EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão e António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte).

Para o 20º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lisboa, Academia das Ciências, 8 de Fevereiro de 2010

Exmo Senhor
Professor Doutor Adriano Moreira
Presidente da Academia das Ciências de Lisboa
Exmo Senhor
Professor Doutor António Dias Farinha
Secretário-Geral da Academia
Exmo Senhor
Doutor Mário Soares
Exmo Senhor
Embaixador do Brasil
Doutor Celso Vieira de Sousa
Exmo Senhor
Secretário-Executivo da CPLP
Engenheiro Domingos Simões Pereira
Exmo Senhor
Embaixador Lauro Moreira

Distintos Académicos e demais Autoridades
Minhas Senhoras e meus Senhores

1. Cumpre-me, em primeiro lugar, agradecer à Academia das Ciências o ter aceite, de imediato, ser a anfitriã desta Cerimónia – o da entrega do Prémio Personalidade Lusófona do Ano 2009, prémio promovido pelo MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO. Não me surpreendeu que tal tivesse acontecido. Todos conhecemos o Professor Doutor Adriano Moreira – todos conhecemos a sua sensibilidade a tudo o que diga respeito à Lusofonia, à Convergência Lusófona.

2. Esta causa, que é a nossa – a da Convergência Lusófona, a do reforço dos laços entre os países lusófonos, a todos os níveis: não só cultural, mas também social, mas também económico, mas também (não tenhamos medo da palavra) político –, é, a nosso ver, cada vez mais, uma Causa de Futuro. Na perspectiva do MIL, Portugal e todos os outros países da CPLP terão tanto mais futuro quanto mais apostarem num caminho de convergência entre si. Essa é a grande premissa deste movimento cultural e cívico que, em poucos mais de 2 anos, mereceu já a adesão expressa de mais de 2 mil pessoas, de todo o espaço lusófono.

3. O facto do Professor Doutor Adriano Moreira ter aceite associar-se a esta iniciativa prova, uma vez mais, que também ele é, sempre foi, um Homem de Futuro. Foi um Homem de Futuro no passado, continua a ser um Homem de Futuro no presente. Há sempre, infelizmente, quem o não perceba. Daí, por exemplo, alguns protestos que ocorreram quando, no 2º número da NOVA ÁGUIA, que teve como tema “António Vieira e o Futuro da Lusofonia”, se deu o devido destaque ao texto do Professor Doutor Adriano Moreira, texto, de resto, lido em primeira mão neste mesmo espaço, na abertura oficial dos Quatrocentos Anos do Nascimento de António Vieira, a 6 de Fevereiro de 2008. Consideravam, essas poucas vozes, que o Professor Doutor Adriano Moreira era um homem do passado, que a própria causa da Lusofonia, da Convergência Lusófona, era uma causa do passado. A História encarregar-se-á, como sempre, de mostrar quem tinha, quem tem, razão…

4. Tendo decidido, pela primeira vez, atribuir este Prémio, o da Personalidade Lusófona do Ano, a Comissão Executiva do MIL chegou de imediato ao nome do Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira – exactamente por todo o seu distinto trabalho em prol da Lusofonia, em prol da Convergência Lusófona. Fizemos então, como sempre, a proposta formal ao nosso Conselho Consultivo – órgão que reúne representantes de todos os países da CPLP, incluindo algumas regiões linguística e culturalmente afins, como a Galiza, Goa, Macau e Malaca. Devo dizer – a bem da verdade – que, nessa votação, houve um voto não favorável. Curiosamente, de um brasileiro – o que prova que, de facto, Portugal e o Brasil são dois povos-irmãos: se o candidato fosse um português, haveria decerto pelo menos um outro português a não votar a favor. A razão, contudo, não teve a ver com a pessoa do Embaixador Lauro Moreira, ressalve-se, mas com o trabalho da CPLP, ainda aquém do que pode ser, ainda muito aquém, nomeadamente, do sonho de Agostinho da Silva da criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona. As razões, para tal, são diversas e, nalguns casos, bem relevantes – se a CPLP não tem avançado mais não é, na maior parte dos casos, por culpa dos seus dirigentes, mas, a montante, dos governantes dos vários países da CPLP, que ainda não perceberam o quanto a Lusofonia, a Convergência Lusófona, é, de facto, uma causa de futuro. Também por isso movimentos como o nosso são importantes – porque não estão manietados por bloqueios político-diplomáticos, podem, mais livremente, abrir caminho… Daí a série de propostas que temos feito: a da criação de uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz”, para acorrer a situações como aquelas que se verificaram em Timor-Leste e, mais recentemente, na Guiné-Bissau; a do “Passaporte Lusófono”, em prol da livre circulação de pessoas em todo o espaço da CPLP; ou a do Canal Lusófono de Televisão e do Banco de Cooperação Lusófona, instituições a serem geridas, partilhadamente, por todos os países desta Comunidade. Daí ainda a série de iniciativas que temos promovido: referimo-nos, particularmente, aos vários debates públicos (sobre o futuro da CPLP, sobre a situação na Guiné-Bissau e sobre a questão da Galiza) e ao envio de livros que, através das parcerias que estabelecemos com outras entidades, conseguimos fazer chegar à Guiné-Bissau e a Timor-Leste. Tendo tudo isso sido possível através do empenho e trabalho de várias pessoas – desde logo dos meus colegas da Comissão Executiva do MIL: António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires e Rui Martins –, gostaria aqui de salientar o particular empenho e trabalho da Paula Viotti nessas recolhas de livros que realizámos neste último ano. Por isso, de resto, a elegemos como a MILitante do Ano de 2009.

5. A resposta que, em nome da Comissão Executiva do MIL, dei à pessoa que contestou a nossa escolha do Embaixador Lauro Moreira, entretanto validada também por centenas de mensagens que nos chegaram, de todo o espaço lusófono, foi a seguinte: «Caro Amigo, se a CPLP não avançou mais, não foi por culpa do Embaixador Lauro Moreira. Bem pelo contrário: se mais Lauros Moreiras existissem, a CPLP, certamente, estaria já bem mais avançada, bem mais perto do sonho de Agostinho da Silva». Esta é, em suma, a razão maior desta nossa distinção.

6. Para terminar a minha intervenção, lerei um dos muitos textos que nos chegaram (inclusive de entidades oficiais, como, citando apenas uma, da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, de Cabo Verde, que havia já igualmente homenageado o Embaixador Lauro Moreira com o título de Cidadão Honorário da Cidade Velha) – o texto, a mensagem, de Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados e um dos vinte cinco membros do nosso Conselho Consultivo, que com muita pena não pode estar aqui hoje:

«ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO LAURO!

Se podemos apontar várias iniciativas meritórias por parte do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, esta, a de homenagear o Embaixador Lauro Moreira como Personalidade Lusófona do Ano de 2009, tem um significado de profunda justiça para com um protagonista admirável da luta pela afirmação da língua portuguesa no contexto internacional, merecendo realce sua intervenção relevante na consolidação da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Até porque será difícil encontrar outra personalidade que, pela sua ação e pensamento, revele tão forte identidade com as razões da existência e da atividade do MIL, na sua vocação lusófona.

Se Lauro Moreira tivesse sido contemporâneo de Agostinho da Silva, se tivesse tido oportunidade de o conhecer na Paraiba, na Bahia ou em Brasília, teria sido – estou certo – um curioso ouvinte das suas provocações e depois um ativo companheiro na sua enorme capacidade de fazer. Teria sido um dos primeiros universitários da Paraiba a sair de João Pessoa, seguindo o Professor e a Judite Cortesão, naqueles anos cinquenta, integrando os grupos que o casal organizava para incursões sertão adentro, para ajudar as vítimas da seca, ensinando a aproveitar a rara água e até os cuidados de como enterrar os mortos. Teria sido um dos frequentadores, tal como Glauber Rocha, do curso de Teatro que Agostinho montou na Universidade da Bahia, primeira tarefa do programa de criação do futuro CEAO- Centro de Estudos Afro-Orientais, que ainda hoje tem um papel aglutinador dos interessados no estudo das raízes africanas do Brasil. Teria sido um dos estudantes moradores da "Trapa", o barracão que Agostinho imaginou e dirigiu, para garantir a sede do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, na Universidade de Brasília, e se teria encantado ao lado do Professor com as cores e os sons do bumba-meu-boi e do tambor da crioula de mestre Teodoro, até hoje fortes esteios da comunidade, ali perto, no Sobradinho. Teodoro Freire, antigo contínuo da Universidade de Brasília, até hoje afirma que seu bumba-meu-boi é diferente de todos os outros porque se firmou sob a inspiração de Agostinho. Aos 90 anos foi agraciado pelo Presidente Lula da Silva com a Medalha de Honra do Folclore. Agostinho com certeza que o abraçou.

Esse espírito agostiniano de Lauro Moreira merece ser lembrado neste prestimoso cenário da Academia das Ciências de Lisboa, cujo Presidente, o Professor Doutor Adriano Moreira, anfitrião desta festa, é um dos portugueses que melhor entendeu as mensagens de Agostinho.

Conheci Lauro Moreira em 1999, dez anos antes desta consagradora homenagem, como membro da Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Eu era então secretário-geral da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo de Língua Portuguesa. Logo nesse primeiro encontro, para além da capacidade de realização dos eventos de circunstância da efeméride, percebi em Lauro Moreira a sua perfeita consciência de que todos os passos de aproximação, colaboração e melhor mútuo conhecimento entre portugueses e brasileiros seriam sempre oportunos e potenciadores.

Mais tarde, me recebeu como Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e, depois, mantivemos contatos mais próximos, já enquanto Diretor da ABC- Agencia Brasileira de Cooperação, momento em que, em coordenação com a CPLP, a ABC financiou o projeto de bolsas para África e Timor-Leste que a Fundação Luso-Brasileira organizou, com o suporte técnico da Biblioteca Nacional, onde os bolsistas encontravam todas as condições necessárias para o desenvolvimento de seus trabalhos.

Desde professores universitários a bibliotecários e monitores de alfabetização e instrução primária, de quase todos os países da CPLP - apenas São Tomé e Príncipe não conseguiu apresentar candidatos -, que tinham suas propostas de trabalho previamente aprovadas por uma Comissão da Biblioteca e da Fundação, pudemos organizar um programa que até hoje, entre os que dirigi, considero como o de maior significado em termos lusófonos. Uma iniciativa de entidades portuguesas, com financiamento do governo brasileiro, abrangendo quase todos os países da CPLP, mereceria por certo a aprovação de Agostinho da Silva e também mereceu a chancela do Embaixador Lauro Moreira.

Assim chegamos ao auspicioso anúncio da nomeação de Lauro Moreira como titular da Missão do Brasil, sendo assim o primeiro Embaixador junto à CPLP, entre todos os países da Comunidade, exemplo felizmente já seguido por Portugal, com a nomeação do embaixador António Russo Dias, diplomata de grande experiência nestas lides do mundo de língua portuguesa.

E o que dizer deste mandato magnífico que se encerra por exigência de limite de idade, o que, pese sua normalidade e consequências irreversíveis, no caso de Lauro, nos soa como uma incongruência, pois que tanto ainda poderia toda a CPLP beneficiar de sua admirável tenacidade, pelo menos até aos oitenta?

Em termos pessoais, ficarei para sempre grato a Lauro Moreira por ter aceitado sem hesitação ser um dos fundadores da Associação Mares Navegados, à qual obviamente continuará a pertencer onde quer que esteja. Bastou ler o segundo artigo dos estatutos e ouvir o nome de outros companheiros que chamei, para não ter dúvidas que éramos - e somos - militantes das mesmas causas, comprometidos com a saga da Lusofonia. Não só fundador como animador constante da nossa batalha pela implementação do Acordo ortográfico, que só agora começa a dar sinais concretos de que também em Portugal será uma grata realidade.

Quando se fizer a história deste tema tão polémico como o do Acordo Ortográfico, que nesta Academia teve batalhadores persistentes como o Professor Doutor Malaca Casteleiro, que acompanhou este arrastamento de vinte anos, e puderem ser focados os últimos três, coincidindo com o seu mandato à frente da Missão do Brasil junto à CPLP, será incontornável a referência a Lauro Moreira e o reconhecimento do seu papel como um dos principais responsáveis do desbloqueamento do processo em Portugal.

Suportou com a galhardia dos valentes vários ataques, até ofensas, defendendo sem vacilar como Embaixador do Brasil a grande importância do Acordo Ortográfico, também política e como marco de solidariedade lusófona – do Brasil, em particular, que, por sentimento histórico, não concebia esta Reforma ortográfica sem a ratificação de Portugal. Felizmente, o bom senso colocou-nos no caminho correto de uma mesma ortografia da língua portuguesa em todo o mundo.
Mas essa foi uma entre muitas outras demonstrações da capacidade de Lauro Moreira, de novo na linha agostiniana de fazer, de realizar.
O auditório da Missão foi palco de largas dezenas de eventos culturais, porta aberta para lançamentos, seminários e palestras.
O centenário de Machado de Assis deu origem à maior divulgação até hoje realizada em Portugal da obra desse enorme vulto da literatura brasileira. Manuel Bandeira passou a ser conhecido por muitas plateias curiosas, em todo o rincão lusitano.
Lauro Moreira mobilizou os maiores espaços nacionais para a apresentação de grandes espetáculos, de teatro e, sobretudo, de música brasileira, em todos os seus timbres e melodias, para encanto de nossas gentes.

Me perdoa, Lauro, mas o rol de teus feitos é de tal monta que apenas referi os que melhor acompanhei.

Termino com a manifestação de gratidão pelo que fizeste também por amor a Portugal, onde deixas tantos amigos e admiradores sinceros, que não deixarás de voltar amiúde e nós te encontraremos no Brasil ou em África ou em Timor para continuarmos os sonhos que partilhamos contigo.

A última linha para confessar que ao reler o texto, escrito em Salvador, soltei uma lágrima de emoção, tanto te queria abraçar esta tarde na Academia das Ciências dessa Lisboa que também já é tua, junto aos companheiros do MIL e da Mares Navegados.

ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO LAURO!»

Lisboa, Academia das Ciências, 8 de Fevereiro de 2010
Renato Epifânio, Porta-Voz do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO


P.S.: Pela quantidade – cerca de uma centena – e sobretudo pela qualidade das pessoas presentes nesta sessão, mais ainda, pelo local onde esta se realizou – Academia das Ciências de Lisboa, com toda a sua carga institucional, simbólica e mediática – esta data marca um antes e um depois na ainda breve história do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO. A partir de hoje, o MIL é, passou a ser, um interlocutor incontornável em todos os assuntos relativos à Lusofonia, à Convergência Lusófona. Saibamos ter noção disso, saibamos estar à altura dessa responsabilidade.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (http://www.movimentolusofono.org/)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de dois milhares adesões, de todos os países da CPLP.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Luísa Timóteo (Malaca), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).