EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra e Dalila Pereira da Costa- Razão e Espiritualidade.

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Em Janeiro de 1912, Teixeira de Pascoaes escrevia: “Neste momento genesíaco e caótico da nossa Pátria, é necessário que todas as forças reconstrutivas se organizem e trabalhem, para que ela atinja rapidamente a sonhada e desejada harmonia.”. Segundo Raul Proença, importava “dar uma alma nova à nossa nacionalidade, despertar a acção e vida nesta existência e modorra”.
Decorridos 100 anos sobre a génese da Renascença Portuguesa, que um dia Jaime Cortesão havia sonhado, com o propósito “de fundar uma Associação dos artistas e dos intelectuais portugueses, com o fim principal de exercer a sua acção isenta de facciosismos políticos”, uma “acção social orientadora educativa”, o seu legado está ainda por se cumprir.
Tendo sido criada para dar uma orientação maior, superior, à República, esta, infelizmente, preferiu seguir outros caminhos, mais imediatos, com os resultados que se conhecem. Por isso, ficou a promessa da Renascença Portuguesa parcialmente adiada, não obstante todas as sementes que então se lançaram à terra e alguns frutos que, na época, ainda foi possível colher: falamos, em particular, das Universidades Populares e da ainda hoje impressionante série de edições, que visavam promover uma elevação cultural e cívica de todo o povo português.
Na altura, a Renascença Portuguesa foi, de facto, o mais marcante movimento cultural e cívico, que agregou as mais insignes personalidades da época, sendo, ao mesmo tempo, a voz de uma nova geração que emergia e se afirmava. Se o seu legado não se cumpriu plenamente, o seu exemplo de dedicação à comunidade pátria persiste por inteiro ainda hoje, para que as gerações de hoje cumpram esse legado, essa tarefa.
Por tudo isso, a NOVA ÁGUIA evoca, neste número, os 100 anos da Renascença Portuguesa. Se há 100 anos importava fazer renascer Portugal, quem não dirá o mesmo hoje? Se Portugal há 100 anos parecia morto, quem, hoje, dirá o contrário? Ao evocarmos os 100 anos da Renascença Portuguesa, evocamos pois uma memória viva, de tal modo que quisemos aqui, neste número, olhar sobretudo para a futuro, para a frente. Daí a questão que colocámos: como será Portugal daqui a 100 anos? Decerto, um desafio ousado, mas quisemos sobretudo abrir Horizontes, porque sem Horizontes não há caminho que valha.
*
Constituindo, essa, a secção principal, houve espaço, como sempre tem acontecido, para outras temáticas. Assim, para além de textos ainda sobre Álvaro Ribeiro (autor destacado no número anterior), publicamos, neste número da NOVA ÁGUIA, textos sobre outras figuras, nomeadamente sobre algumas personalidades mais ligadas à Renascença Portuguesa: falamos, entre outros, de Sampaio Bruno, Guerra Junqueiro e Jaime Cortesão.
Como sempre, houve também lugar para outros voos – nomeadamente, até à Galiza (“Ernesto Guerra da Cal, Mestre da Nova Galeguidade. Notas para um Centenário”), ao Brasil (“Sílvio Romero: O Elemento Português no Brasil”), a Timor-Leste (“A Lusofonia em Timor-Leste – Além da mera sobrevivência da Língua Portuguesa”) e a Cabo Verde.
A respeito da Mátria de Cesária Évora – cuja memória aqui sentidamente evocamos –, publicamos, de resto, três textos: de António Braz Teixeira (“A Saudade na Poesia da Claridade”), de Elter Manuel Carlos (“A singularidade da leitura do olhar cabo-verdiano”) e de Adriano Moreira – falamos do Discurso que proferiu, recentemente, ao aceitar o título de Doutoramento Honoris Causa por parte da Universidade do Mindelo: “Uma Meditação sobre a Universidade”.
Depois de já termos publicado três números sobre personalidades ligadas à Renascença Portuguesa – Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (para além do número que dedicámos aos “100 anos d’A Águia”) –, o mesmo acontecerá, de novo, já no próximo número, cujo tema maior será: “Leonardo Coimbra – Razão e Espiritualidade: nos 100 anos d’O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)”. Uma vez mais, um grande número da NOVA ÁGUIA em perspectiva.

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA: COMO SERÁ PORTUGAL DAQUI A 100 ANOS?
Maria Luísa de Castro Soares, NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…8
Manuel Ferreira Patrício, NOS PRÓXIMOS 100 ANOS, A CPLP SERÁ OU PORTUGAL NÃO SERÁ…14
Pedro Cipriano, ENSAIO SOBRE O FUTURO DE PORTUGAL, DO SEU POVO E DA SUA CULTURA…15
Renato Epifânio, DIÁRIO DA NOVA ÁGUIA: 1 DE JANEIRO DE 2112…24
Rui Martins, DAQUI A CEM ANOS…28
Rui Tinoco, PELO MAR E PELA NET…30
António Cândido Franco, DA RENASCENÇA PORTUGUESA AO REGRESSO AO PARAÍSO…32
António Carlos Carvalho, UM RESTO DE PORTUGAL…35
Bruno Gonçalves Bernardes, O FOSSO CONSCIENTE…37
Carlos Aurélio, A CRISE E O ENGENHO…39
Clara Tavares, PORTUGAL: PONTE ENTRE O PASSADO E O FUTURO…47
Elisabete Correia Campos Francisco, COMO PENSAR O PORTUGAL DE AMANHÃ?...49
Gabriela Lança, A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL NO ANO 2112…53
João Franco, PORTUGAL AINDA EXISTIRÁ NO SÉCULO XXII?...55
Joaquim Domingues, PREVISÃO E PROFECIA…58
Lúcia Helena Alves de Sá, A HISTORIAR O PORVIR DE PORTUGAL…60
Manuel Abranches de Soveral, OH MAR SALGADO…62
Miguel Real, FEIRA DO LIVRO DE 2112…65
Sérgio Luís de Carvalho, PORTUGAL, 2112…67
J. Pinharanda Gomes, ANTEVISÃO…70
AINDA SOBRE ÁLVARO RIBEIRO
António Quadros Ferro, “O QUE O 57 NÃO DISSE”…72
Renato Epifânio, HORIZONTE E CAMINHO(S) DA FILOSOFIA…74
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…77
OUTROS AUTORES: DE JOÃO DE DEUS A MARIA ZAMBRANO
Manuel Ferreira Patrício, APONTAMENTOS SOBRE JOÃO DE DEUS PEDAGOGO…98
Joaquim Domingues, JUNQUEIRO E BRUNO: AS DUAS COLUNAS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…100
Rodrigo Sobral Cunha, SAUDAÇÃO RÍTMICA NA OBRA DE CARLOS QUEIROZ (INCLUI “EPÍSTOLA AOS VINDOUROS” E “PAISAGEM”)…109
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A RENASCENÇA PORTUGUESA E O PERCURSO POLÍTICO E HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO…138
José Lança-Coelho, TRÊS CENTENÁRIOS DA LITERATURA PORTUGUESA: FONSECA, REDOL E FIALHO (1911-2011)…145
Maria Seoane Dovigo, ERNESTO GUERRA DA CAL, MESTRE DA NOVA GALEGUIDADE. NOTAS PARA UM CENTENÁRIO…149
José Maurício de Carvalho, A PROBLEMÁTICA ÉTICA EM EL ESPECTADOR DE ORTEGA Y GASSET…152
Mª Aránzazu Serantes, JOSÉ ORTEGA Y GASSET Y MARÍA ZAMBRANO: A CONFESIÓN NA SAUDADE COMO EXPRESIÓN DA IDENTIDADE…160
OUTROS VOOS
António Braz Teixeira, A SAUDADE NA POESIA DA “CLARIDADE”…164
António José Borges, A LUSOFONIA EM TIMOR-LESTE – ALÉM DA MERA SOBREVIVÊNCIA DA LÍNGUA PORTUGUESA…168
Carlos Carreira, A ALMA PORTUGUESA E O CHEIRO DA CASA DOS MEUS AVÓS…173
Elter Manuel Carlos, A SINGULARIDADE DA LEITURA DO OLHAR CABO-VERDIANO…183
Joaquim Miguel Patrício, SÍLVIO ROMERO: O ELEMENTO PORTUGUÊS NO BRASIL…190
Maria Seoane Dovigo, DE UTOPIAS E UCRONIAS: A DEMANDA DA GALIZA E A PROFECIA DO HOMEM LIVRE…193
Maria João Coutinho, ONDE A PALAVRA É MÚSICA E DANÇA…196
Maria Leonor L. O. Xavier, A FILOSOFIA ENTRE AS HUMANIDADES…201
Paulo Santos, REFLEXÃO INVOCATIVA DO LEGADO DE ANTÓNIO TELMO…206
J. Pinharanda Gomes, APOLOGIA DA GRAMÁTICA ELEMENTAR…208
Adriano Moreira, DISCURSO DE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA NA UNIVERSIDADE DO MINDELO – CABO VERDE…215
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…220
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…222
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…223
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…227
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…230
BIBLIÁGUIO
ENTRE FILOSOFIA E LITERATURA, por Maria Luísa Malato Borralho…232
O SEGREDO DE GRÃO VASCO, por António Carlos Carvalho…239
A FILOSOFIA JURÍDICA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, por José Esteves Pereira…240
MIGUEL REALE: ÉTICA E FILOSOFIA DO DIREITO, por Antônio Paim…242
MENSAIGE, por Fernando de Castro Branco…243
A MINHA SALA DE AULA É UMA TRINCHEIRA, por Sérgio Quaresma…244
EXTREVOO
Rémi Boyer, METAFÍSICA & INICIAÇÃO…248
POEMÁGUIO
Samuel Dimas, SAUDADE DO PARAÍSO CELESTIAL…6
João Carlos Raposo Nunes, NA GUARIDA DE SEBASTIÃO DA GAMA…6
Renato Epifânio, PASCOAES…7
Catarina Inverno, PORTUGAL…66
Eduardo Aroso, AQUI ME TENHO, ASSIM ME QUERO…71
Manuel Neto dos Santos, LUÍS DE GÔNGORA, NACIONAL…96
Teresa Dugos, CHUVA; DA ESPERA; AURORA…151
Joaquim Carvalho, PORTUGALICIA…161
Henrique Madeira, RENASCENÇA…182
Maria Leonor Xavier, A FACE MAIS TERNA...189
Delmar Maia Gonçalves, VIDA E MORTE…189
António José Borges, BARBAROSSA INDELÉVEL SUCUMBIRÁ…192
Marco Aurélio, SUPRA-CAMÕES…195
Carlos Carranca, AGORA…200
Maria Filomena Xavier, À PROCURA DA CORDA FINAL…200
Carlos Gonçalves, DESPOSAMENTO…219
Giancarlo de Aguiar, CARAVELAS DE NUVENS…219
Jesus Carlos, GUINÉ…229
António Simões, DITOSO SEJA; QUANDO O SOL…231
Maurícia Teles da Silva, O RIO DA SAUDADE...258
Sam Cyrous, SE O FÊNIX TIVESSE UM LAR…259
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 9: LANÇAMENTOS

22.02.12 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
24.02.12 - 17h00: Sociedade de Geografia (Lisboa)
24.03.12 - 18h00: Sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono
30.03.12 - 14h30: Espaço Ideias (Bairro da Madre de Deus, Lisboa)
31.03.12 - 14h30: Biblioteca Municipal de Sesimbra
03.04.12 - 21h00: Universidade Sénior de Rotary (Chaves)
04.04.12 - 18h00: Biblioteca Municipal da Régua
14.04.12 - 17h00: Caixa de Crédito Agrícola (Messines)
17.04.12 - 11h45: Escola Secundária José Gomes Ferreira (Lisboa)
17.04.12 - 16h00: Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
19.04.12 - 16h00: Universidade de Santiago (Cabo Verde)
25.04.12 - 14h30: Casa Luso-Angolana (Porto)
25.04.12 - 18h00: Feira do Livro de Marco de Canaveses
28.04.12 - 20h30: Fundação Vicente Risco (Allariz, Galiza)
29.04.12 - 17h00: Pátio da ex-Escola Grande (Praia, Cabo Verde)
07.05.12 - 15h30: Delegação de Turim da SHIP
12.05.12 - 17h30: Centro Cultural de Moscavide
12.05.12 - 20h00: Feira do Livro de Lisboa (Auditório)
18.05.12 - 17h30: Universidade dos Açores
20.05.12 - 21h30: Doris Bar (Ponta Delgada)
22.05.12 - 17h30: Teatro Café (Ponta Delgada)
23.05.12 - 18h30: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
25.05.12 - 21h30: Restaurante Isabel’s (Lisboa)
02.06.12 - 18h30: Feira do Livro de Coimbra

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

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O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Ainda sobre "A Via Lusófona"

Renato Epifânio, investigador e especialista na área da Cultura Portuguesa Contemporânea, tem-se afirmado na sociedade portuguesa como um dos grandes defensores da Lusofonia no plano teórico, mediante uma pertinente fundamentação, e no plano prático, através de uma relevante intervenção no Movimento Internacional Lusófono. A Lusofonia pode ser definida como o espaço geográfico dos afectos partilhados entre os povos e os países falantes da Língua Portuguesa que se reconhecem numa comum matriz cultural.
O destino de Portugal consiste, na sua percepção, na promoção da convergência lusófona no sentido de se assumir um novo horizonte e de servir de modelo para uma renovada estratégia da política externa portuguesa. Assim, o fundamento identitário desta estratégia é a ideia da Pátria Portuguesa como uma Comunidade ancorada na sua Cultura e na sua História, em particular nestes tempos intempestivos da Globalização desregrada. Neste sentido, o sentimento nacional de defesa das tradições culturais de uma Comunidade pode servir nesta conjuntura como resistência intrínseca à uniformização Globalizante e Europeísta, ao mesmo tempo que pode despertar a vontade de valorizar o Património Histórico do País.
Esta obra desvenda-nos que o Movimento Internacional Lusófono surgiu como resposta ao contexto, internacional e nacional, de crise de confiança nas relações internacionais e de insuficiente convergência lusófona implementada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Por esta razão, o Movimento Internacional Lusófono (MIL) tem como horizonte, a longo prazo, a criação de uma União Lusófona que seja parte da solução, e se constitua, mesmo, como um novo paradigma, para responder de forma cabal à egoísta Globalização e à predominante visão tecnocrática em que estamos mergulhados. Renato Epifânio explica-nos, com muita clarividência, que este organismo da sociedade civil se desenvolveu, precisamente, para dinamizar esta estratégia.
Neste seu livro[1] de profunda lucidez, fruto da reunião de textos publicados de forma avulsa nos blogues do “Milhafre” e da “Nova Águia”, apresenta-nos dois grandes vultos da Cultura Portuguesa, que em épocas diferentes viveram no Brasil, tendo estado na base da formação do sentimento lusófono, respectivamente: o Padre António Vieira, no século XVII, como precursor deste sentimento e o Filósofo Agostinho da Silva, no século XX, que se tornou no grande inspirador de um projecto institucional lusófono, do que veio a ser a CPLP. Deste modo, este pensador revelou ter um juízo equilibrado, ao compatibilizar uma percepção idealista com um forte sentido pragmático, que, inclusivamente, o levou a gizar a possibilidade de um dia se criar uma União Lusófona.
Para o MIL, a concepção Lusófona emergiu como a estratégia de internacionalização da Pátria Portuguesa, que se configurou como uma “terceira via”, visto que a via colonial se esgotou com o Estado Novo e a via Europeísta se afigura como exígua, embora continue relevante. Daí, o facto de, esta organização ter proposto já várias Petições em prol de um reforço da convergência lusófona dos países falantes da Língua Portuguesa. Deste modo, esta organização constitui-se como instrumento de pressão para o aprofundamento institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, porque, na opinião de Renato Epifânio, esta realidade tem de emergir da vontade da sociedade civil. Desta maneira, esta estratégia deve crescer da dinâmica espontânea da convergência lusófona que partindo do sentimento de afecto e de identificação de um património cultural comum dos países de expressão portuguesa se desenvolva na consubstanciação de uma renovada CPLP, rumo a uma futura e desejada União Lusófona pensada por Agostinho da Silva.
Por conseguinte, o espaço lusófono afirma-se como uma dimensão transnacional da Cultura Portuguesa que se cruzou e aculturou com os costumes e as tradições dos diversos países irmãos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) num forte sentimento de pertença a uma identidade comum. Esta revigorante estratégia, emanada deste profundo sentimento, articula-se com uma crítica da política internacional subjugada aos interesses económicos dos oligopólios, critério prevalecente na actual Globalização, surgindo como sugestão para este incontornável problema a sustentação de uma política fundada nos “caboucos” culturais e nas ideias solidárias que poderão garantir a coesão social de um país e de espaços transnacionais. Sem enraizar este fundamento, a crise nacional, que se intersecta com a crise europeia e a crise mundial, não será resolúvel, uma vez que o fenómeno individualista será preponderante. Por conseguinte, só o recurso à ideia de Pátria, moldada num mesmo destino histórico, que seja a expressão espiritual de uma Comunidade poderá consolidar os laços de uma identificação comum que facilite a entreajuda entre os cidadãos do espaço nacional e do espaço lusófono.
Assim, esta nova estratégia internacional, defendida pelo autor, para Portugal no século XXI, afigura-se como uma “terceira via estratégica” ao compatibilizar a convergência Lusófona com o ideal Europeísta, no absoluto respeito pela noção cultural de Pátria. Todavia, convém, na sua perspectiva, superar os preconceitos de alguns democratas contra o conceito de Patriotismo, porque, se é verdade que o Salazarismo se serviu da semântica histórica desta noção, não significa que o esvaziemos da sua actualidade simbólica. Com efeito, o Movimento Internacional Lusófono aparece-nos com uma visão política de síntese que conjuga estes caminhos de internacionalização do país, aparentemente, antagónicos.
Renato Epifânio, na qualidade de dirigente e porta-voz do Movimento Internacional Lusófono, procurou demonstrar, através deste livro, a coerência e a amplitude das posições assumidas por este Movimento no contexto da presente conjuntura internacional, caracterizada por uma crise múltipla que se manifesta a vários níveis e graus:
· A Crise Moral e Financeira do Estado-Providência dos países Ocidentais;
· A Crise do Sistema Partidocrático nacional que tem sido factor de crescente aprisionamento da liberdade de consciência dos políticos e dos cidadãos;
· A Crise Ética decorrente da desregrada Globalização, que tem potenciado os surtos de corrupção e de individualismo, “varrendo” vários países contribui para a desestruturação das Comunidades Patrióticas;
· A Crise das Democracias Europeias e dos Direitos Humanos devido à ineficácia operativa das estruturas supranacionais, designadamente da União Europeia e da Organização das Nações Unidas; etc.
Neste sentido, a via de convergência lusófona tem surgido a muitos cidadãos, militantes do Movimento Internacional Lusófono, como uma assertiva resposta sentimental e institucional para superar o impasse que tem pairado ao nível da construção Europeia, no início do século XXI, entre a escolha de uma estratégia comunitária ineficaz, dado o excessivo alargamento a que a União Europeia foi submetida, e as estratégias nacionalistas que irão favorecer as grandes potências Europeias (Alemanha e França).
O autor esclarece-nos que este Movimento tem proposto medidas concretas conducentes a uma convergência lusófona através de diversas Petições Públicas, designadamente das seguintes: 1. Criação de um Passaporte para uma futura Cidadania Lusófona; 2. Apoio ao Acordo Ortográfico; 3. Pressão a favor de um maior envolvimento da CPLP na Guiné-Bissau; 4. Criação de uma Força Militar Lusófona de Manutenção de Paz; 5. Campanha a favor da distribuição de livros, excedentários em Portugal, no espaço lusófono. Foi, ainda, proposta uma Petição, de âmbito político, favorável à legitimação institucional de candidaturas independentes à Assembleia da República.
Este inspirado livro de divulgação da estratégia lusófona, que parte de pressupostos históricos, filosóficos e culturais, fornece-nos um retrato fiel da acção desenvolvida pelo Movimento Internacional Lusófono, desde a sua criação até aos nossos dias, em benefício do reforço solidário entre os povos lusófonos.
Renato Epifânio termina as suas considerações em prol da convergência lusófona com a referência a duas relevantes iniciativas do Movimento Internacional Lusófono que têm concorrido para a sua maior visibilidade mediática: a atribuição do Prémio Personalidade Lusófona 2009 pelo MIL, na Academia das Ciências de Lisboa, ao Embaixador Lauro Moreira, pelo seu contributo para o aprofundamento institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e o apoio imediato à candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República pela sua independência partidária e pelo seu profundo conhecimento do espaço lusófono, como Presidente da Associação Médica Internacional, e pela sua intenção de valorizar esta estratégia nacional. É, pois, um livro de incontornável valor para quem deseja conhecer melhor os fundamentos teóricos e as propostas práticas do Movimento Internacional Lusófono num caminho de convergência dos laços afectivos e institucionais dos países integrantes da CPLP.

Nuno Sotto Mayor Ferrão


[1] Renato Epifânio, A Via Lusófona – Um Novo Horizonte para Portugal, Sintra, Edições Zéfiro, 2010.