A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

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Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre Silvestre Pinheiro Ferreira...

 

A TRANSIÇÃO FRUSTRADA OU O DISCURSO INTERROMPIDO: A PROPÓSITO DA TEODICEIA DE SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA

Joaquim Domingues

Filósofo de transição foi como António Braz Teixeira qualificou quem é considerado uma das personalidades mais representativas do pensamento luso-brasileiro da primeira metade do século XIX. A seu juízo, a “figura singular e complexa de filósofo e homem público, cujo saber enciclopédico abarcou todo o conhecimento do seu tempo, da matemática à pedagogia, do direito à economia, da mineralogia à botânica, representa, de forma particularmente expressiva, no pensamento português, o trânsito da fácil e serena confiança do século XVIII para a austera e dramática inquietação do século XIX.”[1]. Na verdade, se todas as épocas são de transição, aquela terá sido uma das mais profundas de toda a nossa história, como ruptura na continuidade dos princípios, dos valores e das instituições, que lhe davam feição própria e distinta.

Entre a expulsão dos jesuítas por D. José e a extinção de todas as ordens religiosas por D. Pedro, ocorreu uma radical mudança da ordem vigente em Portugal. Num contexto marcado pelas invasões francesas, com as doutrinas revolucionárias a precederem os exércitos napoleónicos, pelo “protectorado” britânico, assim como pela independência do Brasil, onde, afinal, vingaram as mesmas ideias e se impuseram os mesmos estratos sociais. Processo assaz complexo, onde se cruzaram dinamismos vários, cujos efeitos por vezes só nas gerações posteriores se patentearam, em luta com a normal inércia social, assente em muitos séculos de fidelidade a outros valores.

Aliás, não faltara quem, prevendo a tormenta, que se avizinhava, de um modo ou de outro tivesse procurado identificar os problemas em causa e antecipar as soluções adequadas. Quer em termos críticos e divergentes da tradição, como António Ribeiro Sanches (1699-1783), Luís António Vernei (1716-1792) e os reformadores dos estudos, mormente os universitários; quer procurando integrar no essencial e permanente as novas aquisições, transitórias ou não, como os franciscanos Frei José Mayne (1723-1792) e Dom Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), o jesuíta Padre Inácio Monteiro (1724-1812) ou os oratoristas Padres Teodoro de Almeida (1722-1804) e António Pereira de Figueiredo (1725-1797). Bastaria, aliás, atentar na acção e na obra de Teodoro de Almeida, a quem a Academia das Ciências de Lisboa concedeu a honra de proferir a sua Oração de abertura, a 4 de Julho de 1780, para constatar não só a viabilidade teórica como a larga aceitação dessa perspectiva de transição fecunda e harmónica, apurada precisamente na fase da formação de Silvestre Pinheiro Ferreira.



[1] História do Pensamento Filosófico Português, dir. Pedro Calafate, vol. IV, t. 1, Lisboa, 2004, p. 28.

(excerto)