EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 3 de julho de 2010

COUTO VIANA, “A TÁVOLA REDONDA” E MANUEL ANTUNES


DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

Agora que António Manuel Couto Viana faleceu (Lisboa, 8 de Junho de 2010) – era o único sobrevivente da revista de poesia Távola Redonda – forçoso se torna falar do poeta e da revista de que foi co-director, pois um e outro se confundem na História da Literatura Portuguesa.

Nascido a 24 de Janeiro de 1923, em Viana do Castelo, começou por se dedicar ao teatro, influência da sua família que era proprietária do Teatro Sá da Bandeira, situado nesta cidade minhota, onde representou pela primeira vez e estreou a sua peça Rosa Verde, dedicada à infância.

No teatro, além de autor – O Caminho É por aqui (1949) - e intérprete, foi também encenador – adaptou O Fidalgo Aprendiz, de D. Francisco Manuel de Melo -, e tradutor, nomeadamente, de Sófocles, Moliére e Calderón de la Barca. Além de a Távola Redonda (1950-1954), dirigiu também a Graal (1956-1957), pertenceu ao conselho redactorial de Tempo Presente (1959). Na poesia estreou-se com O Avestruz Lírico (1948). Nos anos 70, a sua poesia passou de um certo neoparnasianismo para um confessionalismo retórico e historicamente datado, como em Ponto de não Regresso (1982), com poemas sebastianistas ou messiânicos que preconizam o regresso à monarquia e lamentam o pós-Revolução do 25 de Abril de 74. Recebeu o Prémio Antero de Quental por duas vezes, em 1949 com O Sossego da Hora e em 1959 com Mancha Solar; o Prémio Nacional de Poesia, em 1965, com Poesia(1948-1963); e, o Prémio da Academia das Ciências de Lisboa, em 1971, com Pátria Exausta.

Em 1988, Couto Viana fez uma antologia de As folhas de poesia da Távola Redonda para o Boletim Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, onde assinala o início da publicação da revista – 17 de Janeiro de 1950 – e o seu corpo redactorial constituído por três directores, o próprio Couto Viana, David Mourão-Ferreira e Luiz de Macedo, o director artístico António Vaz Pereira e, o secretário Alberto de Lacerda.

A revista foi distribuída por “o Chiado lisboeta, a começar pela Brasileira, café de altas tradições culturais, onde ainda se podia dialogar, frente à bica e ao copo d’água, com os quase lendários sobreviventes do Orpheu e da Presença.”, e pelas livrarias da praxe que ele não indica, mas a que não devem ser alheias a Bertrand e a Sá da Costa. No que respeita ao preço e à distribuição, Couto Viana escreve: “Vinha datada de 15 de Janeiro, dispunha-se a sair quinzenalmente e custava 2$50. Distribuíam- -na em Lisboa, pessoalmente (dezenas de exemplares sob os braços corajosos!) os seus mais próximos responsáveis. Na Província, sempre o altruísmo de algum poeta assumia o cargo de seu representante, como em Azeitão e Setúbal, breve em Estremoz, a dedicação e o entusiasmo de Sebastião da Gama.”

Quanto ao aspecto, Viana define-o assim:”Eram oito páginas de papel pardo e grosseiro, vulgarmente chamado «de embrulho», impressas ora a preto, ora a sépia, ora a azul, ora a verde… E ricamente, e profusamente ilustradas (…)”. No respeitante aos colaboradores: “Nenhum nome consagrado assinava a colaboração em verso ou prosa do primeiro número. Todavia, alguns dos poetas presentes haviam já publicado as suas primícias em volume (...)”. Relativamente ao aparecimento da revista, Couto Viana explica: “(…) pelos finais de 1949, um grupo de jovens poetas, ligados por um convívio estreito de amizade e comunhão de ideais estéticos, tomava consciência de que podia oferecer algo de novo e sério à poesia portuguesa. (…) Não lhe eram propícios os recursos financeiros, quase todos os componentes estudantes universitários, sem qualquer independência económica.” Porém, o facto de Couto Viana ter crédito numa pequena tipografia e, o de Vaz Pereira ser capaz de desenhar directamente numa chapa litográfica, determinaram o aparecimento de “Távola Redonda”, que, só não se chamou “Arame Farpado”, porque Afonso Lopes Vieira chamou a atenção de todo o grupo das implicações políticas que tal designação lhes poderia trazer.

Que novidades traziam estas folhas de poesia, numeradas em fascículos, o que lhes permitia escapar a avultada caução e à vexante censura prévia? A revalorização do Lirismo, preconizada por Mourão-Ferreira; as exigências de autenticidade, a criação em liberdade, a capacidade de admirar, criticamente, os nossos grandes poetas anteriores a 1950, sem reservas ideológicas e estéticas.

A “Távola Redonda” durou quatro anos, a que correspondem 20 fascículos que, de quinzenais passaram a mensais e a bimensais, atingindo o preço de 10 escudos, conhecendo três secretários-tesoureiros, editando 63 poetas portugueses, 6 poetas brasileiros, e, em tradução ou no original, poetas belgas, espanhóis, italianos e ingleses, e ainda, um enorme número de ensaios e recensões críticas sobre Poesia.

Em finais de 1950, a “Távola Redonda”editou uma colecção de poesia, cuja primeira série foi dirigida por Daniel Filipe e teve direcção artística de António Vaz Pereira, e publicou autores como, David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo, Fernanda Botelho, Couto Viana, a brasileira Terezinha Éboli e Fernando de Paços. A segunda série, caracterizada por uma “orientação mais larga e composição mais heterogénea” publicou, Carlos Lemonde de Macedo, Henrique Segurado, Luiz de Macedo, Couto Viana e José António Ribeiro.

Ao editar os fascículos 19 e 20, a 15 de Julho de 1954, a “Távola Redonda” cessou a sua publicação, considerando que atingira os seus objectivos “cifrados quase todos numa revalorização do Lirismo como primeiro estádio da criação poética” uma vez que, “os seus mais chegados orientadores não podiam totalmente realizar-se numas restritivas folhas de poesia, já que outras ambições culturais se lhe impunham, lhes ocupavam o espírito criador.

Aqui fica um poema de António Manuel Couto Viana, datado de 28 de Setembro de 1949:

“Moimento”

Puseram a bandeira a meia-haste

E decretaram luto na cidade,

Responsos, coroas, círios – quanto baste

Para iludir a eternidade.

Teve o nome nas ruas, em moimentos:

«Nasceu – morreu – tantos de tal – Poeta».

Houve discursos graves, longos, lentos.

- Venham todos os ventos

Do planeta!

Rasguem bandeiras, sequem flores; no céu

Se percam orações, paters e glórias

- Tudo isto é dor que não lhe pertenceu –

Destruam as estátuas e as memórias;

Que os discursos inúteis vão dispersos…

- A homenagem a um Poeta que morreu

É decorar-lhe os versos!

Como dissemos acima, são inúmeras as recensões criticas que podemos encontrar nas páginas da Távola Redonda. Uma das que Couto Viana transcreve na Antologia que vimos seguindo é da autoria do meu Mestre na Faculdade de Letras, o Professor Manuel Antunes S. J., um vulto da Cultura e um Pedagogo inigualável, daí que, como homenagem ao Homem e ao Intelectual, se transcreva um excerto retirado do fascículo 8, relativo ao poeta Jorge de Lima:

(…) O explorador de pálpebras inquietas embarcado sempre na grande aventura da descoberta do ser em totalidade. Aquém e além do imediatamente perceptível o destino do Poeta é navegar. E quanto mais avança menos se satisfaz. Por isso quando outros poetas, com a idade, se detêm, J. de Lima, cada vez mais ousado, cria novas palavras, violenta a sintaxe, refugia-se no símbolo para lograr exprimir uma realidade infinitamente rica que ele pressente mas não chega, de todo, a alcançar.

J. de Lima é assim o Poeta que, a um tempo, rasga e continua a tradição. Como harmonizar esta vontade de ruptura com esta fidelidade fundamental? Pelo seu temperamento, ávido de concreto e ambicioso de soluções totais. A avidez de concreto arraiga no lado sensual da sua natureza; a ambição de totalidade no lado místico. (…)”