EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): autores em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

Para o 22º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.



Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Para um dos próximos volumes da Colecção NOVA ÁGUIA

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NOTA SOBRE O APARECIMENTO DA FENOMENOLOGIA EM PORTUGUAL


António José de Brito


Como diria, com irresistível lógica M. de la Palisse, para classificarmos um filósofo como fenomenólogo, precisamos de ter uma noção adequada de fenomenologia.
Talvez nos objectem que isso é impossível, porque todas as noções são convencionais, ou até, mais simplesmente, porque tudo é convencional. Ponhamos de lado, porém, tal ponto de vista, que se destrói a si próprio, porque, se tudo é convencional, então podemos convencionar que o convencional é anti-convencional, acontecendo, assim, que “tudo é convencional” se transforma no seu oposto, aniquilando-se a si mesmo.
Se, portanto, não é impossível estabelecermos a noção de fenomenologia, não podemos deixar de reconhecer que a tarefa é difícil. Basta recordar, por exemplo, que Spiegelberg, na sua conhecida obra “The Phenomenological Movement”, abrange autores tão variados que vão de Franz Brentano e Merleau-Ponty.
Então que critério vamos utilizar para estabelecer o verdadeiro conceito de fenomenologia? Usaremos um critério meramente nominal, isto é, consideraremos fenomenologia aquilo que como tal for denominado ou auto-denominado? Nessa altura, bastará que um autor se proclame, ou seja chamado fenomenólogo, para ser genuinamente adepto da fenomenologia. Esta será considerada como englobando as concepções de todos os autores que se classifiquem ou sejam classificados de fenomenólogos. Simplesmente, acontecerá, então, que a fenomenologia abarcará as coisas mais díspares ou mais afastadas entre si, não passando de um flatus vocis.
Recorrendo a um exemplo, diremos que, no § 7 de “Sein und Zeit, Heidegger afirma que vai recorrer, na sua investigação ontológica, ao método fenomenológico de Husserl, a quem se refere muito elogiosamente em notas.
Acontece, todavia, que se examinarmos as concepções de Husserl e de Heidegger, verificaremos que estão bem longe de se mostrarem próximas ou patentearem afinidades em pontos fundamentais.
Julgo que a filosofia de Husserl (e de Scheler) tem dois momentos capitais: 1) a redução, isto é, o afastamento de todo o pre-conceito ou pre-juízo, o banimento daquilo que seja aceite previamente ao estabelecer-se uma tese considerada básica; 2) depois de feita a redução, só aceitar então o que aparece de forma directa, mediata, intuitiva, ou seja, o fenómeno puro numa experiência que podemos considerar a priori porque não assenta no que é dado a um sujeito corpóreo que o apreende através de sensações. Ora, não vemos em Heidegger nem a redução nem o dado intuitivo e directo, numa palavra, o que se assemelha essencial em Husserl.
Talvez se me objecte que Heidegger invoca a tese husserliana de dirigir-se às coisas mesmas (zu den Sachen selbst), isso bastando para merecer o título de fenomenólogo. Em todo o caso, o dirigir-se às coisas mesmas não é o equivalente à redução e ao intuicionismo, juntando-se a isto que o próprio Heidegger indica que dirigir-se às coisas mesmas pode significar a atitude própria de toda a espécie de investigação e não caracterizar, unicamente, a atitude fenomenológica. E parece-nos que é de adoptar semelhante observação, pois o materialismo pretende atingir as coisas mesmas, ou o idealismo igualmente, ou o espinosismo, e assim por diante.
Quer isto dizer que, apesar das suas declarações, a perspectiva do autor de “Sein und Zeit” está bastante afastada de Husserl (e de Scheler). E se estes são representantes típicos da fenomenologia, não supomos que os pensadores que perfilhem concepções divergentes mereçam ser qualificados de adeptos da fenomenologia.
Chamamos a atenção para o seguinte ponto: não pretendemos lançar um veto absoluto para o emprego do termo fenomenologia em sentido diferente daquele que é usado por Husserl e Scheler. A linguagem possui um mínimo de convencionalidade. Desde que se forneçam os devidos esclarecimentos, não há dúvida que é lícito dizer que filosofemas bem afastados dos pensadores que referimos – e que, unanimemente, ou quase unanimemente, são proclamados fenomenólogos – podem ser classificados como tal, embora, seja dito entre parêntesis, só se contribua para espalhar confusões, tal como só serve para estabelecer confusões baptizar a monarquia de democracia, ainda que acentuando que não se pretende que aquela seja o governo do povo pelo povo.
Tendo procedido a esta breve e, como tal, imperfeita anotação acerca do que representa a fenomenologia, passemos então a indicar de que modo foi surgindo a fenomenologia no nosso país.
*
Entendemos que o primeiro fenomenólogo português foi Luís Cabral de Moncada em “Do Valor e Sentido da Democracia”, obra que se apresenta como “conclusão de uma série de reflexões sobre o mesmo tema ocorridas numa troca de impressões no ano de 1929 com o ilustre escritor António Sérgio” .
Esta troca de impressões girou, fundamentalmente, sobre a possibilidade do dever-ser poder ser extraído da experiência sensível da ciência positiva. Sérgio considerava impossível derivar normas dos factos, negando, em princípio, a existência duma autêntica ciência política ou, se quisermos, ético-política. Moncada, ao invés, abertamente invocava ensinamentos normativos da ciência social com base na experiência sensível factual. Ora, semelhante ponto de vista é rectificado em “Do Valor e Sentido da Democracia”. Leia-se antes de mais nada, a seguinte nota : “…se tomarmos a experiência no sentido lato da experiência imanente, de experiência no sentido fenomenológico da palavra, abrangendo a própria intuição das essências, então não será difícil achar também um fundamento “empírico” latu sensu para a nossa preferência dada aos valores da personalidade como os mais elevados. Não podendo entrar aqui em desenvolvimentos, limitamo-nos a dizer que reputamos os valores da personalidade os mais altos de todos… É numa experiência, desse modo entendida, que se funda a nossa preferência pelo personalismo como atitude inicial, a mesma sobre que os fenomenologistas fundam a ciência moral, como por exemplo Max Scheler, ao dizer que “jede Art von Erkenntnis wurzel in Erfahrung und auch dis Ethik muss sich auf Erfahrung gründen (todo o conhecimento se funda na experiência e a moral deve também fundar-se na experiência)”.
Aludindo à experiência imanente como própria da fenomenologia, Moncada usa a expressão de Scheler quando esclarece que “a experiência fenomenológica é experiência puramente imanente” .
Experiência puramente imanente é, parece-me óbvio, a que não assenta em pressupostos, logo firma-se numa redução que permite a apreensão directa e imediata do que é.
Porventura, observar-nos-ão que Moncada fala em empírico lato sensu, o que é muito pouco fenomenológico. Replicaremos que o contrário é que possui verdade. Com efeito, Husserl não deixa de afirmar que “o naturalismo empirista procede – devemos reconhecê-lo – de motivos estimáveis” , ao passo que Scheler sublinha que há um sentido em que é possível considerar “a filosofia fenomenológica um empirismo e um positivismo de tipo radicalíssimo” , usando precisamente a expressão que Moncada utiliza: “experiência imanente”.
Acentuemos que a influência de Scheler sobre Moncada foi assaz patente, pois se aquele caracteriza o seu personalismo como expressão duma “ordre du coeur” diferente da razão, Moncada igualmente entende que a concepção correcta de pessoa não é a racionalista, ambos entendendo que o Estado não deve sobrepor-se à personalidade ou tentar que esta se identifique com ele. Explicitando o seu pensamento, Scheler traça as seguintes linhas: “não consigo ver mais do que uma imensa banalidade e uma simplificação infantil dos problemas na confrontação, que ainda se encontra em muitos investigadores de importância, entre o individualismo – falso, na sua opinião – da interpretação liberal, mecânica do Estado, com a interpretação universalista orgânica. Nesta última, o Estado é uma coisa – bem supra-individual, a que o indivíduo deve fazer toda a espécie de sacrifícios. Digo o mesmo da nossa interpretação alemã do Estado como herança dos antigos. Toda a interpretação ‘antiga’ do Estado foi eliminada de uma vez para sempre por Jesus” . Por sua vez, Moncada assevera: “A personalidade não é também fim de si mesma. Está, por sua vez, subordinada, nos seus valores, à vontade de Deus para glória do qual foi criada. Logo, trans-personalismo, não trans-personalismo político ao serviço dos valores da comunidade à moda do Estado pagão, que Cristo destruiu para sempre, ou do moderno Estado totalitário” .
Como se vê, há até emprego de expressões idênticas ou quase, prova de uma influência vincada e indiscutível.
E agora uma observação indispensável. Se recorremos, até aqui, unicamente a passagens de “Do Valor e Sentido da Democracia”, isso não permite concluir que o contacto com a fenomenologia foi apenas um entusiasmo passageiro de Cabral de Moncada. Com efeito, ele, daí por diante, continuou a seguir as orientações fenomenológicas, como o demonstram v.g. os notabilíssimos trabalhos “Sobre Epistemologia Jurídica” (1943) “Do conceito e essência do político” (1961).
*
Em 1939, foi defendida, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pelo assistente Garcia Domingues, uma tese de doutoramento (de cujo infeliz destino não falaremos) que se apresentava nestes termos: “este trabalho… insere-se, no entanto, de certo modo, na produção da fenomenologia que, de origem ciência alemã, começou a encontrar em Portugal, como em todo o mundo, cultivadores entusiastas” . E cita, entre nós, e muito bem, Cabral de Moncada.
A tese em causa mostra um forte esforço reflexivo e uma ampla cultura. É pena que esteja maculada por extravagâncias que a desvalorizam. Assim, à pergunta o que é a filosofia, responde que está reduzida “a um conjunto de disciplinas mais ou menos experimentais” que são “a psicologia, a lógica, a teoria do conhecimento, a ética, a teoria da concepção da vida e do mundo, a estética, a filosofia da religião, a filosofia da sociedade, a filosofia da economia, a filosofia da história, a metafísica” .
Ora, por um lado , distingue e separa ciência e filosofia e, por outro lado, na caracterização da filosofia, inclui espécies de filosofia, o que é um círculo vicioso manifesto. Mas deixemos esta índole de considerações, e procuremos antes ver o que há realmente de fenomenológico na obra de Garcia Domingues.
As páginas 52 e 53 são consagradas ao método fenomenológico, apontado-se a “necessidade da descrição pura”, que se baseia “numa exigência importantíssima: a redução de todos os pressupostos”.
Simplesmente, o aspecto fenomenológico aparece integrado numa analítica transcendental do pensamento com três partes: A) Fenomenologia da consciência; B) Analítica fenomenológica; C) Analítica fenoménica.
Ora, com uma estranha falta de rigor, a analítica fenomenológica passa a dividir-se em duas partes: a analítica fenoménica e a analítica transcendental.
Na analítica fenoménica, ocupa-se Garcia Domingues v.g de Taine, Binet, Paulhan, Janet, Rigano, Piéron, Dewey, Hoffding, a que associa, não se sabe porquê, Gentile. Também inclui nessa analítica a escola de Wurzburg, com os nomes eminentes de Ach, Marb, Messe e Bühler. Com excepção de Gentile, trata-se de vultos marcados pelo positivismo naturalista, contra o qual se ergueu a fenomenologia. Com tais autores gasta Garcia Domingues numerosas páginas. E quando se dedica à analítica transcendental e se julga que ia abordar algo, ao menos, próximo da fenomenologia, deparamos, além do estudo de pensadores do anterior estilo, uma longa e penosa análise das leis de Fechner e de Weber. O que tem tudo isto a ver com a descrição pura e a redução de pressupostos?
Debrucemo-nos em outros aspectos das considerações de Garcia Domingues. Assevera ele: “há pois, uma conexão essencial entre valor e ser. E é essa conexão que mantém o dinamismo da existência. Estas considerações parecem ir ao encontro do problema na fenomenologia de Scheler” .
A fenomenologia, para Scheler, é uma certa forma de filosofar, sem oferecer como tal uma solução para os problemas. Daí que Scheler, considerando-se sempre fenomenólogo, assumisse posições metafísicas diversas.
A relação entre valor e ser não é nada de específico da fenomenologia no entender de Scheler, ao contrário do que Garcia Domingues pretende. Adiante, porém.
Ocupemo-nos, agora, de dois autores que, sem serem adeptos da fenomenologia, lhe deram um relevo destacado na sua reflexão. Referimo-nos a Delfim Santos e, de modo mais relevante, a Miranda Barbosa.
Delfim Santos foi um realista deliberado e franco, tendo escrito, de modo decisivo numa das suas obras fundamentais – “Conhecimento e Realidade”, de 1940 –, sem hesitação: “A existência dum mundo fora do sujeito, independente na sua existência do sujeito que o conhece e mesmo radicalmente indiferente às possibilidades de descoberta que este possua, é condição mínima necessária de todo o conhecimento”
Como realista, procura Delfim patentear que “a redução fenomenológica” de um grande pensador como Husserl, embora não fosse um dos seus inspiradores , nas Ideen mereceu o nome de idealismo e pensou-se mesmo haver uma contradição íntima na fenomenologia que, como é sabido, tivera um ponto de partida realista” . Mas, contra tal ponto de partida, logo recorda que Husserl esclarecera que a exclusão (Einklammerung) do tal mundo independente era apenas uma atitude metodológica: excluindo o mundo exterior, “não praticava idealismo, como os críticos apressados concluíram” .
Julgamos que a posição husserliana não teve um sentido tão claro e que o filósofo jamais declarou inequivocamente que a epoche respeitasse a independência do mundo “exterior”.
Seja como for, o problema requer uma exegese mais rigorosa e exigente do que a interpretação algo dogmática de Delfim Santos, interpretação ainda mais estranha visto que, um anos antes de “Conhecimento e Realidade”, em 1039, o mesmo Delfim Santos aludia à “tendência final idealista de Husserl” . É claro que estava no seu pleno direito de mudar de opinião…
E passemos a Miranda Barbosa. Perante a fenomenologia, Miranda Barbosa tomava uma dupla posição. Por um lado, reconhecia “os pontos em que a minha linha (…) toca tangencialmente” na fenomenologia e acentuava que “muitas conclusões, métodos e processos são comuns” . Isto sem falar no apoio dado a assistentes no sentido de que estudassem a fenomenologia e a obtenção para o efeito de bolsas de estudo na Alemanha. Por outro lado, declarava inequivocamente: “se a análise seguinte é inspirada na atitude fenomenológica, de alguma forma se emancipa do método fenomenológico de Husserl, ou (…) ainda do método fenomenológico em geral, no que diz respeito às suas consequências, geradora duma nova sistemática filosófica” . E em várias ocasiões por escrito , ou oralmente, insistia que a fenomenologia era insuficiente. Insuficiente em quê? Na perspectiva de Miranda Barbosa, porque o “método fenomenológico não permitiu (…) chegar a uma solução para o problema essencial do conhecimento oposta ao idealismo solipsista” .
Com efeito, segundo Miranda Barbosa, no pensamento surge como fenómeno “uma relação entre sujeito o objecto, na qual o sujeito supõe intencionalmente apreender as notas características do objecto e julga saber o que o objecto é” , impondo-se, pois, em investigar “se o conhecimento é ou não aquilo que no fenómeno do conhecimento parece intencionalmente ser” .
Importa, assim, para Miranda Barbosa, averiguar se o objecto constitui ou não apenas uma representação, uma “criação” do sujeito ou algo em si, independente deste. Por outras palavras, impõe-se decidir entre o idealismo ou o realismo. Claro que então o realismo é uma solução possível, com o que é, desde logo, afastado o idealismo implicitamente, uma vez que entende que não pode haver nada para além do pensamento.
Deixada de lado semelhante objecção, e seguindo os pontos de vista de Miranda Barbosa, a tese idealista acerca da natureza do objecto traz consigo uma série de aporias que apenas o realismo transforma em euporias, ou seja, em soluções sustentáveis. Não vou aqui decidir se Miranda Barbosa tem ou não tem razão, uma vez que já o fiz noutro lugar e não desejo repetir-me. Limito-me a acrescentar que, uma vez estabelecida a realidade incontestável – para Miranda Barbosa, não para mim – do objecto em si, torna-se válida uma ontologia, da qual, por seu turno, deriva uma antropologia que dá fundamento a uma ética.
Temos, assim, concluída a estruturação da filosofia como sistema, sistema que se inicia com a lógica e termina na ética, passando, como vimos, pela gnoseologia, ontologia e antropologia.
Tratemos, por último, de Joaquim de Carvalho. A tradução portuguesa, da responsabilidade de Albin Beau, do célebre estudo de Husserl “Philosophie als strenge Wissenshaft” foi, por assim dizer, o sinal precursor da aparição de bom número de obras de vulto acerca da fenomenologia. A tradução referida era precedida dum largo prefácio de Joaquim de Carvalho, professor catedrático da Faculdade de Letras de Coimbra e vulto de forte prestígio no âmbito do pensamento português.
Tal prefácio data de 1962. E logo em 1965 o Professor Júlio Fragata, da Faculdade de Filosofia de Braga, lançou à estampa “A fenomenologia de Husserl como fundamento da filosofia”, seguido, pouco tempo depois, pelas teses de licenciatura e de doutoramento do Professor Alexandre Fradique Morujão e de Gustavo de Fraga como o que se podia asseverar que as concepções fenomenológicas tinham lançado definitivamente raízes entre nós.
Voltemos, porém, ao ensaio com que Joaquim de Carvalho antecedeu a pequena obra de Husserl já mencionada: “A filosofia como ciência de rigor”. Este é dividido “em quatro secções, destinadas, respectivamente, ao ideal da filosofia se constituir como ciência de rigor, à crítica da pretensão da filosofia natural a ser a filosofia fundamental, à crítica da concepção da filosofia como mundividência e ideologia e à indicação da Fenomenologia como ciência filosófica fundamental e rigorosa” .
Pondo de lado aspectos ligeiramente tautológicos de semelhante divisão, sublinhemos que, para Joaquim de Carvalho, seguindo Husserl: “As ciências matemáticas e naturais são, como todas as ciências, imperfeitas (…). Apresentam não obstante um conjunto de conhecimentos certos que não só aumenta como se ramifica de tal sorte que ninguém duvida da ‘verdade objectiva’ de tais conhecimentos” ; “Ao contrário destes conhecimentos, os conhecimentos filosóficos oferecem o espectáculo de tudo neles ser discutível e dos juízos que exprimem dependerem da ‘convicção individual, da escola, de posição’ (…), o contraste só poderá superar-se mediante a orientação que coloque a Filosofia e a Ciência sob o mesmo ideal de rigor” .
Escreveu Joaquim de Carvalho que “ao invés das Ciências, a Filosofia não se constitui de maneira ‘ingénua’” . Não nos parece que ingenuidade seja compatível com a verdade objectiva e o rigor que são atribuídos à ciência, mas deixemos de lado este ponto.
Também diz Joaquim de Carvalho que Husserl abandona “a concepção da filosofia como sistema” . Agora é que nos parece que estamos perante algo que é destruído pela seguinte frase da obra que prefacia: “É claro ainda que a crítica, desde que realmente pretenda ser de valor, é filosófica, implicando no seu sentido a possibilidade ideal de uma filosofia sistemática, qual ciência de rigor”
O ilustre professor coimbrão assevera ainda que “Hegel enfraqueceu a condição do impulso filosófico científico com a sua doutrina da legitimidade relativa de toda e qualquer filosofia para a respectiva época” . Não será mau recordar, em contrário, que nos textos hegelianos publicados por Hoffmeister sobre história da filosofia e inseridos, também, na conhecida edição em vinte volumes da Suhrkamp, se encontra dito: “eu observo apenas que está esclarecido pelo que já foi exposto que o estudo da história da filosofia é o próprio estudo da filosofia, como não pode ser outra coisa. Quem estuda a história da física, da matemática, já conhece a física e a matemática mesmas. Para conhecer a filosofia historicamente surgida na sua forma fenoménica, o seu progresso como desenvolvimento da ideia, deve-se já conhecer a ideia, tal como para julgar as acções humanas tem de se possuir com certeza já a noção do que é justo e conveniente”
Claro que se poderia entrar aqui numa esgrima de passagens do filósofo, mas, pelo menos agora, não é esse o nosso intento. Queremos, apenas, salientar, com todo o respeito por Joaquim de Carvalho, que a relatividade histórica das filosofias em Hegel não pode ser tão dogmaticamente asseverada.
E posto isto, termino por aqui. Unicamente procurei apresentar uma nota introdutória.