EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 3 de julho de 2010

COUTO VIANA, “A TÁVOLA REDONDA” E MANUEL ANTUNES


DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

Agora que António Manuel Couto Viana faleceu (Lisboa, 8 de Junho de 2010) – era o único sobrevivente da revista de poesia Távola Redonda – forçoso se torna falar do poeta e da revista de que foi co-director, pois um e outro se confundem na História da Literatura Portuguesa.

Nascido a 24 de Janeiro de 1923, em Viana do Castelo, começou por se dedicar ao teatro, influência da sua família que era proprietária do Teatro Sá da Bandeira, situado nesta cidade minhota, onde representou pela primeira vez e estreou a sua peça Rosa Verde, dedicada à infância.

No teatro, além de autor – O Caminho É por aqui (1949) - e intérprete, foi também encenador – adaptou O Fidalgo Aprendiz, de D. Francisco Manuel de Melo -, e tradutor, nomeadamente, de Sófocles, Moliére e Calderón de la Barca. Além de a Távola Redonda (1950-1954), dirigiu também a Graal (1956-1957), pertenceu ao conselho redactorial de Tempo Presente (1959). Na poesia estreou-se com O Avestruz Lírico (1948). Nos anos 70, a sua poesia passou de um certo neoparnasianismo para um confessionalismo retórico e historicamente datado, como em Ponto de não Regresso (1982), com poemas sebastianistas ou messiânicos que preconizam o regresso à monarquia e lamentam o pós-Revolução do 25 de Abril de 74. Recebeu o Prémio Antero de Quental por duas vezes, em 1949 com O Sossego da Hora e em 1959 com Mancha Solar; o Prémio Nacional de Poesia, em 1965, com Poesia(1948-1963); e, o Prémio da Academia das Ciências de Lisboa, em 1971, com Pátria Exausta.

Em 1988, Couto Viana fez uma antologia de As folhas de poesia da Távola Redonda para o Boletim Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, onde assinala o início da publicação da revista – 17 de Janeiro de 1950 – e o seu corpo redactorial constituído por três directores, o próprio Couto Viana, David Mourão-Ferreira e Luiz de Macedo, o director artístico António Vaz Pereira e, o secretário Alberto de Lacerda.

A revista foi distribuída por “o Chiado lisboeta, a começar pela Brasileira, café de altas tradições culturais, onde ainda se podia dialogar, frente à bica e ao copo d’água, com os quase lendários sobreviventes do Orpheu e da Presença.”, e pelas livrarias da praxe que ele não indica, mas a que não devem ser alheias a Bertrand e a Sá da Costa. No que respeita ao preço e à distribuição, Couto Viana escreve: “Vinha datada de 15 de Janeiro, dispunha-se a sair quinzenalmente e custava 2$50. Distribuíam- -na em Lisboa, pessoalmente (dezenas de exemplares sob os braços corajosos!) os seus mais próximos responsáveis. Na Província, sempre o altruísmo de algum poeta assumia o cargo de seu representante, como em Azeitão e Setúbal, breve em Estremoz, a dedicação e o entusiasmo de Sebastião da Gama.”

Quanto ao aspecto, Viana define-o assim:”Eram oito páginas de papel pardo e grosseiro, vulgarmente chamado «de embrulho», impressas ora a preto, ora a sépia, ora a azul, ora a verde… E ricamente, e profusamente ilustradas (…)”. No respeitante aos colaboradores: “Nenhum nome consagrado assinava a colaboração em verso ou prosa do primeiro número. Todavia, alguns dos poetas presentes haviam já publicado as suas primícias em volume (...)”. Relativamente ao aparecimento da revista, Couto Viana explica: “(…) pelos finais de 1949, um grupo de jovens poetas, ligados por um convívio estreito de amizade e comunhão de ideais estéticos, tomava consciência de que podia oferecer algo de novo e sério à poesia portuguesa. (…) Não lhe eram propícios os recursos financeiros, quase todos os componentes estudantes universitários, sem qualquer independência económica.” Porém, o facto de Couto Viana ter crédito numa pequena tipografia e, o de Vaz Pereira ser capaz de desenhar directamente numa chapa litográfica, determinaram o aparecimento de “Távola Redonda”, que, só não se chamou “Arame Farpado”, porque Afonso Lopes Vieira chamou a atenção de todo o grupo das implicações políticas que tal designação lhes poderia trazer.

Que novidades traziam estas folhas de poesia, numeradas em fascículos, o que lhes permitia escapar a avultada caução e à vexante censura prévia? A revalorização do Lirismo, preconizada por Mourão-Ferreira; as exigências de autenticidade, a criação em liberdade, a capacidade de admirar, criticamente, os nossos grandes poetas anteriores a 1950, sem reservas ideológicas e estéticas.

A “Távola Redonda” durou quatro anos, a que correspondem 20 fascículos que, de quinzenais passaram a mensais e a bimensais, atingindo o preço de 10 escudos, conhecendo três secretários-tesoureiros, editando 63 poetas portugueses, 6 poetas brasileiros, e, em tradução ou no original, poetas belgas, espanhóis, italianos e ingleses, e ainda, um enorme número de ensaios e recensões críticas sobre Poesia.

Em finais de 1950, a “Távola Redonda”editou uma colecção de poesia, cuja primeira série foi dirigida por Daniel Filipe e teve direcção artística de António Vaz Pereira, e publicou autores como, David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo, Fernanda Botelho, Couto Viana, a brasileira Terezinha Éboli e Fernando de Paços. A segunda série, caracterizada por uma “orientação mais larga e composição mais heterogénea” publicou, Carlos Lemonde de Macedo, Henrique Segurado, Luiz de Macedo, Couto Viana e José António Ribeiro.

Ao editar os fascículos 19 e 20, a 15 de Julho de 1954, a “Távola Redonda” cessou a sua publicação, considerando que atingira os seus objectivos “cifrados quase todos numa revalorização do Lirismo como primeiro estádio da criação poética” uma vez que, “os seus mais chegados orientadores não podiam totalmente realizar-se numas restritivas folhas de poesia, já que outras ambições culturais se lhe impunham, lhes ocupavam o espírito criador.

Aqui fica um poema de António Manuel Couto Viana, datado de 28 de Setembro de 1949:

“Moimento”

Puseram a bandeira a meia-haste

E decretaram luto na cidade,

Responsos, coroas, círios – quanto baste

Para iludir a eternidade.

Teve o nome nas ruas, em moimentos:

«Nasceu – morreu – tantos de tal – Poeta».

Houve discursos graves, longos, lentos.

- Venham todos os ventos

Do planeta!

Rasguem bandeiras, sequem flores; no céu

Se percam orações, paters e glórias

- Tudo isto é dor que não lhe pertenceu –

Destruam as estátuas e as memórias;

Que os discursos inúteis vão dispersos…

- A homenagem a um Poeta que morreu

É decorar-lhe os versos!

Como dissemos acima, são inúmeras as recensões criticas que podemos encontrar nas páginas da Távola Redonda. Uma das que Couto Viana transcreve na Antologia que vimos seguindo é da autoria do meu Mestre na Faculdade de Letras, o Professor Manuel Antunes S. J., um vulto da Cultura e um Pedagogo inigualável, daí que, como homenagem ao Homem e ao Intelectual, se transcreva um excerto retirado do fascículo 8, relativo ao poeta Jorge de Lima:

(…) O explorador de pálpebras inquietas embarcado sempre na grande aventura da descoberta do ser em totalidade. Aquém e além do imediatamente perceptível o destino do Poeta é navegar. E quanto mais avança menos se satisfaz. Por isso quando outros poetas, com a idade, se detêm, J. de Lima, cada vez mais ousado, cria novas palavras, violenta a sintaxe, refugia-se no símbolo para lograr exprimir uma realidade infinitamente rica que ele pressente mas não chega, de todo, a alcançar.

J. de Lima é assim o Poeta que, a um tempo, rasga e continua a tradição. Como harmonizar esta vontade de ruptura com esta fidelidade fundamental? Pelo seu temperamento, ávido de concreto e ambicioso de soluções totais. A avidez de concreto arraiga no lado sensual da sua natureza; a ambição de totalidade no lado místico. (…)”