EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres

"Porque o desfecho e remate do homem não é gozar, repita-se. Se o mundo não existe para que o homem o saiba, odioso seria fantasiar que o universo continua subsistindo para que o desfrute o homem. Este erro antropocêntrico é a imoralíssima moral dos filósofos evolucionistas [...].

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres.[...]

A moral religiosa é falsa, porque é a moral do indivíduo. A moral filosófica, à maneira materialista, positivista, evolucionista, livre-pensante, é falsa, porque exclui os animais. A moral ascética é falsa, porque exclui as coisas.
O ascetismo e o abandono são falsos, porque importariam ou a salvação pessoal ou, tão só, a sectarista. A não resistência ao mal é falsa, porque, precisamente, eliminar o mal é o fim do homem, único e supremo.
Não foi Tolstoi. Quem encontrou a palavra do enigma foi o poeta alemão Novalis. Novalis escreveu que: - o fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza. Esta palavra vai até o fundo do fundo do abismo. Nunca nenhuma assim sublime brotou de lábios inspirados. O fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza.
Como? Trabalhando, para saber, a fim de poder. E, podendo, cumpre-lhe esquecer-se, não acreditando, como até aqui, que a decifração dos mistérios é para que sua curiosidade se satisfaça; para que, redundantemente, seus prazeres aumentem. O homem tem de dar contas do supremo dever que lhe incumbe, o dever para com a natureza inteira. Libertando-se a si, libertando os seus irmãos de espécie, ele contribuirá já para a grande libertação universal"

- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, Porto, Lello & Irmão, 1902, pp.468-470.

16 comentários:

Paulo Borges disse...

Bruno antecipa em quase um século a crítica radical do especismo, que é hoje uma das principais questões ético-filosóficas do nosso tempo. Depois do racismo e do sexismo, o especismo é o grande adversário a abater para a evolução humana e o progresso da civilização.

Veja-se o debate que segue no Público on line de hoje sobre o Partido Pelos Animais, sobre o qual saiu uma notícia na edição impressa.

Renato Epifânio disse...

Não penso que o "especismo" seja equiparável ao racismo ou ao sexismo. Aliás, foi em nome do "especismo" ("há apenas uma espécie humana") que se "acabou" com o sexismo e o racismo...

Que essa perspectiva "igualitarista cósmica" esteja na moda, isso é verdade. Mas isso não faz dela verdadeira...

Ela acompanha, apenas, o colapso de todas as perspectivas hierarquizantes, o que filosoficamente não me pareça que possa ser simplesmente exaltado. Há um reverso em tudo isto, bem deplorável...

Casimiro Ceivães disse...

Este texto do Bruno é exactamente 'especista', e a leitura que o Paulo só é desculpável pelo entusiasmo. Bruno não defende que a "libertação da Natureza" seja tarefa dos esquilos ou dos picapaus, mas sim do Homem. E isto significa que o Homem tem, no conjunto dos seres criados, um papel distinto do dos outros seres. Confundir isto com a crítica à permissão de crueldade gratuita aos animais, e confundir compaixão com igualdade é coisa que o pensamento cristão-ocidental ultrapassou há dois mil anos (deus não é igual ao homem, e tem compaixão por ele).

Que o fim do homem não é 'gozar', eis o que, na Idade Média, seria uma afirmação surpreendente: tão evidente que era. Como todo o pensamento do séc. XIX, trata-se apenas do mal-estar da modernidade, e não mais do que isso...

Casimiro Ceivães disse...

"o grande adversário a abater para a evolução humana e o progresso da civilização" - isto sim, parece que estou a ouvir Vitor Hugo ;)

Ariana Lusitana disse...

Quem é que se lembra do autor de uma história em que um homem que odiava as cores pintava tudo de branco?

Paulo Borges disse...

Mas não estou, aqui e noutros lugares, farto de dizer que o homem tem um papel distinto e até superior ao dos outros seres? Somente esse papel não é o de os explorar, oprimir e instrumentalizar, mas de os libertar, conforme bem aponta Bruno. Agora se o não fizer, como o não está a fazer, torna-se inferior e cai mais baixo na hierarquia dos valores. Quem mais pode e menos faz vale menos do que todos os demais.

O branco contém todas as cores.

Já agora leiam "Libertação Animal", de Peter Singer, e depois falem comigo. Duvido que se possa considerar culto, hoje em dia, quem ignorar as realidades e questões ali levantadas.

Casimiro Ceivães disse...

Paulo, calma :)

1. O livro do Peter Singer é muito bom, faz pensar, e também recomendo a sua leitura. Tal como a 'Ética Prática'. Acrescentaria o Alasdair MacIntyre, 'Rational Dependent Animals', o Frans de Waals 'The Ape and the Sushi Master', e o fascinante "The Sexual Politics of Meal - A Feminist-Vegetarian Critical Theory" de Carol Adams. E como literatura, "As vidas dos animais", do Nobel Coetzee (esse talvez o mais brilhante, na parte da discussão com o 'poeta').

2. Todos partem (e se quedam) numa concepção estritamente biológica do homem que eu não aceito - mas não será por isso que não os discutiremos.

3. A tese do velho Bruno, mais do que antecipadora do 'trans-especismo' (ofereço-lhe este neologismo) não é mais do que eco da ocidentalíssima Gnose - a 'libertação' da Natureza/Criação das 'trevas' em que um oculto Demiurgo a colocou, como castigo, labirinto ou caminho de iniciação. Nada que a teologia cristã não conheça ou reconheça, sendo apenas mais discreta na forma de o exprimir - mas basta ler o agora ignorado P.e Teillard de Chardin, que tanto influenciou os pensadores europeus de meados do séc. XX. E basta atentar no Bruno e no seu apelo a uma moral que inclua 'as coisas'.

4. Já agora, a crítica à 'moral religiosa' falha o alvo (na parte em que se dirige ao catolicismo) pois não tem em conta a economia da Comunhão dos Santos, que não respeita ao indivíduo. Assim, falhará o alvo a moral (hipócrita) de um ateu que adira exteriormente a uma moral 'católica' em nome de valores 'terrenos'. Como scedeu em tão larga medida nos sécs. descristianizados, XVIII e XIX.

5. Continuo a não ver respondida a questão essencial, que é da relação entre os fins últimos do homem e a sua acção colectiva - o também velho problema da relação entre a Cidade de Deus e a dos Homens. Conheço povos, e o Paulo também conhecerá, em que um clero místico conviveu serenamente com um povo faminto e iletrado - especialmente no Oriente. Como julgar essas situações?

6. E voltamos ao Bruno: decifração de que 'mistérios'? Não certamente os da natureza no sentido do Bacon e do Hobbes. A quem 'prestar contas'? Não certamente ao 'Supremo Ente' da pseudogeometria racionalista-maçónica... A quem, em Bruno?

7. O resto é apenas a fascinante questão da alma dos animais, e do mundo verdadeiro por etrás dos véus.

8. Em qualquer caso, plenissimamente de acordo com os aspectos 'políticos' suscitados pelo apelo a um olhar 'ético' (que pena ter-se perdido a belíssima palavra 'compassivo') para com os animais, os 'bichinhos' do Frei Agostinho da Cruz... Teremos mesmo que levar os problemas económico-sociais a sério, e de uma vez por todas. Sem fraseados, apelos a frases de sábios e a razões transcendentes. Espero que aquilo que nos move (ao MIL, que é um movimento - não à Nova Águia, que o não é) seja isso mesmo.

PS. Fiquei especialmente fascinado com as 'non-leather Doc Martens" da filha do Peter Singer...

Casimiro Ceivães disse...

Quanto ao branco:

A salsicha também contém (quase) todos os animais. Isso não basta.

Ariana Lusitana disse...

O fim do homem neste mundo é uma pazada de cal na cara.

Ariana Lusitana disse...

E eu acho que quem não souber cavar nunca será culto...

Paulo Borges disse...

Casimiro, não encontro tempo para responder a todas as suas questões, que agradeço. Só diria que o especismo - cujo esquema mental é o mesmo do racismo e do sexismo - é o resultado do obscurecimento da nossa consciência, que vê espécies onde no fundo as não há. Mesmo admitindo um Deus criador, coisa a meu ver completamente ilógica, não vejo porque havia de criar um universo hierarquizado, com seres superiores e inferiores, sendo uns destinados a servir e a garantir a sobrevivência dos outros. Por isso gosto muito de Orígenes, o único criacionista com sentido: como diz no "Peri Archon", um Deus-Espírito-Amor só poderia criar espíritos em perfeita igualdade. Foi o esfriamento do amor que ligava esses seres à sua fonte que fez de uns anjos, de outros homens, de outros animais, de outros demónios (Leonardo Coimbra diz o mesmo, nalgumas passagens...). No fundo, a forma que cada ser vai tendo, em contínua metamorfose, não depende de Deus, mas de si. Claro que a ortodoxia baniu isto: de outro modo, o cristianismo aceitaria hoje a chamada "reencarnação" e teríamos uma humanidade mais auto-responsável, sem a perversão de imaginar uma providência divina, social ou estatal para se desculpar de todas as suas fraquezas e mediocridades.

Eu não separo fins últimos e finalidades terrenas. Isso é uma invenção cristã que não me atrapalha. O único sentido do mundo e da sua organização social, económica e política é facilitar o mais possível que dele e de nós nos libertemos, vendo-o e vendo-nos tal qual somos: ilusões em carne viva. Enquanto isso não acontece, e tendo em conta que nem todos se querem libertar, o que é ético é assegurar que se cumpra o único interesse comum a todos os seres sensíveis: reduzir o sofrimento e aumentar o bem-estar, sem discriminação de indivíduos, sexos, povos, pátrias e espécies.
O resto são tretas.

Renato Epifânio disse...

Apenas mais umas achas para a fogueira:

1. Só uma visão hierárquica do Universo integra e preserva (e daí o erro de todos os igualitarismos).

2. A questão do Bruno, como o Casimiro bem salientou, parte de outras premissas: o "horror da existência", a "culpa de haver nascido", etc. Daí a obsessão com a libertação (ontológica). Pela minha parte (cada um falará por si), não sinto culpa de ter nascido e gosto de existir: logo, não quero ser "libertado".

3. Quanto ao igualitarismo entre "todos os seres sensíveis", essa é também uma visão na prática insustentável:
a) não se pode, por exemplo, pôr no mesmo plano o cão do vizinho ou a mosca que no outro dia o Obama matou em directo...
b) e, mesma na "natureza", dá-se muitas vezes o caso do homem ter de matar para preservar o equilíbrio ecológico...

Paulo Borges disse...

1. A visão hierárquica do universo só integra e preserva o que imagina haver a integrar e preservar.

2. Ninguém se quer libertar enquanto tudo corre bem. Espero que nunca tenhas de te querer libertar, embora no fundo isso não me pareça ser o melhor para ti.

3. Quanto à relativização prática da igualdade de interesses fundamentais dos seres, o próprio Peter Singer reconhece que ela por vezes é exigida, mas apenas quando não há alternativa. Os seus livros dão exemplos e discutem os critérios.

Casimiro Ceivães disse...

"...universo hierarquizado, com seres superiores e inferiores, sendo uns destinados a servir e a garantir a sobrevivência dos outros"

Ah, é esta noção de hierarquia o ponto centralíssimo a debater.

Como qualquer teólogo cristão explicará, nós não servimos os anjos.

Comecemos por nos libertar da "relação (dialéctica? - deixo-vos isto, oh filósofos) senhor-escravo", já que de libertação se trata aqui...

Muito há a aprender com as noções da ciência mais moderna de "entangled hierarchy", "hiérarchie enchevêtrée" (não me ocorre a tradução portuguesa). "Servus servorum Dei", o topo.

Paulo Borges disse...

Referia-me à suposta relação entre homens e animais. Agora, no que entendo ser uma verdadeira visão cristã do mundo, pouco praticada, não há qualquer hierarquia ontológica ou cratológica (de poder) entre os seres. É Deus que em primeira e última instância os serve a todos, no acto comum, simples, contínuo e eterno de lhes doar o ser, por mais que a onticidade dos seres difira.

É uma visão intelectualmente interessante, mas apenas isso.

Casimiro Ceivães disse...

Questões demasiado elevadas para nós, como diria o Tomé Natanael...

É difícil que uma visão cristã do mundo se mantenha isso mesmo (ou seja, que não seja uma subversão mascarada de visão) se não distinguir a redenção de cada homem da redenção da Criação... mas, em ambas, o Mistério, que deve ser contemplado ou vivido, mas não esventrado, ainda que especulativamente...

PS. Será herança de judeus talmudistas? Já não somos capazes de discutir nem a linha do Tua sem entrar neste tema! Qual 'obsessão com a identidade nacional', qual carapuça... é muito mais grave :)