governo do Estado do Ceará, além da co-promoção do Conselho Empresarial da CPLP e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A organização é da empresa Dinâmica Eventos.
Fonte: http://www.brasilportugal.org.br/portal.php?ref=http://www.brasilportugal.org.br/ce/content.php&sec=1964&ctg=noticias&fclip=376Ambddb
domingo, 16 de agosto de 2009
- " Reflexões acerca dos Bilderberg "
Quero agradecer ao camarada Osiris a gentileza que teve em corresponder ao meu apelo e em ter publicado uma tão exaustiva lista dos portugueses Bilderberg ( ver em http://osirislux.blogspot.com ).
Do mesmo modo, quero agradecer a todos aqueles que, correspondendo ao meu apelo e demonstrando estarem tão indignados como eu, fizeram o favor de me enviar todo o tipo de informações.
Agora, parece-me ser o momento apropriado para fazermos uma reflexão sobre o assunto.
Existem, pelo menos, 41 portugueses que se sabe estarem ligados ao clube Bilderberg.
Todos eles têm posições na vida pública que lhes permite influenciarem a política portuguesa.
Na sua grande maioria, fazem ou já fizeram parte de Governos.
Alguns, pelo menos uma vez, já caíram em desgraça mas nunca ficaram a perder com isso; sempre lhes arranjaram colocações bem remuneradas.
É óbvio que o sistema do “pontapé-para-cima” continua a funcionar em lugar de se apurarem responsabilidades.
E também me parece óbvio que o País é governado por essas 41 personalidades e mais algumas poucas que permutam os lugares entre si.
De quase todos temos conhecimento de serem pessoas de bem; no entanto, umas quantas dúvidas não podem deixar de nos surgir:
- será que todos eles terão coragem de contrariar as decisões do clube quando
- será que, nessa altura, o patriotismo e a integridade falarão mais alto do que o
- será que a meia-dúzia de “coisinhas” que fazem além dos cargos que ocupam
- será que na base das opiniões que expressam publicamente está o interesse
Pois !... Foi devido a estas reflexões que a indignação se apoderou de mim e como reacção natural surge-me esta dúvida:
- será que podemos confiar o nosso futuro e o dos nossos filhos a gente enfeudada a interesses que não recuam perante nada para conseguirem os seus fins ?
A crise económica e financeira que estamos a atravessar é um bom exemplo disso.
Acho que está na altura de começarmos a pensar seriamente nestas coisas.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
-" Os portugueses do clube Bilderberg "
O Engº Arnaldo Norton deve ter andado muito tempo pelo estrangeiro para ainda se admirar com estas manobras.
O pedido que faz no seu blogue
«http://rosadosventos1.blogspot.com/», na sua publicação de 07 do corrente sobre o Clube Bilderberg, não é difícil de satisfazer, bastando para isso socorrermo-nos da edição de 02.01.2006 do jornal “O Semanário” para ficarmos a saber quem são os portugueses que fazem parte ou frequentam o Clube Bilderberg.
A lista é extensa mas muito interessante e ao utilizá-la não se corre o risco de represálias, o que, nos tempos que correm, não é muito difícil de admitir.
Para evitar constrangimentos e por a lista ser extensa, não faço a sua transcrição mas convido os interessados a consultá-la no blogue
OSIRISLUX « http://osirislux.blogspot.com/ »
Estou certo que alguns irão ter grandes surpresas e compreenderão melhor os acontecimentos das últimas décadas.
-" O clube Bilderberg ( II ) "
Quem fosse à Wikipédia, há alguns meses atrás, encontraria um capítulo intitulado “ Os portugueses participante do Clube Bilderberg”; mas encontrariam somente o título porque a lista de nomes tinha sido apagada.

Entretanto, se algum dos meus leitores tiver elementos que queira publicar o meu blogue está, incondicionalmente e sem censura, à disposição.
(Transcrito do blogue Rosa dos Ventos http://rosadosventos1.blogspot.com
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
"o mercado lusófono é bastante promissor"
O volume de negócios entre os oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda é pouco expressivo, uma média de US$ 13 bilhões de dólares ao ano, o que representa pouco mais de 2,3% das negociações totais que estes estados realizam no mundo, valor que gira em torno de US$ 550 bilhões de dólares por ano, de acordo com dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Enquanto, que a China, por exemplo, possui trocas comerciais com a Comunidade que chegam a representar um volume de US$ 77 bilhões de dólares.
Para o presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Alexandre, estes números mostram que o mercado lusófono é bastante promissor e merece maior atenção dos setores públicos e privados dos estados-membros. Segundo Soares, os maiores entraves à expansão destas relações dá-se, principalmente, por problemas de logística e infra-estrutura. “Atualmente, as cargas que saem do Ceará para países africanos e europeus demoram até 50 dias para alcançarem o importador. Nada justifica o fato do Nordeste do Brasil não disponibilizar de uma linha marítima regular com estes parceiros. Lembrando que de avião, nós só estamos a três horas de distância de Cabo Verde, por exemplo. É mais fácil ir para lá do que ao Sul do país”, completa ele.
Estes dados e informações foram apresentados na última terça-feira (11), num encontro que reuniu a imprensa de Fortaleza (CE) e os sócios da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBP – CE). O presidente do Conselho afirmou que questões como estas devem ser discutidas durante o V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa (VEENLP), que será realizado nos dias 28 e 29 de setembro no Centro de Convenções do Ceará, na capital cearense. Ele acrescentou que dos mais de mil participantes esperados para o evento, 300 são estrangeiros, entre representantes dos oito países da Comunidade (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), além de outras regiões e comunidades como Macau, França, Hungria, Venezuela, Argentina e outros.
O V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa é uma promoção do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, da Câmara Brasil Portugal no Ceará e Governo do Estado do Ceará. O evento tem co-promoção do Conselho Empresarial da CPLP e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A organização é da empresa cearense Dinâmica Eventos.
Fonte: http://www.brasilportugal.org.br/portal.php?ref=http://www.brasilportugal.org.br/ce/content.php&sec=1956&ctg=noticias&fclip=375Ambddb
terça-feira, 11 de agosto de 2009
"Maior não é melhor"
Tradução livre de "Maior não é melhor" do economista Peter A. Victor
Não há nada como uma boa crise para nos fazer pensar sobre ideias antigas. A Depressão de 1930 levou à rejeição da ideia então prevalecente de que o desemprego se corrigiria sozinho somente se as pessoas trabalhassem por salários mais baixos. Estas ideias foram derrubadas pela experiência e pela invenção da Macroeconomia moderna por John Maynard Keynes. Na época do fim da Segunda Grande Guerra, a maioria dos governos ocidentais tinham adoptado políticas económicas keynesianas de forma a garantir níveis mínimos de desemprego.
Os economistas keynesianos concluíram que o pleno emprego, hoje, produzia uma economia maior, amanhã, porque algum do investimento necessário para manter baixo o desemprego: infraestruturas, construção e equipamentos também aumentava a capacidade produtiva da Economia. E o mesmo efeito tinham uma população em expansão e uma força laboral crescente. Inicialmente, os governos desejavam o crescimento económico como forma de manter o pleno emprego, mas na década de 50, o crescimento económico tornou-se o objetivo número da política económica e todos os outros, como a produtividade, a inovação, a competitividade, e até a educação tornaram-se em simples meios para alcançar esse fim último do crescimento.
Os economistas neoliberais rejubilavam de contentamento até 2007 altura em que o colapso do mercado imobiliário norte-americano deu indícios claros de que algo estava mal no paraíso neoliberal... E que as peças de dominó iam começar a tombar, umas a seguir às outras. As falências dos bancos especializados no imobiliário, arrastaram seguradoras como loucamente aventureira AIG e grandes bancos como o Bank of America e o Citigroup. A Globalização (outro "filho querido" dos neoliberais) encarregou-se de propagar rapidamente, pelo mundo fora, a crise, transformando-a na recessão que agora vivemos. A necessidade keynesiana de "estimular" as economias tornou-se consensual em todo o mundo, em todos os governos, alinhados ou não à Esquerda ou à Direita. O "pensamento único" que negava o direito à intervenção direta do Estado nas economias, mudou de sentido e tornou-se quase sacrossanto.
O problema é que a solução de Keynes não é adequada aos tempos modernos. A população mundial já triplicou três vezes desde a sua época, e a Economia mundial já se multiplicou por dez, no mesmo período... Um e outro factor significam que estas a exercer uma pressão inédita sobre os recursos limitados do planeta e a emitir mais emissões para a atmosfera do que em qualquer outro período da História. Talvez tenha chegado o momento de colocar em causa o modelo que advoga uma expansão permanente da Economia...
Uma solução intermédia ou de transição poderá ser converter a Economia atual numa "Economia Verde" em que se mantém o paradigma de "crescimento económico" contínuo, mas se reduz o consumo de bens e matérias-primas, através de uma produção mais eficiente de energia e bens manufaturados e pela redução do consumo privado e público. Estas medidas podem servir num período mais imediato, mas a prazo não resolverão o "problema" de termos apenas uma Terra para consumir. Mais cedo ou mais tarde , teremos que mudar o paradigma económico e repensar a relação da Humanidade com a Natureza.
Uma solução de maior foco poderá ser a "Economia Ecológica" que encara a Economia como um subsistema do ecosistema terrestre, sustentada por um afluxo constante de materiais e energia. Estes fluxos não podem ser ignorados, como faz a Economia convencional que ignora completamente a integração com o Ambiente e que julga a "protecção ambiental" como um entre muitos outros "custos".
É possível manter num país moderno o pleno Emprego, baixos níveis de Pobreza, reduções nas emissões dos gases com efeito de estufa e orçamentos equilibrados num tal modelo de economia? Isto é, sem Crescimento contínuo? Há varias soluções - propostas desta a concepção do conceito "Crescimento Zero" na década de 60 - desde:
1. Uma jornada de trabalho inferior para reduzir o Desemprego sem perder as vantagens do progresso tecnológico. O Tempo Livre remanescente deve ser gasto em fortalecer os laços familiares, dedicando mais tempo às crianças e consumindo e produzindo Bens Culturais (imateriais) de todos os tipos.
2. Um "preço de Carbono" a cada produto de forma a desencorajar as emissões de gases com Efeito de Estufa. Este preço deve constar em cada etiquetagem e sempre de forma separada do preço regular, de forma a instruir cada consumidor sobre a escala da sua Pegada de Carbono e a racionalizar os seus hábitos de consumo.
3. Programas anti-pobreza muito generosos, para estimularem o Consumo e melhorarem a qualidade de vida.
Neste novo modelo de Economia, o sucesso seria medido mais pelo Bem Estar pessoal e comunitário do que por métricas abstratas de crescimento económico. Nesta Economia, seria mais importante o consumo de serviços, culturais, médicos ou de puro lazer, do que o consumo "bruto" de bens e equipamentos. E os Bens consumidos seriam mais privilegiados se duradouros e resilientes do que se estivessem de acordo com o "design" do momento ou a última moda tecnológica (desnecessária, como o Blue Ray ou o HD-DVD). O Uso e a Necessidade seriam mais importantes que o Estatuto Social na escolha de um dado Bem. Só assim o Consumismo desregrado das sociedades modernas poderia ser estancado. Tendo que ser radicalmente alterados os paradigmas que impulsionam o mundo da Publicidade, tão virado para o cego Consumismo e para a promoção de ocos padrões de Estatuto...
Infraestruturas, edifícios e todos os mais diversos tipos de equipamentos devem ser concebidos a pensar na eficiência energética e na sua durabilidade e resistência e não em função de fátuos Modismos. Todo o Consumo deve favorecer a produção Local e não a Globalização com extensos, anti-ecológicos e desumanas cadeias de produção e distribuição.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
"O Clube Bilderberg"
A minha curiosidade voltou a ser despertada quando, em 2008, vi nas livrarias um livro com o título “ Toda a Verdade Sobre o CLUBE BILDERBERG “, da autoria do jornalista espanhol Daniel Estulin. Recordei-me, imediatamente, do documento que tinha lido em 1965 ou 1966.
Algum tempo depois, em conversa com um colega tocamos no assunto e aconselhei-o a comprar o livro.Qual não foi a minha surpresa quando ele, dias depois, me telefonou lamentando-se que o livro tinha sido retirado do mercado.Não acreditei !... Tinha de haver um mal-entendido…
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Números para reflectir
Segundo um Relatório do Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento (PNUD):
As 3 pessoas mais ricas do mundo são tão ricas como os 48 países mais pobres.
A riqueza das 84 pessoas mais ricas do mundo supera o produto interno bruto da China com os seus 1,2 Mil Milhões de habitantes.
As 225 pessoas mais ricas dispõem de uma fortuna equivalente ao rendimento anual acumulado de 47% do total dos indivíduos mais pobres do planeta, isto é, mais de 3 Mil Milhões de pessoas.
Segundo o mesmo organismo das Nações Unidas, seria suficiente menos de 4% da riqueza acumulada destas 225 maiores fortunas mundiais (avaliadas em mais de 1.000 Biliões de dólares) para dar a toda a população do planeta acesso às necessidades básicas e aos serviços elementares: saúde, educação, alimentação.
Informe ONU - PNUD 1998 - disponível em Economica, 49, rue Héricart, 75015 Paris
domingo, 5 de julho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Naomi Klein: Análise sobre a presente recessão mundial
“Friedman, que pensava que os mercados eram mais eficazes quando livres da intervenção dos Estados, pregava a supressão de todas as medidas destinadas a proteger o povo contra a lógica do mercado. Naomi Klein responde que as populações só podem aceitar tais reformas se estiverem em estado de choque, a sair de uma crise, catástrofe natural, atentado ou guerra.”
O que nos leva diretamente às tortuosas e sempre ocultas verdadeiras motivações por detrás da Guerra no Iraque. Se nestas não podemos encontrar as tais “armas de destruição massiva” (e que a Administração Bush sempre soube não existirem) então quais eram afinal estas motivações? Estranhamente, os Media nunca procuraram aprofundar o tema dessas verdadeiras causas, contentando-se com o enunciado da falsidade das primeiras. Talvez porque estejam hoje praticamente todos nas mãos de grupos financeiros e económicos e que a derradeira “imprensa livre” já não é impressa, mas lida nos écrans de computadores…
Nestas razoes ocultas para a Guerra do Iraque contam-se razoes tão prosaicas e desprezíveis como o puro enriquecimento de empresas de outsourcing e prestação de serviços para o exercito como a Halliburton do nefando ex-Vice-presidente Donald Rumsfeld, à satisfação dos interesses do lobby industrial-militar norte-americano, aos interesses das petrolíferas e, não devemos também esquecer a quantidade de pretextos que a conveniente “Guerra ao Terrorismo” (conveniente, porque é uma guerra sem adversários claros nem objetivos determinados) deu a todo o tipo de supressão ou redução de liberdades democráticas: espionagem interna, escutas indiscriminadas, tortura sistemática, prisões arbitrárias e o estabelecimento de um Estado Securitário que cria agua na boca nas ditaduras saudita e chinesa, que lhe invejam os meios e a docilidade (resultante do Terror de alertas terroristas sucessivos e quase diários). E não nos esqueçamos também de todas as áreas cinzentas quanto à autoria dos atentados de 11 de Setembro que por estas bandas já enunciámos…
“Klein conclui que a Escola de Chicago é “um movimento que reza pela chegada de uma crise como um agricultor em período de seca reza pela chuva.” Pior, os adeptos de Friedman são, por vezes, demasiado impacientes para esperar que as forças da natureza se manifestem. E se as catástrofes naturais são difíceis de forjar, os golpes de Estado e os ataques terroristas são fabricáveis a qualquer momento.”
E por isso provocam guerras como a do Iraque. Nada melhor do que forjar um inimigo externo para agregar apoios em torno de uma causa potencialmente impopular, à semelhante do que fizeram os generais da Junta argentina quando empurraram o seu país para a guerra contra o Reino Unido, e Bush quando a des-propósito do 11 de setembro levou os EUA à invasão do Iraque, cumprindo assim os planos dos neoconservadores para “reformarem” a economia e a maneira (em “outsourcing”) de fazer a guerra, retirando de permeio direitos individuais e garantias cívicas a pretexto de uma “guerra ao terrorismo” de contornos intencionalmente mal definidos.
“A queda de Wall Street deve ser para as teorias freudianas o que a queda do muro de Berlim representou para o comunismo autoritário: a acusação de uma ideologia.”
Já Mário Soares declara o mesmo. Naomi Klein tem razão na sua visão daquilo que devia ser, mas erra na sua convicção de que algo de radical irá mudar no mundo após esta recessão mundial… E com ela Soares (que sempre admitiu que não percebia nada de Economia): o sistema financeiro mundial atual tem hoje demasiada força influência para poder ser assim tão facilmente. Após a confirmação dos primeiros sinais de retoma (que já se observam) não tardará a fazer esquecer todos os impulsos de re-regulação dos mercados financeiros e de capitais, recorrendo para tal à sua fiel claque de políticos partidocratas (já assinou ESTA petição?) alimentados a generosas doações regulares de sacos de dinheiro vivo. E tudo ficará na mesma… Graças ao afluxo urgente de biliões do dinheiro dos nossos impostos (mantendo intocados os lucros de décadas e os babilónicos salários dos gestores) e de uma influencia esmagadora das multinacionais sobre todos os governos aparentemente (apenas) democráticos do mundo.
Fonte:
Courrier Internacional, abril de 2009.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Não querendo que me faça espécie, vamos lá ver no que vai dar...
Enfim, mais do mesmo.
A ver... Desejo estar errado.
«China interessada no sector dos petróleos de Timor-Leste [ 2009-06-16 ]
Díli, Timor-Leste, 16 Jun - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Zacarias da Costa, disse segunda-feira em Díli ter discutido durante a sua deslocação à China a possível cooperação chinesa no sector dos hidrocarbonetos. "O presidente Hu Jintao reconheceu que Timor-Leste é um país rico em petróleo, gás e recursos naturais que interessam à China e Timor-Leste também está interessado numa parceria estratégica como a China”, acentuou, lembrando que os negócios nortearam o seu périplo de uma semana. O envolvimento chinês "poderá passar pela construção do gasoduto para Timor-Leste, se for possível negociar com a Austrália, e pelo estabelecimento de uma zona de apoio em Suai (sul)”, adiantou à agência noticiosa portuguesa Lusa.O ministro adiantou estarem ainda em jogo “refinarias e de toda a infra-estrutura necessária ao sector, tanto em terra como no mar”.O ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou que o país “já tem um parceiro estratégico, a Petronas, da Malásia, bem como um bom grupo de apoio na Coreia do Sul, liderado pela Korgaz”.Em 2002, realçou, a Petrochina enviou uma missão à região, para um levantamento e estudos em terra.Na altura, foi celebrado um acordo bilateral, estando prevista para breve a deslocação de uma nova missão empresarial chinesa a Timor-Leste, com o objectivo de discutir com o Governo o envolvimento no sector, adiantou o chefe da diplomacia timorense.Zacarias da Costa valorizou ainda a exportação de mais de uma centena de produtos timorenses para a China, fruto de um acordo bilateral assinado em 2008. (macauhub)»
terça-feira, 19 de maio de 2009
Réplica a "O Novo e o Revolucionário: notas a um texto fundamental do Clavis" de Casimiro Ceivães
"1. Sem me pronunciar sobre a concreta aplicação ao mundo informático, para mim um enigma"
O modelo de "organização open source" (uso o termo inglês por uma questão de fidelidade à fonte) ainda que tenha começado efetivamente no meio das tecnologias de informação, com exemplos muito bem sucedidos no Apache (onde estão alojados a maioria dos sites na Internet), no Firefox (usado por grande numero de cibernautas) ou na Wikipedia (a enciclopédia online mais usada do mundo), não se pode encastrar unicamente neste campo. Este revolucionário modelo de organização e divisão do trabalho pode e deve ser transposto para organizações de outros tipo e de outras áreas, porque potência a criatividade, estabelece mecanismos de prémio ao mérito e conserva entre os produtores e criadores dos bens ou serviços comercializados o essencial dos rendimentos destes, ao contrário do modelo "Capitalista liberal" atual que desvia o seu essencial para os investidores e para os gestores das organizações.
"chamo a atenção para o pressuposto implícito nas propostas do Clavis: confiemos na mão invisível, ou seja, confiemos em que o mundo é feito de tal forma que permite, naturalmente, um ajustamento gradual das iniciativas particulares de cada um por meio do qual se promoverá o bem comum."
O argumento da "mão invisível", aquela fonte de racionalidade implícita e inominável que agiria nos mercados deixados em livre curso e desprovidos da ação perniciosamente reguladora do Estado é um argumento neoliberal e, logo, não é um argumento meu. Agora isso não implica que confie em economias estatizadas como a forma mais excelente de organização do Trabalho e da Economia. Confio nas capacidades do livre empreendedorismo, na melhor qualidade de uma organização detida por privados e não por um longínquo "Estado". Nesse sentido podem-me chamar "liberal", mas liberal no sentido oitocentista do termo, não na leitura "de Chicago" que é hoje feita na Europa (já de si bem diversa daquela feita nos EUA, aliás). Acredito que as empresas devem ser de propriedade privada, idealmente na forma cooperativa em que os trabalhadores detém o capital e partilham os lucros, correspondendo estes ao grosso dos seus rendimentos (rendimento variável), complementado por uma fatia que deve ter como referencia o ordenado mínimo (rendimento fixo). Métricas de avaliações corretas e imparciais, juntamente com inquéritos realizados aos seus pares, permitiram definir qual a parcela na divisão desses lucros que competiria a cada um. Neste modelo o "Capitalista", que aloca à organização apenas o seu dinheiro e o mantém aqui durante um tempo determinado esperando obter um alto retorno não entra em equação... É claro que este modelo não é adaptável a todas as organizações, sendo por exemplo difícil de aplicar naquelas que exijam grandes investimentos de Capital, mas aí poderiam entrar emissões de ações ou - nos projetos de manifesto interesse público - o Estado ou o Município (coração do modelo de administração do Estado que advogo).
"Não precisamos de um chefe embirrento e ambicioso para decidir, sozinho, em nome de todos, seja esse chefe um primeiro-ministro iluminista ao modelo do marquês de Pombal (contemporâneo de Adam Smith, a quem se devem as primeiras e revolucionárias reflexões sobre o liberalismo económico...) ou o agora tradicional gestor de multinacional. Sede bons, e o resto virá por acréscimo, se quisermos dar a isto um tom um poucochinho mais elevado."
A verdade é que precisamos. Ou melhor, precisa a maioria. Nem todas as pessoas têm a maturidade para se sentirem competentes e responsáveis o bastante para decidirem sempre por si e se perguntássemos numa repartição publica, num escritório quantos quereriam ser chefes, hoje, ficaríamos surpreendidos pela quantidade de pessoas que se sentem confortáveis nesse papel subalterno em que alguém decide por si e assume por si as responsabilidades dos seus erros. Para que todos fossemos capazes de pensar e decidir por si, seria preciso cumprir uma revolução interior em cada um de nós... É preciso não esquecer que desde que o Homem deixou a economia recolectora e que inventou a "Educação" como forma de domesticar as mentes e domar a criatividade que a maioria de nós se sente "menor" e incapaz de decidir por si na maioria dos temas. Foi neste terreno que brotou o regime ditatorial "paternalista" de Oliveira Salazar e onde floresce a "ditadura do proletariado" chinesa.
"2. Também num outro ponto curioso o Clavis vai bater em algumas das questões primeiramente enunciadas pela teoria liberalista: é que é diferente permitir às pessoas fazerem aquilo de que gostam de as persuadir a fazer aquilo que será o seu dever"
É possível "fazer aquilo que é o seu dever" e simultaneamente aquilo que se gosta. Basta para tal que exista um espirito de missão, um comprometimento assumido, explícito e negociado entre o papel do colaborador e o da organização. Este "contrato social" pode existir e na verdade explica porque é que profissões como a polícia, o exército e os bombeiros não têm falta de recrutas, apesar dos riscos e dos baixos salários aqui praticados.
Outra coisa - bem diversa - são as tarefas mecânicas, desumanas e esterilmente repetitivas que ainda persistem hoje na industria e nos escritórios. Não há razão para que numa época de extraordinário progresso cibernético, robótico e informático estas tarefas sejam ainda hoje cumpridas por seres humanos. De facto, no Ocidente, a imposição do "pensamento único" globalista determinou um efetivo degradamento desta situação desde a época - na década de 70 - em que Agostinho da Silva apontou para esta saída para uma sociedade do futuro, onde o Trabalho seria Humano e não mecânico, escravo e castrador do pensamento e da criatividade humana. A Globalização realizou a transferencia das unidades fabris do Ocidente para o Oriente, encerrando fabricas na Europa que poderiam ter sido automatizadas (criando empregos na sua construção e manutenção) e transferindo-as para a China e para o Vietname onde a mão-de-obra é mais barata que qualquer robot ou máquina-ferramenta que se pudesse construir no Ocidente. Assim, em vez de sociedades modernas em que o essencial dessas tarefas eram cumpridas por máquinas, temos sociedades onde o desemprego crónico se torna numa praga endémica e constante, enquanto que no Oriente temos uma imensa mole de pessoas trabalhando em horários desumanos, salários de miséria e em condições e direitos laborais quase nulos.
"estabelecido a partir de uma hipotética regra moral; os apaches informáticos gostam de desenvolver programas, independentemente do facto de a minha felicidade se reforçar com eles; da mesma forma, Adam Smith chamou a atenção para o facto de o meu pão fresco matinal poder dever-se a um padeiro egoísta (que quer enriquecer para deixar de ser padeiro, por exemplo...) ou a um padeiro que adora o cheiro da farinha. Em ambos os casos, o padeiro tem uma boa razão para que o seu pão seja saboroso..."
Não devemos menosprezar a influencia do prazer em fazer bem uma coisa, na qualidade final dessa coisa... Qualquer produto ou serviço feito com prazer sai melhor do que outro feito sob coacção ou com trabalho escravo. Na Segunda Guerra Mundial, muitos dos espantosamente avançados aviões a reação Me 262 apresentavam falhas mecânicas inexplicáveis que na realidade resultavam de sabotagem realizada pelos trabalhadores forçados polacos ou franceses que os construíam. De forma oposta, os produtos artesanais, do vestuário, ao calçado, demonstram uma resiliência e uma qualidade muito superiores aos feitos por atacado, aos milhões, em impessoais e cruéis fabricas algures no sul da China.
"3. Significa isto que, num nível absolutamente básico, precisamos de regras de liberdade de trabalho: em concreto, precisamos de que o apache e o Linux possam ser disponibilizados fora de situações de monopólio ou de cartel de monopolistas. Ou seja, que não haja nenhuma lei que diga “só pode fornecer programas informáticos quem esteja devidamente licenciado, etc”."
O argumento usado geralmente pelas grandes "software houses" como a Microsoft ou a Oracle é que os seus produtos proprietários são mais caros do que de código livre ("open source") porque oferecem suporte e são mais fáceis e intuitivos de utilizar. Obviamente, é uma falácia. Desde logo, porque quem utiliza um programa da Microsoft, como o Windows Vista (salvo seja!) ou o Microsoft Office não tem um verdadeiro suporte "gratuito" disponível: se quiser ter elevados níveis de suporte técnico (a avarias, disfunções ou a erros do produto ou lacunas de informação) terá que pagar um caríssimo contrato de suporte "Premier" ou outro. É certo que empresas que adoptam software livre, como o Linux RedHat ou o OpenOffice acabam quase sempre por contratar um serviço de suporte, mas este é local (uma empresa local, não uma multinacional) e é sempre mais barato do que o luxuoso e caro contrato de suporte ou de manutenção.
"4. Small is beautiful, como o Clavis nos tem (obrigado, meu caro!) permanentemente chamado a atenção, e enquanto pensarmos em programas informáticos ou em padeiros as coisas podem ser modeladas (isto é, apresentadas segundo um modelo conceptual) de forma relativamente simples. Uma outra dimensão da questão é a de saber se isto ainda se aplica ao tipo de organizações gigantescas que caracterizam o mundo moderno: as grandes empresas internacionais, sob a forma de sociedade anónima cujo capital só tem o céu como limite, surgiram para realizar empreendimentos titânicos, como por exemplo a abertura do Canal do Suez no séc. XIX, e desses empreendimentos depende a nossa vida tal como a conhecemos hoje; da mesma forma, deveremos reflectir se a produção de hardware informático ou a construção de aviões que nos levem fácil, rápida e seguramente ao Brasil é tão fácil de conciliar com o neo-artesanato (no fundo, é disso que se trata). Bastará permitir a todos construir o seu próprio avião?"
Sem dúvida. Como refiro mais acima (e sem saber que o Casimiro levantaria, parágrafos depois, a mesma questão), este tipo de organização "open source" é especialmente adequada a pequenas organizações. Não pode ser aplicada na construção de uma barragem como Cahora Bassa, de uma Central Nuclear ou de um Projeto Apollo. Mas estas "obras hidráulicas" (no sentido babilónico do termo) são economicamente ineficientes e ecologicamente assassinas. Em vez de macro-barragens, devíamos ter microbarragens, dispersas pelo território, produzindo energia para fabricas e lares, sem os impactos de um grande lago artificial nem com as necessidades de capital exigidas por uma Cahora Bassa ou Castelo de Bode. Em vez de uma Central Nuclear, devíamos ter centenas de centrais solares e eólicas, de igual potência, mas com menos riscos ambientais e menos investimento. E um projeto Apollo de hoje não teria que reunir os recursos de então... Graças aos progressos da robótica e da minituarização é possível enviar um pequeno rover para a Lua, cumprir as mesmas missões e a uma fração do custo das missões Apollo da década de 60.
"5. Só é novo o que está esquecido, e queria ainda falar da famigerada palavra trabalho: como acontece com quase todas as palavras que agora usamos, é uma palavra impostora. É verdade a sua ligação ao tripalium e à tortura, e por isso deu imenso jeito a Marx e aos socialistas utópicos do séc. XIX popularizá-la; a ponto de nos terem feito esquecer a palavra labor, que se assemelha ao lavrar da terra fértil. Como passar da actual sociedade de capital e trabalho para uma sociedade de ócio e labor, é o problema fundamental. Dito de outra forma, e para que o ócio não seja rebaixado à preguiça, como redescobrir um mundo em que cada um de nos ora et labora..."
Encontrando em nós o "Santo" que Agostinho buscava enquanto ideal de vida. Só quando, "laborar" (termo bem introduzido, Casimiro) for equivalente a "trabalhar" (tripallium) é que o Homem terá alcançado a verdadeira libertação da servidão em que a revolução industrial, especializadora, escravizante, o votou. O ócio, fruto do aumento do tempo-para-si e do lazer que a mecanização devia produzir (em lugar de desemprego e desindustrialização crónicos) devia ser o tempo que esse "Santo", ou Homem do Futuro despenderia com a Criação poética, com a especulação filosófica, com a "conversa", com, enfim, o seu desenvolvimento cultural, moral e intelectual, descobrindo novas formas de organização do Trabalho e das Sociedades, inventando novas maquinas automáticas e novos poemas.
"6. O mais curioso paradoxo das propostas utópicas está na sua referência à sua própria fundação, ou seja, no facto de ou terem como pressuposto uma espécie de iluminação laica individual (a utopia tornou-se possível porque cada um começou a vivê-la dentro do seu coração) ou o seu preciso contrário (a utopia tornou-se possível porque um chefe assim o impôs, seja esse chefe o filósofo-rei ou o colectivo proletariado de Marx). Voltando a uma simbologia tão cara a este blog, a Ilha dos Amores será um dia (ou não...) trazida por Vénus; mas – como devem navegar os pilotos da frota marítima, enquanto a Ilha não desponta no horizonte, enquanto apenas sabem da Índia, como devem conduzir a Barca enquanto combatem os deuses do Mar para que possam um dia reconhecer a Ilha e reconhecer-se no achamento dela? Como sulcar o alto mar guardando no coração a pátria amada? É que, meus amigos, no alto mar andamos já, e tormentoso ele vai."
As formas atuais de organização da sociedade, do trabalho ou da economia não foram as dos passado. Contemplam, portanto, um aspecto mutacional e não é crível que permaneçam assim se nos apresentam hoje por muito mais tempo. A crise financeira atual e a recessão que esta provocou deviam estar a produzir essa crise sistémica, esse "fim do capitalismo neoliberal" que Mário Soares quis ver (sem ver). E contudo, não está. Os grandes Bancos receberam biliões dos impostos de todos nós e vão escapar a toda esta turbulência sem grandes danos e, sobretudo, sem perderem a influencia sobre a democracias nem a perturbar esta danosa "tercialização" das economias que nos impuseram os economistas neoliberais da Escola de Chicago.
Assim, não vemos sinais da iminência de uma "revolução social". Esta, a haver, terá que brotar lentamente, em cada um de nós, fruto da libertação das peias impostas por sistemas educativos castradores do livre pensamento e da criatividade e sacudindo organizações publicas e privadas que dependem de esquemas de autoridade rígidos e arbitrários para perpeturar estruturas internas de Poder ineficientes e obsoletas porque piramidais e autoritária e não multi-polares e dispersas como aquelas que advogamos.
"7. Voltemos a olhar para a open source do Clavis. E pensemos se é possível criar desta forma não já os produtos (materiais, como o pão, ou intelectuais, como os programas de software) mas as próprias regras de justa conduta em que a produção e distribuição deles assenta. Poderão as regras básicas de convivência social, que são sempre regras de atribuição de propriedade, ser encontradas e progressivamente definidas a partir da acção individual de todos, em vez de serem produzidas pela empresa-Estado e pelos seus sábios legisladores? É este o centro da teoria liberal (xô, Bush, não estou a falar de ti nem para ti) e é este o olho do furacão. Aqui, estamos frente a frente com o Adamastor. Ao Gama, bastou perguntar-lhe o seu nome. E porque a filosofia se não reduz à ciência, proponho que meditemos no que isto quererá dizer..."
Sim, é possível, mas não de cima para baixo. Não devemos acreditar na sabedoria divina de profetas ou deuses-na-terra para num rasgo luminário nos apresentarem e imporem aquelas formas "utópicas" de organização do Estado e das Sociedades. Estas utopias tendem a ser sobrehumanas, a privilegiarem o Fim e desfavor dos Meios ("tudo pela Causa") e produziram os dois regimes mais bárbaros e cruéis da Historia: o nacional-socialismo alemão e o comunismo estalinista russo. As utopias (etimologicamente, o "sem-lugar") devem começar dentro de nós, um por um, contaminando os outros (amigos e familiares) pelo Exemplo, e alicerçando depois em pequenas cooperativas ou empresas locais a nova fase que, por contaminação há de propagar-se pelo território. Lenta, gradualmente, do indivíduo para o grupo e deste para a sociedade, estas novas formas de organização (de que as empresas "open source" são apenas uma vertente) hão de propagar-se pelo mundo fora, transmutando-se de u-topia para agora-topia.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
As organização abertas (open source): Uma nova e revolucionária forma de organização do trabalho?
Quem se move mais na área das Tecnologias de Informação conhecerá - pelo menos de nome - o conceito "Open Source". Este tipo de abordagem ao desenvolvimento de software deu amplas provas de sucesso, como demonstram as múltiplas distros de Linux (como o Ubuntu e o Linpus, que uso), o Firefox (que provavelmente usa para ler estas linhas), o Apache (que disponibiliza boa parte de todas as páginas Web na Internet) e várias aplicações Office.
O conceito de "Open Source" gira em torno de um grupo flexível de pessoas, cada uma trabalhando por sua conta e risco, nas áreas que sentem mais importantes ou interessantes. Realizações notáveis como o Linux, o Firefox e o Apache, que concorrem com aplicações criadas por grandes corporações multinacionais, com recursos quase infinitos, provaram o valor do modelo na área das Tecnologias de Informação.
O fundamental de uma organização "open source" é a capacidade que cada elemento tem para decidir sozinho em que é que vai trabalhar. Sem esta liberdade básica, todas as demais são irrelevantes.
O grande problema com o conceito de "open source" é, naturalmente... Como viver dele. Este dilema já conheceu varias "soluções", sem que, contudo, nenhuma conseguisse cumprir a primeira liberdade básica: a escolha do trabalho.
Uns tentaram criar uma empresa que vendesse o suporte sobre o software desenvolvido em "open source", como sucedeu por exemplo com a distro de Linux, RedHat. Outros deixaram-se engolir por uma grande empresa que lhes garantia o ordenado, como sucedeu com o MySQL (hoje em integração por osmose com a Oracle). Um e outro modelo, implicam o fim da liberdade básica de escolha do "open source" já que em ambos, os membros acabaram a receber ordens de um "patrão". De facto, esse é o grande problema, quem estará disposto a pagar a alguém que faça apenas aquilo de que gosta? A saída para este dilema tem passado por aturar trabalhos repetitivos de dia e guardar os interessantes para a noite, como hobby... Escrevendo por exemplo, estas linhas. É claro que assim teremos pessoas que podem ser inovadoras e criativas cumprindo tarefas chatas e enfadonhas a maior parte do tempo e relegando para aquele que devia ser o seu tempo de lazer ou descanso os seus momentos de maior criatividade em que, precisamente, poderiam ser socialmente mais úteis.
Agostinho da Silva já discorreu sobre vertente escravizante do "trabalho" recorrendo para tal ao seu conhecimento das sociedades clássicas e explicando-o pela sua ligação à palavra latina para um instrumento de tortura. E se a ligação existe é porque para a maioria de nós, "trabalhar" corresponde a fazermos algo de que não gostamos. E sempre foi assim. Ou não? Não, no mundo do "open source", razão pela qual a transposição deste modelo de organização poderá ser tão interessante para as sociedades do futuro. E na verdade, nem se pode realmente dizer que seria um modelo de organização original: a maior parte da existência do Homo Sapiens sobre a Terra correu sob um regime de caçadores-recolectores, sem efetiva sem reais estruturas hierárquicas e de Poder, onde qual se adaptava e seleccionava as atividades que mais lhe agradavam e que melhor julgava poder desempenhar. Ou seja, respeitando o essencial do regime "open source"... Na época o conceito de "trabalho" (que Agostinho bem ligava à origem latina do termo em "tripallium", um instrumento de tortura) ainda não existia e de facto foi exatamente assim durante 90% da existência do ser humano. Foi somente a partir do momento em que a população explodiu e houve necessidade de impor a especialização do trabalho, que este - propriamente dito - surgiu.
Uma possível forma de aplicar no mundo empresarial o conceito de "open source" poderia ser pela formação de micro empresas, concebidas a partir do autoemprego de um único indivíduo, produzindo um produto ou um serviço de software proprietário. Assim seremos apenas nós próprios a decidir o que fazer. O modelo não está, contudo, isento de fragilidades... O facto de sermos só um, quer dizer que teremos que fazer tudo, mesmo aquilo que não queremos fazer ou que fazemos menos bem. E, é claro, se algo lhe acontecer, como um acidente ou uma doença que o torne improdutivo, a empresa pode não sobreviver, já que os clientes cujo desenvolvimento tenha sido interrompido não lhe irão perdoar e poderão sofrer até prejuízos significativos se planearam em função do seu compromisso de entrega, que, agora não pode manter por motivos compreensíveis mas de impacto profundo no seu negocio. Oferecer o código fonte da aplicação pode resolver parte deste problema, já que outros poderão estudar e modificá-la consoante o necessário.
Assim temos na "Empresa Aberta" um conceito de organização empresarial em que não há patrões nem empregados, em que qualquer um pode juntar-se ou sair a qualquer momento, participando apenas nos projetos que ache verdadeiramente motivadores, durante exatamente o tempo que melhor lhe aprouver.
Este é o modelo em que foram criados programas como o Apache ou o popular browser Mozilla Firefox, mas o modelo não se esgota nas funções de programadores ou analistas informáticos. Uma organização precisa de muito mais de informáticos para sobreviver. Todas as áreas, do helpdesk ao marketing podem ser alvo da mesma metodologia de organização do trabalho. O grande problema de manter uma organização assim será sempre o de encontrar mecanismos de compensação e remuneração adequados. Em projetos como a Wikipedia ou o Firefox o reconhecimento de mérito inter-pares é fundamental. Mas numa organização mais privada, menos voluntariosa e mais comercial como estes projetos não-comerciais o simples reconhecimento inter-pares é insuficiente para cativar e preservar os melhores, mais produtivos e criativos elementos que, naturalmente, serão seduzidos por organizações mais tradicionais a um ritmo muito elevado.
Uma das formas de estabelecer formas de compensação adequadas para uma organização "Open Source" pode ser uma tecnologia conhecida como "Trust Metrics". Com esta tecnologia, cada colaborador avalia o seu par, mas elaborando os níveis de escala de uma forma que torna qualquer forma de "batota" ineficazes. Esta é essencialmente a mesma tecnologia empregue pelo Pagerank da Google, com tanto sucesso na relevância dos resultados do incontornável motor de busca norte-americano. Baseando a compensação financeira em ratings contínuos é possível ir ajustando a quantidade de tempo reservada para projetos "open source" e ir ajustando este às variações destes ratings, até um ponto em que eventualmente a compensação se torna tão alta que se pode deixar o emprego "normal".
Nestas organizações, ninguém pode impedir alguém de participar num dado projeto, mas também ninguém pode ser despedido. Isto faz com que estas organizações sejam formas de vida muito mais seguras que as tradicionais, livres da arbitrariedade, dos favores de chefes ou gestores, assim da vaga oscilação dos seus favorecimentos ou das suas birras irracionais. O papel de cada colaborador nestas organizações "open source" depende unicamente das capacidades e do empenho de cada um no seu seio.
Atualmente, a maioria das organizações publicas e privadas já possuem programas de avaliação de desempenho. Estes, contudo, são sempre mais ou menos opacos, com parte das métricas fora da compreensão ou controlo dos colaboradores avaliados e determinadas de forma quase invariável sem o seu conhecimento ou consentimento, pelas chefias e sem participação direta dos colaboradores avaliados. Com esta metodologia de ratings pelos pares, todos terão pleno acesso às formas de avaliação e como estas são produzidas.
Uma vez estabelecido o mecanismo de "Trust Metrics" há que elaborar os mecanismos de compensação. Desde logo, fica evidente que ainda que a remuneração salarial fixa seja a que corresponde ao salário mínimo (nos países onde este existe) o essencial do plano de compensação será variável e alimentado diretamente a partir dos lucros da organização que serão distribuídos por todos os colaboradores consoante o seu rating no sistema de "Trust Metrics".
Fonte principal:
http://e-texteditor.com/blog/2009/opencompany
