EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão e António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte).

Para o 20º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

domingo, 7 de março de 2010

Entrevista de Domingos Simões Pereira secretário executivo da CPLP

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"Português está a tornar-se uma mais-valia económica"

por Abel Coelho de Morais

A CPLP está em movimento e a ganhar peso a nível internacional, defende o seu secretário executivo, Domingos Simões Pereira, que destaca, por outro lado, alguns passos na consolidação interna nesta comunidade de oito Estados.

Principia amanhã em Lisboa a Assembleia Parlamentar da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Que matérias vão ser abordadas?

A Assembleia Parlamentar da CPLP é um órgão novo, criado em Abril de 2009 e esta é primeira reunião de trabalho. Espera-se que os participantes façam um ponto da situação no domínio da legislação e que reflictam sobre o papel que podem desempenhar numa organização multilateral. Espera-se que abordem a questão de circulação de pessoas e de cidadania. Está na mesa a aprovação do estatuto de cidadão da CPLP e a abertura das fronteiras no espaço da comunidade...

O que implicaria a harmonização de legislações...

Pelo menos que cada um dos países fizesse as adaptações necessárias nas suas leis de forma a não comprometer a promulgação do estatuto de cidadão da CPLP.

Ainda nesta semana decorre em Lisboa a reunião dos pontos focais. Que projectos de cooperação mais relevantes estão a ser desenvolvidos? Este mecanismo de cooperação não entra em choque com os projectos bilaterais de cooperação?

A reunião discute a aprovação de projectos e todos os mecanismos de cooperação que os oito Estado entendem levar em conjunto. Quanto à segunda questão, um projecto é considerado válido para o conjunto dos Estados membros se merecer o consenso dos oito. Fizemos uma revisão do aproveitamento dessas oportunidades e concluímos que falta alguma articulação entre os Estados membros e também aproveitamento de sinergias. Por exemplo, as lições aprendidas num país nem sempre são utilizadas noutro; por outro lado, o Secretariado deveria apoiar mais e assistir o processo de identificação até à implementação dos projectos. Mas não há riscos de colisão com projectos bilaterais; em nenhum momento a CPLP se posiciona para concorrer a programas de carácter bilateral.

Quais são neste momento os principais pontos focais?

Aquilo que representar o interesse dos oito passa a entrar na agenda CPLP. Encontra-se na lista de projectos uma variedade muito grande, desde a área ambiental à nossa ligação ao PAM, programas na área da saúde, nomeadamente o plano estratégico de cooperação para a saúde.

Que se concretiza de que forma?

Cada um dos Estados tem sempre uma mais valia. Por exemplo, no caso do dengue, por razões infelizes, Cabo Verde acumula toda uma memória relacionada com esta doença, mas que é um contributo a nível mundial e, em especial, entre os Estados da CPLP, ao nível da prevenção, tratamento e identificação. Quem acompanhou a situação em Cabo Verde, apercebeu-se que o principal problema foi chegar ao diagnóstico correcto, e isto hoje está adquirido devido ao trabalho feito em Cabo Verde. E é um património adquirido para todos.

No capítulo da saúde, a CPLP realiza a partir de 16 de Março em Lisboa o 3.º Congresso sobre sida. Esta é uma prioridade da organização?

Tem havido desde 2000 atenção ao tema e a partir de 2009 passámos a ter um plano estratégico, sendo objectivo do congresso estabelecer um programa de intervenção...

Com medidas práticas?

Sem dúvida. Por exemplo, o Brasil decidiu apoiar a criação de um laboratório para o fabrico de antiretrovirais em Moçambique. O mesmo esforço está a ser feito em Cabo Verde pelo Brasil como parte da CPLP, disponibilizando meios para um objectivo comum importante: cada mais-valia criada irradia para todos os membros.

Ainda em Março decorre em Lisboa a 1.ª Reunião dos Ministros dos Mar da CPLP. Espera-se a aprovação da estratégia dos Oceanos que está em discussão?

Essa reunião vai abordar o documento e espera-se a formulação de uma visão estratégica para a gestão dos nossos recursos marítimos. Isto não vai salvar a totalidade destes recursos, mas cada um dos Estados membros vai ter um conhecimento claro do que está em jogo.

Os oceanos não são apenas uma questão económica, são também um factor estratégico e diplomático. Essa é uma dimensão contemplada?

Todos os domínios estão em consideração. O domínio diplomático é importante e quando dispomos de um organismo multilateral como a CPLP, devemos fazer uso desta para entendermos as questões e pesarmos mais nos conflitos que possam surgir. Por outro lado, pretende-se que haja uma visão estratégica concertada entre os oito deste património que são os oceanos.

Essa visão estratégica tem de passar também pela afirmação do português nas organizações internacionais, na ONU por exemplo, e no reforço do ensino do português nos Estados membros?

A utilização do português na ONU é uma exigência e não posso deixar de referir o particular esforço feito pelos Chefes de Estado, tendo o Presidente Cavaco Silva à cabeça, quando em 2008, à margem da 63.ª Assembleia Geral promoveu um encontro para debater o tema. Assisti ao encontro e posso dizer que os Presidentes questionaram de forma directa os embaixadores da ONU sobre as estratégias a seguir e entraram em detalhes específicos para saber como colocar o português como língua oficial da ONU. Na 63.ª Assembleia Geral, como na 64.ª, todos os Presidentes falaram em português.

Mas esse objectivo continua distante?

Não podemos olhar apenas às Assembleias Gerais da ONU. A utilização do português já se verifica em organizações regionais como a União Africana, mas não basta isso. O problema é que chegamos às reuniões e, por vezes, não há tradutores.

Como ultrapassar esse problema?

A solução passa pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que está em fase de reestruturação e uma das vertentes a privilegiar é a formação de tradutores.

Que papel pode ter o IILP na afirmação do idioma comum no mundo?

Achei muito interessante uma constatação feita por um especialista inglês em que este afirmava que a maioria das línguas quer concorrer com o inglês, quando isso já não faz sentido. O inglês é algo básico. Assim, devemos pensar, em termos da CPLP, que aquele que recruta no mercado de trabalho procura para além do inglês. O português tem uma oportunidade muito grande; além do número de pessoas que o falam, é a sua localização geográfica em todos os continentes. E há coisas extraordinárias, por exemplo, no Senegal, há permanentemente 15 mil pessoas a aprenderem o português...

Por motivos económicos....

Ainda bem que é assim. Isto significa que temos algo que desperta a atenção dos mercados. O português está a tornar-se uma mais-valia económica. E podemos falar disso com mais propriedade: em 2009, o Instituto Camões promoveu um estudo sobre o valor económico da língua e concluiu que 17% do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua. São transacções económicas dependentes da língua. Por isso, é importante que os decisores e a sociedade civil entendam que a língua não é só uma questão de nostalgia, de afecto, é mais do que isso, são ganhos económicos efectivos. E ainda há muito que não sabemos aproveitar, por exemplo, os Estados da CPLP continuam em muitos casos a praticar a dupla tributação, continuamos a ter problemas com a exportação de capitais, não temos liberdade de circulação generalizada de pessoas que procuram trabalho. Por exemplo, pode existir aqui mão-de-obra em excesso enquanto essa mesma especialidade falta num outro Estado e não temos uma solução para isso no âmbito da CPLP.

O Brasil é actualmente membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas; Portugal prepara uma candidatura. Seria importante a CPLP ter sempre um membro presente neste órgão da ONU?

Seria excelente. Uma das coisas que a CPLP tem conseguido nos últimos é a concertação política de esforços, seja a nível da ONU seja a nível das organizações regionais, seja ao nível de candidaturas a cargos de entidades internacionais, é importante compreendermos que valemos mais quando falamos a uma só voz. Oito votos é um peso importante em reuniões internacionais e não é por acaso que a Austrália, Marrocos, a Ucrânia e a Indonésia, por exemplo, procuram a aproximação à CPLP. O princípio de que uma oportunidade para um é uma oportunidade para todos, é algo a preservar. Por exemplo, Angola e Brasil foram convidados a estarem presentes na recente reunião do G20 e pouco depois vimos a Guiné-Bissau a presidir a uma Assembleia Geral da ONU. Quem é que nos diz que uma coisa não teve a ver com a outra?

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/entrevista-de-domingos-simoes-pereira.html