Car@s Amig@s
Venho por este meio tornar público que, a partir de ontem, me demiti de presidente do Movimento Internacional Lusófono (MIL) e de qualquer participação neste. Na minha decisão fui acompanhado por mais de metade dos membros da Comissão Coordenadora presentes (numa reunião a que só faltaram dois), que constituem a maioria dos membros fundadores do MIL e onde estão todos os que conheceram Agostinho da Silva em vida.
As minhas razões, resumidas ao essencial, prendem-se com o facto de considerar que o referido Movimento se tornou refém de um grupo que deixou de respeitar a Declaração de Princípios e Objectivos por mim redigida e aprovada pelos membros fundadores, passando a instrumentalizar os valores da cultura portuguesa e lusófona e o legado de homens como Agostinho da Silva num sentido ideológico-político, onde um muito ambíguo neonacionalismo lusófono surge ao serviço de insaciáveis apetites de protagonismo e poder. O MIL deixou de ser um espaço de reflexão crítica e plural sobre Portugal, a Lusofonia e o mundo para se converter num projecto protopartidário, que pretende partir à conquista do poder ao serviço de interesses obscuros.
Naturalmente que a representatividade deste grupo é nula, pois não constituía sequer a maioria dos membros da Comissão Coordenadora, nem foi sancionado pelos cerca de 1000 aderentes ao MIL, que o fizeram por se reconhecerem na sua Declaração de Princípios e Objectivos. Todavia, nestas condições tornou-se impossível trabalhar e preferi partir para projectos novos, sem as conotações ideológicas obscuras que o MIL entretanto assumiu.
Pelas mesmas razões, propus e foi aprovada a total desvinculação entre a "Nova Águia" (revista e blogue) e o MIL. O mesmo acontece com a Associação Agostinho da Silva, que igualmente se desvincula totalmente quer da "Nova Águia", quer do MIL.
Permaneço como co-director da revista "Nova Águia" e um dos administradores do seu blogue. Permaneço também como presidente da Associação Agostinho da Silva e anuncio que esta se reassumirá, a partir de hoje, como o espaço natural para uma reflexão ampla, séria, crítica e plural acerca de Portugal, da Lusofonia e do mundo, bem como acerca do pensamento e da prática de Agostinho da Silva e da sua actualidade. No espírito da maior abertura e universalismo inter-cultural. Tudo aquilo que o MIL deixou de ser.
Ainda ontem, aqueles que se demitiram do MIL se reuniram e ficou decidido esse reforço da Associação Agostinho da Silva, com projectos vários, entre os quais uma revista.
Todos os que queiram participar nestas novas actividades podem contactar-me no meu mail pessoal - pauloaeborges@gmail.com . Apelo também a que o blogue da "Nova Águia" não seja abandonado ao pequeno grupo que nele representa os interesses ideológicos do actual MIL.
Agradeço que esta informação seja transmitida a todos aqueles a quem possa interessar e particularmente aos muitos que, por meu intermédio, aderiram ao MIL. A esses agradeço a sua confiança e peço desculpa por tê-los conduzido a um projecto que não correspondeu às suas e minhas legítimas e melhores expectativas.
Saudações cordiais
Paulo Borges
A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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18 comentários:
Obviamente, não concordo. Todas as posições públicas que o MIL tem tomado têm respeitado a sua Declaração de Princípios e Objectivos. Quanto ao mais, o futuro se encarregará de esclarecer...
O texto tem incorrecções factuais e erros de julgamento. Vale como uma expressão pessoal, e como tal deve ser respeitada, mas está pleno de inverdades, infelizmente.
Fico chocado, creio que com o Paulo dentro havia um saudável equilíbrio de forças entre o material e o espiritual.
Por outro lado convenço-me que realmente em Portugal nada é viável, já passei por meia dúzia de partidos, pelos extremos à esquerda e à direita, e o resultado é mesmo este: os portugueses são incapazes de trabalhar em conjunto seja no que for, as cisões são o resultado final de toda e qualquer iniciativa que surja neste país... triste legado este.
Eu também estou em choque. Tenho pena, muita mesmo.
Portugal é viável, assim como a visão trans-nacional da Lusofonia que ergue o MIL e a sua declaração de princípios, que segue sendo o seu fundamento e inspiração.
Estas convulsões são positivas, dependendo da forma como as vivermos, e potencialmente geradores de criatividade e dinamismo:
Por parte de quem sai, que poderá dedicar-se mais a projetos importantes para o país como o PPA ou até num reforço da AAS.
Por parte de quem fica, assistir-se-á certamente a uma renovação e a um impulso criativo no MIL.
De um e de outro lado - ou lado a lado - veremos coisas positivas que provarão que Portugal, foi, é e será um "páis viável", especialmente enquanto pólo agregador de uma Lusofonia e de uma mundovisão fraterna, solidária e humanista.
Paulo Borges
Tudo isso me escapa. Não sei se é verdade ou não.
Uma coisa, no entanto é certa. No início as tuas intervenções eram interessantes. Com o tempo ficaram monotemáticas em relação ao budismo e afins. Completamente despropositada a propaganda insistente de religião num meio destes, principalmente quando feita pelo presidente. Repito. Qualquer das intervenções era inteligente e equilibrada e cabia perfeitamente no blogue. O problema foi a quantidade do mesmo tema em valor absoltuo e em proporção das intervenções feitas.
De tal forma foi assim, que pensei várias vezes sair do MIL. No entanto, recuei considerando "Eu que não escrevo nada não tenho direito de criticar alguém que escreve o que sente".
Seria hipócrita se dissesse que não senti um certo contentamento com a tua demissão. Quem viesse de fora poderia pensar que o MIL era uma organização "com água no bico"...
Monotemática, monocórdica, monomaníaca e monolítica. De lusofonia zero! Conheço o gênero, o Brasil está cheio desse tipo de guru.
Aos que ficam, por bem e pela lusofonia que nos une, todo o meu apoio e o maior abraço.
E lhes posso garantir, conheço alguns brasileiros que estão inscritos e que caíram no desânimo por causa do "padreco".
Continuo a achar tudo muito estranho neste desentendimento.
Lamento.
Mas o Universo Masculino escapa-me bastante. E ah muitas coisas nao entendo.
Pronto.
O que vale eh que sei que todas as mudanças sao para melhor.
Do que gostei mais de toda esta luta foi ter vindo à baila o ideal agostiniano de pequenas comunidades sustentaveis e independentes. Muito permacultor.
Isto estava jah a ficar demasiado teorico e erudito para o meu gosto!
Só mesmo uma falha grave de inteligência leva as pessoas a escreverem certas coisas... Confundir expressões várias da filosofia indiana com budismo é sinal da mais crassa ignorância. E se soubessem os muitos que se afastaram deste blogue e do MIL por causa dos posts monotemáticos, esses sim, de umas certas pessoas...
Agora atenção! Este blogue nada tem a ver com o MIL. Nem com a Lusofonia em exclusivo.
E padrecos há muitos...
Quanto a isto: "Naturalmente que a representatividade deste grupo é nula, pois não constituía sequer a maioria dos membros da Comissão Coordenadora, nem foi sancionado pelos cerca de 1000 aderentes ao MIL", e a bem da verdade, quero recordar que os aderentes não sancionaram nenhuma Comissão Coordenadora nem o ex-presidente. Enquanto um desses aderentes, espero que essa situação não dure para sempre, e que o MIL passe a ter estatutos...
Esse blogue terá a ver com tudo o que todos nós que o fazemos quisermos que tenha.
O mais, não vale a pena.
1. Não gosto do termo "padreco". É injusto para o Paulo e é desnecessário... Discordo do Paulo nesta questão, como será público e não concordo com as razões que o levaram a sair do MIL, nem com a sua visão do MIL (que segue fiel à Declaração que o Paulo, no essencial, gisou) mas não posso deixar de exprimir o meu desagrado pelo termo "padreco". O Paulo escreve muito sobre budismo e sobre o PPA, e é livre de o fazer, aqui ou noutro espaço, assim como eu gosto de escrever sobre economias locais, municipalismo e críticas à economia neoliberal e globalista.
2. O MIL está ainda em "instalação" tanto mais com a reestruturação recente e com a quebra de vínculo físico com a Associação Agostinho da Silva e consequente mudança de sede. Os estatutos estavam já em plano, aquando destes acontecimentos e estarão novamente nas prioridades logo que houver passado algum tempo...
Concordo com as demais observações aqui expressas, por todos, com a ressalva citada em 1.
Coloquei entre aspas, mas se deixe de mesuras, esse sujeito tem ofendido todo o mundo, e se arroga no direito de expulsar quem muito bem entende, como fez com dona Ariana. Para mim não passa de um mau carácter, um "padreco ditador".
Eu te abençoo, meu filho.
Amem.
Caro Paulo e Renato
embora sendo uma questão de somenos importância venho dar conhecimento aqui - dado que aqui divulguei - de que vou desactivar em breve os locais que criei na plataforma 3D Second Life para divulgação destas iniciativas, em parte por motivo da situação de cisão existente neste momento e em parte por motivos que se prendem com uma certa desilusão relativa à utilização desta plataforma virtual enquanto veiculo cultural. Caso haja interesse em manter uma presença nesse ambiente virtual poderei dar-vos os contactos de quem gentilmente cedeu o espaço (http://arci.pt/site/) e ajudarei no que me for possível sem que, no entanto, assuma a representatividade como até aqui.
Prezo muito o Prof. Paulo Borges e todo o trabalho que desenvolve, com o qual continuo a identificar-me sem reservas.
Agradeço ao Renato toda a colaboração que deu na organização das várias sessões em Sesimbra.
Quanto ao mais, espero sinceramente que todos possam continuar um caminho que dignifique a lusofonia e contribua para um bom entendimento na riqueza da pluralidade. Carminda H. Proença
Cara Carminda
Agradeço-lhe muito todo o trabalho feito. Reencontrar-nos-emos brevemente. Em Sesimbra, e por todos o país, os lançamentos continuarão...
Abraço grande
Renato
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