
Numa brevíssima reflexão sobre dois inéditos agostinianos1, revelados pelo terceiro número da revista Nova Águia, encontro referências à Crise que vivemos e os recados que ninguém ouviu; as razões intrínsecas deste atribulado início de milénio.
O que tem Deus, o culto do Espírito Santo, a Liberdade e a falta de Alegria a ver com a problemática actual? Tudo, mesmo tudo!
1 Agostinho da Silva, “Condições e Missão da Comunidade Luso-Brasileira”,1959, ; “Alcorão”, 1947,ambos in “Nova Águia”, nº3, 2009, páginas 102-113.
Passada a revolução de Abril, Portugal manteve-se sem rumo. De um momento para o outro, virou costas a 500 anos de Império Colonial, ora com revolta ora com vergonha, e procurou ser mais um país descaracterizado, tentando integrar-se nas culturas a Norte do Trópico de Capricórnio. Engravatados, ignorantes, cinzentos, mesquinhos e pedantes, assim quiseram ser os portugueses. Portugal refém do FMI e da NATO primeiro, da CEE e dos subsídios depois, da ganância e egoísmo dos homens por fim, numa sociedade que se recusa a lidar com a verdadeira Natureza dos fenómenos, dos afectos com a História e com a espiritualidade única da Língua Portuguesa.
Uma sociedade que voltou costas a Agostinho da Silva e aos caminhos que ele traçou para a verdadeira universalidade da nossa cultura e efectiva felicidade individual.
Agostinho queria uma comunidade lusófona que não seja “outra qualquer espécie de Império, uma força concorrendo com outras forças, uma outra centralização que siga a monótona corrente das centralizações, mas realmente o começo de uma vida nova para a Humanidade”; uma sociedade em que nos integramos dispostos e preparados para prestar auxílio “quando for solicitado”.
Um caminho de reforma contra o centralismo, a má pedagogia e a falácia da especialização. Em última análise, interessa-nos mais, neste momento, perceber como Agostinho fundou dezenas de Universidades no Brasil, do que descobrir as causas da falência de empresas que basearam o seu crescimento no vazio da ideologia.
Em “Alcorão”, Agostinho sucintamente revela toda a sua santidade enquanto homem e o seu entendimento profundo, científico e moderno do fenómeno Deus; a universalidade e originalidade do indivíduo enquanto criador/observador da matéria, coisas realmente úteis se quisermos, de facto, mudar o rumo dos acontecimentos de forma sustentada.
Como estamos longe e perto de chegar lá. É a Hora, de facto, mas será que alguém sabe?
André Barreiros, Lisboa
3 comentários:
Passada a revolução de Abril, "Portugal manteve-se sem rumo. De um momento para o outro, virou costas a 500 anos de Império Colonial, ora com revolta ora com vergonha, e procurou ser mais um país descaracterizado, tentando integrar-se nas culturas a Norte do Trópico de Capricórnio. Engravatados, ignorantes, cinzentos, mesquinhos e pedantes, assim quiseram ser os portugueses."
Terríveis palavras!
triste e miserável condição de uns tantos que se dizem Chefes e condutores a lugar algum.
Mas existe um consolo:
Triste e trágico consolo do mundo ir à imagem e semelhança desse Portugal tão longe não só de Agostinho, mas de alguns Outros, não muitos!
E embora poucos, poucos como Eles houve no mundo.
Que pena e que bom que alguém esteja atento e revele e despererte que dorrme.
O que é preciso é ir avisando...
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