A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

De António Carlos Carvalho, sobre Manuel Laranjeira: para o próximo nº da NOVA ÁGUIA

Pelo meu lado, e conhecendo bem as afinidades existentes entre Portugal e o Japão (outro «país de suicidas»), não posso deixar de me lembrar dos suicídios de dois grandes escritores japoneses, Yukio Mishima e Yasunari Kawabata, respectivamente em 1970 e 1972.
Sem querer ir mais além nesta anotação, recordo apenas estas palavras de Mishima, no seu discurso desesperado às Forças de Auto-Defesa do Japão, momentos antes de se suicidar ritualmente: «Onde está hoje o vosso espírito nacional? Os políticos não se preocupam com o Japão. Têm a ganância do poder.» Laranjeira disse o mesmo, fez o mesmo apelo no seu tempo. Quem os ouviu…?
(excerto)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O primeiro-ministro japonês

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A notícia fez manchete na passada semana: “o primeiro-ministro japonês anunciou oficialmente a sua demissão, após oito meses no poder”. Razão? Não ter podido cumprir uma promessa, que nem sequer dependia dele: “a transferência de uma base militar norte-americana da ilha de Okinawa”.

Bem se vê que este primeiro-ministro vive mesmo no outro lado do mundo. Se fosse cá, tudo ficaria na mesma: a quebra de uma promessa nunca foi motivo, entre nós, para um primeiro-ministro se demitir. A menos, claro está, que tivéssemos um Presidente da República que lhe lembrasse o óbvio: “Obviamente, demita-se”. Alguém com fibra. Alguém com a fibra de Fernando Nobre…

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/06/fernando-nobre-e-o-primeiro-ministro.html

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um desastre obâmico...



Depois de mais uma muito bem sucedida sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA (falarei disso depois na próxima página do “Diário”) e de mais um empate do “Clube de Portugal” (ai de quem se atreva a falar disso…), chego a casa e vejo as últimas notícias do Afeganistão. E, por uma vez, concordo com os comentários do Miguel Sousa Tavares: chegou-se, em absoluto, a um beco sem saída. Politicamente, a democracia afegã tornou-se numa piada de muito mau gosto. Militarmente, assistimos a uma guerra cada vez mais perdida e condenada ao fracasso…

Mais cedo ou mais tarde, apesar da sua insistência, que já começa a ser obsessiva, na “guerra boa” (extraordinário conceito para um Prémio Nobel da Paz…), o Obama vai ter que retirar do Afeganistão. E a América – e o Ocidente em geral – vai ter que aprender, enfim, que não se ganham guerras em território adverso, contra as respectivas populações, por maior poderio militar que se tenha. A única real excepção (há sempre uma excepção a confirmar a regra) foi o Japão: mas o Japão é uma ilha, não tinha aliados na região, e tiveram que usar a bomba atómica…

O mundo não é uma página em branco que se possa redesenhar a nosso gosto, por muito generoso que seja o nosso internacionalismo missionário. O mundo, goste-se ou não disso, tem, de facto, fronteiras: linguísticas, culturais, civilizacionais, religiosas, etc. Não perceber isso é sempre meio caminho andado para o desastre…

Renato Epifânio

domingo, 10 de agosto de 2008

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos)


HISTÓRIA DO JAPÃO

Só com o imperador Ogimati (1557-1586) se resta­beleceu a paz, pela reforma do sistema de impostos, estabelecimento de cadastro rural, abolição das alfân­degas internas, abertura de comunicações fáceis, pro­tecção ao comércio, medidas restritivas quanto ao bu­dismo; a arte tem um período de esplendor, com a laca, a gravura, as pinturas e a escultura de castelos, de palácios e de templos, a dança, o canto, a música, a arte de jardinagem; ao mesmo tempo desenvolvem­-se as relações com o estrangeiro, quer pelo envio de expedições e embaixadas à Coreia, Formosa, Filipinas, quer pela chegada dos portugueses (1543) e dos holan­deses (1600); os portugueses trazem consigo o cristia­nismo, propagado sobretudo por S. Francisco Xavier, e a possibilidade de comércio com o ocidente; os inci­dentes causados pelos jesuítas e a ideia de que as ideias estrangeiras só podiam fazer mal ao Japão levam à proibição do proselitismo religioso e ao encerramento do país, primeiro aos portugueses, depois a outros estrangeiros; o contacto, no entanto, introduzira entre os japoneses o gosto por muitos objectos e costumes ocidentais; de todos os estrangeiros foram os portu­gueses quem exerceu maior influência: ainda hoje exis­tem no japonês milhares de palavras portuguesas, designando todas objectos de uso introduzidos pelos navegadores e comerciantes: zibana, de gibão, kappa, de capa, botan, de botão, karusan, de calção, karuta, de carta, birodo, de veludo, syabon, de sabão.

terça-feira, 8 de julho de 2008

CARTA PARA O-YONÉ


«Não estamos na idade das letras, decididamente, estamos na idade do dinheiro, da malandrice, dos falsos heróis e tudo o mais correlativo. Não há ALMA; ponha o L antes do A; fica LAMA; é o que há.»

Excerto de carta de Wenceslau de Moraes ao seu amigo Alfredo Dias Branco, datada de 23 de Fevereiro de 1919
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Ao alvor, pelos riachos, quando voltares, o musgo
Tão puro dos seixos te celebrará e o espelho
Brumoso do quarto agitará os seus navios –
Aos continentes as especiarias do prazer e do sonho
Retornarão. No Egipto, os homens erguem pirâmides.
No Japão, transportam os pássaros o sémen vegetal,
Cartas de amor das cerejeiras. A noite, a luz.
O mel, a flor. Não se tocarão nunca e amam-se.
A tinta, a pena, não sentirão nunca e amam-te.

Andei pela casa à procura do teu pólen nos móveis.
Quando voltares, não esqueças os recados, o coração
Floral, os brincos e os anéis, os lábios e os livros.


Klatuu Niktos