EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ainda sobre "A Via Lusófona"

Renato Epifânio, investigador e especialista na área da Cultura Portuguesa Contemporânea, tem-se afirmado na sociedade portuguesa como um dos grandes defensores da Lusofonia no plano teórico, mediante uma pertinente fundamentação, e no plano prático, através de uma relevante intervenção no Movimento Internacional Lusófono. A Lusofonia pode ser definida como o espaço geográfico dos afectos partilhados entre os povos e os países falantes da Língua Portuguesa que se reconhecem numa comum matriz cultural.
O destino de Portugal consiste, na sua percepção, na promoção da convergência lusófona no sentido de se assumir um novo horizonte e de servir de modelo para uma renovada estratégia da política externa portuguesa. Assim, o fundamento identitário desta estratégia é a ideia da Pátria Portuguesa como uma Comunidade ancorada na sua Cultura e na sua História, em particular nestes tempos intempestivos da Globalização desregrada. Neste sentido, o sentimento nacional de defesa das tradições culturais de uma Comunidade pode servir nesta conjuntura como resistência intrínseca à uniformização Globalizante e Europeísta, ao mesmo tempo que pode despertar a vontade de valorizar o Património Histórico do País.
Esta obra desvenda-nos que o Movimento Internacional Lusófono surgiu como resposta ao contexto, internacional e nacional, de crise de confiança nas relações internacionais e de insuficiente convergência lusófona implementada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Por esta razão, o Movimento Internacional Lusófono (MIL) tem como horizonte, a longo prazo, a criação de uma União Lusófona que seja parte da solução, e se constitua, mesmo, como um novo paradigma, para responder de forma cabal à egoísta Globalização e à predominante visão tecnocrática em que estamos mergulhados. Renato Epifânio explica-nos, com muita clarividência, que este organismo da sociedade civil se desenvolveu, precisamente, para dinamizar esta estratégia.
Neste seu livro[1] de profunda lucidez, fruto da reunião de textos publicados de forma avulsa nos blogues do “Milhafre” e da “Nova Águia”, apresenta-nos dois grandes vultos da Cultura Portuguesa, que em épocas diferentes viveram no Brasil, tendo estado na base da formação do sentimento lusófono, respectivamente: o Padre António Vieira, no século XVII, como precursor deste sentimento e o Filósofo Agostinho da Silva, no século XX, que se tornou no grande inspirador de um projecto institucional lusófono, do que veio a ser a CPLP. Deste modo, este pensador revelou ter um juízo equilibrado, ao compatibilizar uma percepção idealista com um forte sentido pragmático, que, inclusivamente, o levou a gizar a possibilidade de um dia se criar uma União Lusófona.
Para o MIL, a concepção Lusófona emergiu como a estratégia de internacionalização da Pátria Portuguesa, que se configurou como uma “terceira via”, visto que a via colonial se esgotou com o Estado Novo e a via Europeísta se afigura como exígua, embora continue relevante. Daí, o facto de, esta organização ter proposto já várias Petições em prol de um reforço da convergência lusófona dos países falantes da Língua Portuguesa. Deste modo, esta organização constitui-se como instrumento de pressão para o aprofundamento institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, porque, na opinião de Renato Epifânio, esta realidade tem de emergir da vontade da sociedade civil. Desta maneira, esta estratégia deve crescer da dinâmica espontânea da convergência lusófona que partindo do sentimento de afecto e de identificação de um património cultural comum dos países de expressão portuguesa se desenvolva na consubstanciação de uma renovada CPLP, rumo a uma futura e desejada União Lusófona pensada por Agostinho da Silva.
Por conseguinte, o espaço lusófono afirma-se como uma dimensão transnacional da Cultura Portuguesa que se cruzou e aculturou com os costumes e as tradições dos diversos países irmãos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) num forte sentimento de pertença a uma identidade comum. Esta revigorante estratégia, emanada deste profundo sentimento, articula-se com uma crítica da política internacional subjugada aos interesses económicos dos oligopólios, critério prevalecente na actual Globalização, surgindo como sugestão para este incontornável problema a sustentação de uma política fundada nos “caboucos” culturais e nas ideias solidárias que poderão garantir a coesão social de um país e de espaços transnacionais. Sem enraizar este fundamento, a crise nacional, que se intersecta com a crise europeia e a crise mundial, não será resolúvel, uma vez que o fenómeno individualista será preponderante. Por conseguinte, só o recurso à ideia de Pátria, moldada num mesmo destino histórico, que seja a expressão espiritual de uma Comunidade poderá consolidar os laços de uma identificação comum que facilite a entreajuda entre os cidadãos do espaço nacional e do espaço lusófono.
Assim, esta nova estratégia internacional, defendida pelo autor, para Portugal no século XXI, afigura-se como uma “terceira via estratégica” ao compatibilizar a convergência Lusófona com o ideal Europeísta, no absoluto respeito pela noção cultural de Pátria. Todavia, convém, na sua perspectiva, superar os preconceitos de alguns democratas contra o conceito de Patriotismo, porque, se é verdade que o Salazarismo se serviu da semântica histórica desta noção, não significa que o esvaziemos da sua actualidade simbólica. Com efeito, o Movimento Internacional Lusófono aparece-nos com uma visão política de síntese que conjuga estes caminhos de internacionalização do país, aparentemente, antagónicos.
Renato Epifânio, na qualidade de dirigente e porta-voz do Movimento Internacional Lusófono, procurou demonstrar, através deste livro, a coerência e a amplitude das posições assumidas por este Movimento no contexto da presente conjuntura internacional, caracterizada por uma crise múltipla que se manifesta a vários níveis e graus:
· A Crise Moral e Financeira do Estado-Providência dos países Ocidentais;
· A Crise do Sistema Partidocrático nacional que tem sido factor de crescente aprisionamento da liberdade de consciência dos políticos e dos cidadãos;
· A Crise Ética decorrente da desregrada Globalização, que tem potenciado os surtos de corrupção e de individualismo, “varrendo” vários países contribui para a desestruturação das Comunidades Patrióticas;
· A Crise das Democracias Europeias e dos Direitos Humanos devido à ineficácia operativa das estruturas supranacionais, designadamente da União Europeia e da Organização das Nações Unidas; etc.
Neste sentido, a via de convergência lusófona tem surgido a muitos cidadãos, militantes do Movimento Internacional Lusófono, como uma assertiva resposta sentimental e institucional para superar o impasse que tem pairado ao nível da construção Europeia, no início do século XXI, entre a escolha de uma estratégia comunitária ineficaz, dado o excessivo alargamento a que a União Europeia foi submetida, e as estratégias nacionalistas que irão favorecer as grandes potências Europeias (Alemanha e França).
O autor esclarece-nos que este Movimento tem proposto medidas concretas conducentes a uma convergência lusófona através de diversas Petições Públicas, designadamente das seguintes: 1. Criação de um Passaporte para uma futura Cidadania Lusófona; 2. Apoio ao Acordo Ortográfico; 3. Pressão a favor de um maior envolvimento da CPLP na Guiné-Bissau; 4. Criação de uma Força Militar Lusófona de Manutenção de Paz; 5. Campanha a favor da distribuição de livros, excedentários em Portugal, no espaço lusófono. Foi, ainda, proposta uma Petição, de âmbito político, favorável à legitimação institucional de candidaturas independentes à Assembleia da República.
Este inspirado livro de divulgação da estratégia lusófona, que parte de pressupostos históricos, filosóficos e culturais, fornece-nos um retrato fiel da acção desenvolvida pelo Movimento Internacional Lusófono, desde a sua criação até aos nossos dias, em benefício do reforço solidário entre os povos lusófonos.
Renato Epifânio termina as suas considerações em prol da convergência lusófona com a referência a duas relevantes iniciativas do Movimento Internacional Lusófono que têm concorrido para a sua maior visibilidade mediática: a atribuição do Prémio Personalidade Lusófona 2009 pelo MIL, na Academia das Ciências de Lisboa, ao Embaixador Lauro Moreira, pelo seu contributo para o aprofundamento institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e o apoio imediato à candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República pela sua independência partidária e pelo seu profundo conhecimento do espaço lusófono, como Presidente da Associação Médica Internacional, e pela sua intenção de valorizar esta estratégia nacional. É, pois, um livro de incontornável valor para quem deseja conhecer melhor os fundamentos teóricos e as propostas práticas do Movimento Internacional Lusófono num caminho de convergência dos laços afectivos e institucionais dos países integrantes da CPLP.

Nuno Sotto Mayor Ferrão


[1] Renato Epifânio, A Via Lusófona – Um Novo Horizonte para Portugal, Sintra, Edições Zéfiro, 2010.