EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

Para o 24º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 23

Capa da NOVA ÁGUIA 23

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 23

Tendo germinado em 2006, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, o MIL: Movimento Internacional Lusófono nasceu no início de 2008, aparecendo já expressamente referido no Manifesto da Nova Águia, nos seguintes termos: “O projecto Nova Águia não se esgota na revista assim designada, sendo uma das expressões de um movimento mais vasto de carácter cultural, cívico e pedagógico, o MIL: Movimento Internacional Lusófono, que pretende continuar o trabalho do movimento da Renascença Portuguesa, no início do século XX, agora a uma escala também lusófona (…)”.

Uma década depois, começamos por recordar alguns dos momentos mais marcantes desta caminhada – que, bem o sabemos, está ainda no início –, e algumas das nossas posições de princípio. Uma década depois, o MIL é decerto a maior instituição da sociedade civil no que se refere ao reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade. Sendo a Nova Águia uma das expressões maiores desse nosso horizonte.

Por isso, sem complexos, como sempre, continuamos a salientar as figuras maiores da cultura lusófona – em particular, aquelas que os nossos “media” mais estrangeirados continuam a desprezar. Dalila Pereira da Costa é um excelente exemplo disso: em 2018, assinalaram-se os cem anos do seu nascimento; que outra revista cultural em Portugal, a não ser a Nova Águia, assinalou devidamente esse centenário?... Por isso, voltamos à carga: depois de no número anterior lhe termos dado o destaque de capa, publicando dez ensaios sobre a sua obra, publicamos neste número mais meia dezena (e mais uma Carta): ensaios apresentados, em primeira mão, num Ciclo evocativo que promovemos, durante todo o ano passado, no Palacete Visconde de Balsemão, no Porto.

Em 2020, assinalam-se os cinquenta anos da morte de Almada Negreiros, outra figura singular da cultura lusófona – antecipando essa efeméride, publicamos neste número um ensaio de fôlego (e de fogo) de Elísio Gala. Depois, evocamos mais uma dúzia de figuras relevantes da nossa cultura e, em “outros voos”, publicamos uma dezena e meia de textos, sobre as mais diversas temáticas. Como tem sido hábito, também neste número publicamos textos inéditos de Agostinho da Silva e António Telmo. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma dezena de recensões de diversas obras publicadas recentemente. No início de uma nova década, a Nova Águia irá assim, com a descomplexada convicção de sempre, prosseguir o seu voo.

A Direcção da Nova Águia

Post Scriptum: Saudamos aqui o ingresso de mais três Vice-Directores da Nova Águia: Anna Galvão, Nuno Sotto Mayor Ferrão e Samuel Dimas. Nas suas respectivas áreas (Artes Plásticas, História e Filosofia), eles irão decerto reforçar este nosso voo cada vez mais partilhado.

Já na fase final da paginação deste número, recebemos a triste notícia do falecimento do nosso colaborador João Bigotte Chorão. Em sua Homenagem, publicaremos, no próximo número, alguns textos sobre a sua Obra, bem com a série completa das suas “Cartas sem resposta” (algumas delas já publicadas em números anteriores da NOVA ÁGUIA).

NOVA ÁGUIA Nº 23: ÍNDICE

Editorial…5

NOS 10 ANOS DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

DEZ POSIÇÕES DE PRINCÍPIO…8

ALMADA NEGREIROS, 50 ANOS DEPOIS

PORTUGAL: PÁTRIA, NAÇÃO E PARAÍSO | Elísio Gala…14

AINDA SOBRE DALILA

DALILA, UM SOPRO DE MISTÉRIO OU POESIA | Henrique Manuel Pereira…40

O DOURO DE DALILA PEREIRA DA COSTA: 20 000 ANOS DE IDENTIDADE E TRADIÇÃO | José Almeida…44

POESIA E SABEDORIA EM DALILA PEREIRA DA COSTA | José Carlos Seabra Pereira…48

ENTRE SERPENTE E IMACULADA: DALILA PEREIRA DA COSTA OU O BREVIÁRIO DOS INSTANTES DE UMA FILOSOFIA AUTOBIOGRÁFICA | Luísa Borges e Joaquim Pinto…50

DALILA LELLO PEREIRA DA COSTA: TRÊS INSTANTES DE UMA MÍSTICA (QUASE) DESCONHECIDA | Pedro Sinde…56

CARTA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | António Cândido Franco…60

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

ALBANO MARTINS | António José Borges…62

ANTÓNIO QUADROS | Renato Epifânio…63

CABRAL DE MONCADA | Pedro Velez…64

DAMIÃO DE GÓIS | Delmar Domingos de Carvalho…66

FERREIRA DEUSDADO | J. Pinharanda Gomes…68

FRANÇOIS GUIZOT | Ricardo Vélez Rodríguez…75

GASPAR DE QUEIROZ RIBEIRO | António José Queiroz…88

MANUEL ANTUNES E MIGUEL TORGA | José Lança-Coelho…92

MANUEL FERREIRA PATRÍCIO | Emanuel Oliveira Medeiros…93

ORTEGA Y GASSET | Joaquim Pinto e Luísa Borges…110

SAMPAIO BRUNO | José Carlos Casulo…116

VASCO GRAÇA MOURA | José Almeida…121

OUTROS VOOS

SOBRE A PAZ | Adriano Moreira…124

A GERAÇÃO “NÓS” NA CULTURA GALEGA | António Braz Teixeira…127

DA UTILIDADE DO INÚTIL, OU PORQUE SE DEVE ENSINAR FILOSOFIA NO ENSINO SECUNDÁRIO | Artur Manso…138

USOS E COSTUMES DE LISBOA E DO PORTUGAL DO SÉCULO XVIII − O RELATO DO VIAJANTE-PEREGRINO NICOLA ALBANI DE MELFI | Brunello Natale De Cusatis…144

O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO: CORPO, CARNE E ETERNIDADE | Carlos Aurélio…150

CORPO DANÇANTE E COMUNICAÇÃO: UM OLHAR CONTEMPORÂNEO A PARTIR DO GRUPO DE DANÇA CABO-VERDIANA RAIZ DI POLON | Elter Manuel Carlos…158

SITUAÇÃO DO KRAUSISMO NA CULTURA PORTUGUESA | Joaquim Domingues…169

A RENASCENÇA PORTUGUESA E A GRANDE GUERRA: O NÚMERO ESPECIAL DE A ÁGUIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NO CONFLITO MUNDIAL | José Carlos Casulo…173

A ROBOTIZAÇÃO DO MUNDO: O FUTURO DA HUMANIDADE E A UTOPIA DA CONSTRUÇÃO DE UMA ARISTOCRACIA GLOBAL | José Eduardo Franco e Vítor Silva…185

OLHARES SOBRE MOISÉS E A RELIGIÃO | José Maurício de Carvalho, Thais Caroline Reis de Ávila e Wallace Félix Cabral Silva…191

APONTAMENTOS SOBRE “O POBRE TOLO” E “O POBRE LOUCO” | Luís de Barreiros Tavares…198

EQUADOR À LUZ DE OS MAIAS: UMA LEITURA DIALÓGICA | Paula Oleiro…203

“ANTES TEOR QUE TEOREMA”: DO AMOR PELA SABEDORIA À SABEDORIA DO AMOR | Pedro Vistas…208

OITO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…219

AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…225

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…240

CINCO ESCRITOS INÉDITOS | António Telmo…242

BIBLIÁGUIO

OBRAS PUBLICADAS EM 2018 | Renato Epifânio…246

SOBRE A SAUDADE: V COLÓQUIO LUSO-GALAICO | Miguel Ángel Martínez Quintanar…247

O MUNDO ÀS AVESSAS: O MANICÓMIO CONTEMPORÂNEO | Pedro Vistas…251

A SUBJETIVIDADE NOS LIMITES DA RAZÃO, ENSAIOS DE ESTÉTICA | Samuel Dimas…255

ÉTICA RELACIONAL: UM CAMINHO DE SABEDORIA & SIDONIO PAES: HERÓI E MÁRTIR DA REPÚBLICA | José Almeida…258

FULGORES DE FÁTIMA | Joaquim Domingues…260

PORTUGAL CATÓLICO | Manuel Curado…262

O TRATADO DE VERSIFICAÇÃO PORTUGUESA | Júlio Amorim de Carvalho…269

RAÍZES DE PESSOA NA GALIZA | Maria Dovigo…273

A CIDADE VIRTUOSA | Maria Leonor Xavier…275

POEMÁGUIO

ISRAEL | Jesus Carlos…38

O ESPLENDOR DA VERDADE | Joel Henriques…39

INTRODUÇÃO À ETERNIDADE | António José Borges…122

ANTECEDAM OS CENSOS | Jaime Otelo…123

(À ANA); “OLHA, DAISY” ; EU NÃO ESQUEÇO ; (PARA A MYRIAM) | Manoel Tavares Rodrigues-Leal …237

FILHO; AURIGA | Luísa Borges…239

ARLEQUIM | António José Queiroz…245

SIDÓNIO | Renato Epifânio…245

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

2. Parágrafos agostinianos de pensamento político em "Ir à Índia sem abandonar Portugal"

Página 40
"Como essa coisa da Galiza. Como é? Separados ainda pelo rio Minho? Como é isso? Para mim não tem importância nenhuma estar separado ou não estar separado, porque estamos separados de outros lugares por coisas mais importantes do que o rio Minho, pelo Atlântico ou pelo Pacífico. (...) Não vamos agora querer que a Galiza pertença a Portugal ou que Portugal pertença à Galiza; vamos entender que há uma cultura galega como há uma cultura do Minho, como há uma cultura do Algarve, vamos mas é entender as culturas peninsulares."

Não se trata portanto de uma simplista defesa da reintegração da Galiza num Portugal onde ela afinal nunca pertenceu, nem sequer nos alvores da Fundação da nacionalidade. Agostinho da Silva não defende também a secessão da região portuguesa a norte do rio Douro e a sua adesão à Galiza, antecedendo a sua saída da Espanha e a formação de uma "Portugaliza" nortenha, como advogam alguns "reintegracionistas" do norte de Portugal ou da Galiza. Em vez de um redesenho das simples fronteiras administrativas e políticas de Portugal e de Espanha, Agostinho defende uma separação da Espanha nas suas múltiplas partes, ou "Culturas", recentrando nas periferias regionais aquilo que o centralismo de Castela quis aglutinar em torno de Madrid.

Se houver um ressurgimento da tradição pré-romana de independência, liberdade e autonomia local, de, enfim uma época em que cada cidade era essencialmente independente, formando coligações e alianças ao sabor das necessidades e conveniências, então encontramos aquele modelo de "federação livre de municípios" que o Professor defende noutra sua obra. Não estamos assim perante uma simples proposta de fragmentação de Espanha, mas perante uma inovadora divisão não somente de Espanha, mas também de Portugal pelas suas regiões, e dentro destas, de uma subdivisão pelos seus municípios. A rede multiforme de entidades semi-independentes quebraria não somente as tendências centralistas de Madrid mas também a atual forma unificada assumida pelo Estado português. Segundo esta visão - extrapolada a partir da de Agostinho - as regiões da Ibéria seriam mais importantes do que as divisões estatais atuais, em Espanha e Portugal. As energias anímicas das regiões peninsulares trariam mais dinamismo e liberdade criadora às novas entidades sub-estatais que nasceriam deste regresso ao Local, recuando a partir desta obsessão doentia pelo Global que os grandes interesses económicos e financeiros nos procuram impor sobre as mais variadas formas, mas recorrendo sempre e sem pudor a um domínio cada vez mais completo de todos os meios de comunicação.

O recuo desde as posições nacionalistas até a posições regionalistas e destas, em sucessão, para o municipalismo aplacaria as tensões que surgiriam naturalmente dos dois lados da fronteira, isto porque não teria mais importância a defesa de fronteiras obsoletas, mas os interesses que ao fim ao cabo são aqueles que interessam sobretudo a todos: os interesses locais. Pelo recentramento na escala administrativa e política mais fundamental, mais próximo dos eleitores e possibilitando um contato direto entre estes e eleitos, este recentramento municipalista da democracia e da autonomia administrativa iria - sem abolir os Estados atuais - possibilitar a pacifica erupção de uma natural re-aproximação de galegos com portugueses, unidos pela língua e cultura, mas separados pelas fronteiras políticas e pelas agruras e erros da História.

Página 41
"A bela colcha de retalhos que é a Península. E vamos insistir nisto: a Galiza tem de ser independente da Península e uma pedra no seu mosaico. Como tem de ser a Catalunha, como tem de ser o Algarve, como têm de ser os Açores ou as Canárias, exatamente isso. E vamos ver se isto não será um bom xarope, um bom tónico, para a Europa tomar e se deixar das besteiras em que anda. Vamos ver como é isso da entrada de Portugal na CEE. Se é um bebé que se vai acolher nas mãos de uma ama ou se é, pelo contrário, alguém, a Península, que vai dizer à Europa como é que ela se tem de humanizar. Como é que, estragada porque andou toda a vida pensando em computador, vai parar essa história e vai voltar atrás para retomar do humano tudo aquilo que perdeu em função da eficiência e do êxito."

A caminhada encetada pela Europa a partir de Maastricht é clara e aponta para um nítido federalismo onde as necessidades locais são vencidas pelos interesses de "maiorias" nem sempre nítidas e democráticas. Este percurso estritamente utilitarista e economicista está na base desta falta de espírito ou alma europeia que se constata pela Europa fora. As nações que não fazem ainda parte da União Europeia, mas que querem entrar, anseiam não por fazer parte dela, mas pelos seus fundos estruturais. A multiplicidade europeia, que podia ser uma das forças da União Europeia é prova cabal da falta de solidez do edifício europeu: em vez de assumir a necessidade de forjar uma transnacionalidade europeia num continente sempre dilacerado por conflitos nacionalistas, a eurocracia desenraízada de Bruxelas, procurou utilizar os fundos e auxílios estruturais para colmatar essa lacuna anímica e assim "comprar" a adesão a uma coisa europeia que ao fim de cinquenta anos permanece ainda desalmada. Em resultado, encontramo-nos perante um fragilíssimo edifício, mantido num grau mínimo de coesão apenas por um frouxo e financeiro feixe de interesses e não pelo essencial sentimento de comunhão que une os povos no seio das Nações. Enquanto não se puder falar de alma europeia, não haverá "nacionalismo europeu", e sem este as longas e nunca plenamente resolvidas causas e memorais dos longos conflitos entre os Estados do continente serão sempre mais fortes do que qualquer burocrática e economicista "União Europeia".

6 comentários:

Renato Epifânio disse...

Bom, a Galiza merece mais do que um simples comentário. "Comentarei" acima...

Paulo Borges disse...

Agostinho, que não foi um político no sentido partidário, mas um pensador da política e um inspirador/operador de movimentos de ideias e acções a partir da sua vida, apontava em última instância para a dissolução dos estados nacionais nos povos, nas culturas locais e nas suas relações naturais e internas... Ou seja, para um regresso às comunidades primordiais. O que ele valoriza na história e na cultura portuguesa e lusófona é fundamentalmente a memória e o desejo disso, a memória-desejo, a saudade, não de um outro mundo, mas de um mundo-outro: isso onde já vivia.

Hoje torna-se cada vez mais difícil prospectivar o que aí vem, e até perceber o que já aí está, sobretudo se permanecermos reféns da lógica dos nossos medos e expectativas. Somos aqueles a quem é dado viver a ruína de um mundo. A semente do que germinará desta fecunda podridão, deste riquíssimo húmus, porventura já nos cai das mãos, sem sabermos do que seja. Somos os que não sabemos, seres de fim e início, de fim-início, crepusculares. Somos a própria semente, o poder-ser que se desconhece. Arrisco sermos também os que, para seu bem, não verão irromper o que desejam e esperam. Nunca a vida nem a história obedeceu à vontade dos homens, que sempre encontrou o contrário do que pretendia. Felizmente, afinal de contas. De todas as dolorosíssimas contas.

Clavis disse...

Paulo:
Agostinho não foi nunca um político, nunca se filiou num partido, nem sequer votava fixamente num dado partido, ouvindo o que cada um tinha para dizer e depois votando onde lhe parecia melhor (Conversas Vadias).
Mas foi de facto um "inspirador de movimentos" e sobretudo um perscutador do futuro, capaz de antever a partir do exemplo do passado, os caminhos para os tempos vindouros.
O "mundo-outro" sonhado por AS cumpria-se primeiro pela transformação (diria alquímica) do próprio indivíduo e depois, daí, extravasando para o mundo.
A mudança interior era política, porque pretendia alterar o estado e o equilibrio do mundo, e porque não terminava estérilmente no ego, mas extravasa deste.

Paulo Borges disse...

Creio que não disse o contrário. Apenas noto que a mudança interior que Agostinho propõe não pode jamais terminar esterilmente no ego, pois não deixa lugar a qualquer forma de ego. Essa é a raiz de toda a revolução possível, também a nível político. Diria mesmo que isso, só por si, já é político: a micro-política é a fonte da macro-política. Esse é porventura um dos novos paradigmas que emerge deste caosmos em que nos encontramos.

Num outro sentido, todavia, o pensamento de Agostinho aponta para uma ruptura com o ciclo político da nossa civilização, marcado pela ascensão da burguesia urbana e iniciado na Grécia antiga. Como o seu nome indica, e como deu azo a algumas brincadeiras, Agostinho da Silva foi também Agostinho da Selva, apontando para o descentramento da vida social em relação à cultura citadina, resultante da ruptura com a natureza que via como a origem dramática do processo histórico-civilizacional e do atormentado regime de consciência marcado pela cisão sujeito-objecto.

Clavis disse...

"Apenas noto que a mudança interior que Agostinho propõe não pode jamais terminar esterilmente no ego, pois não deixa lugar a qualquer forma de ego."
-> Quando digo que pode, refiro-me à famosa retirada do mundo que era (e é) defendida por tantas religiões por esse mundo e História fora. De nada serve a nós e ao mundo se nos tornarmos homens melhores e se nos formos a correr enfiarmo-nos dentro de uma barrica ou se nos refugiarmos no pico de uma coluna (como sabes, havia ambas as correntes nos alvores do cristianismo... :-) )

"Essa é a raiz de toda a revolução possível, também a nível político. Diria mesmo que isso, só por si, já é político: a micro-política é a fonte da macro-política. Esse é porventura um dos novos paradigmas que emerge deste caosmos em que nos encontramos."
-> Exato, veja-se como a falta de moral ética e politica da classe política atual produz os casos que hoje nos chocam: conivências económicas, cargos políticos cruzados, nepotismos diversos, etc.
-> E a melhor micropolítica é sempre aquela que se faz junto das pessoas, não em instiituições longíquas e ademocráticas, como as da UE... Por isso defendo tanto a descentralização municipalista.

"Num outro sentido, todavia, o pensamento de Agostinho aponta para uma ruptura com o ciclo político da nossa civilização, marcado pela ascensão da burguesia urbana e iniciado na Grécia antiga. Como o seu nome indica, e como deu azo a algumas brincadeiras, Agostinho da Silva foi também Agostinho da Selva,"
-> Não conhecia esse jogo de palavras... Adequado, ao desejo agostiniano de regresso a uma idade de ouro (que ele localizava em Portugal no reinado de D. Dinis)

" apontando para o descentramento da vida social em relação à cultura citadina, resultante da ruptura com a natureza que via como a origem dramática do processo histórico-civilizacional e do atormentado regime de consciência marcado pela cisão sujeito-objecto."
-> Um bucolismo que não significa aversão à técnica... já que discorria abundamentemente sobre Física, deu aulas de ciência no Brasil e tinha uma visão eminentemente prática do Ensino.

Paulo Borges disse...

Caro Clavis, de acordo com os teus comentários, exceptuando uma precisão: há que compreender melhor a chamada "retirada do mundo", pois uma simples modificação de uma consciência individual humana, um simples pensamento ou emoção, sobretudo se intenso e concentrado, afecta para bem ou mal todo o universo e pode ser o bater de asas da borboleta que, associado a outras causas e condições, provoca um furacão do outro lado do mundo ou do universo. A ciência começa apenas a dar os primeiros passos no reconhecimento das potencialidades infinitas da mente, já conhecidas experimentalmente desde há milénios pelos homens, de todas as religiões e irreligiões, que se retiraram do mundo para se consagrarem integralmente ao auto-conhecimento e a beneficiarem, oculta e anonimamente, todos os seres. Segundo várias tradições, este mundo ainda não se desintegrou ou tombou de todo no caos porque nele existem ainda meia-dúzia de homens assim, completamente retirados do mundo e/ou das preocupações mundanas. Nós próprios não sabemos de onde vem a inspiração mais profunda e a orientação mais benéfica dos nossos melhores pensamentos, palavras e acções. Agostinho conhecia estas coisas e por isso, se exteriormente foi um homem no mundo, interiormente nunca foi deste mundo. Sem experiência espiritual, a acção degrada-se em mera agitação exterior, que só aumenta a turvação das já turvas águas conceptuais e emocionais das nossas mentes, que só aumenta a nossa confusão e tormento. Que interessa que haja MIL, que Portugal se afirme e a União Lusófona seja uma realidade se continuarmos todos a ser os mesmos infelizes e ignorantes de sempre, vivendo e morrendo à margem das nosas superiores possibilidades? Agora, se o MIL, Portugal e a União Lusófona forem veículo de uma alternativa ético-espiritual já tudo é bem diferente... Confesso, todavia, que para isso é preciso um trabalho interior para o qual não vejo muita gente disponível... Quando falava de micropolítica como fonte da macropolítica, era fundamentalmente isto que referia: o bom governo de si por si mesmo, a instauração da justiça na polis interior, o regresso à sabedoria intemporal que preside ainda à "República" platónica. Sem isso, com ou sem o MIL, Portugal e a União Lusófona, o mundo continuará a ser o que sempre foi: imundo. E para isso pode ser fundamental retirar-se do mundo, exterior ou interiormente.