Sob o título genérico de “Portugalidade:
Identidade, Cultura e Alma Lusa”, publicam-se neste número da Revista Super Interessante catorze ensaios que,
filosoficamente, ainda que de diversas formas, equacionam a categoria de
“Portugalidade”, na sua perspectiva histórica e futurante. Congregámos autores
que, na sua singularidade, têm este traço em comum: afirmam a existência de uma
“Filosofia Portuguesa”, necessariamente ampla e plural, enquanto expressão
maior da nossa Língua, História e Cultura. A escolha foi difícil – dado o
extensíssimo número de autores considerados –, mas acabámos por eleger seis
autores já falecidos, com obra consolidada, e oito em plena actividade
filosófica. Assim, escolhemos ensaios de Dalila
Pereira da Costa, Agostinho da Silva, António Quadros, António
Telmo, Orlando Vitorino e Pinharanda Gomes,
todos eles com obra consolidada no final do século XX e, alguns deles, já no
início do século XXI.
Depois, integrámos aqui um ensaio de António Braz Teixeira, nos dias de hoje o maior hermeneuta vivo do nosso universo filosófico e cultural, não só português mas, mais amplamente, lusófono. Tendo cunhado o conceito de “razão atlântica” – para, precisamente, sinalizar o chão comum do pensamento filosófico luso-brasileiro –, ele próprio, como já tivemos a oportunidade de escrever, esclareceu entretanto “que esse era um conceito, em grande medida, ‘ultrapassado’; e que, hoje, mais do que de uma ‘razão atlântica’ (circunscrita ao espaço luso-brasileiro ou, quando muito, luso-galaico-brasileiro), se deve falar, cada vez mais, de uma ‘razão lusófona’, senão mesmo de uma ‘filosofia lusófona’, porque aberta a todo o pensamento expresso em língua portuguesa, por muito que esse pensamento mais filosófico ainda não tenha realmente desabrochado em todo o espaço lusófono”.
Finalmente, integrámos ainda mais seis autores em plena actividade filosófica e que colaboram connosco na estruturação deste número da revista: Carlos Aurélio, Elísio Gala, João Luís Ferreira, Joaquim Domingues, Pedro Sinde e Rodrigo Sobral Cunha (para além de nós próprios). No seu conjunto, estes catorze ensaios traçam, a nosso ver, um caminho, um caminho amplo, e um horizonte, um horizonte plural. Num tempo em que parte da nossa classe política se questiona publicamente se há ou não uma cultura portuguesa, nada de mais pertinente do que reafirmar que há: uma cultura portuguesa e uma filosofia de língua portuguesa, como expressão maior da nossa língua e cultura. Para mais num volume ricamente ilustrado, em particular, por mediação de João Cruz Alves, pela obra do nosso pintor-filósofo Lima de Freitas. Ao responsável pela “curadoria imaginal de Lima de Freitas” e a todos aqueles que, directa ou indirectamente, tornaram este volume possível, expressamos aqui os nossos maiores agradecimentos – de modo particular a Helle Hartvig de Freitas, que expressamente autorizou o uso das pinturas de Lima de Freitas neste número da Revista.
Renato Epifânio