EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre a situação cultural de hoje...

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A Pele e a Terra

Se me perguntam qual é a situação cultural em Portugal neste momento, respondo com outra pergunta: a que é que chamamos cultura, hoje?
Porque essa palavra, esse conceito, não tem o mesmo significado para todos – sobretudo hoje, em que se ouve falar de «cultura de responsabilidade», «de civismo», «de transparência», disto e daquilo, como se afinal tudo fosse ou pudesse ser cultura. Como se a cultura fosse um somatório de comportamentos ou de princípios morais e éticos.
O que não é forçosamente errado – é simplesmente diferente da noção de cultura que nos foi incutida desde o século XIX: a cultura era sobretudo o campo das artes, das letras e das ciências; culto era o sujeito capaz de se deixar encantar com um certa ária de ópera, uma cantata de Bach, um soneto de Camões, uma página de Cervantes, Balzac ou Eça, uma escultura grega, um quadro de Rembrandt, etc. – e de os saber reconhecer e identificar.
A cultura é uma invenção europeia, como quase tudo, e também ela teve de sofrer as vicissitudes da História deste nosso continente. Convém lembrar aos mais esquecidos que em Outubro de 1914, com a I Guerra Mundial já a mostrar a sua inédita capacidade de destruição, um jornal de Berlim publica um célebre manifesto no qual noventa e três sábios de renome mundial, entre eles diversos prémios Nobel, defendiam a causa alemã como sendo a que representava a «Kultur», em contraste com as tendências corruptoras da «Zivilisation» moderna, mecânica e sem alma, representada nesse conflito pelas forças aliadas contra a tal Alemanha culta.
É igualmente oportuno lembrar o que escreveu George Steiner num livrinho precioso intitulado «No Castelo do Barba Azul – Algumas Notas para a Redefinição de Cultura»:
«Poucas tentativas se fizeram no sentido de ligar o fenómeno de primeira grandeza da barbárie do século XX a uma teoria mais geral da cultura. Foram raros os que puseram ou sondaram a questão das íntimas relações existentes entre as formas do inumano e a matriz ambiente contemporânea da civilização avançada. Mas o certo é que a barbárie que sofremos reflecte, em numerosos pontos precisos, a cultura de onde brotou e quis profanar. A arte, as investigações intelectuais, o desenvolvimento das ciências da natureza, múltiplos sectores de actividade universitária floresceram numa estreita proximidade espacial e temporal relativamente aos campos de extermínio. (...) Porque é que as tradições humanistas e os modelos de comportamento correspondentes se revelaram defesas tão frágeis contra a bestialidade política? De facto, seriam uma defesa, ou será mais realista identificarmos na cultura humanista apelos expressos ao autoritarismo e à barbárie? Não vejo como um debate sobre a definição de cultura e sobre a viabilidade da ideia de valores morais possa evitar estas questões. Uma teoria da cultura, uma análise da nossa situação de hoje, que não logre considerar no seu eixo as modalidades do terror que levou à morte, por meio da guerra, da fome e do massacre deliberado, cerca de setenta milhões de seres humanos na Europa e na Rússia, entre o início da Primeira Guerra Mundial e o fim da Segunda, não pode deixar de me parecer irresponsável.»
«Compreendemos hoje que as manifestações extremas da histeria colectiva e da selvajaria de massa podem coexistir com uma conservação e até um desenvolvimento simultâneos das instituições, organismos burocráticos e códigos profissionais da alta cultura. Por outras palavras, as bibliotecas, museus, teatros, universidades, centros de investigação, nos quais e através dos quais a transmissão das humanidades e das ciências tem fundamentalmente lugar, podem prosperar na vizinhança dos campos de concentração.»
E o mesmo Steiner a lembrar-nos que os torcionários e manipuladores das câmaras de gás eram muitas vezes conhecedores ávidos ou mesmo executantes das composições de Bach e Mozart, ou admiradores e estudiosos de Goethe e Rilke.
A essas observações, escritas em 1971 mas que continuam actualíssimas, podemos nós acrescentar que nesses mesmos anos 40, mas do outro lado da barricada, se inventou o «bombardeamento cultural» («cultural bombing») -- os bombardeiros aliados arrasaram sistematicamente alvos culturais alemães, como a Biblioteca Nacional de Munique (500 mil livros destruídos) ou a biblioteca universitária de Hamburgo (625 mil livros) – no total, cerca de oito milhões de livros consumidos pelo fogo. Apenas alguns exemplos desse catastrófico cenário de destruição, a que a cultura não escapou.
E tudo isso faz parte da nossa herança, por mais que nos doa. Ou por mais que tudo façamos para o ocultar na «cultura de amnésia» hoje vigente -- porque a memória só é exigida aos nossos computadores... Os mesmos computadores em que brincamos com jogos de guerra, aliás. Isto porque, já agora, também vigora hoje uma «cultura de virtualidade» em que nada é real (até nos tocar na pele) e tudo é «faz de conta».
A grande vencedora dos dois maiores conflitos mundiais foi a cultura americana. E um dos dados dessa mesma cultura é o espectáculo, sob as formas do cinema e da televisão, obviamente, mas também das outras artes e sobretudo dos nossos comportamentos: não preciso de ser realmente isto ou aquilo, basta que pareça (e apareça) assim aos olhos dos outros, numa cultura em que tudo se mostra e deve ser mostrado («público» e «privado» confundem-se). Se eu não aparecer na televisão, nos jornais, nas revistas, na Internet, é como se não existisse: estou social e culturalmente morto. Apareço (e pareço), logo existo...
Outra vencedora, e de matriz americana, do violento século XX foi a informação, tantas vezes confundida com a cultura. E confundindo mesmo os espíritos mais perspicazes, como o mediático Umberto Eco: «Cultura não é saber quando morreu Napoleão. Cultura significa saber como vou descobrir isso em dois minutos» ... Mas, digo eu, esse saber não é sabedoria nem é cultura, continua a ser informação. Uma informação omnipresente na nossa sociedade maioritariamente urbana, através da televisão, da rádio, dos jornais (cada vez menos), da Internet, da publicidade – palavras e imagens competindo entre si para nos darem conta do que se passa à nossa volta. Mas dentro de nós, quem nos diz como somos e estamos?
Todos nós conhecemos pessoas famosas por serem «cultas», exemplares nos diversos ramos da cultura erudita, mas que, quando nos aproximamos delas, se revelam seres humanos pouco edificantes, às vezes execráveis, ou simplesmente tão desinteressantes que nos levam a perguntar: mas como é que uma pessoa assim conseguiu criar uma obra tão bela...? Pessoalmente, tendo passado por demasiadas experiências penosas desse tipo, considero que estamos perante um dos enormes mistérios da criação...
É como se a tal cultura fosse apenas uma pele, ou uma capa, um acessório alugado num guarda-roupa cultural, e destinado a figurar neste baile de máscaras global.
«Global» -- aí está outra palavra que faz parte do nosso vocabulário cultural contemporâneo. E com toda a razão: a cultura que temos hoje é sobretudo global, ou seja, de matriz americana. Tal como outrora todos os caminhos (aliás, estradas romanas) iam dar a Roma, também hoje os nossos modelos vêm da América – mesmo o «multiculturalismo» veio de lá ...
Nesse aspecto a informação disponível é muito útil para fazermos estas comparações e sabermos a quantas andamos e o que nos querem impingir sob a capa da «originalidade». E que alimenta a chamada «indústria cultural», expressão horripilante que também nos chegou dos EUA, evidentemente (ainda está por fazer o rol dos malefícios da industrialização ...)
Um dos modelos culturais que hoje impera é o do horror disfarçado com o rótulo de «arte» e vendido por bom preço, graças ao nome que aparece na assinatura (os nomes, hoje, não têm significado espiritual – têm valor de mercado!) Sempre que me acontece entrar numa galeria ou até mesmo em casa de alguém e deparar-me com essas monstruosidades, além da dor que isso me provoca, dou por mim a perguntar: como é que se pode ter uma coisas destas diante dos olhos e não gritar, não adoecer, não ficar furioso com a humanidade...?
Talvez o Steiner tenha razão quando comenta: «Se fitarmos o medonho com demasiada insistência, acabamos por nos sentir insolitamente atraídos pelo medonho. Por vias estranhas, o horror mobiliza-nos a atenção, e concede às nossas capacidades limitadas uma ressonância de artifício.»
Tudo isso se aplica naturalmente ao caso cultural do nosso País, acerca do qual se deve ainda perguntar se a cultura que temos é mesmo nossa, se contém algo que seja especificamente português, ou se é apenas «global», como agora é moda e imperativo.
Nestes cem anos da «Águia», vem a propósito referir o que um dos seus vultos maiores, Teixeira de Pascoaes, escrevia em «Arte de Ser Português»:
«Ser português é também uma arte, e uma arte de grande alcance nacional, e, por isso, bem digna de cultura. (...) O fim desta Arte é a renascença de Portugal, tentada pela reintegração dos portugueses no carácter que por tradição e herança lhes pertence, para que eles ganhem uma nova actividade moral e social, subordinada a um novo objectivo comum superior. Em duas palavras: colocar a nossa Pátria ressurgida em frente do nosso Destino.»
Pascoaes escreveu esta cartilha cívica para ser ensinada nas escolas fundadas pela República. Agora que se assinalam cem anos da implantação dessa mesma República, o que faremos com este testamento espiritual do poeta, até agora nunca posto em prática?
Um outro poeta da mesma geração, Pessoa, afirmou que a cultura é um fenómeno espiritual e que a pátria era a nossa língua. Face a esses dados que fazem parte do nosso legado, que pátria é a nossa, quando a língua que hoje temos está reduzida a um léxico mínimo e a uma invasão de palavras e expressões americanas, usadas no original ou traduzidas à letra? Exemplos: timing, opinion makers, media (lido como «mídia»), outdoors, glamour, target, staff, procedimentos, corporações, janela de oportunidade, ícone, agendas, basicamente, interacção, pró-activo, no fim do dia, postura – e assim por diante...
O Pascoaes (sempre ele!), na mesma obra de 1915, definiu as características da alma portuguesa como sendo: termos uma língua e instituições próprias, uma História e antepassados exemplares, paisagem, gastronomia, igualmente próprias, e uma relação particular com o mar. Ora a língua está gravemente ferida, as instituições foram copiadas dos outros, a História é desprezada ou mal ensinada, os antepassados são meros desconhecidos, os monumentos estão a cair, a gastronomia ainda resiste apesar de ameaçada pela «nova cozinha» vinda do estrangeiro, a relação com o mar só subsiste nos pescadores que nos restam. Esse mar que foi o nosso deserto de nómadas e através do qual chegámos aos Orientes ... E hoje? Onde vamos? Fazemos turismo (os que podem) ou emigramos (à força, outra vez). Nem sequer conhecemos este País nem o seu património, nem a sua História. Geralmente são estrangeiros aqueles que nos mostram as riquezas que temos – e depois nós ficamos muito admirados...
Creio que a cultura não pode ser desligada da agricultura, no sentido em que qualquer cultura nasce da relação com uma certa terra e aqueles que a habitaram antes e habitam agora, e que a lavram misturando o seu suor com o húmus. Cultiva-se o espírito como se cultiva a terra. A cultura de um povo constitui a identidade de um certo grupo humano situado num determinado território ao longo de um certo período.
Creio, igualmente, que a chamada cultura, sempre ligada com a curiosidade e com o gosto de aprender, é o que nos permite ligar todas as coisas entre elas até formarem um tecido – como quem faz tapeçaria. É um entrelaçado ou um acto de amor.
Creio, finalmente, que a Bíblia está certa quando apela ao homem justo, e não ao homem culto; ao estudo, e não à enciclopédia; ao coração amoroso, e não à biblioteca recheada. Porque a sabedoria vem do coração, é coisa íntima, e a cultura, como sabemos, é demasiadas vezes uma simples pele, fina e frágil.
Afinal de contas, de que me serve ser «culto» se não cultivar esta terra que eu sou? Cultivá-la de modo a que dê frutos que alimentem os outros, os que têm fome.
De que me serve a cultura se ela não fizer de mim um ser humano melhor?
Mas claro que ingénuos como eu nunca terão cotação no tal mercado global.

António Carlos Carvalho