EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas






O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ainda sobre Pascoaes

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José da Costa Macedo
A DOR HUMANA NA REVISTA A ÁGUIA SEGUNDO TEIXEIRA DE PASCOAES

O luar e a consciência representam movimentos reflexos, que bateram de encontro a qualquer barreira indestrutível e ao voltar para trás, nos mostram então o perfil macerado sangrando luz...

Várias considerações se poderão tecer acerca deste parágrafo.
1 - A equiparação do surgimento da consciência ao de um fenómeno físico como o luar.
2 - A interpretação trágica da causa próxima de ambos: Um impedimento intransponível a uma realidade dinâmica anterior que sem esse obstáculo seguiria o seu curso.
3 - As marcas dessa tragédia naquilo que a seguir surgiu.
4 - Passando agora para a consciência, ela é neste caso indesligável da dor e porventura da tristeza.
Daí podemos concluir que tudo quanto tenha a marca superior da consciência será igualmente conotado com a dor radical que lhe é inerente: a arte, a religião, a filosofia, as vivências profundas daqueles que sendo homens se adentram mais que os outros no seu intimo e finalmente até um grupo que viva intensamente a natureza da consciência. Nas poesias que foi publicando em A Águia, este carácter matricial da dor surge que se poderia concluir do texto citado. "... a tudo à terra e ao céu me sinto preso. Vejo que a dor é o laço que me prende. Por isso a dor é a única alegria" e em seguida o âmbito daquilo que se deve à dor alarga-se para todas as coisas: "a dor é a virgem mãe que criou tudo" já antes no soneto "os meus olhos dolorosos" o poeta refere-se "à virgem da agonia, a mãe piedosa e triste da alegria". Essa mãe piedosa e triste é chamada antes "tristeza criadora". Há nestes dois poemas duas afirmações acerca da relação dor/alegria: A dor é alegria. A tristeza é mãe da alegria. Tristeza aqui como criadora pode considerar-se igualmente a dor aplicada ao sentimento principal do poeta. Predomínio da dor nos dois casos. Com efeito, verifique-se o motivo por que o poeta-filósofo, diz que a dor é a "única alegria": não é porque o afaste das coisas mas porque o prende a elas, tornando-se assim como a expansiva alegria incompatível com o isolamento. Predomínio da dor, portanto mesmo segundo aquele juízo aparentemente identificativo onde não seria possível a inversão simples. Portanto, mesmo quando mais tarde formular duma forma mais complexa a ideia de saudade em que uma das sínteses é a da dor com a alegria, não se trata de dois elementos iguais ou ao mesmo nível, trata-se de criador a dor com a criada alegria. Predomínio da dor portanto mas encarado também por aquilo que dela derivou. Síntese de dois elementos espirituais, se bem que derivados um do outro, ao contrário do que acontece em todas as outras sínteses com que se define a saudade.
Com efeito, a dor humana é espiritual e espiritualizante: Amor carnal, espiritualizado pela dor, contraposto a creio que também em síntese, com amor espiritual materializado pelo desejo . O mesmo deve-se observar-se quando se trata de comparar o mesmo binómio com espírito-matéria, desejo-lembrança, treva-luz, vidamorte . A diferença entre dor e alegria não é mesma nem é promocional com as outras. Se de todas se pode dizer que se digladiam, este verbo tem sentidos muitos diferentes, admitindo que a lembrança seja espiritual perante o desejo como material. A dor aparece assim valorativamente como aquilo que para alem das sequelas dolorosas se sintetiza com a não dor à qual deu origem. Se assim não for, a dor acarreta o pesadelo de si mesma como eternidade, como se declara num dos mais profundos artigos escritos na revista A Águia: “O Tempo” . Assim a dor parece dilatar o pontual presente vivido por cada homem. Mas mesmo naquele presente que a dor não dilata o homem sente-se ligado à sua dor ou então "faz-se notar" pelo próprio nada de que é feito. Teixeira de Pascoaes silencia aqui aqueles casos em que o prazer intenso faz esquecer o tempo. Será porque o inclui no nada que morre ou porque nesse caso o tempo desaparece, passando-se só do termo da vivência a ter consciência da duração passada? A consciência do presente é usualmente conjugada com a dor. Mas também neste caso se descobre segundo o que é, segundo a estreiteza e a dureza do que é. Só a seguir isso que foi presente duro, ao tornar-se passado se transforma em imagem libertadora de cada um. Por isso diz T
Pascoaes, o homem sonha libertar-se do que é ligando-se ao que foi ou ao que à de ser: Dolorosa incompatibilidade entre o homem e o tempo e que o leva a fugir do tempo para o tempo: ao passado pela lembrança que Pascoaes considerou espiritual, o futuro pelo desejo que Pascoaes considerou corporal material. E a desagregação daquela síntese desejada por Pascoaes para definir a saudade. Notar-se que ele não diz que o desejo de um homem é libertar-se rumo ao passado e ao futuro mas sim é isso o seu sonho, como se a dinâmica do sonho leva-se à sua realização sem passar pelo desejo. Pascoaes acaba por conotar esta libertação do presente temporal com a libertação do corpo. Libertar-se do corpo e libertar-se do tempo? De facto, matar o presente ficando com passado e futuro é procurar no tempo o não tempo. É ou ficar entalado entre a eternidade e o possível ou sobrevoá-los. Tudo isto para evitar a simbiose do momento presente e da dor, ou melhor da vivência presente como vivência do presente rumo à vivência do passado e do futuro a partir de um presente que não se quer vivenciar como tal. Tudo isto não mergulhar na dor como tal. Daí a necessidade de a emparceirar ou de considera-la como um sentir matricial, segundo a sua própria essência e quando isso for possível. Poderia perguntar-se se este texto sobre o tempo que afinal é sobre dor e tempo não seria um outro filão para chegar ao afloramento do que é a saudade na sua dimensão trágica que parece esquecida nas grandes definições - descrições que da mesma são dadas em artigos anteriores. Dor ínsita à profundidade da consciência perante a sua temporalidade de que não consegue libertar-se. Dor que mesmo no âmbito do tempo, cria pesadelos de eternidade.
Conotando-se com isto e com este desejo de fuga trágica pode referir-se à recusa total de uma dor eterna. Com efeito há uma outra hipotética dor que é recusada quando isolada de qualquer outro elemento positivo, a dor infernal em que certas igrejas cristãs acreditam. Recusar que ao mesmo tempo pode considerar-se uma das manifestações de anticatolicismo radical outras vezes afirmado no decorrer das intervenções do autor n’ A Águia. Trata-se da interpretação daquilo que sucedeu após a morte de Jean Valjean segundo a narrativa de Victor Hugo na sua obra "Os miseráveis". Após aquela morte contra o romance que sobre Paris apareceu um anjo enorme de asas abertas. Segundo a interpretação de Pascoaes seria "O próprio Satã redimido e levado do Inferno da sua revolta à beatitude, à pacificação da sua vitória"... "Satã novamente eleito e consagrado pelo esforço e pela sua dor.” . Como base desta visão da dor, encontram-se perspectivas antropológicas, cosmológicas e até metafísicas. Há com efeito um dualismo no homem que não pode deixar de ser motivo de sofrimento. É o espírito e a matéria, o espiritual e o corporal, se bem que ambos com a mesma origem cosmológica. A matéria e o Espírito. Esta relação é conflituosa. "A origem do corpo ensombra a Alma" . "O homem pode sonhar como espírito mas só pode agir como animal" . Desgarramento trágico na própria constituição do homem: "Corporalmente estamos muito longe da origem, espiritualmente a distância é pequeníssima" . Trata-se da longínqua origem miticamente expressa (Da sombra da origem). Mas a origem próxima, várias vezes Pascoaes aponta-a como sendo a matéria. "Carne, sonho, pedra, flor, pertencem a reinos diferentes. São a mesma matéria mas em diversos graus de evolução cósmica" . "Matéria e pensamento são a mesma energia em diversos graus de evolução" . Há nisto um caminho do menos para o mais. "Creio que o espírito é a esperança atingida da matéria onde ela se organiza e completa em suprema harmonia que a si mesma se ouve e se compreende" .
Uma origem ainda mais próxima do que a matéria cria no homem a vivência de um drama. "A caricatura é o riso amarelo da alma perante a sua origem e destino: o macaco e a morte" . E agora passemos para a mais anterior origem metafísica relacionada com a passagem do uno ao múltiplo. "Foi Deus que a inventou [a caricatura] a fim de quebrar a infinita monotonia da identidade originária, o Mesmo, esse deserto sem limites. Quando os outros pulularam do mesmo..." criou-se aquilo que ele chamou "sorriso de ironia" dos constitutivos do universo numa espécie perspectiva pessimista da pluralidade. Mas é essa pluralidade na sua relação com a origem metafísica apontada que explica a desarmonia do homem, a dor sem esquecer nunca que esta é espiritual. Tal multiplicidade originou a dualidade dos elementos "que desenham um íntimo perfil contraditório" .
O próprio Deus diz Teixeira de Pascoaes, deveria arrepender-se de ter originado a pluralidade constituída por indivíduos diferentes entre si. A individualidade implica a dor, a individualidade ou mesmo a individuação posterior a um estado prévio em que os homens viveram (misteriosamente) sem individuação. Ou seja há dor porque há multiplicidade e individualidade. Nós viveríamos com efeito felizes e libertos nesse estado em que "a alma se tornou a nossa alma" . É a isso que Pascoaes chamou "perder o paraíso". Àquela quebra da unidade total como raiz primeira metafísica da dor, sucede dir-se-ia que como seu reflexo a falta de unificação ou exclusão dos elementos principais da totalidade: trata-se do pensamento. O pensamento acerca do universo cientificamente considerado faz parte desse mesmo universo, ignorá-lo conduz à tragédia como afirma acerca de Manuel Laranjeira: ele
caiu (e foi a sua desventura) numa terrível ilusão de recente origem cientifica. Contemplou o universo e a vida como isolados do seu pensamento... porque o pensamento humano é que contempla o universo... é a última forma superior da sua evolução. ...a tragédia humana, uma forma de dizer a dor humana, leva à invenção de Deus. "O indivíduo contemplando as suas fraquezas e misérias cria espiritualmente um indivíduo liberto dessas fraquezas e misérias, isto é, um Deus. "E a sua vida fica a ser "uma tendência constante para esse mundo superior que ele criou". O mesmo se dá com as sociedades . Assim relativamente à dor (ligada à imperfeição humana) não só Deus é referido como criação do homem ou quando é tratado como se existisse, é apontado como ligado especialmente à dor humana como se viu naquela referencia à quebra da unidade. Nunca Deus é referido como aquele ser que pode valer ao homem na sua dor. Se se quiser tomar como tratando realidade, as afirmações de Deus como origem sobrepor-se-iam sem a negar à referência à matéria como origem física de todas as realidades mesmo humanas.
Mas a referencia a Deus sempre que aparece também pode ser perspectivada como mito referencial explicativo à maneira de Platão. "Se Deus existisse, duvidaria perpetuamente da sua divindade." Diz referindo-se à humildade de Tolstoi . É perceptível aqui uma atitude agnóstica ou ateia.

Da dor colectiva
É a propósito da atribuição da primeira grande guerra a Guilherme II que diz:
1. A guerra tem uma origem superior ao homem: a espécie.
2. Atribui-la apenas à vontade do Kaiser deriva da falta de visão.
3. Mas logo a seguir lembra outras entidades inventadas pelo homem para lhes atribuir a causa da guerra.
4. É aí que afirma: tudo isto é a dor humana a iludir-se, a pintar de branco a sua noite... "Este poder que tem o homem de dourar a sua miséria foi-lhe dado pela natureza como o golpe de Graça a um condenado."
5. No contexto parece que a atribuição da guerra ao Kaiser é mais um caso desta dor humana a iludir-se, como se iludiu antes atribuindo tal desgraça às feiticeiras e à sibila. Assim, a dor inerente ao homem mas agora como parte de uma colectividade parece vinda de algo invencível: com efeito, a espécie é dita irmã gémea do destino pois que não é apontada uma solução ou uma superação . Lembra-se a seguir a subordinação necessária dos homens a grandes ideais como condição de enfrentar a dor e a morte. Mas esta subordinação a altos ideais geradores de heroísmo tanto existe na guerra ofensiva como na guerra defensiva. Tal como nas tragédias Gregas a dor humana é superada apenas pela dignidade do próprio sofrimento. Existe aqui mais uma indicação de uma nova fonte da dor humana diferente daquelas que foram anteriormente indicadas mas subordinada às mesmas ou melhor com origem nas mesmas. Apesar disso é a que mais pessimismo acarreta.
Outra é a dor derivada de certo ambiente cultural denunciado para poder ser superado. "Se auscultarmos o estado actual da alma humana, logo se percebe que ela sofre e é triste no meio duma civilização indiferente" . Mas essa tristeza é susceptível de ser superada quer a nível nacional quer a nível internacional. Pascoaes aponta o êxito das conferências de Bergson em Paris, pensando na transformação espiritual que tais conferências produziriam. Mas há uma dor colectiva comunitária humana que pode ser considerada estrutural ou quase estrutural. É o caso da "dor russa que é um dos maiores impérios da dor humana" . E muito mais estrutural parece o que se refere ao "Génio Lusitano", se conotarmos a dor com a tristeza. "...Génio Lusitano, esse templo de tristeza erguido nos ermos, com a saudade lá dentro, a orar a um Deus menino” . Já não se trata daquela tristeza antes referida e lamentada, trata-se da tristeza integrada. Sempre que se diz que a humanidade sofre que as nações sofrem, trata-se do sofrimento de cada um dos seus componentes, de cada homem. Teixeira de Pascoaes teve o cuidado de o dizer para que não se pensasse que a colectividade sofre, que ela sente, como se o todo fosse uma super pessoa constituída por pessoas: "o homem de carne e osso é o único homem que verdadeiramente sofre sobre a terra conforme disse na sua extraordinária obra Miguel de Unamuno . É cada homem que sofre atingido no íntimo de si mesmo na sua individualidade e naquilo que define semelhantemente aos outros homens. Ora, o ser humano é definido por Pascoaes mais como um ser que sonha do que pela racionalidade . Definido assim, vemo-lo mais exposto à dor. Esta afirmação do sonho como constitutivo do homem tinha sido precedida por outra que não pode deixar de ser considerada de nuance pessimista. O homem é um ser que mente. Desilusão portanto com a definição clássica de animal racional . No decorrer no que foi escrevendo na revista A Águia, Teixeira de Pascoaes nunca se referiu à maneira de harmonizar as duas definições. De qualquer maneira, há nestas definições o desfasamento entre si e a realidade: negar conscientemente a realidade ou viver do que ainda não é realidade: nos dois casos está o sofrimento. Há outras modalidades de dor que naturalmente derivam de forma muito mediada daquelas raízes apontadas, e que se diriam dramáticas mas não trágicas. Toda a dor que derive de carências mas que podem ser preenchidas. Distingui-las assim não significa desprezo por elas mas simpatia e esperança. Embora não seja um poema expresso em A Águia poderá ser aqui citado. Trata-se da dor "que muda em prazer um bocado de pão... dor que um cobertor pode bem destruir. Dor de quem almoça e janta muito mal.” . Este predomínio da dor desta mensagem de Pascoaes que percorre A Águia significa antes de tudo um apelo à profundidade, numa recusa de uma visão puramente fenoménica. Dor a superar mas a apagar, é ter presente para além de ela própria sem nela se sumir como única
estesia ou como resignação que esqueça a tentativa de a superar agregando-a. É o elemento espiritual que não pode ser isolado. Como diz no comentário ao livro de Job, ela pode tornar-se na luta da criação espiritual contra o criador material , o Poema da dor torna-se transfiguração permitindo a acção do espírito que por seu lado teve a mesma origem do corpo. Estamos longe do que poderíamos chamar uma visão dolorista. Dor individual, dor colectiva que em ultima analise é individual inserem-se afinal no estatuto do homem que fazendo parte de um todo é uma excepção nos constituintes desse todo. Parecendo realidade acabada, a natureza é constituída por elementos inacabados que nunca chegam individualmente ao acabamento de si mesmos. Na natureza diz o pensador "Tudo é esboço”. Ora, o esboço-homem graças ao seu poder espiritual criador passa a existência a ver se consegue concluir, completar a sua pessoa .
Declarou Teixeira de Pascoaes em disputa com António Sérgio que apreciava mais afirmar do que raciocinar. Apesar disso sabemos que a meditação também lhe orientou o pensamento e que este embora surgido da reflexão sobre certos casos imediatamente ligados ao universal formam um todo dinâmico, um pensamento criativo e em borbotões onde é possível encontrar a coerência.
Ter-se-á notado nesta exposição aqui feita fez-se recurso a escritos em prosa e em poesia. É que estes não podem ser separados daqueles apesar da diferença de exposição.