EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ainda sobre Pascoaes

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José da Costa Macedo
A DOR HUMANA NA REVISTA A ÁGUIA SEGUNDO TEIXEIRA DE PASCOAES

O luar e a consciência representam movimentos reflexos, que bateram de encontro a qualquer barreira indestrutível e ao voltar para trás, nos mostram então o perfil macerado sangrando luz...

Várias considerações se poderão tecer acerca deste parágrafo.
1 - A equiparação do surgimento da consciência ao de um fenómeno físico como o luar.
2 - A interpretação trágica da causa próxima de ambos: Um impedimento intransponível a uma realidade dinâmica anterior que sem esse obstáculo seguiria o seu curso.
3 - As marcas dessa tragédia naquilo que a seguir surgiu.
4 - Passando agora para a consciência, ela é neste caso indesligável da dor e porventura da tristeza.
Daí podemos concluir que tudo quanto tenha a marca superior da consciência será igualmente conotado com a dor radical que lhe é inerente: a arte, a religião, a filosofia, as vivências profundas daqueles que sendo homens se adentram mais que os outros no seu intimo e finalmente até um grupo que viva intensamente a natureza da consciência. Nas poesias que foi publicando em A Águia, este carácter matricial da dor surge que se poderia concluir do texto citado. "... a tudo à terra e ao céu me sinto preso. Vejo que a dor é o laço que me prende. Por isso a dor é a única alegria" e em seguida o âmbito daquilo que se deve à dor alarga-se para todas as coisas: "a dor é a virgem mãe que criou tudo" já antes no soneto "os meus olhos dolorosos" o poeta refere-se "à virgem da agonia, a mãe piedosa e triste da alegria". Essa mãe piedosa e triste é chamada antes "tristeza criadora". Há nestes dois poemas duas afirmações acerca da relação dor/alegria: A dor é alegria. A tristeza é mãe da alegria. Tristeza aqui como criadora pode considerar-se igualmente a dor aplicada ao sentimento principal do poeta. Predomínio da dor nos dois casos. Com efeito, verifique-se o motivo por que o poeta-filósofo, diz que a dor é a "única alegria": não é porque o afaste das coisas mas porque o prende a elas, tornando-se assim como a expansiva alegria incompatível com o isolamento. Predomínio da dor, portanto mesmo segundo aquele juízo aparentemente identificativo onde não seria possível a inversão simples. Portanto, mesmo quando mais tarde formular duma forma mais complexa a ideia de saudade em que uma das sínteses é a da dor com a alegria, não se trata de dois elementos iguais ou ao mesmo nível, trata-se de criador a dor com a criada alegria. Predomínio da dor portanto mas encarado também por aquilo que dela derivou. Síntese de dois elementos espirituais, se bem que derivados um do outro, ao contrário do que acontece em todas as outras sínteses com que se define a saudade.
Com efeito, a dor humana é espiritual e espiritualizante: Amor carnal, espiritualizado pela dor, contraposto a creio que também em síntese, com amor espiritual materializado pelo desejo . O mesmo deve-se observar-se quando se trata de comparar o mesmo binómio com espírito-matéria, desejo-lembrança, treva-luz, vidamorte . A diferença entre dor e alegria não é mesma nem é promocional com as outras. Se de todas se pode dizer que se digladiam, este verbo tem sentidos muitos diferentes, admitindo que a lembrança seja espiritual perante o desejo como material. A dor aparece assim valorativamente como aquilo que para alem das sequelas dolorosas se sintetiza com a não dor à qual deu origem. Se assim não for, a dor acarreta o pesadelo de si mesma como eternidade, como se declara num dos mais profundos artigos escritos na revista A Águia: “O Tempo” . Assim a dor parece dilatar o pontual presente vivido por cada homem. Mas mesmo naquele presente que a dor não dilata o homem sente-se ligado à sua dor ou então "faz-se notar" pelo próprio nada de que é feito. Teixeira de Pascoaes silencia aqui aqueles casos em que o prazer intenso faz esquecer o tempo. Será porque o inclui no nada que morre ou porque nesse caso o tempo desaparece, passando-se só do termo da vivência a ter consciência da duração passada? A consciência do presente é usualmente conjugada com a dor. Mas também neste caso se descobre segundo o que é, segundo a estreiteza e a dureza do que é. Só a seguir isso que foi presente duro, ao tornar-se passado se transforma em imagem libertadora de cada um. Por isso diz T
Pascoaes, o homem sonha libertar-se do que é ligando-se ao que foi ou ao que à de ser: Dolorosa incompatibilidade entre o homem e o tempo e que o leva a fugir do tempo para o tempo: ao passado pela lembrança que Pascoaes considerou espiritual, o futuro pelo desejo que Pascoaes considerou corporal material. E a desagregação daquela síntese desejada por Pascoaes para definir a saudade. Notar-se que ele não diz que o desejo de um homem é libertar-se rumo ao passado e ao futuro mas sim é isso o seu sonho, como se a dinâmica do sonho leva-se à sua realização sem passar pelo desejo. Pascoaes acaba por conotar esta libertação do presente temporal com a libertação do corpo. Libertar-se do corpo e libertar-se do tempo? De facto, matar o presente ficando com passado e futuro é procurar no tempo o não tempo. É ou ficar entalado entre a eternidade e o possível ou sobrevoá-los. Tudo isto para evitar a simbiose do momento presente e da dor, ou melhor da vivência presente como vivência do presente rumo à vivência do passado e do futuro a partir de um presente que não se quer vivenciar como tal. Tudo isto não mergulhar na dor como tal. Daí a necessidade de a emparceirar ou de considera-la como um sentir matricial, segundo a sua própria essência e quando isso for possível. Poderia perguntar-se se este texto sobre o tempo que afinal é sobre dor e tempo não seria um outro filão para chegar ao afloramento do que é a saudade na sua dimensão trágica que parece esquecida nas grandes definições - descrições que da mesma são dadas em artigos anteriores. Dor ínsita à profundidade da consciência perante a sua temporalidade de que não consegue libertar-se. Dor que mesmo no âmbito do tempo, cria pesadelos de eternidade.
Conotando-se com isto e com este desejo de fuga trágica pode referir-se à recusa total de uma dor eterna. Com efeito há uma outra hipotética dor que é recusada quando isolada de qualquer outro elemento positivo, a dor infernal em que certas igrejas cristãs acreditam. Recusar que ao mesmo tempo pode considerar-se uma das manifestações de anticatolicismo radical outras vezes afirmado no decorrer das intervenções do autor n’ A Águia. Trata-se da interpretação daquilo que sucedeu após a morte de Jean Valjean segundo a narrativa de Victor Hugo na sua obra "Os miseráveis". Após aquela morte contra o romance que sobre Paris apareceu um anjo enorme de asas abertas. Segundo a interpretação de Pascoaes seria "O próprio Satã redimido e levado do Inferno da sua revolta à beatitude, à pacificação da sua vitória"... "Satã novamente eleito e consagrado pelo esforço e pela sua dor.” . Como base desta visão da dor, encontram-se perspectivas antropológicas, cosmológicas e até metafísicas. Há com efeito um dualismo no homem que não pode deixar de ser motivo de sofrimento. É o espírito e a matéria, o espiritual e o corporal, se bem que ambos com a mesma origem cosmológica. A matéria e o Espírito. Esta relação é conflituosa. "A origem do corpo ensombra a Alma" . "O homem pode sonhar como espírito mas só pode agir como animal" . Desgarramento trágico na própria constituição do homem: "Corporalmente estamos muito longe da origem, espiritualmente a distância é pequeníssima" . Trata-se da longínqua origem miticamente expressa (Da sombra da origem). Mas a origem próxima, várias vezes Pascoaes aponta-a como sendo a matéria. "Carne, sonho, pedra, flor, pertencem a reinos diferentes. São a mesma matéria mas em diversos graus de evolução cósmica" . "Matéria e pensamento são a mesma energia em diversos graus de evolução" . Há nisto um caminho do menos para o mais. "Creio que o espírito é a esperança atingida da matéria onde ela se organiza e completa em suprema harmonia que a si mesma se ouve e se compreende" .
Uma origem ainda mais próxima do que a matéria cria no homem a vivência de um drama. "A caricatura é o riso amarelo da alma perante a sua origem e destino: o macaco e a morte" . E agora passemos para a mais anterior origem metafísica relacionada com a passagem do uno ao múltiplo. "Foi Deus que a inventou [a caricatura] a fim de quebrar a infinita monotonia da identidade originária, o Mesmo, esse deserto sem limites. Quando os outros pulularam do mesmo..." criou-se aquilo que ele chamou "sorriso de ironia" dos constitutivos do universo numa espécie perspectiva pessimista da pluralidade. Mas é essa pluralidade na sua relação com a origem metafísica apontada que explica a desarmonia do homem, a dor sem esquecer nunca que esta é espiritual. Tal multiplicidade originou a dualidade dos elementos "que desenham um íntimo perfil contraditório" .
O próprio Deus diz Teixeira de Pascoaes, deveria arrepender-se de ter originado a pluralidade constituída por indivíduos diferentes entre si. A individualidade implica a dor, a individualidade ou mesmo a individuação posterior a um estado prévio em que os homens viveram (misteriosamente) sem individuação. Ou seja há dor porque há multiplicidade e individualidade. Nós viveríamos com efeito felizes e libertos nesse estado em que "a alma se tornou a nossa alma" . É a isso que Pascoaes chamou "perder o paraíso". Àquela quebra da unidade total como raiz primeira metafísica da dor, sucede dir-se-ia que como seu reflexo a falta de unificação ou exclusão dos elementos principais da totalidade: trata-se do pensamento. O pensamento acerca do universo cientificamente considerado faz parte desse mesmo universo, ignorá-lo conduz à tragédia como afirma acerca de Manuel Laranjeira: ele
caiu (e foi a sua desventura) numa terrível ilusão de recente origem cientifica. Contemplou o universo e a vida como isolados do seu pensamento... porque o pensamento humano é que contempla o universo... é a última forma superior da sua evolução. ...a tragédia humana, uma forma de dizer a dor humana, leva à invenção de Deus. "O indivíduo contemplando as suas fraquezas e misérias cria espiritualmente um indivíduo liberto dessas fraquezas e misérias, isto é, um Deus. "E a sua vida fica a ser "uma tendência constante para esse mundo superior que ele criou". O mesmo se dá com as sociedades . Assim relativamente à dor (ligada à imperfeição humana) não só Deus é referido como criação do homem ou quando é tratado como se existisse, é apontado como ligado especialmente à dor humana como se viu naquela referencia à quebra da unidade. Nunca Deus é referido como aquele ser que pode valer ao homem na sua dor. Se se quiser tomar como tratando realidade, as afirmações de Deus como origem sobrepor-se-iam sem a negar à referência à matéria como origem física de todas as realidades mesmo humanas.
Mas a referencia a Deus sempre que aparece também pode ser perspectivada como mito referencial explicativo à maneira de Platão. "Se Deus existisse, duvidaria perpetuamente da sua divindade." Diz referindo-se à humildade de Tolstoi . É perceptível aqui uma atitude agnóstica ou ateia.

Da dor colectiva
É a propósito da atribuição da primeira grande guerra a Guilherme II que diz:
1. A guerra tem uma origem superior ao homem: a espécie.
2. Atribui-la apenas à vontade do Kaiser deriva da falta de visão.
3. Mas logo a seguir lembra outras entidades inventadas pelo homem para lhes atribuir a causa da guerra.
4. É aí que afirma: tudo isto é a dor humana a iludir-se, a pintar de branco a sua noite... "Este poder que tem o homem de dourar a sua miséria foi-lhe dado pela natureza como o golpe de Graça a um condenado."
5. No contexto parece que a atribuição da guerra ao Kaiser é mais um caso desta dor humana a iludir-se, como se iludiu antes atribuindo tal desgraça às feiticeiras e à sibila. Assim, a dor inerente ao homem mas agora como parte de uma colectividade parece vinda de algo invencível: com efeito, a espécie é dita irmã gémea do destino pois que não é apontada uma solução ou uma superação . Lembra-se a seguir a subordinação necessária dos homens a grandes ideais como condição de enfrentar a dor e a morte. Mas esta subordinação a altos ideais geradores de heroísmo tanto existe na guerra ofensiva como na guerra defensiva. Tal como nas tragédias Gregas a dor humana é superada apenas pela dignidade do próprio sofrimento. Existe aqui mais uma indicação de uma nova fonte da dor humana diferente daquelas que foram anteriormente indicadas mas subordinada às mesmas ou melhor com origem nas mesmas. Apesar disso é a que mais pessimismo acarreta.
Outra é a dor derivada de certo ambiente cultural denunciado para poder ser superado. "Se auscultarmos o estado actual da alma humana, logo se percebe que ela sofre e é triste no meio duma civilização indiferente" . Mas essa tristeza é susceptível de ser superada quer a nível nacional quer a nível internacional. Pascoaes aponta o êxito das conferências de Bergson em Paris, pensando na transformação espiritual que tais conferências produziriam. Mas há uma dor colectiva comunitária humana que pode ser considerada estrutural ou quase estrutural. É o caso da "dor russa que é um dos maiores impérios da dor humana" . E muito mais estrutural parece o que se refere ao "Génio Lusitano", se conotarmos a dor com a tristeza. "...Génio Lusitano, esse templo de tristeza erguido nos ermos, com a saudade lá dentro, a orar a um Deus menino” . Já não se trata daquela tristeza antes referida e lamentada, trata-se da tristeza integrada. Sempre que se diz que a humanidade sofre que as nações sofrem, trata-se do sofrimento de cada um dos seus componentes, de cada homem. Teixeira de Pascoaes teve o cuidado de o dizer para que não se pensasse que a colectividade sofre, que ela sente, como se o todo fosse uma super pessoa constituída por pessoas: "o homem de carne e osso é o único homem que verdadeiramente sofre sobre a terra conforme disse na sua extraordinária obra Miguel de Unamuno . É cada homem que sofre atingido no íntimo de si mesmo na sua individualidade e naquilo que define semelhantemente aos outros homens. Ora, o ser humano é definido por Pascoaes mais como um ser que sonha do que pela racionalidade . Definido assim, vemo-lo mais exposto à dor. Esta afirmação do sonho como constitutivo do homem tinha sido precedida por outra que não pode deixar de ser considerada de nuance pessimista. O homem é um ser que mente. Desilusão portanto com a definição clássica de animal racional . No decorrer no que foi escrevendo na revista A Águia, Teixeira de Pascoaes nunca se referiu à maneira de harmonizar as duas definições. De qualquer maneira, há nestas definições o desfasamento entre si e a realidade: negar conscientemente a realidade ou viver do que ainda não é realidade: nos dois casos está o sofrimento. Há outras modalidades de dor que naturalmente derivam de forma muito mediada daquelas raízes apontadas, e que se diriam dramáticas mas não trágicas. Toda a dor que derive de carências mas que podem ser preenchidas. Distingui-las assim não significa desprezo por elas mas simpatia e esperança. Embora não seja um poema expresso em A Águia poderá ser aqui citado. Trata-se da dor "que muda em prazer um bocado de pão... dor que um cobertor pode bem destruir. Dor de quem almoça e janta muito mal.” . Este predomínio da dor desta mensagem de Pascoaes que percorre A Águia significa antes de tudo um apelo à profundidade, numa recusa de uma visão puramente fenoménica. Dor a superar mas a apagar, é ter presente para além de ela própria sem nela se sumir como única
estesia ou como resignação que esqueça a tentativa de a superar agregando-a. É o elemento espiritual que não pode ser isolado. Como diz no comentário ao livro de Job, ela pode tornar-se na luta da criação espiritual contra o criador material , o Poema da dor torna-se transfiguração permitindo a acção do espírito que por seu lado teve a mesma origem do corpo. Estamos longe do que poderíamos chamar uma visão dolorista. Dor individual, dor colectiva que em ultima analise é individual inserem-se afinal no estatuto do homem que fazendo parte de um todo é uma excepção nos constituintes desse todo. Parecendo realidade acabada, a natureza é constituída por elementos inacabados que nunca chegam individualmente ao acabamento de si mesmos. Na natureza diz o pensador "Tudo é esboço”. Ora, o esboço-homem graças ao seu poder espiritual criador passa a existência a ver se consegue concluir, completar a sua pessoa .
Declarou Teixeira de Pascoaes em disputa com António Sérgio que apreciava mais afirmar do que raciocinar. Apesar disso sabemos que a meditação também lhe orientou o pensamento e que este embora surgido da reflexão sobre certos casos imediatamente ligados ao universal formam um todo dinâmico, um pensamento criativo e em borbotões onde é possível encontrar a coerência.
Ter-se-á notado nesta exposição aqui feita fez-se recurso a escritos em prosa e em poesia. É que estes não podem ser separados daqueles apesar da diferença de exposição.