"Era evidente que o túnel estava perdido; só o encerramento da porta o poderia salvar e de¬pois do que tinha passado Lambert, nenhum outro mergulhador se atrevia a tentar a proeza; quanto a Lambert, as três viagens tinham sido suficientes e ninguém esperava vê-lo mergulhar de novo; mas Lambert era da raça dos homens que não desistem do que uma vez tentaram e apresentou-se para a quarta descida; os operá¬rios, os engenheiros, os habitantes das terras vi¬zinhas juntaram-se todos à borda do poço, com uma ansiedade ainda maior do que das outras vezes: sabiam que Lambert descera decidido a tentar o último esforço, mesmo que lhe faltasse oxigénio para o regresso. Em baixo, a 60 me¬tros da superfície, Lambert avançava, já com o caminho mais livre, graças ao trabalho das ou¬tras viagens; chegou à porta de ferro, conseguiu tirar os carris que obstruíam a porta e manejou o parafuso da porta-estanque; o trabalho estava feito, a água deixava de entrar e, ao fim de hora e meia, Lambert voltava ao poço de saída e era aclamado por todos como um herói."
Como se faz um Túnel, Lisboa, Edição do Autor, 1943, pp. 30-31.
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