EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

domingo, 4 de novembro de 2012

PREFÁCIO D' AS APORIAS DO PONTO DE PARTIDA DA FILOSOFIA, DE ANTÓNIO JOSÉ DE BRITO



No presente ensaio, António José de Brito regressa aos dois temas nucleares da sua reflexão, de que são marcos públicos mais significativos, se bem que ainda não devidamente atendidos na nossa mais exigente vida cultural, os volumes Estudos de Filosofia (1962), Le point de départ de la Philosophie et son développement dialéctique (1979), Para uma Filosofia (1986), Razão e Dialéctica (1979), Introdução à Filosofia do Direito (1995), Valor e Realidade (1999), Esboço de uma Filosofia Dialéctica (2005) e Ensaios de Filosofia do Direito e outros estudos (2006).
Destes temas ou problemas, o primeiro é aquele que dá o título a este breve e rigoroso estudo, problema a que o pensamento do filósofo portuense tem procurado responder através do aprofundamento da noção principial de insuperável que, formulada, pela primeira vez, na tese de doutoramento que, em 1979, apresentou à Universidade de Montpellier, encontrou, depois, mais aprofundado tratamento e desenvolvimento, agora na nossa língua, em algumas das obras atrás referidas, designadamente nas que deu à estampa em 1994 (reproduzindo um longo ensaio anteriormente publicado na Revista Portuguesa de Filosofia), 1995 e 2005, enquanto o segundo, com ele estritamente conexo, o do idealismo ou da opção especulativa por uma solução idealista do problema do conhecimento, tem definido e singularizado, desde o início, a sua atitude filosófica, encontrando-se na base do diálogo crítico que, de há muito, vem mantendo com o pensamento de A. Miranda Barbosa (1916-1973), bem como os reparos que não deixou de fazer às posições gnosiológicas de Leonardo Coimbra (1883-1936) e António Sérgio (1883-1969), em seu entender imperfeitamente idealistas, por admitirem ambas uma realidade fora do pensamento ou a ele contraposta.
Para o mestre portuense, qualquer demanda especulativa que pretenda alcançar algo que se apresente como firme e sólido carece de partir do que, de si, se configure como um começo absoluto que de nada dependa, revestindo-se, por isso, de um carácter principial ou primeiro. Deste modo, o ponto de partida do pensar terá, necessariamente, de ser uma noção básica de que todas as demais decorram, sendo, nesta medida, secundárias ou derivadas em relação a ela. Porque é, assim, sempre algo necessário e universal, o ponto de partida não pode deixar de ser um único, inconcebíveis sendo múltiplos ou diversos pontos de partida.
Daí que António José de Brito pense só poder constituir verdadeiro ponto de partida do pensar o que se apresente como insuperável, entendido este como o primeiro princípio, de que todos os outros dependem e não podem deixar de pressupor ou admitir.
Assim, para o antigo professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, esse ponto de partida ou fundamento radical ou primeiro de todo o pensar terá de ser algo que se apresente e possa ser afirmado como inegável, indubitável, insusceptível de ser “colocado entre parêntesis”, auto-demonstrado e unidade na diversidade, tanto como desenvolvimento lógico como dialéctica entre opostos, unidade que põe o seu oposto e o supera.
Este conjunto de atributos que o ponto de partida deverá reunir em si para revestir, verdadeiramente, o carácter de insuperável primeiro princípio que de nada depende e de que tudo o mais queda dependente, segundo o exigente pensamento do autor de Razão e dialéctica, não se encontra na maioria das noções que, amiúde, têm sido consideradas ou pensadas como ponto de partida, pois, segundo ele, não podem constituir verdadeiros pontos de partida do pensar filosófico ou da Filosofia nem a linguagem nem noções com a de ser ou de cogito, nem o pensamento impessoal, a experiência ou a evidência, dado todas constituírem, de algum modo, noções ou realidades segundas ou derivadas.
Por outro lado, se, como acima se notou, o ponto de partida terá de ser algo, simultaneamente, necessário e universal, cumpre ter em conta, que, para o especulativo portuense, o universal se configura, necessariamente, como a unidade que tudo abrange e que, por isso, não pode deixar de conter em si o múltiplo e o variado, o mesmo é dizer que a unidade e o universal contêm em si, de diversas e múltiplas maneiras, o múltiplo e o particular, já que, se o não contivessem, não seriam, de modo autêntico, universalidade do múltiplo.
Para António José de Brito, a unidade do universal não é uma unidade estática mas uma unidade dinâmica, porquanto a ela preside ou nela está ínsita a luta, em que, como escreve o nosso filósofo, “pelo menos idealmente, é vitoriosa a unidade e em que jamais conseguem triunfar as variadas espécies em composição, seja de que maneira for, embora a luta, em compensação, nunca cesse”. Para o mestre portuense, este combate incessante, esta imobilidade nunca alcançada, esta vitória jamais definitiva constituiriam a dialéctica do real, dialéctica eterna em que a não-verdade em momento algum logra triunfar, já que a verdade sempre se mantém, deontologicamente, vencedora.
Daqui decorreria, então, ser dialéctico o ponto de partida, o qual, do mesmo passo, não poderá deixar de ser universal, visto que não só põe os particulares como os absorve em si, só sendo verdadeiro universal quando é tudo, mas é tudo unicamente quando contém aquilo que não é directamente ele. Assim, para António José de Brito, o universal, como ponto de partida, é a síntese do mesmo universal com o que se lhe opõe e nele se integra.
Adverte, contudo, o autor de Valor e Realidade, que a existência do universal só é possível se houver não-contradição, a qual, se, por um lado, constitui condição necessária do universal, por outro, só no universal encontra aquilo que lhe confere realidade, vindo esta recíproca implicação a ser o que dá corpo ao ponto de partida, na sua universalidade.
Nota, ainda, o filósofo que cumpre atender a que o universal, sendo embora tudo, o não é da maneira mais repetitiva, porquanto “há o que se opõe directamente e directamente é superado até ao que se aproxima em extremo do universal e se integra nele de maneira quase imediata”. Deste modo, o autêntico universal é universal por envolver ou implicar também o particular, pois o universal só o é, verdadeiramente, quando põe frente a si o mesmo particular, visto que, de outro modo, viria a confundir-se com ele. O mesmo é dizer que o universal envolve em si os seus opostos e que estes se inserem nele, na sua luta e na sua superadora unificação.
Com efeito, não só a dialéctica implica ruptura, se bem que constantemente ultrapassada, como a unidade inclui, sem a destruir, a variedade que com ela luta, sem lograr nunca aniquilá-la. Assim, como recorda o nosso autor, a dialéctica envolve liberdade e não liberdade reunidas ou unificadas numa síntese, “numa vitória eterna que, de várias maneiras, é ultrapassagem do inimigo, sem jamais ser a sua radical supressão”.
Neste processo intérmino, a unidade constitui o valor que, através de diversas e inesperadas formas, vai pondo o que é diverso e fazendo-o de modo também diverso, “desde a auto-superação do oposto até ao esforço do mesmo para se afirmar sem possível êxito exclusivamente numa oposição fora da unidade”.
Mas porque o valor é, por si, dever-ser, a unidade do múltiplo vem a ser valor que é dever-ser, que, no entanto, não logra alcançar completamente a sua plenitude e nem sempre se mantém de modo imutável.
Se, como vimos, para António José de Brito, o ponto de partida só pode ser o universal e se este contém tudo, o universal não pode deixar de ser o pensamento, visto que situar algo fora do pensamento é, necessariamente, ainda pensá-lo e, logo, colocá-lo no mesmo pensamento, o qual, sendo unidade, possui uma dialéctica, que é a sua própria realidade e na qual a ontologia não pode deixar de implicar uma axiologia e esta uma ontologia.
Daqui decorreriam, então, duas decisivas conclusões: a de que teoria e prática vêm a constituir uma unidade dialéctica e a de que, sendo tudo pensamento, este terá de conter, necessariamente, tudo o que se apresenta como não-pensamento, dado que, se não contivesse o seu oposto, carecia de verdadeira universalidade, a qual se configura aqui como uma dialéctica da universalidade com a pluralidade.
A ser assim, imperioso será concluir, então, que o realismo filosófico é, necessariamente, obra do pensamento, ficando, do mesmo passo, resolvida a favor do idealismo a velha querela que opões este àquele.
Deste modo, para o especulativo portuense, o idealismo apresenta-se como a doutrina da universalidade do pensamento, segundo a qual não há nada que seja de natureza diversa do pensamento, pois todas as coisas são pensamento.
Reconhece, no entanto, o nosso autor que o idealismo, enquanto doutrina da universalidade do pensamento, só será confirmada como válida se o mesmo pensamento abranger ou incluir o que se põe como oposto à primazia do pensamento, uma vez que pôr o oposto constitui o modo de superá-lo, pois, nesse caso, a universalidade estará a assumir-se como universalidade, ao não deixar nada fora de si, tudo dominando.
Ora, o pensamento é a realidade em si porque consegue abranger qualquer pretensão dele se colocar como não-pensamento, apresentando-se o idealismo como o pensamento de si próprio consciente e, nessa medida, “vencendo as oposições que ele próprio suscita em si, como melhor meio de provar que acima dele nada há”, pois, ao suscitá-las, prova a sua infinitude, realizando-a.
Deste modo, para o filósofo do Porto, tudo o que se opõe ao idealismo mais não será do que um idealismo que se ignora, um idealismo imperfeito, um pensamento que não logrou ainda alcançar a sua plenitude.
Diversamente, a concepção idealista, tal como António José de Brito a pensa, não é uma adequação ou uma correspondência do pensamento com algo diverso dele que seja o real, mas, pelo contrário, uma concepção segundo a qual o pensamento é a própria realidade, nada existindo fora dele, concepção que, por isso, se põe, imediatamente, como a verdade, como a insuperabilidade.

António Braz Teixeira
Setembro de 2012