EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra e Dalila Pereira da Costa- Razão e Espiritualidade.

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Em Janeiro de 1912, Teixeira de Pascoaes escrevia: “Neste momento genesíaco e caótico da nossa Pátria, é necessário que todas as forças reconstrutivas se organizem e trabalhem, para que ela atinja rapidamente a sonhada e desejada harmonia.”. Segundo Raul Proença, importava “dar uma alma nova à nossa nacionalidade, despertar a acção e vida nesta existência e modorra”.
Decorridos 100 anos sobre a génese da Renascença Portuguesa, que um dia Jaime Cortesão havia sonhado, com o propósito “de fundar uma Associação dos artistas e dos intelectuais portugueses, com o fim principal de exercer a sua acção isenta de facciosismos políticos”, uma “acção social orientadora educativa”, o seu legado está ainda por se cumprir.
Tendo sido criada para dar uma orientação maior, superior, à República, esta, infelizmente, preferiu seguir outros caminhos, mais imediatos, com os resultados que se conhecem. Por isso, ficou a promessa da Renascença Portuguesa parcialmente adiada, não obstante todas as sementes que então se lançaram à terra e alguns frutos que, na época, ainda foi possível colher: falamos, em particular, das Universidades Populares e da ainda hoje impressionante série de edições, que visavam promover uma elevação cultural e cívica de todo o povo português.
Na altura, a Renascença Portuguesa foi, de facto, o mais marcante movimento cultural e cívico, que agregou as mais insignes personalidades da época, sendo, ao mesmo tempo, a voz de uma nova geração que emergia e se afirmava. Se o seu legado não se cumpriu plenamente, o seu exemplo de dedicação à comunidade pátria persiste por inteiro ainda hoje, para que as gerações de hoje cumpram esse legado, essa tarefa.
Por tudo isso, a NOVA ÁGUIA evoca, neste número, os 100 anos da Renascença Portuguesa. Se há 100 anos importava fazer renascer Portugal, quem não dirá o mesmo hoje? Se Portugal há 100 anos parecia morto, quem, hoje, dirá o contrário? Ao evocarmos os 100 anos da Renascença Portuguesa, evocamos pois uma memória viva, de tal modo que quisemos aqui, neste número, olhar sobretudo para a futuro, para a frente. Daí a questão que colocámos: como será Portugal daqui a 100 anos? Decerto, um desafio ousado, mas quisemos sobretudo abrir Horizontes, porque sem Horizontes não há caminho que valha.
*
Constituindo, essa, a secção principal, houve espaço, como sempre tem acontecido, para outras temáticas. Assim, para além de textos ainda sobre Álvaro Ribeiro (autor destacado no número anterior), publicamos, neste número da NOVA ÁGUIA, textos sobre outras figuras, nomeadamente sobre algumas personalidades mais ligadas à Renascença Portuguesa: falamos, entre outros, de Sampaio Bruno, Guerra Junqueiro e Jaime Cortesão.
Como sempre, houve também lugar para outros voos – nomeadamente, até à Galiza (“Ernesto Guerra da Cal, Mestre da Nova Galeguidade. Notas para um Centenário”), ao Brasil (“Sílvio Romero: O Elemento Português no Brasil”), a Timor-Leste (“A Lusofonia em Timor-Leste – Além da mera sobrevivência da Língua Portuguesa”) e a Cabo Verde.
A respeito da Mátria de Cesária Évora – cuja memória aqui sentidamente evocamos –, publicamos, de resto, três textos: de António Braz Teixeira (“A Saudade na Poesia da Claridade”), de Elter Manuel Carlos (“A singularidade da leitura do olhar cabo-verdiano”) e de Adriano Moreira – falamos do Discurso que proferiu, recentemente, ao aceitar o título de Doutoramento Honoris Causa por parte da Universidade do Mindelo: “Uma Meditação sobre a Universidade”.
Depois de já termos publicado três números sobre personalidades ligadas à Renascença Portuguesa – Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (para além do número que dedicámos aos “100 anos d’A Águia”) –, o mesmo acontecerá, de novo, já no próximo número, cujo tema maior será: “Leonardo Coimbra – Razão e Espiritualidade: nos 100 anos d’O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)”. Uma vez mais, um grande número da NOVA ÁGUIA em perspectiva.

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA: COMO SERÁ PORTUGAL DAQUI A 100 ANOS?
Maria Luísa de Castro Soares, NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…8
Manuel Ferreira Patrício, NOS PRÓXIMOS 100 ANOS, A CPLP SERÁ OU PORTUGAL NÃO SERÁ…14
Pedro Cipriano, ENSAIO SOBRE O FUTURO DE PORTUGAL, DO SEU POVO E DA SUA CULTURA…15
Renato Epifânio, DIÁRIO DA NOVA ÁGUIA: 1 DE JANEIRO DE 2112…24
Rui Martins, DAQUI A CEM ANOS…28
Rui Tinoco, PELO MAR E PELA NET…30
António Cândido Franco, DA RENASCENÇA PORTUGUESA AO REGRESSO AO PARAÍSO…32
António Carlos Carvalho, UM RESTO DE PORTUGAL…35
Bruno Gonçalves Bernardes, O FOSSO CONSCIENTE…37
Carlos Aurélio, A CRISE E O ENGENHO…39
Clara Tavares, PORTUGAL: PONTE ENTRE O PASSADO E O FUTURO…47
Elisabete Correia Campos Francisco, COMO PENSAR O PORTUGAL DE AMANHÃ?...49
Gabriela Lança, A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL NO ANO 2112…53
João Franco, PORTUGAL AINDA EXISTIRÁ NO SÉCULO XXII?...55
Joaquim Domingues, PREVISÃO E PROFECIA…58
Lúcia Helena Alves de Sá, A HISTORIAR O PORVIR DE PORTUGAL…60
Manuel Abranches de Soveral, OH MAR SALGADO…62
Miguel Real, FEIRA DO LIVRO DE 2112…65
Sérgio Luís de Carvalho, PORTUGAL, 2112…67
J. Pinharanda Gomes, ANTEVISÃO…70
AINDA SOBRE ÁLVARO RIBEIRO
António Quadros Ferro, “O QUE O 57 NÃO DISSE”…72
Renato Epifânio, HORIZONTE E CAMINHO(S) DA FILOSOFIA…74
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…77
OUTROS AUTORES: DE JOÃO DE DEUS A MARIA ZAMBRANO
Manuel Ferreira Patrício, APONTAMENTOS SOBRE JOÃO DE DEUS PEDAGOGO…98
Joaquim Domingues, JUNQUEIRO E BRUNO: AS DUAS COLUNAS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…100
Rodrigo Sobral Cunha, SAUDAÇÃO RÍTMICA NA OBRA DE CARLOS QUEIROZ (INCLUI “EPÍSTOLA AOS VINDOUROS” E “PAISAGEM”)…109
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A RENASCENÇA PORTUGUESA E O PERCURSO POLÍTICO E HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO…138
José Lança-Coelho, TRÊS CENTENÁRIOS DA LITERATURA PORTUGUESA: FONSECA, REDOL E FIALHO (1911-2011)…145
Maria Seoane Dovigo, ERNESTO GUERRA DA CAL, MESTRE DA NOVA GALEGUIDADE. NOTAS PARA UM CENTENÁRIO…149
José Maurício de Carvalho, A PROBLEMÁTICA ÉTICA EM EL ESPECTADOR DE ORTEGA Y GASSET…152
Mª Aránzazu Serantes, JOSÉ ORTEGA Y GASSET Y MARÍA ZAMBRANO: A CONFESIÓN NA SAUDADE COMO EXPRESIÓN DA IDENTIDADE…160
OUTROS VOOS
António Braz Teixeira, A SAUDADE NA POESIA DA “CLARIDADE”…164
António José Borges, A LUSOFONIA EM TIMOR-LESTE – ALÉM DA MERA SOBREVIVÊNCIA DA LÍNGUA PORTUGUESA…168
Carlos Carreira, A ALMA PORTUGUESA E O CHEIRO DA CASA DOS MEUS AVÓS…173
Elter Manuel Carlos, A SINGULARIDADE DA LEITURA DO OLHAR CABO-VERDIANO…183
Joaquim Miguel Patrício, SÍLVIO ROMERO: O ELEMENTO PORTUGUÊS NO BRASIL…190
Maria Seoane Dovigo, DE UTOPIAS E UCRONIAS: A DEMANDA DA GALIZA E A PROFECIA DO HOMEM LIVRE…193
Maria João Coutinho, ONDE A PALAVRA É MÚSICA E DANÇA…196
Maria Leonor L. O. Xavier, A FILOSOFIA ENTRE AS HUMANIDADES…201
Paulo Santos, REFLEXÃO INVOCATIVA DO LEGADO DE ANTÓNIO TELMO…206
J. Pinharanda Gomes, APOLOGIA DA GRAMÁTICA ELEMENTAR…208
Adriano Moreira, DISCURSO DE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA NA UNIVERSIDADE DO MINDELO – CABO VERDE…215
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…220
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…222
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…223
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…227
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…230
BIBLIÁGUIO
ENTRE FILOSOFIA E LITERATURA, por Maria Luísa Malato Borralho…232
O SEGREDO DE GRÃO VASCO, por António Carlos Carvalho…239
A FILOSOFIA JURÍDICA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, por José Esteves Pereira…240
MIGUEL REALE: ÉTICA E FILOSOFIA DO DIREITO, por Antônio Paim…242
MENSAIGE, por Fernando de Castro Branco…243
A MINHA SALA DE AULA É UMA TRINCHEIRA, por Sérgio Quaresma…244
EXTREVOO
Rémi Boyer, METAFÍSICA & INICIAÇÃO…248
POEMÁGUIO
Samuel Dimas, SAUDADE DO PARAÍSO CELESTIAL…6
João Carlos Raposo Nunes, NA GUARIDA DE SEBASTIÃO DA GAMA…6
Renato Epifânio, PASCOAES…7
Catarina Inverno, PORTUGAL…66
Eduardo Aroso, AQUI ME TENHO, ASSIM ME QUERO…71
Manuel Neto dos Santos, LUÍS DE GÔNGORA, NACIONAL…96
Teresa Dugos, CHUVA; DA ESPERA; AURORA…151
Joaquim Carvalho, PORTUGALICIA…161
Henrique Madeira, RENASCENÇA…182
Maria Leonor Xavier, A FACE MAIS TERNA...189
Delmar Maia Gonçalves, VIDA E MORTE…189
António José Borges, BARBAROSSA INDELÉVEL SUCUMBIRÁ…192
Marco Aurélio, SUPRA-CAMÕES…195
Carlos Carranca, AGORA…200
Maria Filomena Xavier, À PROCURA DA CORDA FINAL…200
Carlos Gonçalves, DESPOSAMENTO…219
Giancarlo de Aguiar, CARAVELAS DE NUVENS…219
Jesus Carlos, GUINÉ…229
António Simões, DITOSO SEJA; QUANDO O SOL…231
Maurícia Teles da Silva, O RIO DA SAUDADE...258
Sam Cyrous, SE O FÊNIX TIVESSE UM LAR…259
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 9: LANÇAMENTOS

22.02.12 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
24.02.12 - 17h00: Sociedade de Geografia (Lisboa)
24.03.12 - 18h00: Sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono
30.03.12 - 14h30: Espaço Ideias (Bairro da Madre de Deus, Lisboa)
31.03.12 - 14h30: Biblioteca Municipal de Sesimbra
03.04.12 - 21h00: Universidade Sénior de Rotary (Chaves)
04.04.12 - 18h00: Biblioteca Municipal da Régua
14.04.12 - 17h00: Caixa de Crédito Agrícola (Messines)
17.04.12 - 11h45: Escola Secundária José Gomes Ferreira (Lisboa)
17.04.12 - 16h00: Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
19.04.12 - 16h00: Universidade de Santiago (Cabo Verde)
25.04.12 - 14h30: Casa Luso-Angolana (Porto)
25.04.12 - 18h00: Feira do Livro de Marco de Canaveses
28.04.12 - 20h30: Fundação Vicente Risco (Allariz, Galiza)
29.04.12 - 17h00: Pátio da ex-Escola Grande (Praia, Cabo Verde)
07.05.12 - 15h30: Delegação de Turim da SHIP
12.05.12 - 17h30: Centro Cultural de Moscavide
12.05.12 - 20h00: Feira do Livro de Lisboa (Auditório)
18.05.12 - 17h30: Universidade dos Açores
20.05.12 - 21h30: Doris Bar (Ponta Delgada)
22.05.12 - 17h30: Teatro Café (Ponta Delgada)
23.05.12 - 18h30: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
25.05.12 - 21h30: Restaurante Isabel’s (Lisboa)
02.06.12 - 18h30: Feira do Livro de Coimbra

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


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O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

O que é Portugal? - II

II
Para quem esteja habituado a pensar Portugal como uma id-entidade, seja qual for a determinação fundamental que lhe der – espiritual, material, histórica, cultural, política, sócio-económica, etc. - , a análise anterior parece haver conduzido a uma dissolução de Portugal, a uma anulação da sua existência, que aparenta contradizer o mais elementar senso comum e a evidência de que há efectivamente alguma coisa de diferenciado, singular e concreto nisso que se concebe e designa como Portugal.

Se analisarmos bem, veremos que assim não é e antes pelo contrário. A demonstração da não constituição de Portugal como id-entidade, em si e por si, fora da sua conceptualização e id-entificação mental e emocional, que é uma identificação do construtor com isso mesmo que constrói, a demonstração de que, nesse sentido, nunca houve Portugal como uma entidade separada dos sujeitos em devir que o constroem e se constroem pelo pensamento, pela palavra e pela acção, não pode obviamente ser uma destruição ou anulação do quer que seja, pelo simples facto de não se poder destruir algo que nunca existiu, não existe e jamais pode vir a existir. O despertar de um sonho ou o dissipar de uma miragem não destroem nada de realmente existente e, na verdade, nem sequer destroem uma ilusão: apenas deixam de a alimentar, apenas designam o fim da construção, inconsciente, de uma falsa percepção do real, apenas assinalam o cessar de uma ficção da consciência pelo seu reconhecimento como tal. Do mesmo modo, o despertar do sonho ou da miragem de um Portugal substancial, existente em si e por si, dotado de uma id-entidade autárquica e imutável, um Portugal-ser e essência, não destrói nada, porque nada disso há para destruir. Analisado e revelado na sua natureza autêntica, Portugal não passa do ser ao não-ser, revelando-se antes a impertinência dos conceitos de ser e não-ser para pensar a natureza profunda das coisas, sejam nações ou indivíduos.

O que se revela então como a natureza autêntica disso que designamos, pensamos e vivemos como Portugal e que antes concebíamos de forma identitária? Precisamente a mesma natureza de tudo o mais: um devir, um fluxo, um processo, uma metamorfose. O que não quer dizer que, na trama global do devir do mundo e da consciência, esse devir, fluxo, processo e metamorfose a que chamamos Portugal não assuma, a cada instante e ao longo de períodos mais ou menos contínuos, certas diferenciações e singularizações específicas, sempre em mutação e inseparáveis daquilo de que se destacam e das consciências que as apreendem e vivenciam. Essas diferenciações e singularizações momentâneas, elas mesmas sempre em gestação e metamorfose, não podem, por isso, jamais pensar-se como diferenças e singularidades definidas, definitivas e constitutivas, enquanto propriedades intrínsecas ou modos expressivos de uma alma, espírito ou ser nacional, no sentido da id-entidade substancial e essencial cujo equívoco denunciamos. É aliás livres de todas as categorias e (pre)conceitos identitários que podemos aceder mais intimamente à experiência dessa diferenciação e singularização, diríamos energética, do processo que designamos como Portugal, patente na paisagem, nos animais, nos rostos, nos afectos, nas falas, nos odores, nos sabores, nas tradições, inovações e aspirações, em tudo isso que, livre de o isolarmos como nacional, nos entreabre um Portugal mais profundo, um outro Portugal, trama de cintilações em devir do jogo do mundo. É quando não pensamos identitariamente que se respiram as atmosferas e se revelam as tonalidades mais íntimas e profundas, complexas e múltiplas, sempre em mutação e interacção, dos povos, nações e culturas.

Que Portugal seja um devir, um fluxo, um processo e uma metamorfose é precisamente o que a história política mostra, uma mutação contínua, complexa e interdependente onde o fixismo utilitário demarca períodos cronológicos que na verdade não são senão recortes fotográficos de um mais fundo e complexo fluxo de eventos e vivências que escapam à comum apreensão e ao seu registo convencional (para não falar da história cultural, onde as múltiplas, distintas e simultâneas linhas de mutação são ainda mais evidentes): Fundação, Descobrimentos e Expansão, Domínio Filipino, Restauração, Império Brasileiro e Independência do Brasil, Guerras entre liberais e absolutistas, Regeneração, Implantação da República, Estado Novo, 25 de Abril e restauração da democracia na III República. Na verdade não se pode dizer que qualquer um destes momentos pertença a uma entidade Portugal que supostamente se manteria idêntica a si mesma ao longo da variação dos seus períodos históricos. Esse suposto Portugal, do qual incriticamente falamos, quando não reflectimos sobre o sentido do que pensamos e dizemos, não é com efeito senão uma ilusão de óptica, um filme, coproduzido pela percepção de todos os que conferem uma unidade substancial à sucessão vertiginosa de acontecimentos conexos mas diferenciados. Com efeito, a razão e a experiência não permitem considerar que o Portugal da Fundação, o Portugal dos Descobrimentos ou o Portugal pós-25 de Abril sejam idênticos, nem mostram qualquer entidade Portugal como condição transcendente ou transcendental desses três períodos, embora também não se possa dizer que difiram absolutamente, ao ponto de não haver nenhuma conexão entre si, o que é manifestamente falso. Somente essa conexão não parece obedecer a uma qualquer intencionalidade ou finalidade imanente ou transcendente intrínseca a uma entidade Portugal - interpretação que indevidamente antropomorfiza a vida das nações, à imagem e semelhança da vida psicológica dos sujeitos humanos - , nem se restringe a estes supostos acontecimentos e momentos da história de um Portugal unitário, complexificando-se antes na medida em que se estende, em cada um deles, a diferentes e inumeráveis acontecimentos e momentos da história de vários outros povos, nações e culturas. Que, na Fundação, são diferentes povos e reinos ibéricos, cristãos e muçulmanos, nos Descobrimentos são múltiplos povos, nações e culturas mundiais e, no pós-25 de Abril, são os povos e nações de língua portuguesa, a comunidade das nações europeias e todos os povos e nações com quem mantemos relações mais próximas.

Na história do processo Portugal avulta aliás, pela dimensão mundial assumida a partir dos Descobrimentos, e como temos destacado, na linha dos principais pensadores e poetas deste devir, um entretecimento armilar com os processos de muitos povos, nações e culturas planetários [1]. Um dos aspectos mais salientes que parece diferenciar e singularizar assim o processo Portugal é uma íntima interpenetração com a história do planeta. Ou seja, diferencia-o e singulariza-o o que simultaneamente mais o indistingue da trama em devir do jogo do mundo.
[1] Cf. Paulo Borges, Uma Visão Armilar do Mundo. A vocação universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, Lisboa, Verbo, 2010.

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