A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hino da Lusofonia, estreado no I Congresso da Cidadania Lusófona...


Hino da Lusofonia
“PÁTRIA LUSÓFONA, PÁTRIA MESTIÇA, PÁTRIA DO MAR”
1.
No passado foi o encontro
De culturas e de povos
O futuro será outro
Repleto de tempos novos
Refrão
PÁTRIA LUSÓFONA
PÁTRIA MESTIÇA
PÁTRIA DO MAR
2.
É nossa a Lusofonia
Vem do Mar a Unidade
Na Língua pulsa a Alegria
De sermos Comunidade
Refrão
PÁTRIA LUSÓFONA
PÁTRIA MESTIÇA
PÁTRIA DO MAR
3.
Desde Angola ao Brasil
De Cabo Verde à Guiné
De Moçambique a Portugal
De Timor a São Tomé
Refrão
PÁTRIA LUSÓFONA
PÁTRIA MESTIÇA
PÁTRIA DO MAR
4.
Desde Goa até Macau
Desde Malaca à Galiza
Pelo mundo como nau
Por todo o Globo desliza
Refrão
PÁTRIA LUSÓFONA
PÁTRIA MESTIÇA
PÁTRIA DO MAR


Letra e Música: Renato Epifânio e Manuel Ferreira Patrício

domingo, 24 de outubro de 2010

Encontro internacional debate trunfos do português num mundo globalizado


A utilização e difusão do português nas novas plataformas tecnológicas é um dos desafios da língua portuguesa que estará em debate no encontro internacional da língua portuguesa e cultura lusófonas, segunda e terça-feira, em Lisboa (Portugal).

O encontro, promovido pela União Latina em cooperação com a Fundação Gulbenkian, reúne dezenas de académicos, políticos, diplomatas, gestores e outras individualidades.

“Hoje estamos num mundo globalizado e nele a língua portuguesa tem um trunfo, por ser uma das cinco mais faladas no mundo e pela presença nos cinco continentes, e com potencialidades culturais muito evidentes”, salientou Renée Gomes, representante da União Latina em Portugal.

Mas há também desafios e alguns dos principais, destacou, têm a ver com o facto de “não ser língua oficial nos organismos internacionais” e ter “uma das taxas mais fracas em matéria de produção e difusão para as novas plataformas, como a Internet”.

Estes dois temas vão estar em destaque no debate, além de outros como o valor da língua portuguesa e a diáspora e a imigração

“Queremos que este fórum seja de reflexão, do qual saiam propostas concretas para superar esses desafios”, disse à agência Lusa Renée Gomes.

O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e o secretário de Estado da Comunidades Portuguesas, António Braga, vão estar na sessão de abertura do encontro, ao lado do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, e o secretário geral da União Latina, e abrir a conferência o ex-ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho, que esteve colocado nos últimos anos como embaixador na Unesco.

Nos vários painéis de debate estão presidentes de empresas de media, como Francisco Pinto Balsemão, do grupo Impresa, e Afonso Camões, presidente do conselho de administração da Agência Lusa, de várias editoras, centros de línguas e universidades.

Segundo o programa, encerram o encontro o Presidente da República, Cavaco Silva, a ministra da Educação, Isabel Alçada, o secretário geral da União Latina, José Luis Dicenta, e o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira.

Fonte: Notícias Lusófonas

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

É PRECISO INVESTIR MAIS NA DEFESA DA LUSOFONIA

A falta de investimento na promoção do português, particularmente na formação de professores e em manuais escolares, está a prejudicar a posição da língua entre as mais faladas do mundo...

Publicado em:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/09/posicao-do-portugues-entre-as-linguas.html

sábado, 26 de junho de 2010

1º Congresso de Cultura dos Países de Língua Portuguesa

Este ano, acontece no Rio de Janeiro, em novembro, o 1º Congresso de Cultura dos Países de Língua Portuguesa. O evento foi acordado entre os ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e de Portugal, Gabriela Canavilhas, durante reunião realizada em maio último. Do congresso - que terá caráter bianual, com o próximo encontro previsto para 2012, em Portugal - participarão os oito países da CPLP.

Na reunião dos representantes brasileiro e português da pasta de Cultura também ficou definida a realização dos anos do Brasil em Portugal e o de Portugal no Brasil. As ações de intercâmbio de expressões culturais estão previstas para 2012, quando acontecem, nos dois países, as programações de eventos a serem promovidos simultaneamente e em conjunto.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pensemos sempre na maior escala

Pensemos sempre na maior escala. Primeiro o que é maior e mais amplo. Primeiro o que é de todos, depois o que é só de alguns. Primeiro o planeta e o universo, depois Portugal e a lusofonia. Assim se beneficia Portugal e a lusofonia, integrando-os e transcendendo-os numa ordem superior e ampliando-nos a consciência ética.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA



A Língua Forte, Bela, Gentil e Exuberante

J. Jorge Peralta


O grande e complexo mundo da Lusofonia celebrou, no mês de maio deste ano, pela primeira vez, o Dia da Língua Portuguesa, criado pela CPLP.

A data foi comemorada com Semanas de Estudo, sessões solenes e festivas, grandes palestras, com temas de exaltação à nossa língua, bela, versátil, exuberante, altiva e forte.

Enfim, o Dia da Língua Portuguesa é um dia propício para estudá-la melhor, para divulgar suas excelências e mostrar suas belezas.

Mais do que dizer que é uma língua de grande potencial cultural, social e econômico, por ser falada nos cinco continentes, em todos os quatro cantos do mundo, por aproximadamente 260 milhões de lusófonos, devemos mostrar ao mundo, e a nós mesmo, os predicados que a fazem bela, forte e cativante. Os valores e encantos que a destacam entre as três línguas mais faladas no Ocidente.

Falta a CPLP proclamar o Grande Mestre P. Antônio Vieira, a quem Fernando Pessoa proclamou de Imperador da Língua Portuguesa, como Patrono da Lusofonia, e o Dia 18 de julho como Dia da Lusofonia.

No projeto GlobiLíngua (Língua Global) desenvolvemos longamente essa questão nuclear: (Ver link adiante)

Alguns autores estrangeiros teceram loas sinceras à Língua Portuguesa, mais do que nós. Os entendidos falam de nossa língua sempre com muito entusiasmo.

Dois grandes intelectuais espanhóis não tiveram dúvidas em proclamar a superioridade de Língua Portuguesa, sobre o espanhol.

Citamos, por exemplo, o inquestionável Miguel de Cervantes, autor da obra prima da língua castelhana, “Dom Quixote”, e Miguel de Unamuno, um dos maiores intelectuais do século XX.

Estes não estão sós. Quem conhece a alma de nossa língua, fala de sua sedução. Os estrangeiros falam e sentem melhor os encantos de nossa língua, pois têm o parâmetro comparativo e de contraste.

Na Língua Portuguesa, entre uma plêiade imensa de grandes mestres, destaca-se Camões e Vieira.

No final do mês de Maio realizou-se no Itamaraty uma Grande Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa, como Língua Internacional. Aguardamos a publicação das conclusões do magno evento.

Na brevidade desta crônica, cito o Grande Pensador Brasileiro, Gilberto Freire:

“A Língua Portuguesa é uma das mais belas e mais sonoras – Talvez a mais bela e mais sonora – no que se refere à descrição de objetos de luxo e de matérias preciosas, por se ter apercebido da complexidade da cultura ou do passado lusitano. Uma complexidade que torna o edifício verbal do português semelhante ao estilo manuelino de arquitetura. Ambos se apresentam marcados por alguma coisa de exuberante, de mestiço, de contraditório, que vem da aventura ou de experiência ultramarina: Uma experiência que juntou, ao passado europeu dos lusitanos, outros passados – o oriental, o chinês, o indiano, o africano, o americano, o atlântico (...)” (Conf. Gilberto Freyre, Um Brasileiro em Terras Portuguesas, Ed. Livros do Brasil, p.17).

Enfim, esta língua tão forte, tão bela, tão dinâmica e tão universal é a terceira (3ª) língua mais falada no Ocidente, e é a quinta (5ª) língua mais falada no mundo.

Hoje somos aproximadamente, 260 milhões de falantes. Daqui a trinta (30) anos serem 500 milhões de Lusófonos. Se língua é poder. Imagine-se o poder de nossa língua.

Para saber mais, leia:

* O grande despertar da Língua Portuguesa (clique)

em:
http://globilingua.blogspot.com/2010/03/o-grande-despertar-da-lingua-portuguesa.html


* Padre Antônio Vieira, Patrono da Lusofonia (clique)

em:
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/p-antonio-vieira-patrono-da-lusofonia.html


*Dia Mundial da Lusofonia (clique)

em: http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/dia-mundial-da-lusofonia.html

Texto lido no Encontro Lusófono de 10 de Junho



“Ó sórdidos Galegos, duro bando”:

Que sentido deu Camões a este verso d' Os Lusíadas, ele que tem o seu solar originário na freguesia de Camos, Gondomar, na Galiza ao norte do Minho, donde era o seu pai?

Penso que não tem sentido nenhum negativo. Simplesmente denuncia que os galegos ao norte do Minho, por infelicidade deles e também nossa (permiti-me que fale também como português que sou), os galegos do norte não formaram parte do projeto de Portugal do que é um bom resultado a presente multicontinentalidade do nosso verbo.

A Galiza que ficou na Espanha, melhor dito, sob a bota de ferro de Espanha, em verdade que tinha que se ter somado ao projeto de Portugal. Não o fez e em grande medida pelo agir errado e parvo da sua liderança galega. Eis a sordidez galega pela que brada e denuncia Camões, dizendo-nos com esse verso, mas algum dia deixareis de serdes assim e tendes de estar no projeto comum da Lusofonia.

É por isso que hoje eu estou aqui, feliz e emocionado, como galego, reivindicando o nosso Camões, e é que a Lusofonia não pode estar completa sem nós, como não está sem o território roubado e bem português de Olivença.

Poucos dias há melhores para festejar todo o que une aos lusófonos de todos os cantos do mundo que o dia 10 de junho, nenhum outro dia teria sido acaído para reunir em si tanta informação e tanta comunhão lusófona – Venturoso dia que te expandes por toda a Lusofonia por cima do sentido muito português e fechado para o resto que tinha na sua origem esta data quando foi instituída.

Alexandre Banhos Campo

Fonte:
http://pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2516:participacao-galega-no-jantar-lusofono-do-dia-de-portugal-celebrado-em-lisboa-no-passado-10-de-junho&catid=8:cronicas&Itemid=69

sábado, 12 de junho de 2010

14º Colóquio da lusofonia 25 set - 2 outº 2010

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aceitam-se até 15 Julho propostas para apresentação de trabalhos para o

14º Colóquio da lusofonia 25 set - 2 outº 2010

ANFITEATRO DR PAULO QUINTELA
RUA ABÍLIO BEÇA, Bragança, Portugal

temas 2010

1. HOMENAGEM CONTRA O ESQUECIMENTO:
autores lusófonos esquecidos (convidado este ano VASCO PEREIRA DA COSTA)
2. LUSOFONIAS:
2.1. A herança islâmica portuguesa
2.2. Marranos ou conversos, judeus e cripto-judeus em Portugal
2.3. Influências culturais africanas em Portugal de 1380 a 2010
2.4. Questões e raízes da Lusofonia.
2.5. 2º Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico de 1990
2.6. Língua Portuguesa como língua segunda e como língua estrangeira
2.7. Língua e Literatura Portuguesa no Mundo.
2.8. Lusofonias e Insularidades
2.9. Literaturas africanas de língua portuguesa
3. TRADUÇÃO:
3.1. Tradução de autores portugueses no estrangeiro. Tradutores e autores
3.2. Tradução Monocultural e intercultural
3.3 Tecnologias e Tradutologia


http://www.lusofonias.net/lusofonia%202010/index.htm

quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 de Junho

10 de Junho: Portugal e a Lusofonia fazem hoje sentido se, na linha de Camões, Vieira, Pascoaes, Pessoa e Agostinho da Silva, forem mediadores de um novo paradigma mental, ético e cultural, alternativo ao ciclo civilizacional que hoje finda: uma solidariedade universal, no respeito integral pela natureza, bem como pelos direitos dos seres humanos e de todos os seres vivos. O que chamo uma Visão Armilar do Mundo. Fora disso, seremos apenas mais do mesmo e morreremos na mesma "apagada e vil tristeza" em que se afunda a civilização actual.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Papa reconhece importância da língua portuguesa no mundo católico

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Bento XVI tem uma consideração particular pela língua portuguesa e o seu peso específico no mundo católico, assegurou hoje no Vaticano o Arcebispo Manuel Monteiro de Castro.

“O Santo Padre conhece muito bem o que significa a língua portuguesa na Igreja Católica”, afirma.

O Secretário da Congregação para os Bispos, da Santa Sé, lembra que o país com maior número de fiéis e Bispos católicos é o Brasil, nação de “língua portuguesa”, dados a que se soma a importância da presença católica nos espaços lusófonos de África e Ásia.

“Os países onde Portugal esteve distinguem-se muito pela fé cristã”, observa.

Em Novembro de 2009, Bento XVI introduziu uma novidade na sua audiência pública das Quartas-feiras, passando a apresentar uma síntese em português da sua intervenção central, em italiano, à imagem do que já fazia em francês, inglês, alemão e espanhol.

O Papa visitou já dois países lusófonos, Brasil (2007) e Angola (2009), tendo ainda proferido vários discursos a bispos de países de língua oficial portuguesa.

A sua 15ª viagem ao estrangeiro, primeira a Portugal, tem passagens marcadas por Lisboa, Fátima e Porto.

Octávio Carmo, da Agência Ecclesia, em Roma

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pequeno manifesto lusófono

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Volta afetiva ao idioma
geo grafia lusófona
o olhar sobre a pele do mar
o papiro de Camões
Camões no twitter
as caravelas fizeram inscrições na pele do mar
nostalgia implícita no idioma
nas encostas
o barroquismo da língua/ferramenta
mapa-múndi da lusofonia
o pensar em português
nos fados a reflexão da língua
idioma esparramado
Padre Antônio Vieira
ilustração jesuítica do idioma
a cronologia do idioma
o deslocamento geográfico do pensar em português
idioma nômade
a revisão da culpa
os jesuítas a bordo de suas escolas
o aparelho jesuíta
a beleza da santificação da língua
idioma santo
a benção da igreja sobre a fronte da língua portuguesa
idioma que demarca terras
cultura transplantada que volta com o afeto
meu respirar é português
a pena em português
o idioma determina o poeta
Escola de Sagres
o tom de Portugal:Amália
a coloração da língua
a nação em português!

Cristina Ohana

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Os logros da suposta lusofonia

"Muitos Estados falhados de África são o resultado das políticas de dominação que lhes foram impostas pelo imperialismo colonial e o seu sucedâneo actual, o tráfico de droga e os outros tráficos nojentos em que assenta muito da economia especulativa mundial que, no seu amplexo de anaconda, constitui um dos esteios da actual configuração do mundo globalizado. E os conflitos étnicos são alimentados por essas políticas de dominação conduzidas por pessoas desenraizadas e corrompidas pelo poder do dinheiro e pelo dinheiro do poder.

Que a morte, a fome, a miséria, o sofrimento, o sem-futuro, das crianças de Angola, por exemplo, venha aos mercados lusófonos comprar acções de empresas-chave da economia globalizada é apenas um reflexo natural deste estado de coisas. Confundir a lusofonia com isto não é só um logro histórico, é participar de forma activa na sua manutenção e legitimação.

Vistas as coisas deste prisma, a CPLP acaba por ser uma estrutura de legitimação do terrorismo de Estado e da cleptocracia que o olhar hipócrita da diplomacia vê como emergência da democracia. Isto consuma a destruição da Cultura como elevação de todos os homens à condição de senhores do mundo e como comunhão universal do fluxo da Vida que a tudo engloba. E é nisto que em verdade consiste a Cultura: a exaltação de cada um, a elevação de todos, a resistência à opressão e à criação de desigualdades acéfalas"

- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010).

arevistaentre.blogspot.com

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Em Angola, "português é a língua da nacionalidade”, diz Pepetela


Nasceu em Benguela Artur Pestana, como escritor ficou Pepetela, tradução do seu apelido na língua umbundu. Diz que a língua “molda a expressão do pensamento” e quanto ao novo acordo ortográfico, “está mais contra os que estão contra”.

“Eu escrevo em português, mas se o fizesse em francês seria outra coisa, outra cabeça, e à expressão própia dentro da língua, alguns chamam estilo", afirma logo no início da conversa com o Observatório do Algarve.

Conversa que se travou sob o pretexto do doutoramento "Honoris Causa" recebido na Universidade do Algarve e que o escritor dedicou “ao povo angolano”, considerando que "muito dificilmente se separará a obra e a vida de um escritor da história e cultura do seu povo" .

Uma dedicatória que estende à sua mãe e à sua mulher. A primeira por uma "estória de matemática, uma equação" que o empurrou para a escrita e a outra “por ser responsável por, pelo menos, metade daquilo que tenho produzido".

Para Pepetela, os ambientes entram nas escritas, as palavras, seus instrumentos de trabalho, são também a ligação com o exterior e portanto “é diferente estar em Portugal, no Brasil ou, por exemplo, nos Estados Unidos”.

Isso vê-se em qualquer conferência internacional, ilustra o escritor angolano, "quando procuramos sempre moçambicanos, cabo-verdianos, portugueses, antes de tudo".

O português é a língua da nacionalidade

E como vai o português, enquanto língua oficial em Angola? “Como língua materna, já ultrapassou todas as outras”, disso não tem dúvidas Artur Pestana que garante ser o português dominado por mais de 90 por cento dos angolanos, embora uns se expressem melhor que outros. Não é só, portanto, a língua oficial, mas sim “a língua da nacionalidade”.

Uma nação para cuja classe dirigente lança um olhar crítico, perante “o processo lento que será necessário percorrer, até ter uma elite capaz e séria. E a oposição ainda não tem força”, remata.

Ainda assim, Pepetela fala do irromper de “espaços de liberdade, órgãos de informação com mais pluralidade”, de lugares “onde se pode fazer cultura”.

A “falta de imaginação” do novo acordo ortográfico

É um tema quase incontornável, quando se fala de lusofonia, mas Pepetela confessa-se “um bocado farto” do acordo.

“Eu sou contra este acordo, mas sou ainda mais contra os que estão contra, que me parece terem uma reacção parecida com a que existiu no século dezanove, relativamente ao francês”. É uma reacção reaccionária, diz num jogo de palavras significativo.

Reacções à parte, Pepetela diz que o acordo sofre de “falta de imaginação”. E dá um exemplo: Diz-se António em português e Antônio em brasileiro. “Não seria altura de se inventar um novo acento, para definir as sílabas tónicas, uniformizar grafia e sotaques?, questiona.

Um outro livro na calha

“Este ano não sai nada ”, não há novo livro, comenta de imediato quando o Observatório do Algarve o questiona sobre novos trabalhos.

Pepetela está antes envolvido num projecto que implica “muita pesquisa e investigação. Tento sempre ser diferente, evitar o perigo da repetição”, justifica.

Mas não é possível, por enquanto, saber mais sobre o seu novo trabalho. “Sou supersticioso e ainda não é o tempo de falar nisso”, atalha.

Pepetela retomaria este escrúpulo de falar de si próprio e da sua obra no discurso que proferiu, após receber as insígnias de doutor "Honoris Causa onde disse que, no seu "fraco entender, um ficcionista deve contar preferentemente estórias, com 'es', e não falar ou escrever sobre aquilo que é o seu trabalho íntimo, talvez o mais íntimo dos trabalhos humanos".

"Chamemos-lhe discrição ou suma vaidade a este cuidado de não revelar intimidades. Há porém escritores, também especialistas em teoria literária, e que sem caírem em esquizofrenias, conseguem analisar, ponderar e divulgar aquilo que vão descobrindo nos textos ditados pela sua própria imaginação. O que alguns denominam subconsciente", afirmou.

Uma obra que é a busca de encontros, desencontros, às vezes encontrões

"Tocou-me vivamente o gesto da UAlg ao lembrar-se de me outorgar o título de Doutor Honoris Causa. Compreendo o gesto como vontade de homenagem que ultrapassa o próprio homenageado, mas também, e principalmente, visa uma literatura e uma nação, a angolana", afirmou ainda.

Para ele, "muito dificilmente se separará a obra e a vida de um escritor da história e cultura do seu povo", uma perspectiva que está plasmada na sua obra, intimamente ligada à luta de libertação, mas também à história e aos universos míticos de Angola, à crítica ideológica e social de um período mais recente.

O sociólogo António Correia e Silva, reitor da Universidade de Cabo Verde, foi o padrinho do doutoramento e para ele “não há como desligar a escrita de Pepetela de um projecto político que permitiu aos povos da periferia colonizadora tornarem-se em autores da sua própria história. Uma escrita assumidamente política, mas não panfletária. Uma escrita que resgata a vida que ficava fora da moldura. Uma busca de encontros, desencontros, às vezes encontrões”.

"Suspeito por isso que esteja um pouco desarmado perante uma obra literária complexa, que fala do branco e do negro, da paz e da guerra, da realidade e da utopia, do passado e do presente, da África e da Europa, do planalto e da estepe", acrescentou.

O reitor da UAlg, João Guerreiro, mencionou por sua vez quatro paralelos entre a obra do novo doutor e a instituição que dirige: "a interculturalidade, a valorização da língua portuguesa, a adopção de um intransigente compromisso social e a liberdade".

Igualmente presente na cerimónia, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, disse que as suas palavras tinham como objectivo "saudar o escritor e através dele, não apenas a literatura, mas o homem nas suas metamorfoses, que revelam a história".

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/04/em-angola-portugues-e-lingua-da.html

A lusofonia não é lusófona, mas universal

A lusofonia não é lusófona, mas universal

(excerto)

A lusofonia não cobre um fundo cultural comum, mas é um espaço de eclosão cultural aberto. Não há uma cultura lusófona, nem as culturas que se encontram no espaço da lusofonia estão marcadas, de forma indelével, por uma mesma intencionalidade destinal. O que se pode dizer é que o espaço lusófono se apresenta ao mundo como a possibilidade de se romper com o regime logocêntrico que marca a vigência da metafísica ocidental enquanto configuração civilizacional criadora de uniformidade e instauradora dum fechamento onto-fenomenológico da experiência humana do mundo em relação ao horizonte grácil da emergência da vida espiritual veiculadora duma cultura eco-eudemoníaca, sem a anomalia sapiensial que separa o humano do animal, a sociedade da natureza, o terrestre do celeste.

A uniformização eurocêntrica leva à destruição das culturas ancestrais que eclodiram para lá dos constrangimentos do totalitarismo da mesmidade sem um avesso de si que a interpelasse à dissolução transmutadora. E aqui cabe uma chamada de atenção para algo que tem que ser atendido com seriedade: a instrumentalização da cultura portuguesa e do pensamento português, nascido à margem da metafísica sem um impulso interno para o outro de si, para os colocar ao serviço dum gesto totalitário análogo à totalitária imposição da mundividência eurocêntrica ao resto do mundo, não só se apresenta como um erro grotesco, como atraiçoa o sentido espiritual da expansividade da vida ética e do pensamento seminal para o ainda não pensado, para o preterido pela tradição metafísica ocidental, próprio do pensamento português e assumido por autores tão importantes quanto, por exemplo, Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Souza, ou Agostinho da Silva, para só referir estes e para não referir os que hoje seguem na sua senda .
E a Língua Portuguesa não é constringente em termos espirituais e existenciais, ou seja, não aparece como um obstáculo até mesmo à sua ultrapassagem – tem sido um útero aberto à emergência de outras vias de apropriação linguística do mundo, coisa própria de uma língua viva, capaz de dar à luz outras línguas.

Por isso, qualquer tentativa de domesticar a língua, de a contratualizar em nome de imperativos económicos e políticos, é um passo na destruição da lusofonia, do que ela tem de mais original e imperioso para o mundo, a sua não constringência em termos espirituais.

A Língua Portuguesa não conhece fronteiras, não se institui como um território mental instaurador de barbarismos. Desse centro de divergência coalescente, não se vê nem estrangeiros nem bárbaros. Ter a Língua Portuguesa como Pátria, indo para além do lugar comum pessoano que tem sido usado para tudo e para nada, é não ser mais do que cidadão do Universo, encarado como o que, a cada instante, em cada um dos existentes e a cada um engloba numa corrente de transcensão transmutadora e re-criadora. É no diverso que se dá a patência da conversão plenificante ao que a tudo excede e, nesse excesso, tudo abraça num amplexo oceânico, sem fundo e sem margens.

- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), pp.20-21.

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sábado, 13 de março de 2010

Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial (Brasília, 25 a 27 de março)

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Tenho o prazer de transmitir-lhe convite do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, ora na presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para participar, nos próximos dias 25 a 27 de março, no Palácio Itamaraty, em Brasília, da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial.

A Conferência deverá reunir, além de representantes governamentais, personalidades de diferentes áreas da sociedade civil de países da CPLP - acadêmicos, escritores, jornalistas, editores, cientistas, empresários. Terá como propósito debater as oportunidades, desafios e instrumentos para a difusão da língua portuguesa e sua crescente projeção no cenário internacional.

Encontra-se, a seguir, agenda da Conferência Internacional. No dia 25 de março, quinta-feira, às 19:00 horas, os participantes serão recebidos com programação cultural e coquetel no Palácio Itamaraty. Às 9h00 do dia 26, sexta-feira, terá lugar a Sessão Inaugural da Conferência, cujos trabalhos se estenderão até a tarde do dia 27, sábado.

O formato das sessões de trabalho prevê que, após breve introdução de cada item da agenda, seja imediatamente franqueada a palavra aos participantes. Não se trata, portanto, de divisão entre palestrantes e ouvintes, e sim de ocasião para debate aberto a todos os presentes e limitado apenas pelo tempo disponível para as intervenções.

Será uma grande honra contar com sua presença na Conferência. Muito agradeceria a amabilidade de confirmar sua participação por mensagem eletrônica para o endereço gtcplp@itamaraty.gov.br. Com vistas a adotar as providências pertinentes, encareço a especial gentileza de resposta até o dia 18 de março.

Informações adicionais sobre a Conferência, tais como a programação de atividades, podem ser obtidas no seguinte endereço eletrônico: http://www.conferênciacplp.itamaraty.gov.br/
O acesso dos convidados ao Palácio Itamaraty será feito pela entrada Oeste (porta voltada para o Ministério da Saúde).


Cordialmente,

Antônio de Aguiar Patriota

Secretário-Geral do
Ministério das Relações Exteriores
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE O FUTURO DA
LÍNGUA PORTUGUESA NO SISTEMA MUNDIAL
BRASÍLIA, PALÁCIO ITAMARATY

domingo, 7 de março de 2010

Entrevista de Domingos Simões Pereira secretário executivo da CPLP

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"Português está a tornar-se uma mais-valia económica"

por Abel Coelho de Morais

A CPLP está em movimento e a ganhar peso a nível internacional, defende o seu secretário executivo, Domingos Simões Pereira, que destaca, por outro lado, alguns passos na consolidação interna nesta comunidade de oito Estados.

Principia amanhã em Lisboa a Assembleia Parlamentar da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Que matérias vão ser abordadas?

A Assembleia Parlamentar da CPLP é um órgão novo, criado em Abril de 2009 e esta é primeira reunião de trabalho. Espera-se que os participantes façam um ponto da situação no domínio da legislação e que reflictam sobre o papel que podem desempenhar numa organização multilateral. Espera-se que abordem a questão de circulação de pessoas e de cidadania. Está na mesa a aprovação do estatuto de cidadão da CPLP e a abertura das fronteiras no espaço da comunidade...

O que implicaria a harmonização de legislações...

Pelo menos que cada um dos países fizesse as adaptações necessárias nas suas leis de forma a não comprometer a promulgação do estatuto de cidadão da CPLP.

Ainda nesta semana decorre em Lisboa a reunião dos pontos focais. Que projectos de cooperação mais relevantes estão a ser desenvolvidos? Este mecanismo de cooperação não entra em choque com os projectos bilaterais de cooperação?

A reunião discute a aprovação de projectos e todos os mecanismos de cooperação que os oito Estado entendem levar em conjunto. Quanto à segunda questão, um projecto é considerado válido para o conjunto dos Estados membros se merecer o consenso dos oito. Fizemos uma revisão do aproveitamento dessas oportunidades e concluímos que falta alguma articulação entre os Estados membros e também aproveitamento de sinergias. Por exemplo, as lições aprendidas num país nem sempre são utilizadas noutro; por outro lado, o Secretariado deveria apoiar mais e assistir o processo de identificação até à implementação dos projectos. Mas não há riscos de colisão com projectos bilaterais; em nenhum momento a CPLP se posiciona para concorrer a programas de carácter bilateral.

Quais são neste momento os principais pontos focais?

Aquilo que representar o interesse dos oito passa a entrar na agenda CPLP. Encontra-se na lista de projectos uma variedade muito grande, desde a área ambiental à nossa ligação ao PAM, programas na área da saúde, nomeadamente o plano estratégico de cooperação para a saúde.

Que se concretiza de que forma?

Cada um dos Estados tem sempre uma mais valia. Por exemplo, no caso do dengue, por razões infelizes, Cabo Verde acumula toda uma memória relacionada com esta doença, mas que é um contributo a nível mundial e, em especial, entre os Estados da CPLP, ao nível da prevenção, tratamento e identificação. Quem acompanhou a situação em Cabo Verde, apercebeu-se que o principal problema foi chegar ao diagnóstico correcto, e isto hoje está adquirido devido ao trabalho feito em Cabo Verde. E é um património adquirido para todos.

No capítulo da saúde, a CPLP realiza a partir de 16 de Março em Lisboa o 3.º Congresso sobre sida. Esta é uma prioridade da organização?

Tem havido desde 2000 atenção ao tema e a partir de 2009 passámos a ter um plano estratégico, sendo objectivo do congresso estabelecer um programa de intervenção...

Com medidas práticas?

Sem dúvida. Por exemplo, o Brasil decidiu apoiar a criação de um laboratório para o fabrico de antiretrovirais em Moçambique. O mesmo esforço está a ser feito em Cabo Verde pelo Brasil como parte da CPLP, disponibilizando meios para um objectivo comum importante: cada mais-valia criada irradia para todos os membros.

Ainda em Março decorre em Lisboa a 1.ª Reunião dos Ministros dos Mar da CPLP. Espera-se a aprovação da estratégia dos Oceanos que está em discussão?

Essa reunião vai abordar o documento e espera-se a formulação de uma visão estratégica para a gestão dos nossos recursos marítimos. Isto não vai salvar a totalidade destes recursos, mas cada um dos Estados membros vai ter um conhecimento claro do que está em jogo.

Os oceanos não são apenas uma questão económica, são também um factor estratégico e diplomático. Essa é uma dimensão contemplada?

Todos os domínios estão em consideração. O domínio diplomático é importante e quando dispomos de um organismo multilateral como a CPLP, devemos fazer uso desta para entendermos as questões e pesarmos mais nos conflitos que possam surgir. Por outro lado, pretende-se que haja uma visão estratégica concertada entre os oito deste património que são os oceanos.

Essa visão estratégica tem de passar também pela afirmação do português nas organizações internacionais, na ONU por exemplo, e no reforço do ensino do português nos Estados membros?

A utilização do português na ONU é uma exigência e não posso deixar de referir o particular esforço feito pelos Chefes de Estado, tendo o Presidente Cavaco Silva à cabeça, quando em 2008, à margem da 63.ª Assembleia Geral promoveu um encontro para debater o tema. Assisti ao encontro e posso dizer que os Presidentes questionaram de forma directa os embaixadores da ONU sobre as estratégias a seguir e entraram em detalhes específicos para saber como colocar o português como língua oficial da ONU. Na 63.ª Assembleia Geral, como na 64.ª, todos os Presidentes falaram em português.

Mas esse objectivo continua distante?

Não podemos olhar apenas às Assembleias Gerais da ONU. A utilização do português já se verifica em organizações regionais como a União Africana, mas não basta isso. O problema é que chegamos às reuniões e, por vezes, não há tradutores.

Como ultrapassar esse problema?

A solução passa pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que está em fase de reestruturação e uma das vertentes a privilegiar é a formação de tradutores.

Que papel pode ter o IILP na afirmação do idioma comum no mundo?

Achei muito interessante uma constatação feita por um especialista inglês em que este afirmava que a maioria das línguas quer concorrer com o inglês, quando isso já não faz sentido. O inglês é algo básico. Assim, devemos pensar, em termos da CPLP, que aquele que recruta no mercado de trabalho procura para além do inglês. O português tem uma oportunidade muito grande; além do número de pessoas que o falam, é a sua localização geográfica em todos os continentes. E há coisas extraordinárias, por exemplo, no Senegal, há permanentemente 15 mil pessoas a aprenderem o português...

Por motivos económicos....

Ainda bem que é assim. Isto significa que temos algo que desperta a atenção dos mercados. O português está a tornar-se uma mais-valia económica. E podemos falar disso com mais propriedade: em 2009, o Instituto Camões promoveu um estudo sobre o valor económico da língua e concluiu que 17% do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua. São transacções económicas dependentes da língua. Por isso, é importante que os decisores e a sociedade civil entendam que a língua não é só uma questão de nostalgia, de afecto, é mais do que isso, são ganhos económicos efectivos. E ainda há muito que não sabemos aproveitar, por exemplo, os Estados da CPLP continuam em muitos casos a praticar a dupla tributação, continuamos a ter problemas com a exportação de capitais, não temos liberdade de circulação generalizada de pessoas que procuram trabalho. Por exemplo, pode existir aqui mão-de-obra em excesso enquanto essa mesma especialidade falta num outro Estado e não temos uma solução para isso no âmbito da CPLP.

O Brasil é actualmente membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas; Portugal prepara uma candidatura. Seria importante a CPLP ter sempre um membro presente neste órgão da ONU?

Seria excelente. Uma das coisas que a CPLP tem conseguido nos últimos é a concertação política de esforços, seja a nível da ONU seja a nível das organizações regionais, seja ao nível de candidaturas a cargos de entidades internacionais, é importante compreendermos que valemos mais quando falamos a uma só voz. Oito votos é um peso importante em reuniões internacionais e não é por acaso que a Austrália, Marrocos, a Ucrânia e a Indonésia, por exemplo, procuram a aproximação à CPLP. O princípio de que uma oportunidade para um é uma oportunidade para todos, é algo a preservar. Por exemplo, Angola e Brasil foram convidados a estarem presentes na recente reunião do G20 e pouco depois vimos a Guiné-Bissau a presidir a uma Assembleia Geral da ONU. Quem é que nos diz que uma coisa não teve a ver com a outra?

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/entrevista-de-domingos-simoes-pereira.html

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Língua portuguesa conquista jovens urbanos

Maputo, 28 Fev (Lusa) -- Moçambique terá a partir de agosto o primeiro curso de Mestrado internacional em tradução e interpretação de conferência em português, reflexo da "evolução positiva" da língua que tem conquistado maior número de falantes jovens nas áreas urbanas.

O projeto resulta de dois protocolos assinados, no último ano, entre o Instituto Camões, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Universidade Pedagógica de Moçambique, disse à Lusa o responsável pelo Instituto Camões em Maputo, António Braga.

Falando sobre o estado da língua portuguesa em Moçambique, país que logo após a independência, em 1975, adotou o português como língua oficial da administração pública e da educação, António Braga qualificou de "positivo" o crescimento do português no país e apontou alguns projetos de expansão.

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/we-love-lusophony.html