EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

Para o 12º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

A ligação com o mar começa por ser um factor geográfico comum a todos os países de língua portuguesa, mas, como acontece com alguns “factores geográficos”, está muito para além disso. Com efeito, a forma como estamos no mundo, a forma como somos, sentimos e pensamos, não é apenas afectada pelo factor tempo – apesar deste ser o mais óbvio –, mas, igualmente, pelo factor espaço. Já foi muitas vezes referida, por exemplo, a influência da experiência espacial do deserto no pensamento árabe, em particular no que este tem de mais espiritual.

Partindo desse factor geográfico – de a ligação ao mar ser comum a todos os países de língua portuguesa –, procurámos, pois, neste número da NOVA ÁGUIA, pensar a ligação entre o mar e a Lusofonia, sugestivamente já referida por Vergílio Ferreira, quando escreveu: “Da minha língua vê-se o mar”. Em que medida o mar emerge na nossa língua, na forma como estamos no mundo, na forma como somos, sentimos e pensamos, eis, pois, em suma, o repto que lançámos aos nossos colaboradores, também eles unidos pelo mar por esse mundo fora.

Uma vez mais, como sempre tem acontecido, teve esse repto ampla resposta. Publicamos aqui cerca de duas dezenas de textos que, por diversas vias, têm em vista esse horizonte. De resto, já em números anteriores o havíamos assinalado, ainda que de forma subliminar. O nosso pensamento parece-nos ter, com efeito, essa marca “marítima” – daí o seu anti-cousismo, o seu anti-substancialismo, nalguns autores particularmente evidente (apenas para dar um exemplo, refira-se o conceito de “insubstancial substante”, de José Marinho), em contraponto com os pensamentos mais “continentais”, mais ligados à terra, ou seja, à fixidez e às fronteiras – e, por isso, menos propensos à mistura e à mestiçagem, marca maior da Lusofonia.

Como sempre tem acontecido, não se esgota este número na abordagem da temática central. Assim, publicamos ainda alguns textos sobre Leonardo Coimbra, esse pensador anti-cousista por excelência, por nós homenageado no número anterior, por ocasião dos 100 anos da publicação da sua obra O Criacionismo. A par de Leonardo Coimbra, evocamos uma série de outros autores: de Agostinho da Silva, o grande pensador, entre nós, da Lusofonia, até Teixeira de Pascoaes, o poeta maior da “Renascença Portuguesa” (cujo centenário celebrámos em 2012), passando, entre outros, por Fernando Pessoa, Jaime Cortesão e João de Deus.

Isto para além das secções já clássicas: “Outros Voos”, com a habitual colaboração de Adriano Moreira; “Rubricas”, desde o nº 9 da NOVA ÁGUIA reforçadas com as “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão; “Bibliáguio”, onde destacamos, a fechar, a justa homenagem que é feita, por António Cândido Franco, ao poeta Couto Viana; “Noticiáguio”, onde, desde logo, evocamos os recém-falecidos Manuel Luciano da Silva e Elsa Rodrigues dos Santos, para além de publicitarmos o Programa do I Congresso da Cidadania Lusófona, onde estaremos presentes; sem esquecer o “Poemáguio”, onde, como sempre tem acontecido desde o primeiro número da Revista, publicamos uma série de poemas – destaque-se, neste número, a publicação de um poema de António Telmo, bem como um poema de homenagem a Manuel António Pina.

Como também tem sempre acontecido, ficaram muitos textos por publicar – desde logo, o já aqui anunciado dossiê sobre o poeta Ramos Rosa. Procuraremos publicá-lo no próximo número da revista, onde a figura em destaque será António Quadros, por ocasião dos 20 anos da sua morte, a par de outros autores que evocaremos, nomeadamente: Orlando Vitorino e Eduardo Abranches de Soveral (ambos falecidos há 10 anos), Heraldo Barbuy (nos 100 anos do seu nascimento, em São Paulo) e Silvestre Pinheiro Ferreira (nos 200 anos do início das suas famosas Prelecções Filosóficas no Real Colégio de S. Joaquim, no Rio de Janeiro). Em 2013, a NOVA ÁGUIA manterá, assim, o seu voo cada vez mais ascendente e “marítimo”, não fosse o mar, precisamente, nas lapidares palavras de António Quadros, “a imagem eterna do caminho”.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

ÍNDICE

Editorial…5
O MAR E A LUSOFONIA: “DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR”
Maria Luísa de Castro Soares, A OMNIPRESENÇA DO MAR NA CULTURA PORTUGUESA: SUA EXPRESSÂO NA LITERATURA…8
Miguel Real, O MAR PORTUGUÊS…17
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A POESIA PORTUGUESA: O MAR E A LUSOFONIA…23
Rodrigo Sobral Cunha, A EUROPA CULTA E O MAR PORTUGUÊS…25
Samuel Dimas, EPIFANIA: DA MINHA SERRA VEJO O MAR DO MUNDO, ILUMINADO PELA ESTRELA DA REDENÇÃO UNIVERSAL…31
Rui Martins, O MAR COMO DESÍGNIO NACIONAL…35
Pedro Cipriano, O MAR E O SER PORTUGUÊS…38
Luís G. Soto, A MULHER E O MAR…39
Lúcia Helena Alves de Sá, AO MAR LARGO, LONGO... QUE A VIDA É CURTA…43
José Manuel Malhão Pereira, A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO…45
José Leitão, DEAMBULAÇÃO…47
Joaquim Miguel Patrício, NÃO CULPEM NEM SACRALIZEM O MAR…49
Joaquim Domingues, E NÃO SE OUVE O MAR?!...53
Isaque de Carvalho, ORFEU TRANSATLÂNTICO…54
Delmar Domingos de Carvalho, O MAR NO UNIVERSALISMO LUSÓFONO…60
Carminda H. Proença, A BAÍA DE SESIMBRA E A ALMA LUSA…64
Carlos Vargas e Luísa Janeirinho, O MAR, O AMOR E A LUSOFONIA…65
António Carlos Carvalho, AQUI À ESCUTA COM O MAR AO FUNDO…66
Almerinda Pereira, ARAR O MAR…68
AINDA SOBRE LEONARDO COIMBRA
Ângelo Alves, O CRIACIONISMO DE LEONARDO COIMBRA NA CONJUGAÇÃO DE IDEALISMO E REALISMO…74
António Braz Teixeira, O DIÁLOGO CRÍTICO DE LEONARDO COIMBRA COM BRUNO, JUNQUEIRO E PASCOAES…82
Manuel Ferreira Patrício, APROXIMANDO LEONARDO COIMBRA E VIKTOR FRANKL…92
Luís Tavares, HOMENAGEM A LUÍS DO ESPÍRITO SANTO, LEITOR DE LEONARDO COIMBRA…98
Joaquim Domingues, A TEORIA E A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO EM LEONARDO COIMBRA…99
Carlos Aurélio, CRIACIONISMO: OCIDENTE, ARTE E VIDA POÉTICA…103
EVOCAÇÕES
A HONESTIDADE DE AGOSTINHO DA SILVA, por José Lança-Coelho…110
MEMÓRIAS AÇORIANAS DE AGOSTINHO DA SILVA,VITORINO NEMÉSIO E ALBERTO MACHADO DA ROSA, por Eduardo Ferraz da Rosa…112
NOTAS SOBRE A PRESENÇA ARABICO-ISLAMICA NA IBERIA DE FERNANDO PESSOA, por Fabrizio Boscaglia…123
AS LINHAS DE FORÇA DO PENSAMENTO HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO, por Nuno Sotto Mayor Ferrão…130
SERIA DEUS UM ARTISTA? UM BREVE OLHAR SOBRE O MISTICISMO NA POESIA DE JOÃO DE DEUS, por Elisabete Francisco…136
LEONIDAS HELMUTH BAEBLER HEGENBERG (1925-2012), por José Maurício de Carvalho…139
MANUEL ANTÓNIO, O POETA DO MAR DA GALIZA, por Maria Seoane Dovigo…142
A UNIVERSALIDADE DE NUN’ALVARES PEREIRA, por José Eduardo Franco…144
O MAR E O MARÃO: A NATUREZA POETICA DE SOPHIA E DE PASCOAES, por Nuno Freixo…146
VEIGA PIRES: UM HOMEM, MUITAS VIDAS, por Alfredo Ribeiro dos Santos e Rui M. Gil da Costa…148
OUTROS VOOS
Adriano Moreira, ENTRE O PODER DA PALAVRA E A PALAVRA DO PODER…162
Constança Marcondes César, VULNERABILIDADE E FINITUDE…166
Elter Manuel Carlos, ENSAIO SOBRE O SENTIDO ÉTICO-ESTÉTICO DA LITERATURA E DA EDUCAÇÃO LITERÁRIA EM CABO VERDE…169
João Pereira de Matos, ÀS PORTAS DE ISHTAR…176
Manuel Ferreira Patrício, FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO ESPÍRITO DA FILOSOFIA SITUADA…178
Maria Leonor Xavier, O VALOR DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA…181
J. Pinharanda Gomes, GLOSAS DE CULTO E CULTURA…187
Rui Tinoco, A CITAÇÃO CIENTIFICA COMO ARMA SIMBOLICA: CONSEQUENCIAS CULTURAIS…194
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…200
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…202
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…213
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…214
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…215
BIBLIÁGUIO
O QUE É O OCIDENTE?, por Renato Epifânio…220
SOBRE A SAUDADE, por José Almeida…221
AMORIM DE CARVALHO E DELFIM SANTOS, por Mourão Jorge…222
TIAGO VEIGA. UMA BIOGRAFIA, por João Rasteiro…223
DE CABINDA AO NAMIBE, por J.P.A. Alves Ambrósio…228
O ETERNO RETORNO DO FASCISMO, por Eugénio Montoito…238
PODER E MORALIDADE, por Luiz Paulo Rouanet…240
FÁRMACO, por Joel Henriques…244
TERRA PROMETIDA, por António José Borges…246
AUTOS DO FOGO ANALOGICO, por Pedro Martins…248
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA: MEMORIAL DO CORAÇÃO, por António Cândido Franco…250
NOTICIÁGUIO
ELSA RODRIGUES DOS SANTOS (1939-2012)…256
MANUEL LUCIANO DA SILVA (1926-2012)…256
XIX PRÉMIO CARVALHO CALERO…258
I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA : PROGRAMA…258
POEMÁGUIO
Joaquim Carvalho, VIDA DE LUZ E DE SOMBRA (A CAMILO CASTELO BRANCO)…7
António José Borges, ESCOL…64
Delmar Maia Gonçalves, EM DECLÍNIO…65
Carlos José Maria Gonçalves, COMO CÉU NO MAR…68
Gabriela Correia, PORTUGAL…68
Maurícia Teles da Silva, DE FINISTERRA A MAR…69
Henrique Madeira, AS VOZES DO MAR…69
Sofia Varino, MAR NOVO…70
Helena Sanchez, LÁGRIMAS NO SAL…71
Maria Luísa Francisco, DA TUA CASA VÊ-SE O RIO…71
Marco Aurélio, ALENTEJO…71
Renato Epifânio, DO NOSSO MARRITÓRIO…72
Jesus Carlos, BRASIL DE PÊRO VAZ DE CAMINHA…73
Maria Leonor Xavier, TEMPO SUSPENSO...109
Eduardo Aroso, D. SEBASTIÃO EM MIM/ E, NO ENTANTO, ELA FALA-SE!/ DAS EUROPAS…161
Jaime Otelo, SONETO III/ SONETO IV…195
Samuel Dimas, NO SAUDOSO VOO…/ METÁFORA/ CONVERSÃO/ METAFÍSICA/ POETAS DO MAR E DO DESERTO…196
Catarina Inverno, FRUTOS EM FLOR…198
António Simões, QUANDO SE VIU…198
Abé Barreto Soares, CRIANÇAS PALESTINIANAS…199
João Canha Hespanhol, PARTO A MEIO A ROMÃ E...218
António Salvado, ANOS SE LEVA…219
António Manuel Couto Viana, ESTERTOR…254
António Telmo, AO SENHOR DOS MUNDOS…254
João Rasteiro, ESPERA UM POUCO (AO MANUEL ANTÓNIO PINA)…255
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11
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NOVA ÁGUIA: SESSÕES DE APRESENTAÇÃO

19.03.13 - 17h00: Palácio da Independência (Salão Nobre)
02.04.13 - 11h00: Sociedade de Geografia de Lisboa
05.04.13 - 18h00: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
06.04.13 - 17h00: Biblioteca Municipal de Elvas
08.04.13 - 20h30: Casas das Campas (Pontevedra, Galiza)
09.04.13 - 19h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
13.04.13 - 18h30: Livraria Adrião (Mangualde)
14.04.13 - 19h00: Casa do Fauno (Sintra)
20.04.13 - 17h00: Faculdade de Direito da Universidade do Porto
27.04.13 - 15h00: Casa do Bispo (Sesimbra)
04.05.13 - 21h30: Associação Nova Cultura (Montargil)
08.05.13 - 18h30: Livraria Bertrand Chiado
10.05.13 - 18h00: Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António
10.05.13 - 19h30: Chalé Bela Mandil (Olhão)
13.05.13 - 14h30: Auditório da Escola Básica e Secundária de Carcavelos
18.05.13 - 23h00: Museu do Trabalho (Setúbal)
22.05.13 - 18h00: Universidade Católica Portuguesa
26.05.13 - 17h00: Casa Mantero (Sintra)
04.06.13 - 17h00: Palácio da Independência (Sala Antão de Almada)
10.06.13 - 12h00: Hotel Real Palácio
16.06.13 - 15h30: Casa do Fauno (Sintra)
26.06.13 - 16h30: Casa dos Bicos (Fundação José Saramago)
09.07.13 - 18h30: Casa Fernando Pessoa

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas

À venda nas melhores livrarias do país.

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Domingo, 4 de Novembro de 2012

PREFÁCIO D' AS APORIAS DO PONTO DE PARTIDA DA FILOSOFIA, DE ANTÓNIO JOSÉ DE BRITO



No presente ensaio, António José de Brito regressa aos dois temas nucleares da sua reflexão, de que são marcos públicos mais significativos, se bem que ainda não devidamente atendidos na nossa mais exigente vida cultural, os volumes Estudos de Filosofia (1962), Le point de départ de la Philosophie et son développement dialéctique (1979), Para uma Filosofia (1986), Razão e Dialéctica (1979), Introdução à Filosofia do Direito (1995), Valor e Realidade (1999), Esboço de uma Filosofia Dialéctica (2005) e Ensaios de Filosofia do Direito e outros estudos (2006).
Destes temas ou problemas, o primeiro é aquele que dá o título a este breve e rigoroso estudo, problema a que o pensamento do filósofo portuense tem procurado responder através do aprofundamento da noção principial de insuperável que, formulada, pela primeira vez, na tese de doutoramento que, em 1979, apresentou à Universidade de Montpellier, encontrou, depois, mais aprofundado tratamento e desenvolvimento, agora na nossa língua, em algumas das obras atrás referidas, designadamente nas que deu à estampa em 1994 (reproduzindo um longo ensaio anteriormente publicado na Revista Portuguesa de Filosofia), 1995 e 2005, enquanto o segundo, com ele estritamente conexo, o do idealismo ou da opção especulativa por uma solução idealista do problema do conhecimento, tem definido e singularizado, desde o início, a sua atitude filosófica, encontrando-se na base do diálogo crítico que, de há muito, vem mantendo com o pensamento de A. Miranda Barbosa (1916-1973), bem como os reparos que não deixou de fazer às posições gnosiológicas de Leonardo Coimbra (1883-1936) e António Sérgio (1883-1969), em seu entender imperfeitamente idealistas, por admitirem ambas uma realidade fora do pensamento ou a ele contraposta.
Para o mestre portuense, qualquer demanda especulativa que pretenda alcançar algo que se apresente como firme e sólido carece de partir do que, de si, se configure como um começo absoluto que de nada dependa, revestindo-se, por isso, de um carácter principial ou primeiro. Deste modo, o ponto de partida do pensar terá, necessariamente, de ser uma noção básica de que todas as demais decorram, sendo, nesta medida, secundárias ou derivadas em relação a ela. Porque é, assim, sempre algo necessário e universal, o ponto de partida não pode deixar de ser um único, inconcebíveis sendo múltiplos ou diversos pontos de partida.
Daí que António José de Brito pense só poder constituir verdadeiro ponto de partida do pensar o que se apresente como insuperável, entendido este como o primeiro princípio, de que todos os outros dependem e não podem deixar de pressupor ou admitir.
Assim, para o antigo professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, esse ponto de partida ou fundamento radical ou primeiro de todo o pensar terá de ser algo que se apresente e possa ser afirmado como inegável, indubitável, insusceptível de ser “colocado entre parêntesis”, auto-demonstrado e unidade na diversidade, tanto como desenvolvimento lógico como dialéctica entre opostos, unidade que põe o seu oposto e o supera.
Este conjunto de atributos que o ponto de partida deverá reunir em si para revestir, verdadeiramente, o carácter de insuperável primeiro princípio que de nada depende e de que tudo o mais queda dependente, segundo o exigente pensamento do autor de Razão e dialéctica, não se encontra na maioria das noções que, amiúde, têm sido consideradas ou pensadas como ponto de partida, pois, segundo ele, não podem constituir verdadeiros pontos de partida do pensar filosófico ou da Filosofia nem a linguagem nem noções com a de ser ou de cogito, nem o pensamento impessoal, a experiência ou a evidência, dado todas constituírem, de algum modo, noções ou realidades segundas ou derivadas.
Por outro lado, se, como acima se notou, o ponto de partida terá de ser algo, simultaneamente, necessário e universal, cumpre ter em conta, que, para o especulativo portuense, o universal se configura, necessariamente, como a unidade que tudo abrange e que, por isso, não pode deixar de conter em si o múltiplo e o variado, o mesmo é dizer que a unidade e o universal contêm em si, de diversas e múltiplas maneiras, o múltiplo e o particular, já que, se o não contivessem, não seriam, de modo autêntico, universalidade do múltiplo.
Para António José de Brito, a unidade do universal não é uma unidade estática mas uma unidade dinâmica, porquanto a ela preside ou nela está ínsita a luta, em que, como escreve o nosso filósofo, “pelo menos idealmente, é vitoriosa a unidade e em que jamais conseguem triunfar as variadas espécies em composição, seja de que maneira for, embora a luta, em compensação, nunca cesse”. Para o mestre portuense, este combate incessante, esta imobilidade nunca alcançada, esta vitória jamais definitiva constituiriam a dialéctica do real, dialéctica eterna em que a não-verdade em momento algum logra triunfar, já que a verdade sempre se mantém, deontologicamente, vencedora.
Daqui decorreria, então, ser dialéctico o ponto de partida, o qual, do mesmo passo, não poderá deixar de ser universal, visto que não só põe os particulares como os absorve em si, só sendo verdadeiro universal quando é tudo, mas é tudo unicamente quando contém aquilo que não é directamente ele. Assim, para António José de Brito, o universal, como ponto de partida, é a síntese do mesmo universal com o que se lhe opõe e nele se integra.
Adverte, contudo, o autor de Valor e Realidade, que a existência do universal só é possível se houver não-contradição, a qual, se, por um lado, constitui condição necessária do universal, por outro, só no universal encontra aquilo que lhe confere realidade, vindo esta recíproca implicação a ser o que dá corpo ao ponto de partida, na sua universalidade.
Nota, ainda, o filósofo que cumpre atender a que o universal, sendo embora tudo, o não é da maneira mais repetitiva, porquanto “há o que se opõe directamente e directamente é superado até ao que se aproxima em extremo do universal e se integra nele de maneira quase imediata”. Deste modo, o autêntico universal é universal por envolver ou implicar também o particular, pois o universal só o é, verdadeiramente, quando põe frente a si o mesmo particular, visto que, de outro modo, viria a confundir-se com ele. O mesmo é dizer que o universal envolve em si os seus opostos e que estes se inserem nele, na sua luta e na sua superadora unificação.
Com efeito, não só a dialéctica implica ruptura, se bem que constantemente ultrapassada, como a unidade inclui, sem a destruir, a variedade que com ela luta, sem lograr nunca aniquilá-la. Assim, como recorda o nosso autor, a dialéctica envolve liberdade e não liberdade reunidas ou unificadas numa síntese, “numa vitória eterna que, de várias maneiras, é ultrapassagem do inimigo, sem jamais ser a sua radical supressão”.
Neste processo intérmino, a unidade constitui o valor que, através de diversas e inesperadas formas, vai pondo o que é diverso e fazendo-o de modo também diverso, “desde a auto-superação do oposto até ao esforço do mesmo para se afirmar sem possível êxito exclusivamente numa oposição fora da unidade”.
Mas porque o valor é, por si, dever-ser, a unidade do múltiplo vem a ser valor que é dever-ser, que, no entanto, não logra alcançar completamente a sua plenitude e nem sempre se mantém de modo imutável.
Se, como vimos, para António José de Brito, o ponto de partida só pode ser o universal e se este contém tudo, o universal não pode deixar de ser o pensamento, visto que situar algo fora do pensamento é, necessariamente, ainda pensá-lo e, logo, colocá-lo no mesmo pensamento, o qual, sendo unidade, possui uma dialéctica, que é a sua própria realidade e na qual a ontologia não pode deixar de implicar uma axiologia e esta uma ontologia.
Daqui decorreriam, então, duas decisivas conclusões: a de que teoria e prática vêm a constituir uma unidade dialéctica e a de que, sendo tudo pensamento, este terá de conter, necessariamente, tudo o que se apresenta como não-pensamento, dado que, se não contivesse o seu oposto, carecia de verdadeira universalidade, a qual se configura aqui como uma dialéctica da universalidade com a pluralidade.
A ser assim, imperioso será concluir, então, que o realismo filosófico é, necessariamente, obra do pensamento, ficando, do mesmo passo, resolvida a favor do idealismo a velha querela que opões este àquele.
Deste modo, para o especulativo portuense, o idealismo apresenta-se como a doutrina da universalidade do pensamento, segundo a qual não há nada que seja de natureza diversa do pensamento, pois todas as coisas são pensamento.
Reconhece, no entanto, o nosso autor que o idealismo, enquanto doutrina da universalidade do pensamento, só será confirmada como válida se o mesmo pensamento abranger ou incluir o que se põe como oposto à primazia do pensamento, uma vez que pôr o oposto constitui o modo de superá-lo, pois, nesse caso, a universalidade estará a assumir-se como universalidade, ao não deixar nada fora de si, tudo dominando.
Ora, o pensamento é a realidade em si porque consegue abranger qualquer pretensão dele se colocar como não-pensamento, apresentando-se o idealismo como o pensamento de si próprio consciente e, nessa medida, “vencendo as oposições que ele próprio suscita em si, como melhor meio de provar que acima dele nada há”, pois, ao suscitá-las, prova a sua infinitude, realizando-a.
Deste modo, para o filósofo do Porto, tudo o que se opõe ao idealismo mais não será do que um idealismo que se ignora, um idealismo imperfeito, um pensamento que não logrou ainda alcançar a sua plenitude.
Diversamente, a concepção idealista, tal como António José de Brito a pensa, não é uma adequação ou uma correspondência do pensamento com algo diverso dele que seja o real, mas, pelo contrário, uma concepção segundo a qual o pensamento é a própria realidade, nada existindo fora dele, concepção que, por isso, se põe, imediatamente, como a verdade, como a insuperabilidade.

António Braz Teixeira
Setembro de 2012