EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O novo voo da Águia sobre o projecto da nova Renascença no século XXI

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Após quase cem anos, aqui nos encontramos com a motivação de levantarmos um novo voo e de estabelecermos outros rumos para uma mudança político-ideológica. Ajudados pelo aguçado olhar de uma Águia que, atenta observa do alto, empenhando a sua luta e obstinação pela sobrevivência de um projecto que, convictamente, ainda segura nas suas garras, esforçamo-nos por afirmar o nosso trajecto; um trajecto centenário que, apesar de interrompido nas últimas décadas, devido à dificuldade de abertura e entendimento por parte de algumas facções da sociedade portuguesa, cedente aos modelos europeus, se manteve vivo no desejo de muitos portugueses que o querem fazer renascer.
Desde o ano de 1910, altura em que a Águia fez o seu primeiro voo e se iniciou um período de reestruturação e de acérrima discussão sobre os desígnios do país, que constatamos que Portugal se manteve até hoje, ano de 2009, no que concerne às suas características económicas, sociais e culturais, o mesmo! Completamente alheio a si mesmo, desencontrado, num processo de evolutiva descaracterização. Contradirão as vozes progressistas, que comandaram o país neste entremeio, que o país se modernizou, tendo aderido à Comunidade Económica Europeia, tendo fomentado políticas direccionadas para o desenvolvimento de infra-estruturas e dos sectores necessários para a dinamização económica do país e construção de um Estado moderno: de lá para cá construíram-se muitas estradas, a tecnologia tornou os meios de comunicação extremamente eficazes, o mundo globalizou-se e estamos todos em contacto uns com os outros e a escolaridade já não é mais o privilégio de uma pequena camada da população: é para todos e já obrigatória por mais anos, e, nas escolas, neste momento, até se financiam muitos computadores para que lá fora todos saibam como os portugueses são inovadores e apostam na tecnologia para a educação dos seus jovens. E já agora, como se explica o facto de, nas últimas décadas, o ensino da História não passar, senão muitíssimo superficialmente, pela História de Portugal que surge, apenas, em um pouco mais de duas páginas, num subcapítulo intitulado “o caso português,” dentro da muito explorada unidade dedicada à História da Europa? Nem aos séculos XV e XVI, marco fundamental da História Mundial, é dado um desenvolvimento devido, dentro dos limites do que seria sensato, à História de Portugal! Quais os motivos para tal mortificação de Portugal? Temerão os últimos governos que os portugueses que os elegem, ao conhecerem a sua História, tenham uma opinião mais consciente relativamente às políticas tomadas e se tornem desconfortáveis para a elite governamental? Com certeza não recearão que o conhecimento da nossa História desenvolva uma febre de nacionalismo que ponha a paz, no contexto europeu, em risco? Não se chegaria certamente a tanto, no máximo as políticas nacionais seriam mais bem discutidas e correriam o óbvio risco de serem recusadas! Por outro lado, não seria mais interessante um ensino seriamente preocupado com o cultivo de valores morais e humanos, fundamentais para a formação de relações interpessoais e dirigido para o desenvolvimento da criatividade e das competências reflexivas do que um ensino submergido em formatos tecnológicos e cada vez mais vazios/ estéreis do ponto de vista dos conteúdos? Mas fazer constar dos formulários das estatísticas, exibidos ao país e à Europa, que Portugal é indicado como um país inovador, a isso, sim, se tem dado toda a importância, uma vez que é útil, enquanto estratégia política, apresentar umas percentagens que justifiquem um lugarzinho na corrida atrás da Europa e que tentem evitar que esta não se aborreça, de uma vez por todas, connosco e nos atribua mais umas indemnizações em vez dos cobiçados fundos que nos têm sustentado e ajudado a aprender a viver sem sentido empreendedor e brio. É lamentável que o critério económico e que a maquinação de uma imagem falsa, mas pelos vistos conveniente, seja mais relevante para os nossos governantes do que o desenvolvimento de um trabalho construtivo capaz de olhar, sem vergonha, para os problemas reais da sociedade, definindo planos para os enfrentar, superar ou minimizar. Não seremos nunca uma potência económica, não nos foram dados recursos naturais para fazer uma revolução industrial e nem muita habilidade diplomática e sentido eficiente de oportunidade para acompanhar o ritmo de desenvolvimento seguido por muitos países europeus, pelos Estados Unidos ou Japão. Embora tenhamos andado, nos últimos séculos, a tentar seguir a bússola europeia, saibamos que desafiar a fórmula lógica segundo a qual uma coisa é o que é e não pode deixar de ser igual a si mesma é absoluta e formalmente impossível. Ao violar o princípio da identidade, irrefutável na sua forma, estamos a condenar-nos ao desaparecimento, à contraditória imposição de termos de caminhar no sentido contrário à nossa natureza e entendimento, convivendo com o estranho sentimento de sermos nós e ao mesmo tempo outros: estrangeiros a sentir o estertor da alma portuguesa a vibrar em nós. Quanto mais a elite política impinge a imagem do “Somos Europa,” mais arremessados seremos para o vácuo, intensificando o complexo de culpa, de identidade e, consequentemente, a crise social contra a qual, sem termos devolvida a nossa liberdade e criatividade, sem voltarmos a acreditar na natureza própria das nossas potencialidades, alvo de um processo longo de descrédito, nunca poderemos lutar. A separação entre o poder central e o interesse do povo, evidencia a mentira em que vivemos, a ilusão em que nos querem ver cair, mas que já é incapaz de esconder a inquietação e incredulidade generalizada, deixando, a nu, a real tristeza de vivermos num país doente, desumanizado, sem espírito, tornado egoísta pelas mãos de quem o lidera e se preocupa com a sua ufana imagem e não com as necessidades reais, enquanto os portugueses, fortemente carenciados a todos os níveis, culturalmente lesados e a passar fome, definham rodeados pelos maiores centros comerciais do mundo e por tecnologia avançadíssima de que é exemplo o robot ROV que mergulha a alta profundidade para procurar umas amostras geológicas no fundo do oceano para provar que, afinal, os mapas estão incorrectos e que temos mais espaço marítimo sob a jurisdição portuguesa do que pensávamos. Esperamos nós que, para além da desejada prova que procuram e do deslumbramento causado a alguns que orgulhosamente divulgam que somos dos poucos países do mundo que têm um exemplar do designado robot, seja, sobretudo, de efectiva utilidade e um estímulo para a investigação científica portuguesa, para poder, assim, pelo menos, justificar, com um argumento mais concebível, o seu preço.
Da forma como a política nacional tem sido conduzida, não podemos concluir que os ares europeus nos tenham sido benéficos, pelo contrário, parecem ter feito eclodir uma febre de imitação e colagem ao modelo Europeu que não nos serve, e já não apenas ideologicamente falando, pois é comprovado pela experiência europeia que temos desde a adesão à CCE em 1985 e que não contribuiu, contrariando os fundamentos da ideologia federalista apoiada pelos primeiros republicanos, para a dignidade e enriquecimento de Portugal, mas que feriu, pelo contrário, mais ainda o seu “eu”, asfixiado pela obrigação de ter de fazer como eles, europeus, de ter de ser como eles, de ter de ter o que eles têm. A conduta imposta caracteriza-se pela intenção de humilhar, desprezar, desvalorizar e negar a nossa natureza para que possamos ser o outro. E, como tal, o estado em que nos encontramos, a falta de confiança no governo e nos candidatos a uma nova liderança, enfim, a paralisia, instaurada no seio da sociedade portuguesa, é inevitável, detendo-nos sem esperança, observando imobilizados a decadência. E não se trata de o povo português ser incapaz, mas de ter tido, no comando do seu país, uma elite, sem qualquer sentido de Humanidade, ignorante da nossa História (como é óbvio, pois ninguém a ensina) e que despreza e sente vergonha do povo a que foi chamada para representar: elite de portugueses que, em vez de defenderem e bem representarem a sua sociedade, só demonstram desconhecer o país que dirigem, governando-o para seu proveito, pela ambição exclusiva de poder, empunhando uma política anti-Portugal que sufoca a nossa respiração e pulsar próprios.
Continuamos, pois os mesmos, debatendo-nos por cultura, educação, desenvolvimento económico, numa palavra, por políticas capazes de recuperar o respeito por nós próprios e inspirar orgulho pela nossa identidade. O movimento da Renascença Portuguesa, no qual colaboraram Álvaro Pinto, fundador da Águia em 1910, entre outras notáveis personalidades do meio intelectual português como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Fernando Pessoa, António Sérgio, Leonardo Coimbra e Agostinho da Silva, foi criado com o intuito de cooperar para a reconstrução da identidade cultural e moral do país, assumindo uma atitude de oposição à forte ideologia positivista, baseado na unilateralidade cega de um cientismo progressista, anticlerical e de pendor capitalista. Porém, se hoje testemunhamos a persistência das mesmas dificuldades, ainda que a um nível de desenvolvimento diferente, é porque, em conclusão, não tomámos os caminhos certos, é porque é emergente lançarmo-nos num novo voo, num novo projecto que nos permita renascer.
A ideologia de uma Europa unida não é exclusividade do século XX. Se quisermos, poderemos remontar tão longe como aos anos áureos do império romano, que apesar de deter fronteiras geográficas e políticas alargadas ao norte de África e à Ásia, sempre inspirou a ideia da construção de uma nova unidade política no continente europeu. Ao longo dos séculos, a Europa experienciou acontecimentos dramáticos e com graves custos humanos, em consequência da ambição aliada ao sonho do poder central europeu. Assim, surgiram os projectos imperialistas de Carlos Magno, Napoleão e há bem menos tempo Hitler. Projectos com propósitos imperialistas que ficarão sempre associados a crimes de extrema crueldade contra as populações que foram sacadas, subjugadas, torturadas e vitimadas. Embora, sendo, por razões óbvias, impossível fazer a comparação entre as realidades atrás mencionadas e o mais recente programa de formação dos Estados Unidos da Europa, o facto é que, por outro lado, também, a CEE está longe de se tornar na pacífica comunidade política dos Estados Federados da Europa, traçada por Prouhdon no seguimento do universalismo do pensamento iluminista. O Neoliberalismo, doutrina de base, sobre a qual se erigiu a ideia de uma Europa próspera, cooperante, unida sobre os fundamentos de uma economia de mercado livre, salvaguardada da intervenção ilimitada dos Estados, falha no seu principio abstracto fundamental com as nações fortes a impor regras e a dominar os países de poucos recursos, gerando, não assumidas, mas, subentendidas relações de subalternização; não há um esforço por igualdade ou respeito mútuo, mas vence a lei do mais forte, entendendo-se por “forte”, na lógica dos senhores que governam o mundo, aquele que detém mais recursos económicos. Seguindo esta linha de pensamento, e sublinhando que sem os comportamentos bélicos registados outrora, a situação gerada pela Comunidade Europeia reincide em aspectos já testemunhadas anteriormente pela História: uma ideologia que se destacou pelas suas proposições de carácter universal e democráticas, sendo por isso meritória no seu princípio, mas que pratica um exercício de poder discriminatório e desigual.
Voltando o olhar para nós, sabemos hoje que não é na Europa que nos podemos descobrir, pelo contrário, nela nos perdemos, seriamente, nos últimos séculos e o movimento da Nova Renascença estará hoje, pelo saber da experiência feito, em vantagem para argumentar contra a inserção europeia na defesa pela instituição de um Portugal livre e próprio.
A obsessão pelo pensamento puramente científico, destituído de alma, pelo pragmatismo e a falsa crença na magnificência dos países europeus, nutrida por algumas elites de portugueses, inquieta seriamente Teixeira de Pascoaes. A sua mensagem, muitas vezes, pejorativamente associada ao lirismo, foi convenientemente incompreendida, secundarizada e atingida na grandeza do seu significado. A filosofia da saudade, um ponto frágil da filosofia portuguesa, tantas vezes atacado e subestimado no âmbito das discussões sobre o pensamento filosófico português, não se identifica, em Pascoaes, como muitos possam ter interpretado, com a saudade comummente originada pela falta ou perda de alguma coisa, mas sim com a necessidade de realização ontológica, com o cumprimento do que Somos na unidade do tempo, onde se encontra a totalidade plena de cada entidade. Encontramo-nos decaídos, perdidos na imperfeição, separados da nossa essência mais pura e divina. Os conceitos da filosofia de Pascoaes constituem vivos símbolos com a função de resgatar o verdadeiro sentido histórico e alcançar o Todo. Portugal vive a incoerência de um tempo incompleto, sem continuidade, decaído na impossibilidade de realização da sua essência. Depois de no passado se ter expressado na plenitude das suas emoções e vontade, deixou-se ficar inacabado, na mais total expressão da sua imperfeição e negação do seu sentimento intrínseco para que é exortado. Porém, capaz de um exercício dialéctico que o racionalismo europeu não apreende, naturalmente, concilia e sintetiza, em si, espiritualidade e paganismo, razão e a emoção. Dando resposta ao seu impulso aventureiro, à sua emoção, mas também ao seu avançado conhecimento científico em técnicas de navegação, cartografia e astronomia, volveu os estagnados olho da Europa para a novidade, limpando os empoeirados e dogmáticos princípios do pensamento europeu baseados na concepção cognitiva das essências aristotélicas: revolucionou a ciência, mostrando que a natureza não podia mais ser aristotelicamente explicada, mas redescoberta na sua forma múltipla, desenhou novos continentes na terra e novas estrelas no céu. Falta, agora, fazer redescobrir o espírito! Colonizar a Europa de alma, transmitindo-lhe uma forma de sentir fraterna e universal. Uma vez reconquistada a sua identidade, distanciado do pobre sentimento de ambição que subverte muitas das células desse Ser português, poderá, pela atitude e sentido de doação, agir para a globalização espiritual dos povos. A nossa tradição política, baseada, até ao século XIV numa monarquia de liberdade popular onde as Cortes, representando o povo, tinham um enorme poder de decisão diante do rei, foi ofendida a partir dos séculos das Descobertas com o início de uma política imperial, direccionada para o lucro e pilhagem, e com a ruptura das relações de proximidade e respeito entre o Rei e o seu povo. O povo português não mais recuperou a sua originária liberdade; degredado da sua vida, valores, liberdade e identidade, cultivando sempre no silêncio do seu íntimo, a sua verdade anímica, espera até hoje por aquele Encoberto que lhe possa devolver a pátria e a vida. E àqueles que emigraram para o Brasil, não na lógica imperial de enriquecimento fácil, mas para lá construir o Portugal perdido, devemos a generosidade, criatividade e espiritualidade que reconhecemos no povo brasileiro e que nos acalenta a alma e traz à memória, não fosse a nossa incompletude presente, a saudade daquilo que Somos. Por ambição, por falta de sentimento e consciência histórica, e por inversão de valores, trilhámos, há séculos, por encruzilhadas que nos destituíram da nossa verdadeira essência. Porém, ela vive, não obstante a falta de espaço para se expressar, no recôndito íntimo da alma popular dos portugueses e dos seus filhos espalhados pelo mundo.
A espiritualidade, a natural capacidade de conciliar arquétipos, conduziu Teixeira de Pascoaes ao elogio da genialidade da raça, o que podemos traduzir pela capacidade irrestrita que o português tem para percepcionar o Todo e se fundir com a Verdade, com o desígnio divino que lhe dá a potencialidade de desempenhar no mundo o papel de espiritualização dos povos. Quando na plenitude da sua identidade, cumprirá a sua Unidade, completar-se-á e realizar-se-á, no mais profundo do seu Ser, contribuindo para construção de relações fraternas pelo mundo.
O passado foi consumado, empenhemo-nos, agora, por reaportuguesar Portugal, fazendo-o renascer e revelar-se, do presente à eternidade, na sua singular forma de expressão, a partir de uma sabedoria sentida, que é só sua, e que perde o equilíbrio em espaços estranhos/estrangeiros.

Cristina Leonor Pereira