EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – Francisco Manuel de Melo, Guerra Junqueiro, José Rodrigues, Lima de Freitas e Raul Brandão.

Para o 20º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.





Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"A Europa e a Lusofonia segundo Agostinho da Silva", para a NOVA ÁGUIA 13

Agostinho da Silva viveu 20 anos que a liberdade de Abril de 1974 lhe proporcionou, mesmo tendo retornado ao seu país de nascimento no ano de 1969, ainda no governo da ditadura que o tinha perseguido. A decisão de regressar deveu-se ao facto de o Brasil, país onde residia, começar a trilhar o caminho de um regime autoritário, parecendo-lhe, por outro lado, que Portugal estava perto de se poder libertar da ditadura que o dominava há quase meio século. Embora tivesse sido um libertário por convicção, como fica bem patente com a radicalidade das suas posições ante os poderes quer de Portugal quer do Brasil, não deixou de ser um crítico da nova democracia que com a revolução de Abril se começou a desenhar, encostando Portugal à Europa, tornando-o dependente dela e por isso, um servo da senhora que se agigantava. Os anos já eram muitos e as experiências as mais diversas por regimes que tinham conhecido a aurora da liberdade e o opúsculo do totalitarismo. Convicto de que as promessas das revoluções depressa se esvaem, acreditava que só uma profunda consciencialização da liberdade e uma existência totalmente liberta de qualquer opressão contribuem para o estabelecimento de sociedades verdadeiramente livres. Tendo sido preso e perseguido por motivos políticos nos anos iniciais do Estado Novo, seria fácil proclamar a luminosidade dos tempos que se anunciavam. Estava, contudo, consciente que passada a emoção revolucionária a sociedade portuguesa seria apenas o que o seu povo quisesse e verdadeiramente os povos querem ter a melhor vida material possível. É por aí que aferem o progresso e do ponto de vista material, Portugal conhecia progressos assinaláveis, mas para si, como continuava a afirmar em tempos pós revolucionários só se pode falar de Pátria quando estiverem garantidos três pressupostos: “democracia popular; colectivismo económico e liberdade religiosa”. Para si, a sociedade ideal seria a de um comunitarismo cooperativista que desde a década de 1980 lhe parecia estar a ser preparado pelo desemprego galopante, nomeadamente o dos jovens que começava a atingir números preocupantes. Ler os textos de Agostinho sobre estes assuntos é um exercício do qual se devem tirar as devidas consequências. Aqueles que analisam o presente e projectam o futuro sem amarras ideológicas nem preconceitos de qualquer ordem, são considerados visionários e loucos, pouco recomendados na opinião que se quer pública. Acusam-nos, com frequência, de criar alarmismo social, mas o futuro de uma forma cruel, vem dar-lhes razão. Pelo ano de 1988, encontramos Agostinho a proclamar que a “Europa vai morrer”, entenda-se que se refere à Europa económica e política e não à Europa dos povos e das culturas. Talvez não morra, mas já há vários anos que parece estar moribunda. A morte anunciada da Europa, para si, não era má, pois desse acontecimento resultaria outra realidade impulsionada pelos jovens desempregados que “não aceitam a vida tal como ela é” fruto de uma organização social que não lhes é favorável e por isso, sem ofício nem benefício, podem vir a “partir tudo (…) como nos terramotos”. Tamanha revolução imporia uma nova atitude face à realidade que haveria, em simultâneo, “mudar o mundo” e “cada pessoa” construindo uma nova sociedade assente na convivência entre os homens. Em termos concretos, Agostinho pensava nos modelos de governação nórdica, Noruega e Dinamarca, onde lhe parecia que “A liberdade de expressão das opiniões é perfeita e ninguém acha […] que possa estar muito mais certo que o seu adversário; a maioria não é despótica, nem a minoria se sente humilhada; a realeza passeia de bicicleta pelas ruas e faz o possível por não ofender ninguém; enquanto o dinamarquês engorda, o poder emagrece". Era assim que escrevia em 1960 nas Aproximações sobre o “País modelo”. Mesmo tendo má impressão da Europa e não nutrindo simpatia pelos estados do norte dominados pelo espírito protestante e capitalista que nunca foi do seu agrado, não deixava de ver neles o melhor modelo de organização social. Pena é que em Portugal estes países sejam sempre apontados como modelares para o estado social e que nunca os políticos que nos governam importem o rigor nas contas, o orgulho no povo, a paixão pela coisa comum, o exercício da política como um serviço, a verdadeira igualdade entre os cidadãos, entre outros inquestionáveis atributos, para delinear os modelos de organização da sociedade que mais nos convém. Ora se desde a década de 1960 quando estas palavras foram escritas, os nossos políticos perseguissem seriamente estas reflexões para ir construindo o nosso Estado, nos dias que correm não estaríamos financeiramente dependentes de outros – pela terceira vez em menos de quarenta anos de democracia – nem nos continuaríamos a comportar como pedintes sem orgulho nem dignidade, implorando por perdões para continuar a esbanjar aquilo que não conseguimos amealhar. Não precisaríamos de vender a nossa soberania para dar de comer ao povo faminto. Agostinho não se cansava de repetir que o problema de Portugal é ter uma sociedade demasiado complicada, desadequada da sua pequena dimensão mas na qual os portugueses persistem embrenhados ao longo dos tempos e dela não querem prescindir, estreitando os elos que facilitariam a união dos indivíduos e a unidade de Portugal. É hoje recorrente falar no espaço lusófono e da sua reabilitação para que Portugal encontre na ligação com os povos de expressão portuguesa um contraponto às imposições da união europeia que se cingem quase em exclusivo a questões económicas que parece não serem adequadas a Portugal e ao seu povo. Mas dessa necessidade falou incessantemente Agostinho da Silva, acompanhado por muito poucos, a quem parecia que a Europa não serviria os nossos verdadeiros interesses, muito antes, ainda, do período pós revolucionário. Esse pequeno grupo não necessitou nem da instauração da democracia, nem de quarenta anos de erros democráticos persistentes de governação para propor soluções. Bastou-lhe a experiência de vida na Europa e no mundo, nomeadamente no espaço lusófono. Havia guerras pós coloniais, desentendimentos permanentes entre Brasil e Portugal, a propósito ou a pretexto da guerra, mas isso não deixava que Agostinho apelasse à união destes povos dispersos, na geografia e na cultura, mas que mantinham um elo comum, a lusofonia que para ser uma realidade deveria contar com a união das universidades de todo esse espaço, para, em verdadeira unidade, poder ser pensada e amadurecida. A independência atabalhoada, promovida pela incompetência dos políticos gerados pela democracia, originou um período de guerras civis nas novas repúblicas que durou várias décadas e submeteu os povos entretanto libertos a novos e desnecessários sofrimentos. Mesmo hoje, ainda não é certo que a paz seja uma realidade firmada nesses territórios e as desconfianças entre uns e outros, continuam a ser muitas. A cidadania lusófona dá passos ténues ao ritmo do calculismo político e das desconfianças daqueles que governam os povos. Muitos anos antes da união monetária, da crise da dívida, do desemprego jovem exponencial, já Agostinho era crítico acérrimo da economia de produção e consumo em que a Europa e o mundo andavam atarefados, pois parecia-lhe que só uma economia pode servir a dignidade humana e essa é a da distribuição. Foi a perspicácia e a sabedoria de uma vivência alargada que lhe permitiram ir muito além do que é habitual nas análises de circunstância e nos encómios a uma sociedade liberal e individualista que se desenhava desde a revolução francesa e que nos haveria de conduzir ao estado caótico em que nos encontramos. Quando os fundos comunitários jorravam às catadupas e os portugueses eram pagos para não fazerem nada, só os raros, de pensamento livre e descomprometido, estavam em condições de antecipar o que iria acontecer e Agostinho incluía-se nesse lote. Ontem como hoje, apelidam-se os críticos do papel de Portugal na Europa de reaccionários e inimigos do progresso, quais velhos do Restelo redivivos. A crítica é extensiva a quem chama a atenção para as opções económicas assentes no endividamento e geradoras de um falso progresso. Pois muito bem, quarenta anos são passados e o estado da Nação aí está, infelizmente confirmando as previsões catastrofistas. Contra a corrente e desassombradamente quando todos os portugueses aclamavam a integração do país no espaço europeu, Agostinho chamava à CEE “o departamento de secos e molhados da Europa”, vendo neste projecto pouco espaço de afirmação para Portugal, pois entendia que a missão universalista dos portugueses não se adequava aos interesses económicos do espaço europeu. Talvez os descobrimentos nunca se tivessem realizado se Portugal não vivesse à parte da Europa, sendo um pais de gente livre que acantonada entre a repressão da terra e a liberdade do mar, escolheu a segunda e mudou o rumo da história. O novo mundo surgiu num acto de rebeldia e de afirmação total da liberdade. Por isso, Agostinho só entendia que Portugal se tornasse europeu se a Europa ganhasse uma verdadeira vocação atlântica ao contrário da económica que estava na sua génese. Os últimos anos têm-lhe dado razão. Mesmo sendo um municipalista convicto, se hoje olhasse para a situação de Portugal, não poderia deixar de reparar que os municípios desenhados há dois séculos atrás não se justificam no Portugal de hoje com auto-estradas e outras vias de aproximação das comunidades. A nossa divisão municipal há muito que deixou de ser o garante da coesão do país, uma vez que é fruto de uma democracia que se joga num xadrez partidário muito rígido e onde todos aqueles que o servem, sendo políticos, são generosamente pagos para empobrecer as comunidades que governam. O municipalismo a que Agostinho se referia, aquele que elogiava no tempo de D. Dinis, era resultado de uma política de serviço às populações e não uma política de profissão remunerada acima da média. Quando em período democrático continuava a defender o municipalismo, falava sempre de uma federação e não de parcelas soltas, sem povo nem escala, estruturas burocráticas e pouco transparentes que cobram impostos para aplicar no funcionamento e nos vencimentos de uma populosa, pesada e ineficiente máquina administrativa. Quantos municípios hoje em dia se situam em lugares de um par de ruas, em vilas e cidades que abrindo as janelas da casa todos os residentes se podem olhar em simultâneo! Nunca lhe pareceu possível uma reorganização de Portugal que não começasse por arrumar, em primeiro lugar, o seu espaço interno. Era para si evidente que qualquer estratégia que se escolhesse em relação ao exterior só teria sucesso depois de internamente termos “arrumado” a casa. E neste campo, continuamos com quase tudo por fazer. Abunda a demagogia, o interesse partidário, a conservação das clientelas e o desprezo pelo povo, convidado a votar e desprezado na tomada de decisões. É esta a nossa democracia 40 anos após Abril, semelhante, aliás, à dos anos de 1994 quando desassombradamente Agostinho escrevia em Vida conversável que não queria saber do Presidente, nem do Tribunal Constitucional, nem do Estado português, a sua única e genuína preocupação era Portugal que não se confundia com o Estado português, nem com as autoridades que o representavam. Defensor de uma “política da composição” achava necessário que se constituísse a Nação portuguesa com os contributos de todos. Conciliar os contrários seria o grande desafio dos melhores estadistas. Privilegiar em cada modelo de sociedade e de Estado aquilo que nos une e não o que nos separa, seria a única via para construir uma nação forte e unida, capaz de responder de igual para igual aos outros povos que se agrupam no mesmo espaço, quer no europeu, quer no lusófono. Uma sociedade capaz de partilhar e não de impor, de unir e não separar. Sem um sério e rigoroso trabalho colectivo de reorganização interna, de pensarmos aquilo que somos, o que queremos e para onde desejamos ir, nenhuma reforma se poderá almejar. Apenas o imediatismo dos cortes de rendimento poderá sustentar a passividade que tudo deixa ficar como está. Olhar para nós e tornarmo-nos sustentáveis, é essencial para Portugal poder iniciar uma nova era onde, necessariamente em conjunto com os restantes países lusófonos, poderemos ser exemplo para o resto do mundo. O Portugal que fomos, acantonado e receoso da Europa há muitos séculos que deixou de existir, tendo dado origem ao Portugal que somos, que se traduz numa pequena parcela do grande espaço lusófono. Em seu entender esta nova realidade nunca foi entendida pelos políticos que nos têm governado ao longo dos séculos. Porque sabia que para fazer é preciso prever e nada de concreto neste campo estava a ser feito entre nós, patrocinou em 1990 o ciclo de reflexão intitulado À descoberta de Nós. Portugal: o de Ser, o de Servir e o de Sonhar, que se realizou na Cooperativa Árvore, no Porto, no qual puderam participar destacados representantes de todos os quadrantes da sociedade portuguesa. Agostinho nunca criticou por criticar. Fazia as suas análises com propriedade e apontava o caminho a seguir: a criação de um espaço alargado da lusofonia, esse sim, serviria o interesse de toda a nossa gente, uma vez que uniria as diversas culturas cuja base é a mesma, podendo aglomerar os interesses lusófonos e dar-lhes escala mundial. Portugal o mais velho país europeu, daria lição ao mundo ao restaurar o sentimento comum a todos os povos com os quais partilha a sua identidade, povos descentrados, ocupando diversas parcelas do mundo, agregando todas as etnias e formas de pensar, em poucas palavras enlaçando todo o mundo num abraço de paz. Agostinho repudiava a Europa económica mas defendia a Europa cultural, tendo encontrado na organização medieval, comunitária e solidária o melhor modelo de Estado. No entanto, pese essa evidência, Portugal formou-se e afirmou-se enquanto nação de costas voltadas para a Europa e de olhos virados para o mar. As suas gentes sempre quiseram completar, nunca diminuir, sempre quiseram liderar, nunca submeter-se. O mais perto do outro lado do atlântico era o norte de áfrica, primeira paragem de uma longa expansão sempre marcada, como é recorrente nas conquistas dos homens, por interesses económicos, mercantis e religiosos. Com a conquista do norte da África a ousadia e a determinação dos portugueses não mais puderam parar. Foram dos primeiros a iniciar a expansão, submetendo pela força mas essencialmente pela vida conversável, outros povos à autoridade do Império e foram dos últimos a devolver a soberania aos povos conquistados. Para Agostinho sempre foi claro que o problema de Portugal nunca foi a falta de coragem e de iniciativa do seu povo, mas sim a fraqueza e o mero interesse económico dos seus governantes. Conquistava-se, materialmente ganhava-se muito com isso, mas em vez de se investir no bem estar do povo, pagava-se a quem quisesse fazer o que só nós deveríamos fazer, centrando as decisões sobre o essencial da organização de Portugal nos conselheiros estrangeiros que mostravam muita amizade apenas para ficar com a parte substancial dos lucros da nossa empresa das descobertas que ia reescrevendo a história. E claro, sem uma educação de base, sem ousar investir na formação e na cultura, os fundos iam servir para desenvolver os países que por contrato iam cuidando de nós. O capital que chegava não tardava a partir e por cá ficava apenas o essencial para manter um povo à míngua, submisso e sem recursos e um exército de governantes incapazes de nos governar. Os portugueses valorosos não eram aproveitados e os estrangeirados gananciosos lá iam iludindo os decisores de que era melhor comprar feito, pronto a servir, do que ensinar a fazer e a produzir. Agostinho não era um velho do Restelo pois a lucidez das suas análises, mesmo que na altura parecesse poder haver um futuro de prosperidade para o nosso povo, revelavam-lhe um estado de pura aparência. Conhecendo a história nacional e internacional, parecia-lhe evidente que num futuro muito próximo os erros cometidos haveriam de ser pagos com o sacrifício de todos, mas sobretudo dos jovens que ficariam arredados do mercado de trabalho. A política que se tornou em profissão em vez de continuar a ser um serviço, transformou os Estados numa espécie de gabinetes gigantes que por estarem cheios de gente mal preparada para a vida e para a política, sacrificam os povos que dizem governar ao interesse dos capitais necessários para manter as obrigações desses Estados no campo da educação, saúde, justiça, defesa... vendem a alma à sobrevivência do povo que não sabem cuidar. Nos anos oitenta do século findo ainda a Europa era outra mas já Agostinho antevia no que se haveria de tornar. Portugal, com pressa de se integrar nesse grande mercado que pensava poder ser a salvação e o progresso que a revolução vinha prometendo, cedeu a todos os ditames daqueles que detinham o poder económico, o que aliás, imediatamente não era difícil uma vez que jorravam quantidades diárias de capital que se dissipavam sem se saber como nem onde. Por outro lado os países com os quais Agostinho pensava ser dever de Portugal construir uma nova organização económica e cultural – a Comunidade dos Países de Língua e Cultura Portuguesas – estavam em grande parte num processo de guerra civil e a grande nação do Brasil, continuava, como de certa maneira continua, de costas voltadas para Portugal. O Brasil parece viver o problema dos adolescentes, em constante rebelião perante os seus projenitores. Mas teria o capitalismo algum modelo de organização de sociedade que lhe fosse superior? Agostinho mais uma vez, vai à história e propõe a organização social da Idade Média, caracterizada por um verdadeiro comunitarismo e entreajuda para combater os excessos do liberalismo. Em seu entender o essencial era manter gratuito e de acesso universal a saúde, a educação, a habitação e deixar à iniciativa de cada um o exercício da criatividade e a realização das novas invenções. Assim poder-se-iam conciliar as duas característcas que mais marcam o indivíduo, a necessidade de viver juntos com a quase exigência de nessa comunidade se gerar um sentimento de competição pela afirmação das realizações individuais. Em termos sócio-políticos, Agostinho apontava para uma organização social que conciliasse o melhor das experiências colectivistas com o melhor das experiências liberais. No século XXI, horizonte para que apontavam as suas reflexões, propostas semelhantes têm sido teorizadas pelos designados neocomunitaristas, movimento de origem anglo-americano surgido na década de setenta do século XX. Agostinho, sem exagerar, pode ser considerado um dos iniciadores deste tipo de pensamento no espaço europeu, reconhecendo à organização social e política de Portugal na Idade Média, um modelo que, com as devidas adaptações, permitiria a melhor forma de subordinar o individualismo congénito da raça humana, à vivência comunitária que é a razão de ser da vida em sociedade. Ao longo da história ressalta o facto de as sociedades humanas serem caracterizadas pela “sociável insociabilidade”, ou seja, o propósito de cada um é sempre destacar-se entre os demais, mas sem os outros eu nada serei nem poderei vir a ser. Agostinho tem o mérito quase único de ter começado a falar da nova Europa e do renovado Portugal muitos anos antes da revolução de Abril. Desde a sua juventude que Portugal se lhe constituía como problema. Conhecedor e frequentador de pensamentos antagónicos que constituíam os movimentos da Renascença Portuguesa e Seara Nova, nunca o vimos fazer uma escolha entre um ou outro. Pelo contrário: frequentava os dois e de ambos retirava contributos únicos, para posteriormente plasmar no seu próprio pensamento. Soube como ninguém conciliar o contraditório, exercer o paradoxo. O contraditório só o é à superfície, pois enredados nas malhas do pensamento todos os contributos têm a sua razão de ser. A sua obra de síntese sobre Portugal e os portugueses designou-a Reflexão à margem da literatura portuguesa, com primeira publicação no Brasil, no ano de 1957, significando este título que o seu autor se propunha abordar a literatura portuguesa por um ângulo ainda não considerado ou relativamente marginalizado que é exactamente o de uma especulação em torno do que significa ser português nas obras e pensamento dos autores aí analisados. E sendo um português na diáspora, impedido de regressar ao seu país que o perseguiu e deteve por delito político por mais de uma vez, poderia facilmente ter feito como tantos outros, nomeadamente, aqueles que foram para fora com o apoio do poder de Portugal e uma vez estabelecidos, dedicaram-se a denegrir a imagem da sua pátria e suas gentes. Com certeza que a amargura de Agostinho para com os governantes que mantinham o seu povo sujeito a um regime ditatorial era grande, mas a sua lucidez e o empenho na abertura de horizontes, não o impediam de ir estabelecendo as pontes para o futuro do seu povo, não mais a gente que tinha deixado acantonada no rectângulo português, pobre e analfabeta, mas todos aqueles que com ele partilhavam uma identidade, os países de cultura e língua portuguesa, que desejava ver unidos num propósito comum, o de contribuir para a construção de uma nova realidade social inteiramente igualitária, sem predomínio de um sobre os outros. Uma Nação de encontros e partilhas, sem preocupação económica nem força militar, esteio da paz e convivência entre todos os povos do mundo. Portugal nos quarenta anos de democracia por incompetência ou falta de visão daqueles que o vão governando tem imitado o pior da Europa no esbanjar de recursos submetendo periodicamente o seu povo a sacrifícios terríveis, não cuidando, também, convenientemente das relações com os países de cultura e expressão portuguesa. Agostinho e outros “visionários” continuariam a dizer que o nosso problema é periodicamente vender a alma ao diabo, entenda-se ao capital, vivendo o dia a dia como se o amanhã não existisse. E quando o amanhã inexoravelmente se torna o agora, estão lá as gerações mais jovens com uma pesada herança para gerir. Portugal está de mal com a Europa porque lhe é servo e não se reencontra com os países de expressão portuguesa pelo avolumar das desconfianças mútuas entre todos, com ou sem razão. O pensamento vivo de Agostinho nesta época de incertezas é uma boa âncora para pensar no presente de Portugal e preparar o seu futuro em união com todos os povos de cultura e língua portuguesa, relativizando a nossa posição europeia que nos mantém amarrados a um modelo de sociedade que não convém ao nosso povo.  

Artur Manso