EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lisboa, Academia das Ciências, 8 de Fevereiro de 2010

Exmo Senhor
Professor Doutor Adriano Moreira
Presidente da Academia das Ciências de Lisboa
Exmo Senhor
Professor Doutor António Dias Farinha
Secretário-Geral da Academia
Exmo Senhor
Doutor Mário Soares
Exmo Senhor
Embaixador do Brasil
Doutor Celso Vieira de Sousa
Exmo Senhor
Secretário-Executivo da CPLP
Engenheiro Domingos Simões Pereira
Exmo Senhor
Embaixador Lauro Moreira

Distintos Académicos e demais Autoridades
Minhas Senhoras e meus Senhores

1. Cumpre-me, em primeiro lugar, agradecer à Academia das Ciências o ter aceite, de imediato, ser a anfitriã desta Cerimónia – o da entrega do Prémio Personalidade Lusófona do Ano 2009, prémio promovido pelo MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO. Não me surpreendeu que tal tivesse acontecido. Todos conhecemos o Professor Doutor Adriano Moreira – todos conhecemos a sua sensibilidade a tudo o que diga respeito à Lusofonia, à Convergência Lusófona.

2. Esta causa, que é a nossa – a da Convergência Lusófona, a do reforço dos laços entre os países lusófonos, a todos os níveis: não só cultural, mas também social, mas também económico, mas também (não tenhamos medo da palavra) político –, é, a nosso ver, cada vez mais, uma Causa de Futuro. Na perspectiva do MIL, Portugal e todos os outros países da CPLP terão tanto mais futuro quanto mais apostarem num caminho de convergência entre si. Essa é a grande premissa deste movimento cultural e cívico que, em poucos mais de 2 anos, mereceu já a adesão expressa de mais de 2 mil pessoas, de todo o espaço lusófono.

3. O facto do Professor Doutor Adriano Moreira ter aceite associar-se a esta iniciativa prova, uma vez mais, que também ele é, sempre foi, um Homem de Futuro. Foi um Homem de Futuro no passado, continua a ser um Homem de Futuro no presente. Há sempre, infelizmente, quem o não perceba. Daí, por exemplo, alguns protestos que ocorreram quando, no 2º número da NOVA ÁGUIA, que teve como tema “António Vieira e o Futuro da Lusofonia”, se deu o devido destaque ao texto do Professor Doutor Adriano Moreira, texto, de resto, lido em primeira mão neste mesmo espaço, na abertura oficial dos Quatrocentos Anos do Nascimento de António Vieira, a 6 de Fevereiro de 2008. Consideravam, essas poucas vozes, que o Professor Doutor Adriano Moreira era um homem do passado, que a própria causa da Lusofonia, da Convergência Lusófona, era uma causa do passado. A História encarregar-se-á, como sempre, de mostrar quem tinha, quem tem, razão…

4. Tendo decidido, pela primeira vez, atribuir este Prémio, o da Personalidade Lusófona do Ano, a Comissão Executiva do MIL chegou de imediato ao nome do Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira – exactamente por todo o seu distinto trabalho em prol da Lusofonia, em prol da Convergência Lusófona. Fizemos então, como sempre, a proposta formal ao nosso Conselho Consultivo – órgão que reúne representantes de todos os países da CPLP, incluindo algumas regiões linguística e culturalmente afins, como a Galiza, Goa, Macau e Malaca. Devo dizer – a bem da verdade – que, nessa votação, houve um voto não favorável. Curiosamente, de um brasileiro – o que prova que, de facto, Portugal e o Brasil são dois povos-irmãos: se o candidato fosse um português, haveria decerto pelo menos um outro português a não votar a favor. A razão, contudo, não teve a ver com a pessoa do Embaixador Lauro Moreira, ressalve-se, mas com o trabalho da CPLP, ainda aquém do que pode ser, ainda muito aquém, nomeadamente, do sonho de Agostinho da Silva da criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona. As razões, para tal, são diversas e, nalguns casos, bem relevantes – se a CPLP não tem avançado mais não é, na maior parte dos casos, por culpa dos seus dirigentes, mas, a montante, dos governantes dos vários países da CPLP, que ainda não perceberam o quanto a Lusofonia, a Convergência Lusófona, é, de facto, uma causa de futuro. Também por isso movimentos como o nosso são importantes – porque não estão manietados por bloqueios político-diplomáticos, podem, mais livremente, abrir caminho… Daí a série de propostas que temos feito: a da criação de uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz”, para acorrer a situações como aquelas que se verificaram em Timor-Leste e, mais recentemente, na Guiné-Bissau; a do “Passaporte Lusófono”, em prol da livre circulação de pessoas em todo o espaço da CPLP; ou a do Canal Lusófono de Televisão e do Banco de Cooperação Lusófona, instituições a serem geridas, partilhadamente, por todos os países desta Comunidade. Daí ainda a série de iniciativas que temos promovido: referimo-nos, particularmente, aos vários debates públicos (sobre o futuro da CPLP, sobre a situação na Guiné-Bissau e sobre a questão da Galiza) e ao envio de livros que, através das parcerias que estabelecemos com outras entidades, conseguimos fazer chegar à Guiné-Bissau e a Timor-Leste. Tendo tudo isso sido possível através do empenho e trabalho de várias pessoas – desde logo dos meus colegas da Comissão Executiva do MIL: António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires e Rui Martins –, gostaria aqui de salientar o particular empenho e trabalho da Paula Viotti nessas recolhas de livros que realizámos neste último ano. Por isso, de resto, a elegemos como a MILitante do Ano de 2009.

5. A resposta que, em nome da Comissão Executiva do MIL, dei à pessoa que contestou a nossa escolha do Embaixador Lauro Moreira, entretanto validada também por centenas de mensagens que nos chegaram, de todo o espaço lusófono, foi a seguinte: «Caro Amigo, se a CPLP não avançou mais, não foi por culpa do Embaixador Lauro Moreira. Bem pelo contrário: se mais Lauros Moreiras existissem, a CPLP, certamente, estaria já bem mais avançada, bem mais perto do sonho de Agostinho da Silva». Esta é, em suma, a razão maior desta nossa distinção.

6. Para terminar a minha intervenção, lerei um dos muitos textos que nos chegaram (inclusive de entidades oficiais, como, citando apenas uma, da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, de Cabo Verde, que havia já igualmente homenageado o Embaixador Lauro Moreira com o título de Cidadão Honorário da Cidade Velha) – o texto, a mensagem, de Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados e um dos vinte cinco membros do nosso Conselho Consultivo, que com muita pena não pode estar aqui hoje:

«ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO LAURO!

Se podemos apontar várias iniciativas meritórias por parte do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, esta, a de homenagear o Embaixador Lauro Moreira como Personalidade Lusófona do Ano de 2009, tem um significado de profunda justiça para com um protagonista admirável da luta pela afirmação da língua portuguesa no contexto internacional, merecendo realce sua intervenção relevante na consolidação da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Até porque será difícil encontrar outra personalidade que, pela sua ação e pensamento, revele tão forte identidade com as razões da existência e da atividade do MIL, na sua vocação lusófona.

Se Lauro Moreira tivesse sido contemporâneo de Agostinho da Silva, se tivesse tido oportunidade de o conhecer na Paraiba, na Bahia ou em Brasília, teria sido – estou certo – um curioso ouvinte das suas provocações e depois um ativo companheiro na sua enorme capacidade de fazer. Teria sido um dos primeiros universitários da Paraiba a sair de João Pessoa, seguindo o Professor e a Judite Cortesão, naqueles anos cinquenta, integrando os grupos que o casal organizava para incursões sertão adentro, para ajudar as vítimas da seca, ensinando a aproveitar a rara água e até os cuidados de como enterrar os mortos. Teria sido um dos frequentadores, tal como Glauber Rocha, do curso de Teatro que Agostinho montou na Universidade da Bahia, primeira tarefa do programa de criação do futuro CEAO- Centro de Estudos Afro-Orientais, que ainda hoje tem um papel aglutinador dos interessados no estudo das raízes africanas do Brasil. Teria sido um dos estudantes moradores da "Trapa", o barracão que Agostinho imaginou e dirigiu, para garantir a sede do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, na Universidade de Brasília, e se teria encantado ao lado do Professor com as cores e os sons do bumba-meu-boi e do tambor da crioula de mestre Teodoro, até hoje fortes esteios da comunidade, ali perto, no Sobradinho. Teodoro Freire, antigo contínuo da Universidade de Brasília, até hoje afirma que seu bumba-meu-boi é diferente de todos os outros porque se firmou sob a inspiração de Agostinho. Aos 90 anos foi agraciado pelo Presidente Lula da Silva com a Medalha de Honra do Folclore. Agostinho com certeza que o abraçou.

Esse espírito agostiniano de Lauro Moreira merece ser lembrado neste prestimoso cenário da Academia das Ciências de Lisboa, cujo Presidente, o Professor Doutor Adriano Moreira, anfitrião desta festa, é um dos portugueses que melhor entendeu as mensagens de Agostinho.

Conheci Lauro Moreira em 1999, dez anos antes desta consagradora homenagem, como membro da Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Eu era então secretário-geral da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo de Língua Portuguesa. Logo nesse primeiro encontro, para além da capacidade de realização dos eventos de circunstância da efeméride, percebi em Lauro Moreira a sua perfeita consciência de que todos os passos de aproximação, colaboração e melhor mútuo conhecimento entre portugueses e brasileiros seriam sempre oportunos e potenciadores.

Mais tarde, me recebeu como Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e, depois, mantivemos contatos mais próximos, já enquanto Diretor da ABC- Agencia Brasileira de Cooperação, momento em que, em coordenação com a CPLP, a ABC financiou o projeto de bolsas para África e Timor-Leste que a Fundação Luso-Brasileira organizou, com o suporte técnico da Biblioteca Nacional, onde os bolsistas encontravam todas as condições necessárias para o desenvolvimento de seus trabalhos.

Desde professores universitários a bibliotecários e monitores de alfabetização e instrução primária, de quase todos os países da CPLP - apenas São Tomé e Príncipe não conseguiu apresentar candidatos -, que tinham suas propostas de trabalho previamente aprovadas por uma Comissão da Biblioteca e da Fundação, pudemos organizar um programa que até hoje, entre os que dirigi, considero como o de maior significado em termos lusófonos. Uma iniciativa de entidades portuguesas, com financiamento do governo brasileiro, abrangendo quase todos os países da CPLP, mereceria por certo a aprovação de Agostinho da Silva e também mereceu a chancela do Embaixador Lauro Moreira.

Assim chegamos ao auspicioso anúncio da nomeação de Lauro Moreira como titular da Missão do Brasil, sendo assim o primeiro Embaixador junto à CPLP, entre todos os países da Comunidade, exemplo felizmente já seguido por Portugal, com a nomeação do embaixador António Russo Dias, diplomata de grande experiência nestas lides do mundo de língua portuguesa.

E o que dizer deste mandato magnífico que se encerra por exigência de limite de idade, o que, pese sua normalidade e consequências irreversíveis, no caso de Lauro, nos soa como uma incongruência, pois que tanto ainda poderia toda a CPLP beneficiar de sua admirável tenacidade, pelo menos até aos oitenta?

Em termos pessoais, ficarei para sempre grato a Lauro Moreira por ter aceitado sem hesitação ser um dos fundadores da Associação Mares Navegados, à qual obviamente continuará a pertencer onde quer que esteja. Bastou ler o segundo artigo dos estatutos e ouvir o nome de outros companheiros que chamei, para não ter dúvidas que éramos - e somos - militantes das mesmas causas, comprometidos com a saga da Lusofonia. Não só fundador como animador constante da nossa batalha pela implementação do Acordo ortográfico, que só agora começa a dar sinais concretos de que também em Portugal será uma grata realidade.

Quando se fizer a história deste tema tão polémico como o do Acordo Ortográfico, que nesta Academia teve batalhadores persistentes como o Professor Doutor Malaca Casteleiro, que acompanhou este arrastamento de vinte anos, e puderem ser focados os últimos três, coincidindo com o seu mandato à frente da Missão do Brasil junto à CPLP, será incontornável a referência a Lauro Moreira e o reconhecimento do seu papel como um dos principais responsáveis do desbloqueamento do processo em Portugal.

Suportou com a galhardia dos valentes vários ataques, até ofensas, defendendo sem vacilar como Embaixador do Brasil a grande importância do Acordo Ortográfico, também política e como marco de solidariedade lusófona – do Brasil, em particular, que, por sentimento histórico, não concebia esta Reforma ortográfica sem a ratificação de Portugal. Felizmente, o bom senso colocou-nos no caminho correto de uma mesma ortografia da língua portuguesa em todo o mundo.
Mas essa foi uma entre muitas outras demonstrações da capacidade de Lauro Moreira, de novo na linha agostiniana de fazer, de realizar.
O auditório da Missão foi palco de largas dezenas de eventos culturais, porta aberta para lançamentos, seminários e palestras.
O centenário de Machado de Assis deu origem à maior divulgação até hoje realizada em Portugal da obra desse enorme vulto da literatura brasileira. Manuel Bandeira passou a ser conhecido por muitas plateias curiosas, em todo o rincão lusitano.
Lauro Moreira mobilizou os maiores espaços nacionais para a apresentação de grandes espetáculos, de teatro e, sobretudo, de música brasileira, em todos os seus timbres e melodias, para encanto de nossas gentes.

Me perdoa, Lauro, mas o rol de teus feitos é de tal monta que apenas referi os que melhor acompanhei.

Termino com a manifestação de gratidão pelo que fizeste também por amor a Portugal, onde deixas tantos amigos e admiradores sinceros, que não deixarás de voltar amiúde e nós te encontraremos no Brasil ou em África ou em Timor para continuarmos os sonhos que partilhamos contigo.

A última linha para confessar que ao reler o texto, escrito em Salvador, soltei uma lágrima de emoção, tanto te queria abraçar esta tarde na Academia das Ciências dessa Lisboa que também já é tua, junto aos companheiros do MIL e da Mares Navegados.

ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO LAURO!»

Lisboa, Academia das Ciências, 8 de Fevereiro de 2010
Renato Epifânio, Porta-Voz do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO


P.S.: Pela quantidade – cerca de uma centena – e sobretudo pela qualidade das pessoas presentes nesta sessão, mais ainda, pelo local onde esta se realizou – Academia das Ciências de Lisboa, com toda a sua carga institucional, simbólica e mediática – esta data marca um antes e um depois na ainda breve história do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO. A partir de hoje, o MIL é, passou a ser, um interlocutor incontornável em todos os assuntos relativos à Lusofonia, à Convergência Lusófona. Saibamos ter noção disso, saibamos estar à altura dessa responsabilidade.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (http://www.movimentolusofono.org/)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de dois milhares adesões, de todos os países da CPLP.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Luísa Timóteo (Malaca), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).