Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.
- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.
- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.
- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.
- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.
- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"
- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.
- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.
- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.
- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.
- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).
- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).
- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).
- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.
- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).
- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.
Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24
As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.
Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).
Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!
Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.
A Direcção da NOVA ÁGUIA
Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.
NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274
Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:
https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Nada de Novo Debaixo do Sol?
Descrever com palavras os sintomas da alma é possível; naturalmente quando o analista é um profissional competente, e bem formado; sem lhe faltar o indispensável dom do afeto e predicado universal de humanista; e ainda que não acredite em metempsicose seja também uma alma antiga, e bem trabalhada pelo tempo em várias reencarnações.
Pois é tal o mistério que envolve a alma humana, porque se trata de um indivíduo, e não há dois indivíduos que guardem qualquer relação de igualdade entre si em suas almas.
Portanto falha o profissional que depois de prestar vestibular para várias áreas eventualmente tenha passado nessa área da medicina da psique e seja mais um prisioneiro das fórmulas, e de posse de um manual de estatísticas e um receituário de terapias diagnostique um tratamento. Embora pelo fato relevante de pertencermos ao gênero humano tenhamos algo em comum, por razões de hábitos, e até vícios, cultura, educação, religião etc. e através destes costumes e vivencias se transfiram semelhanças de personalidade. Mas ainda que assim se criem modelos de pensamentos familiares, (egrégoras) que acabem influenciando uns aos outros, não somos os outros...
A alma humana reserva pra si mesma nas mais profundas camadas mistérios e predicados, que terapeuta algum jamais poderá desvendar. E nisto reside a grandeza da raça humana, cujo mistério nos torna, enquanto humanos, ímpares; ao contrário dos animais, regidos por uma alma coletiva.
Diante dessa gênese é necessário tomar medidas urgentes na forma de educação familiar, se desejamos avançar mais céleres rumo ao equilíbrio; e para que isso ocorra deveremos começar por educar os adultos. E isto só está sendo feito em alguns dos raríssimos colégios iniciáticos, sendo mesmo uma das legendas de um grande mestre (e isto é sério).
Todavia como não seja esse o objetivo central desses mesmos colégios, nem das escolas filosóficas, e sim um processo muito mais abrangente que envolve uma profunda transformação do ser, enquanto ente completo e integral, poucas pessoas a essas provas se submetem; e o resultado tem sido pequeno, em número de pessoas, e lento em relação ao tempo.
Mas já representa um grande avanço, pois se nem esses colégios existissem, certamente a humanidade estaria ainda morando nas cavernas, ou andaria talvez pendurada nas árvores.
Portanto expandir esse “colégio” iniciático em uma universidade parece ser o caminho natural, para a expansão do método de transformar consciências humanas primárias em consciências pessoais, mais universalizadas; mas sem o uso de artifícios e sem alimentar ilusões, de que se dão pulos na evolução e em saltos se queimam etapas.
Essa universidade, buscando já um termo adequado em nossa língua, segundo o que a palavra Eubiose revela – que é a arte de bem viver, ou viver de acordo com o bem bom e belo - teremos, a partir daí uma universidade Eubiótica. E aí deverão ser ensinados conhecimentos e técnicas relativas à história e formação do homem, do cosmo e outras coisas mais profundas, para além dos mitos e lendas, de que são envolvidos para quem está fora e não sabe o que realmente aí se passa. E a partir de aí deverão sair os verdadeiros terapeutas da alma humana, e demais cientistas em todas as áreas do conhecimento, contando-se com um contingente maior em formação humanista, muito superior à que ora se observa saindo das atuais academias. De onde, infelizmente, a maioria sai armada com as mais modernas calculadoras, ou breve estágio em administração de empresas, aqueles que não querem recorrer a profissionais da área... É que, infelizmente, em segundo plano vem a atividade profissional propriamente dita, que nem sempre atende de forma adequada aos interesses do paciente. Há exceções, naturalmente que sim, mas o que deveria ser regra tornou-se exceção.
Em muitas outras áreas das profissões liberais, requer-se apenas competência e zelo profissional; mas na área da medicina do futuro, são necessários outros conhecimentos de natureza ancestral. (cosmo genética) anímica e fisiologia oculta, hierarquia, etc. e deverá também o terapeuta possuir outros atributos de caráter humanistas, para não termos exemplos dramáticos como os relatados pela mídia, ou no mínimo engraçados como o exemplo de certo médico, residente em uma pequena cidade ao norte do país, cujo chiste engraçado revela em narrativa um contador de histórias local, que rindo e de forma engraçada dizia:
- O nobre médico, que nem é nobre nem nada, gosta de tomar cerveja e “filosofar” nos botecos; e nesses momentos, descontraído, revela alguns aspectos de sua índole de criança, relatando até as dificuldades de algumas senhoras com a higiene íntima; mas, estranhamente, não gosta ele mesmo de cortar os cabelos que matem longos e ensebados, nem de aparar as unhas, mantendo-as muito compridas e não raramente sujas, mesmo quando sem luvas higiênicas toca nas pacientes... E até na mesa de cirurgia, enquanto médico obstetra.
Mas apresenta-se sempre uma beleza, de roupa impecavelmente branca e muito limpa, o que lhe confere um toque absolutamente singular e não escapa aos comentários dos vizinhos, que riem galhofando quando ele sai de casa para ir trabalhar, quando repetem bordão já tradicional: “lá vai o branquinho por fora e sujinho por dentro”!
Este cidadão caiu na boca do povo por motivos aparentemente fúteis, mas pouco recomendáveis; todavia ele não está aqui presente como exemplo de profissional indigno, mas sim do homem relaxado, e não falar pesado das crônicas criminosas da área. Tem na verdade como objetivo mostrar a necessidade da criação de uma universidade Eubiótica, diante da falta de ética de alguns médicos e outros profissionais, cuja eficiência é meramente econômica...
Mas a razão maior da urgência com que se deve criar esta universidade reside no descarrilamento, em que o mundo segue ladeira a baixo, veloz. E vai sem se importar com os frutos maravilhosos que arrasta consigo e são crianças, onde ainda não houve tempo de escrever as primeiras cenas de um enredo, que poderá servir de início a uma humanidade melhor e mais justa.
Dizem os mais sérios estudiosos da milenar ciência Teosófica, que a mais bela estrela do eterno teria renunciado a seu trono a fim de apressar a evolução da humanidade; e que esta é de algum modo a sua filha. Porque então nesta condição não buscar pelos meios mais nobres, que são os do conhecimento e os da cultura, mecanismos de apressamento da evolução do homem, se todos nós já sabemos que o grande sofrimento é causado pela ignorância? E esta vem sendo alimentada e interessa a quem? Grandes catedrais e igrejas, grandes escritórios de representação política vêm crescendo em pompa e circunstância, pra quê?
Portanto, a Universidade Eubiótica, ou aquela que ensinará a arte do bom viver, segundo os dicionários quanto à palavra EUBIOSE, não é mais uma questão de idéia, senão uma necessidade absoluta. E doravante tornar-se-á falha imperdoável, se a contento não se esgotarem todos os esforços no sentido de edificá-la por todos aqueles que muito ou pouco tenham a oferecer, quaisquer que sejam as suas contribuições.
Se no passado tivemos esse gesto grandioso na singularidade de um Platão e sua academia, hoje teremos a pluralidade de mãos e cabeças regidas por uma vontade férrea, juntamente com os corações suavizados e amorosamente voltados para o outro. No passado mais recente, ao contrário, em razão da vontade fraca e não se olhar amorosamente para ver o outro lá fora, se chegou até aqui vestidos com a capa vermelha do egoísmo, absolutamente cegos e guiados por uma igreja despótica e completamente mergulhada em trevas, cujo objetivo está sendo de envolver-nos em permanente divida para com deus, diante do qual devemos eternamente nos sentir culpados e permanentemente ameaçados com o inferno, comandado pelo Diabo; só que esqueceram de separá-lo de Deus... Mas não entrarei nesses detalhes, que eles não entenderiam, embora eu possa garantir preferir Lúcifer a esse deus que eles inventaram e tentam amordaçar o verdadeiro, que se expressa inclusive e principalmente pela inteligência... Digamos luciferina. Isto só para provocar nos cegos o famoso “cruz credo”! E rir um pouco, pois rir faz bem alma.
Sem comentários:
Enviar um comentário