EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra e Dalila Pereira da Costa- Razão e Espiritualidade.

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Em Janeiro de 1912, Teixeira de Pascoaes escrevia: “Neste momento genesíaco e caótico da nossa Pátria, é necessário que todas as forças reconstrutivas se organizem e trabalhem, para que ela atinja rapidamente a sonhada e desejada harmonia.”. Segundo Raul Proença, importava “dar uma alma nova à nossa nacionalidade, despertar a acção e vida nesta existência e modorra”.
Decorridos 100 anos sobre a génese da Renascença Portuguesa, que um dia Jaime Cortesão havia sonhado, com o propósito “de fundar uma Associação dos artistas e dos intelectuais portugueses, com o fim principal de exercer a sua acção isenta de facciosismos políticos”, uma “acção social orientadora educativa”, o seu legado está ainda por se cumprir.
Tendo sido criada para dar uma orientação maior, superior, à República, esta, infelizmente, preferiu seguir outros caminhos, mais imediatos, com os resultados que se conhecem. Por isso, ficou a promessa da Renascença Portuguesa parcialmente adiada, não obstante todas as sementes que então se lançaram à terra e alguns frutos que, na época, ainda foi possível colher: falamos, em particular, das Universidades Populares e da ainda hoje impressionante série de edições, que visavam promover uma elevação cultural e cívica de todo o povo português.
Na altura, a Renascença Portuguesa foi, de facto, o mais marcante movimento cultural e cívico, que agregou as mais insignes personalidades da época, sendo, ao mesmo tempo, a voz de uma nova geração que emergia e se afirmava. Se o seu legado não se cumpriu plenamente, o seu exemplo de dedicação à comunidade pátria persiste por inteiro ainda hoje, para que as gerações de hoje cumpram esse legado, essa tarefa.
Por tudo isso, a NOVA ÁGUIA evoca, neste número, os 100 anos da Renascença Portuguesa. Se há 100 anos importava fazer renascer Portugal, quem não dirá o mesmo hoje? Se Portugal há 100 anos parecia morto, quem, hoje, dirá o contrário? Ao evocarmos os 100 anos da Renascença Portuguesa, evocamos pois uma memória viva, de tal modo que quisemos aqui, neste número, olhar sobretudo para a futuro, para a frente. Daí a questão que colocámos: como será Portugal daqui a 100 anos? Decerto, um desafio ousado, mas quisemos sobretudo abrir Horizontes, porque sem Horizontes não há caminho que valha.
*
Constituindo, essa, a secção principal, houve espaço, como sempre tem acontecido, para outras temáticas. Assim, para além de textos ainda sobre Álvaro Ribeiro (autor destacado no número anterior), publicamos, neste número da NOVA ÁGUIA, textos sobre outras figuras, nomeadamente sobre algumas personalidades mais ligadas à Renascença Portuguesa: falamos, entre outros, de Sampaio Bruno, Guerra Junqueiro e Jaime Cortesão.
Como sempre, houve também lugar para outros voos – nomeadamente, até à Galiza (“Ernesto Guerra da Cal, Mestre da Nova Galeguidade. Notas para um Centenário”), ao Brasil (“Sílvio Romero: O Elemento Português no Brasil”), a Timor-Leste (“A Lusofonia em Timor-Leste – Além da mera sobrevivência da Língua Portuguesa”) e a Cabo Verde.
A respeito da Mátria de Cesária Évora – cuja memória aqui sentidamente evocamos –, publicamos, de resto, três textos: de António Braz Teixeira (“A Saudade na Poesia da Claridade”), de Elter Manuel Carlos (“A singularidade da leitura do olhar cabo-verdiano”) e de Adriano Moreira – falamos do Discurso que proferiu, recentemente, ao aceitar o título de Doutoramento Honoris Causa por parte da Universidade do Mindelo: “Uma Meditação sobre a Universidade”.
Depois de já termos publicado três números sobre personalidades ligadas à Renascença Portuguesa – Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (para além do número que dedicámos aos “100 anos d’A Águia”) –, o mesmo acontecerá, de novo, já no próximo número, cujo tema maior será: “Leonardo Coimbra – Razão e Espiritualidade: nos 100 anos d’O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)”. Uma vez mais, um grande número da NOVA ÁGUIA em perspectiva.

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA: COMO SERÁ PORTUGAL DAQUI A 100 ANOS?
Maria Luísa de Castro Soares, NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…8
Manuel Ferreira Patrício, NOS PRÓXIMOS 100 ANOS, A CPLP SERÁ OU PORTUGAL NÃO SERÁ…14
Pedro Cipriano, ENSAIO SOBRE O FUTURO DE PORTUGAL, DO SEU POVO E DA SUA CULTURA…15
Renato Epifânio, DIÁRIO DA NOVA ÁGUIA: 1 DE JANEIRO DE 2112…24
Rui Martins, DAQUI A CEM ANOS…28
Rui Tinoco, PELO MAR E PELA NET…30
António Cândido Franco, DA RENASCENÇA PORTUGUESA AO REGRESSO AO PARAÍSO…32
António Carlos Carvalho, UM RESTO DE PORTUGAL…35
Bruno Gonçalves Bernardes, O FOSSO CONSCIENTE…37
Carlos Aurélio, A CRISE E O ENGENHO…39
Clara Tavares, PORTUGAL: PONTE ENTRE O PASSADO E O FUTURO…47
Elisabete Correia Campos Francisco, COMO PENSAR O PORTUGAL DE AMANHÃ?...49
Gabriela Lança, A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL NO ANO 2112…53
João Franco, PORTUGAL AINDA EXISTIRÁ NO SÉCULO XXII?...55
Joaquim Domingues, PREVISÃO E PROFECIA…58
Lúcia Helena Alves de Sá, A HISTORIAR O PORVIR DE PORTUGAL…60
Manuel Abranches de Soveral, OH MAR SALGADO…62
Miguel Real, FEIRA DO LIVRO DE 2112…65
Sérgio Luís de Carvalho, PORTUGAL, 2112…67
J. Pinharanda Gomes, ANTEVISÃO…70
AINDA SOBRE ÁLVARO RIBEIRO
António Quadros Ferro, “O QUE O 57 NÃO DISSE”…72
Renato Epifânio, HORIZONTE E CAMINHO(S) DA FILOSOFIA…74
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…77
OUTROS AUTORES: DE JOÃO DE DEUS A MARIA ZAMBRANO
Manuel Ferreira Patrício, APONTAMENTOS SOBRE JOÃO DE DEUS PEDAGOGO…98
Joaquim Domingues, JUNQUEIRO E BRUNO: AS DUAS COLUNAS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…100
Rodrigo Sobral Cunha, SAUDAÇÃO RÍTMICA NA OBRA DE CARLOS QUEIROZ (INCLUI “EPÍSTOLA AOS VINDOUROS” E “PAISAGEM”)…109
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A RENASCENÇA PORTUGUESA E O PERCURSO POLÍTICO E HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO…138
José Lança-Coelho, TRÊS CENTENÁRIOS DA LITERATURA PORTUGUESA: FONSECA, REDOL E FIALHO (1911-2011)…145
Maria Seoane Dovigo, ERNESTO GUERRA DA CAL, MESTRE DA NOVA GALEGUIDADE. NOTAS PARA UM CENTENÁRIO…149
José Maurício de Carvalho, A PROBLEMÁTICA ÉTICA EM EL ESPECTADOR DE ORTEGA Y GASSET…152
Mª Aránzazu Serantes, JOSÉ ORTEGA Y GASSET Y MARÍA ZAMBRANO: A CONFESIÓN NA SAUDADE COMO EXPRESIÓN DA IDENTIDADE…160
OUTROS VOOS
António Braz Teixeira, A SAUDADE NA POESIA DA “CLARIDADE”…164
António José Borges, A LUSOFONIA EM TIMOR-LESTE – ALÉM DA MERA SOBREVIVÊNCIA DA LÍNGUA PORTUGUESA…168
Carlos Carreira, A ALMA PORTUGUESA E O CHEIRO DA CASA DOS MEUS AVÓS…173
Elter Manuel Carlos, A SINGULARIDADE DA LEITURA DO OLHAR CABO-VERDIANO…183
Joaquim Miguel Patrício, SÍLVIO ROMERO: O ELEMENTO PORTUGUÊS NO BRASIL…190
Maria Seoane Dovigo, DE UTOPIAS E UCRONIAS: A DEMANDA DA GALIZA E A PROFECIA DO HOMEM LIVRE…193
Maria João Coutinho, ONDE A PALAVRA É MÚSICA E DANÇA…196
Maria Leonor L. O. Xavier, A FILOSOFIA ENTRE AS HUMANIDADES…201
Paulo Santos, REFLEXÃO INVOCATIVA DO LEGADO DE ANTÓNIO TELMO…206
J. Pinharanda Gomes, APOLOGIA DA GRAMÁTICA ELEMENTAR…208
Adriano Moreira, DISCURSO DE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA NA UNIVERSIDADE DO MINDELO – CABO VERDE…215
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…220
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…222
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…223
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…227
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…230
BIBLIÁGUIO
ENTRE FILOSOFIA E LITERATURA, por Maria Luísa Malato Borralho…232
O SEGREDO DE GRÃO VASCO, por António Carlos Carvalho…239
A FILOSOFIA JURÍDICA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, por José Esteves Pereira…240
MIGUEL REALE: ÉTICA E FILOSOFIA DO DIREITO, por Antônio Paim…242
MENSAIGE, por Fernando de Castro Branco…243
A MINHA SALA DE AULA É UMA TRINCHEIRA, por Sérgio Quaresma…244
EXTREVOO
Rémi Boyer, METAFÍSICA & INICIAÇÃO…248
POEMÁGUIO
Samuel Dimas, SAUDADE DO PARAÍSO CELESTIAL…6
João Carlos Raposo Nunes, NA GUARIDA DE SEBASTIÃO DA GAMA…6
Renato Epifânio, PASCOAES…7
Catarina Inverno, PORTUGAL…66
Eduardo Aroso, AQUI ME TENHO, ASSIM ME QUERO…71
Manuel Neto dos Santos, LUÍS DE GÔNGORA, NACIONAL…96
Teresa Dugos, CHUVA; DA ESPERA; AURORA…151
Joaquim Carvalho, PORTUGALICIA…161
Henrique Madeira, RENASCENÇA…182
Maria Leonor Xavier, A FACE MAIS TERNA...189
Delmar Maia Gonçalves, VIDA E MORTE…189
António José Borges, BARBAROSSA INDELÉVEL SUCUMBIRÁ…192
Marco Aurélio, SUPRA-CAMÕES…195
Carlos Carranca, AGORA…200
Maria Filomena Xavier, À PROCURA DA CORDA FINAL…200
Carlos Gonçalves, DESPOSAMENTO…219
Giancarlo de Aguiar, CARAVELAS DE NUVENS…219
Jesus Carlos, GUINÉ…229
António Simões, DITOSO SEJA; QUANDO O SOL…231
Maurícia Teles da Silva, O RIO DA SAUDADE...258
Sam Cyrous, SE O FÊNIX TIVESSE UM LAR…259
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 9: LANÇAMENTOS

22.02.12 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
24.02.12 - 17h00: Sociedade de Geografia (Lisboa)
24.03.12 - 18h00: Sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono
30.03.12 - 14h30: Espaço Ideias (Bairro da Madre de Deus, Lisboa)
31.03.12 - 14h30: Biblioteca Municipal de Sesimbra
03.04.12 - 21h00: Universidade Sénior de Rotary (Chaves)
04.04.12 - 18h00: Biblioteca Municipal da Régua
14.04.12 - 17h00: Caixa de Crédito Agrícola (Messines)
17.04.12 - 11h45: Escola Secundária José Gomes Ferreira (Lisboa)
17.04.12 - 16h00: Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
19.04.12 - 16h00: Universidade de Santiago (Cabo Verde)
25.04.12 - 14h30: Casa Luso-Angolana (Porto)
25.04.12 - 18h00: Feira do Livro de Marco de Canaveses
28.04.12 - 20h30: Fundação Vicente Risco (Allariz, Galiza)
29.04.12 - 17h00: Pátio da ex-Escola Grande (Praia, Cabo Verde)
07.05.12 - 15h30: Delegação de Turim da SHIP
12.05.12 - 17h30: Centro Cultural de Moscavide
12.05.12 - 20h00: Feira do Livro de Lisboa (Auditório)
18.05.12 - 17h30: Universidade dos Açores
20.05.12 - 21h30: Doris Bar (Ponta Delgada)
22.05.12 - 17h30: Teatro Café (Ponta Delgada)
23.05.12 - 18h30: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
25.05.12 - 21h30: Restaurante Isabel’s (Lisboa)
02.06.12 - 18h30: Feira do Livro de Coimbra

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


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O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Uma “redescoberta” da literatura africana no Brasil

Adelto Gonçalves (*)

I

A Editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) colocou no mercado uma nova coleção, Poetas de Moçambique, em que apresenta antologias dos maiores poetas modernos de língua portuguesa e origem moçambicana. Segundo a editora, os autores escolhidos estabeleceram freqüentemente diálogo com a literatura brasileira, especialmente com as obras de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Cecília Meireles (1901-1964), Vinicius de Moraes (1913-1980) e Manuel Bandeira (1886-1968). Os primeiros volumes são dedicados a José Craveirinha (1922-2003) e Rui Knopfli (1932-1997).

Craveirinha, primeiro autor africano galardoado com o Prêmio Camões, em 1991, é um dos nomes fundamentais da literatura moçambicana. Filho de pai algarvio e mãe ronga, é dono de uma obra concisa, que cobre cinco livros publicados em vida e duas coletâneas póstumas, além de dezenas de poemas espalhados em periódicos e antologias. Este livro reúne os principais poemas do autor com nota biobibliográfica de Emílio Maciel.

Já Rui Knopfli produziu uma encorpada e original obra literária durante o período colonial. Seus poemas selecionados estabelecem diálogo com as principais tradições clássicas e modernas da poesia. O livro traz posfácio com texto crítico e nota biobibliográfica de Roberto Said.

Ao mesmo tempo, a Ateliê Editorial, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), acaba de lançar Portanto... Pepetela, organizado por Rita Chaves e Tania Macêdo, professoras de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP). O angolano Pepetela, nascido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, ganhador do Prêmio Camões de 1997, é talvez o mais importante romancista de seu país. Com apresentação do moçambicano Mia Couto, o livro reúne 38 artigos e ensaios de estudiosos da obra de Pepetela.

Nada mais alvissareiro do que essa “redescoberta” da literatura africana de expressão portuguesa. Mas desses três autores, apenas José Craveirinha é resultado da mistura do sangue português com africano. O que se espera é que esse interesse não se restrinja apenas a autores lusodescendentes, mas seja aberto a todos os africanos que fazem literatura em Língua Portuguesa.

II

Nada contra Pepetela, Agualusa, Mia Couto ou Luandino Vieira, nomes hoje incontestáveis no panorama da literatura africana de expressão portuguesa. O que se estranha é por que só descendentes de portugueses que nasceram em terras africanas têm largo espaço nos veículos de comunicação de Portugal e nas universidades de Portugal e do Brasil.

Basta ver que o livro Portanto... Pepetela traz, ao final, uma lista de 56 teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas em universidades brasileiras sobre a obra de Pepetela. Um exagero, evidentemente, porque há muitos outros autores africanos de expressão portuguesa que poderiam ser estudados. E não o são. Não se quer acreditar que seja por racismo, pois o que se espera é que esse tipo de comportamento seja algo já superado, sem razão de existir neste começo de século XXI.

Talvez seja ainda a "saudade do império colonial perdido", como disse Patrick Chabal, professor de Estudos Africanos do King´s College, de Londres, para se citar aqui um nome isento destas questiúnculas lusófonas, que impeça os acadêmicos e editores portugueses de enxergar que a lusofonia é uma falácia – que não vai chegar a lugar nenhum – enquanto eles não aceitarem a verdadeira dimensão da língua portuguesa para além da Europa.

Em outras palavras: Pepetela, Agualusa, Mia Couto e Luandino Vieira fazem parte da última geração de lusodescendentes que, nascidos na África, praticam uma literatura com vivência africana. Dentro de 20 ou 30 anos, quando provavelmente já não estiverem mais neste mundo, quem irá representar a Literatura Africana de expressão portuguesa senão os autóctones ou um ou outro miscigenado?

Portanto, o futuro da Língua Portuguesa na África vai depender dos naturais desses países por onde os portugueses criaram raízes – e também daquelas regiões que, hoje, sofrem com a opressão de vizinhos que não falam português. É o caso da Casamansa, província do Sul do Senegal, que ainda aspira livrar-se da opressão de Dakar para se tornar um país independente e membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Será que em Casamansa não há um único poeta ou escritor que escreva em português? Ou somos nós que não queremos vê-los?

Como diz o escritor moçambicano João Craveirinha, por mais que se assumam "lusófonos", os escritores de tez escura serão sempre os "outros", os outsiders, os ex-colonizados. Entre esses, além de João Craveirinha, pode-se citar de uma enfiada Paulina Chiziane, Ungulani ba Ka Kossa, Nelson Saúte, Noémia de Sousa, Kalungano, Luís Bernardo Honwana e Suleimane Cassamo, de Moçambique; Adriano Mixinge, João Melo, Ondjaki, Victor Kajibanga, Uanhenga Xitu, Ana Paula Tavares, Luís Kandjimbo, de Angola; José Luís Hopffer Almada e Germano Almeida, de Cabo Verde; Abdulai Sila, Hélder Proença (?-2009) e Odete Semedo, da Guiné-Bissau; Alda do Espírito Santo e Tomás Medeiros, de São Tomé Príncipe. E muitos outros.

O que é preciso dizer – e quase ninguém o faz – é que persistir nessa visão preconceituosa é um erro, que equivale a dar um tiro no próprio pé, pois recusar-se a reconhecer que o futuro da Língua Portuguesa na África depende dos naturais daqueles países é condená-la ao desaparecimento. E olhem que quem escreve isto é um brasileiro de primeira geração, de pai português de Paços de Ferreira, Norte de Portugal, e de avós maternos açorianos.

III

Embora o desconhecimento no Brasil acerca dos assuntos africanos seja abissal, não se pode deixar de reconhecer que foi graças aos literatos brasileiros que a Língua Portuguesa continuou viva nas décadas de 1950, 60 e 70 na África de expressão portuguesa, especialmente entre aquela camada mais culta, que gostava de ler Jorge Amado (1912-2001), Érico Veríssimo (1905-1975), Guimarães Rosa (1908-1967) e outros tantos.

Rui Knopfli mesmo é um poeta fortemente influenciado pela literatura brasileira, além de suas grandes ligações com a poesia portuguesa moderna. De africano, só carrega o fato de ter nascido em Inhambane. Trata-se de um fino poeta, cuja poesia está entre o que de melhor se escreveu em Língua Portuguesa no século XX, mas que, ao contrário de Pepetela que permaneceu em Angola e lutou contra o colonialismo, deixou Moçambique tão logo o país se separou de Portugal. Jamais se assumiu "moçambicano" no anterior e muito menos no atual contexto africano e sociopolítico do pós-independência. Assumiu-se, sim, como um português de Moçambique agastado com os "pretos" da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) que queriam ser iguais aos "brancos".

A visão que Knopfli tinha da África era eurocêntrica, de um colono que pertencia a uma elite colonial intelectual que, provavelmente, sonhava com um Moçambique semelhante à Rodésia ou à África do Sul sem apartheid, mas com os chamados “brancos” a mandar nos "pretos", ou seja, “cada macaco no seu galho", para se repetir aqui uma expressão politicamente nada correta que se ouve ainda neste Brasil de racismo disfarçado. A lusitanidade européia de Knopfli sempre falou mais alto.

Quem conhece a vida moçambicana pré-independência sabe muito bem que Knopfli atacara a arte banta do escultor Alberto Chissano e do pintor Malangatana em termos depreciativos, como a dizer que eles nunca poderiam ascender a artistas plenos em razão de sua origem "primitiva", tal como os "bons selvagens" de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que seriam congenitamente limitados. Isto está na Revista Tempo, de Lourenço Marques (hoje Maputo), dos anos 1970-1971. Quem duvidar que consulte na Biblioteca Nacional de Lisboa a coleção da revista. Mas é claro que isto ninguém gosta de lembrar.

Como se sabe, na África os conceitos não são os mesmos vigentes no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em relação ao ser e estar africano. Até porque na África os "nativos" não foram exterminados como os ameríndios nas Américas. E, como continuam a sê-lo no Brasil em pleno século XXI. Para se ter um exemplo desse holocausto, basta ver que os traços indígenas hoje são pouco perceptíveis no brasileiro médio, exceto talvez no homem do Centro-Oeste e do Amazonas, ao contrário do que se pode constatar no Chile, no Paraguai, na Bolívia, no Equador e até na antigamente tão conservadora Argentina. Basta ver o que fazem, nos dias de hoje, certos fazendeiros e seus capangas com os caiowás, em Mato Grosso do Sul, sem que as autoridades tomem qualquer providência mais efetiva.

Na África, os autóctones continuam a ser maioria esmagadora e isso tem um peso enorme na consciência dos africanos, mesmo em meio a crises econômicas. Até mesmo porque eles estavam num estágio de desenvolvimento superior ao dos indígenas americanos, o que obrigou a chamada colonização portuguesa a restringir-se a vilas e destacamentos litorâneos. Até mesmo para “atravessar” o comércio da escravatura, os portugueses dependiam de nações africanas que traziam subjugados seus inimigos para comercializá-los nas praias. Com isso, a ocupação européia, de um modo geral, nunca conseguiu apagar no homem africano o grande sentimento de pertença ao legado banto.

Como tudo isso são águas e ressentimentos passados, o que importa hoje é preservar a Língua de Camões também na África. E essa preservação passa por um apoio mais decisivo em favor da divulgação e estudo da literatura de expressão portuguesa que é hoje praticada por africanos de todos os matizes de pele, indistintamente.

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PORTANTO... PEPETELA, de Rita Chaves e Tania Macêdo (organizadoras). São Paulo: Ateliê Editorial/Fapesp, 2009, 389 págs., R$ 47,00.

ANTOLOGIA POÉTICA, de José Craveirinha. Organizadora: Ana Mafalda Leite. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, 198 págs., R$ 38,00.

ANTOLOGIA POÉTICA, de Rui Knopfli. Organizador: Eugénio Lisboa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, 206 págs., R$ 38,00.

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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br