EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

domingo, 13 de julho de 2008

Vidas Portuguesas: António Cândido Franco (1956)


“O poeta é um viajante, que está sempre de partida. Alguém lhe pergunta: partir sim, mas para onde? Ao que ele, como Baudelaire, responde: Anywhere out of the world. Quer dizer, não importa para onde, contanto que seja para fora deste mundo. O outro mundo não existe? Então é necessário criá-lo”.

António Cândido Franco, Estâncias Reunidas


Apontamento Biográfico
António Cândido Valeriano Cabrita Franco, mais conhecido entre nós como António Cândido Franco, nasceu em Lisboa no dia 13 de Julho de 1956. Passou a infância, no bairro da Graça, rodeado pela mãe e pela a avó materna, já vez que ficou órfão de pai logo aos 5 anos de idade.
Estudou línguas e literaturas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na qual obteve também, em 1987, um mestrado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa dedicado ao tema “Simbologia telúrico-marítima na obra de Manuel Lopes: Exercício sobre o imaginário caboverdiano”. Dez anos mais tarde, no âmbito da literatura portuguesa, defendeu, na Universidade de Évora, a sua tese de doutoramento subordinada ao título “A Literatura de Teixeira de Pascoaes”.
Para além de poeta, ensaísta e romancista, António Cândido Franco é professor auxiliar com agregação (obtida em 2006) no Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, dedicando-se essencialmente à disciplina de Cultura Portuguesa.
Considerado um dos maiores pascoaesianos do nosso tempo, António Cândido é, à semelhança do seu herói-poeta, um saudosista nato: “Sou, por natureza íntima, não por imitação literária, um saudoso; vivi sempre, desde que me lembro, com a saudade à minha beira. A minha saudade é muito larga, muito antiga, mas depende muito mais da minha própria experiência de vida que de qualquer leitura ou de qualquer influência literária. Mesmo que nunca me tivessem ensinado a ler e a escrever, eu continuaria a ser um saudosista, porque a soidade foi a essência da minha vida de criança e tem sido a essência da minha vida de adulto”.

Apontamento Crítico
Se olharmos, em traços gerais, para a lista de obras publicadas por António Cândido Franco, chegamos à conclusão de que é um autor que se interessa essencialmente pela literatura portuguesa, embora tenha também algumas incursões pela literatura africana e pela brasileira; pela história; pelo pensamento português contemporâneo; e pela poesia.
No que respeita a esta última, já que se constitui enquanto parcela larga da sua obra, poder-se-á dizer que a sua criação poética resulta de uma exaltação da arte imaginativa. No seu ponto de vista, não há poesia sem imaginação, quer dizer, a poesia é a própria imaginação. Deste modo, o poeta é um revelador, um descobridor e um criador de outros mundos, inimagináveis a priori, mas desvelados pelos olhos e pelos sentidos do poeta. Este usa as palavras (“matéria da imaginação”; “garantia da permanência do invisível”) para melhor os definir e fazer chegar até nós. Ou seja, o poeta é um mensageiro, um ser da fronteira e do limiar, alguém que consegue ver e dizer o que do invisível e do indizível às vezes se entremostra.
Enquanto saudosista e pascoaesiano, António Cândido Franco detém, da obra de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), uma interpretação exaustiva. Não é só a literatura e a hermenêutica do saudosismo que lhe interessam. A bem da verdade, para Cândido Franco, Pascoaes é um dos mentores culturais do início do século XX, em Portugal. Na sua visão, importava ao poeta de Amarante traçar um novo caminho para o seu país, depois da Implantação da República, em 1910, e das consequências, em certa medida desastrosas, que dela advieram. O movimento da Renascença Portuguesa, do qual é um dos principais ideólogos, constitui-se como uma das primeiras medidas tomadas para a edificação desse Portugal necessariamente novo. No entanto, isso não implicava, na concepção pascoaesiana, uma abertura aos modelos da Europa, nos quais a economia e a tecnologia são primados, mas um aperfeiçoamento ético e moral por parte de Portugal. De igual forma, Teixeira de Pascoaes incentivava uma aproximação às raízes e às tradições do país, isto é, à terra e à natureza. Se tal acontecesse, Portugal não seria mais um a imitar os paradigmas da Europa Central mas, inversamente, seria aquele que teria algo novo e diferente para ensinar aos europeus. A revitalização do país não poderia ser feita a partir de mimetismos. Como sabemos, são estas questões que entram em conflito com o ideário que, na mesma época, António Sérgio (1883-1969), também ele fundador da Renascença Portuguesa, expunha e que deram início à famosa polémica entre os dois pensadores portugueses e que, em certa medida, dura até hoje. Tal polémica nada mais é do que o reflexo de duas perspectivas contrárias, de duas heranças diversas, de dois modos diferentes de encarar Portugal e a relação deste com a Europa e o Mundo, no entanto, ambas são representativas do estado mental dos portugueses. Se, na altura, tal polémica foi vivida intensamente, diríamos até que foi exaltada de uma forma maniqueísta, e posteriormente exacerbada por muitos que se consideravam seguidores ou de Pascoaes ou de Sérgio, hoje é já altura de se propor uma leitura compreensiva - menos sentimental, portanto - de tal confronto, que, como nos relembra António Cândido Franco, é já ele próprio uma continuação das diferenças existentes entre Antero de Quental (1842-1891) e Sampaio Bruno (1857-1915). Deste modo, Cândido Franco alerta para o facto de, apesar das diferenças conceptuais entre os dois grandes pensadores do princípio do século serem contrastantes, ambos tinham o mesmo objectivo: criar “homens universais, que fossem capazes, com a sua capacidade criadora, de influenciar o mundo.(...) O que os separa, pelo menos entre 1911 e 1915, não é a reforma de mentalidades e a necessidade de educarem o País com vista a um novo grau de civilização universal, mas o modo de o fazer”. Compreender e superar tal polémica, passa, então, por assumir este pressuposto.
António Cândido Franco interessa-se ainda pela História, especificamente pela História do seu país. A esse propósito, tem-se dedicado essencialmente ao estudo das vidas de D. Pedro (1320-1367), de D. Inês (1320?-1355) e ainda de D. Sebastião (1554-1578) com o escopo de as reproduzir em forma de romance. Foi o que aconteceu com Memória de Inês de Castro, Vida de Sebastião – Rei de Portugal, A Rainha Morta e o Rei Saudade e A Saga do Rei Menino. O autor vê na personagem de Inês de Castro o símbolo do amor, da beleza, da inocência mas também do sacrifício. D. Pedro, por sua vez, é encarado como a força matriz da saudade, como a voz que perpetua a memória de D. Inês. Finalmente, Sebastião é visto por si como o eterno Rei Menino, o herói infantil, o cavaleiro do elmo de papelão.
No seu último romance histórico, A Saga do Rei Menino, editado no ano passado, António Cândido Franco propõe uma biografia de D. Sebastião como se fosse uma saga de ficção. Desse modo, o autor expressa as impressões e as convicções pessoais que tem acerca do Rei ou até mesmo do sebastianismo, sem, no entanto, atrapalhar o discurso da narrativa ou o desfecho do destino convencional / histórico do Rei Sebastião. De igual modo, Cândido Franco permite-se “inventar” quando não tem outras alternativas (fontes) para aprofundar o destino das suas personagens e tecer opiniões acerca das mesmas e de situações ocorridas. Neste romance, o autor distingue muito bem o que é de natureza histórica e o que não é, apesar de valorizar a tragédia de Alcácer Quibir enquanto acontecimento meta-histórico. Afinal, a realidade e a seriedade da vida dependem também (e talvez muito) de factores supra-visíveis e extra-sensoriais.

Bibliografia Indicativa
Murmúrios do Mar de Peniche (1977)
Na renúncia do coração: Poemas (1984)
Matéria Prima: Poesia Portuguesa (1986)
Arte Régia (1987)
Poesia, Liberdade e Aventura (1987)
O Mar e o Marão (1989)
Corpos Celestes (1990)
Memória de Inês de Castro (1990)
Teoria e Palavra (1991)
Vida de Sebastião – Rei de Portugal (1991)
Narrativa Histórica Portuguesa (1992)
Eleanor na Serra de Pascoaes (1992)
Teoria da Literatura na Obra de Álvaro Ribeiro (1993)
O Saudosismo de Teixeira de Pascoaes (1996)
Poesia Oculta: Estudos sobre a moderna lírica portuguesa (1996)
A Literatura de Teixeira de Pascoaes: Romance de uma obra (2000)
A Primeira Morte de Florbela Espanca (2000)
Os Descobrimentos Portugueses e a Demanda do Preste João (2001)
O Essencial sobre Guerra Junqueiro (2001)
Arte de Sonhar – 87 Sonhos com Teixeira de Pascoaes (2001)
A Rainha Morta e o Rei Saudade (2003)
Viagem a Pascoaes (2006)
O Essencial sobre Bernardim Ribeiro (2007)
A Saga do Rei Menino (2007)

1 comentário:

jorge vicente disse...

o poeta é o profeta do mundo interior. e o mundo interior é sempre fora deste mundo.

um abraço
jorge vicente