EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas






O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quarta-feira, 10 de março de 2010

AGOSTINHO DA SILVA: ARAUTO DE UM MUNDO EM EXPANSÃO

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I - UM PARADIGMA DO MUNDO LUSÓFONO


1. Agostinho da Silva, na sua visão profética e dinâmica da história, sonhou sempre com um mundo melhor para todos. Foi um homem apaixonado pela vida; um cidadão do mundo. É um marco cultural da segunda metade do século XX. Nasceu no Porto, em 1906, e morreu em Lisboa, em 1994.

Foi um português da estirpe dos grandes construtores da nacionalidade e dos grandes descobridores do mundo; Foi um bandeirante, no arrojo e na ousadia de suas ideias, e na competência e coragem de praticá-las. Foi um grande inspirador e um exímio obreiro da lusofonia.

Foi um homem plural, como Fernando Pessoa. Via a essência do ser português. Personificou a alma lusa. Agostinho da Silva foi, como Pessoa, um indisciplinador de almas, um decifrador de enigmas, um provocador de pessoas, para que elas próprias achassem e construíssem o próprio caminho.

Foi um dos homens de maior destaque, no mundo da Língua Portuguesa, no século XX. Sua contribuição à Lusofonia assumiu dimensões gigantescas, pelas perspectivas que foi abrindo e pelo seu espírito genuinamente humanista. Foi um homem de um pensamento sólido, múltiplo e articulado. Atuou intensamente no Brasil, de 1944 a 1969.


2. Foi descobrindo e difundindo as grandes forças que regem os destinos da humanidade, superando egoísmos e desvendando dúvidas e inquietações. Foi um homem notável, modesto e discreto, movido por incontida determinação.

Agostinho focou-se nas forças que impelem o espírito da lusitanidade: a identidade, com alteridade, articulada com a cordialidade e a tolerância. Levou essa equação a todas as dimensões da vida.

Essa equação possibilitou que os portugueses dessem novos mundos ao mundo, nos séculos XV, XVI e XVII.

Só o espírito lusitano poderia viabilizar a imensa epopéia dos descobrimentos de novas terras e o relacionamento cordial com novas gentes.

O espírito dos descobrimentos é a marca do povo português, que ainda perdura. Foi a força motriz de Agostinho.

Essas forças ainda impulsionam os descobridores dos tempos modernos, pelos tempestuosos mares interiores, numa perspectiva espiritualista.

Agostinho foi um homem de uma lucidez extraordinária: um visionário. Sentiu as dimensões permanentes e ainda atuais das forças matriciais que levaram a cultura e a língua portuguesa pelos quatro cantos do mundo, sentiu a força estupenda que sustenta e impulsiona a Lusofonia, no contexto da modernidade.

Sem nostalgias, ele procurava abrir novos caminhos de esperança, pelo cultivo e defesa de valores do mais autêntico humanismo, superando valores espúrios e mascarados.

Foi um pensador e um obreiro sagaz, construtor de Universidades e de Institutos de Pesquisa. Abriu espaços para a sociedade crescer por dentro.


3. A Identidade e Alteridade são as forças motrizes que fizeram de Agostinho um arauto da esperança, um otimista, um homem cheio de vida, um cavaleiro da esperança.

Um homem que creditava na vida e que irradiava vida e esperança, em todos que dele se aproximavam. Um homem sem arrogância e sem vaidades vazias; um homem humilde que sabia onde estava a grandeza da pessoa humana: no seu caráter, na sua generosidade e benquerença, sem hipocrisia e sem farisaísmos... Foi um homem de portas e coração aberto para todos.

Diziam que ele tinha um coração maior que o mundo.

Diz Agostinho:

“Temos de aprender duas coisas:

Aprender quão extraordinário é o mundo

e aprender a ser bastante largo, por dentro,

para o mundo todo poder entrar”1

Agostinho foi um homem de grande visão; acreditava na educação séria, como o caminho para superar a miséria e as mazelas sociais.

Na perspectiva em que coloca seu pensamento, seus sentimentos e sua ação, Agostinho comporta-se como um homem universal. Atrai, a si, pessoas de todas as filosofias, ou atitudes políticas. Todos o ouvem, com atenção e receptivamente. Assim é até hoje, e será por muito tempo. Personificou o espírito da Lusofonia.


4. Agostinho foi uma pessoa afirmativa e positiva.

Como Sócrates, não dava soluções: ensinava as pessoas a encontrá-las; provocava; inquietava e mostrava caminhos. Apontava, mas não fazia caminhos para ninguém. Respeitava a liberdade e a competência de cada um.

Assim as pessoas cresciam pelo próprio mérito, e conseguiam forças para crescer mais. Agostinho não dava o peixe a quem tinha fome, a não ser excepcionalmente; dava o anzol e ensinava a pescar. Foi um criador de pessoas livres e altruístas.

Em toda a sua vida, Agostinho foi um homem sincero, coerente e leal a seus princípios humanísticos. Foi um amante da liberdade. Ele é uma mensagem viva. Nele o saber e o fazer, o pensar e o querer estavam plenamente articulados.

Foi um educador (ex-ducator = tirar de dentro). Nunca quis fazer discípulos. Quis um mundo de pessoas livres. Por isso dizemos que Agostinho é um arauto de um mundo melhor, um paradigma da Lusofonia.


II – PERFIL DE UM HOMEM REALIZADOR


5. Agostinho foi um homem dedicado, competente e empreendedor.

Foi um homem determinado e de grandes ideais. De tão simples, sua atuação e a sua vida, nada tinham, na aparência, que revelasse nele mais que um homem comum. Nele, nada segue os códigos de grandes feitos espetaculares, cinematográficos, com apelo a “efeitos especiais”, irreais, a que nos acostumamos no nosso mundo mediático, onde vale mais o que parece e aparece do que a essência do que se é.

Por fora foi sempre um típico homem simples, cordial e generoso. Por dentro teve uma alma de gigante.

Agostinho foi um extraordinário homem comum.


6. Pertenceu a uma geração que deu ao mundo, em nosso meio, grandes sábios, com idênticas marcas. Aqui destacamos: Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Fernando Pessoa. Como Agostinho, todos cultivaram idênticos ideais humanistas, altruístas e lusófonas, em perspectivas plurais e universais. São pessoas que somam e multiplicam forças, solidários nos princípios matriciais que os inspiram.

Na Espanha destacamos Miguel de Unamuno e Ortega y Gasset, muito bem relacionados com Portugal.

Desta estirpe encontramos, pelo país, milhares de Pessoas. Elas se

distinguiram pela genialidade, que os fez Paradigmas; por uma vida dedicada ao bem-comum e por um espírito de sinceridade, simplicidade e entusiasmo. Caracteriza-os uma visão franciscana da vida e do mundo e um pensamento sólido, profundo, consistente e ousado, numa religião para além das igrejas, com liberdade interior.

“Para essa “geração”, São Francisco é o São Paulo de uma nova igreja dos simples, diz Eduardo Lourenço.

Eram pessoas de espírito socrático: sábio, altruísta, simples e desprendido. Eram pessoas de altos ideais, como o Cristo do Evangelho, voltados ao bem comum...

Pensar em Agostinho, é, um pouco, sentir uma sombra de São Francisco de Assis , passando lépido, com seu bordão...

Sempre peregrinando por um mundo a descobrir e a reconstruir.

Pensou em perspectivas universais, onde cabem todas as contribuições, sem discriminação.

Foi um homem que acreditou que é possível construir um mundo melhor.

Olhou o mundo como algo, em permanente processo de construção e reconstrução: algo sempre a haver, ao abrir-se para novas perspectivas dinâmicas.

Foi um homem de pensamento e um homem de ação; um pensador consistente e um realizador coerente. Pensar, querer e realizar era sua plataforma de atuação.

Foi um homem da terra e um homem do espírito, do mundo das ideias e da ação transformadora. Foi um filósofo comprometido com a vida das pessoas e do universo. Agostinho dialogou desinibido, com o mundo dos homens, com mundo das ideias e com o mundo do Espírito.


7. Agostinho foi um homem aberto a tudo: aberto para a vida, para as energias do universo, que nele se integram por todos os sentidos: pela visão, pela audição, pelo tato, pelo olfato e sabor, e todos os mais que houver.

Dentro dele, de seu espírito, de sua alma, havia lugar para tudo e para todos. O que tinha: (saber, sabedoria e até seus bens), tudo repartia e compartilhava. Amava e cultivava a vida.


A sua visão do outro, da alteridade, integrava-se no seu ser, na sua identidade. Vivia para o “outro”. Foi um educador pleno. Um ser humano pleno, um homem cativante, por suas ideias, modo de vida e visão de mundo.

Foi um homem de pensamento e de ação: um construtor; um transformador de vidas, um iluminador de caminhos. Foi luz, onde passou.

Para levar a teoria, à prática, foi um criador de universidades e um exímio professor.

Foi um homem cheio de vida, e se realizou na convivência ativa e dinâmica. Nada lhe faltava, porque tudo repartia... Isto parece paradoxal, mas, nele, é bem real. Foi o típico homem consciente: o cidadão do mundo.

Foi um homem sem máscaras. Por isso as pessoas não tinham receio de a ele se dirigirem, como quem se dirige a um amigo, sempre de portas abertas.

Dentro do espírito lusitano, que era sua força matricial, foi um homem de perspectivas universais


III – ABRINDO CAMINHOS – REFLEXÃO E AÇÃO


8. Nasceu em 1906, no Porto... Em 1944, com 38 anos, emigra para o Brasil, para prosseguir a sua obra, buscando novas oportunidades. Teve-as.

Do Brasil descobriu melhor a alma e a força profunda de Portugal.

Aqui, a sua vida toma novas dimensões e novos rumos.

Aqui, Agostinho da Silva pôde realizar suas perspectivas universais, da vida e da mente típica portuguesa, sempre aberta a novas descobertas.

Sua personalidade de pensador, místico e mestre encontra aqui um campo fértil. Sua missão de professor e seu humanismo e dedicação às grandes causas da humanidade, sem distinção de classe ou de nível sócio-cultural, aqui germinaram. O espírito brasileiro combina muito bem e enriquece e dinamiza o espírito lusitano.

Do Brasil vê-se melhor Portugal e toda a força da Lusofonia.


Para ele, a unidade e a soberania de Portugal é essencial. Por isso, manda um recado claro e veemente:

“Nunca mais se deve falar na questão de unir a Espanha e Portugal”.

A visão universal e planetária de Portugal, poderá levar os dois países ibérico a olharem-se mutuamente como “outro”, numa relação criadora de identidade e alteridade.

Foi um Semeador. Quem dele precisou foi atendido. Semeou para as próximas gerações colherem. Semeou rabanetes para as próximas refeições e semeou jacarandá para as futuras gerações.

Sua vontade e disposição para o trabalho, para servir o país de adoção, fizeram dele, como diz Eduardo Lourenço:

“o homem dos sete ofícios, profeta, pedagogo, sábio, naturalista (...)

um pólo de vida ativamente contemplativa2”.


Fez amigos, por toda a parte onde atuou, de Norte a Sul do país.

Em tudo o que pôs as mãos e o seu ideal, agiu como fermento transformador.

Onde esteve, fez a diferença, ajudando a abrir novas perspectivas e novos rumos às pessoas e às instituições onde atuou.

Este homem extraordinário, além de professor e foi um pai de família. Com esta repartia também a sua vida, a sua sabedoria e a sua generosidade.


9. Uma das marcas deixadas por Agostinho foi seu carinho pela cultura portuguesa e pelo mundo lusófono.

Ajudou a formar Centros de Estudos Portugueses, em diversas universidades em diversos Estados do Brasil. Em 1954 é nomeado Diretor dos Serviços Pedagógicos da Exposição Histórica do IV Centenário da cidade de São Paulo, onde seu sogro Jaime Cortesão desenvolveu um trabalho extraordinário.

Em 1959, funda o Centro de Estudos Africanos e Orientais, na Universidade Federal da Bahia. Uma instituição inovadora, revolucionária, dentro do espírito de Gilberto Freire: visão de um País e de uma lusofonia multiracial e plural. Com isto Agostinho deu sequência aos trabalhos pioneiros de Gilberto Freire e Nina Rodrigues, valorizando e fazendo justiça às ricas contribuições que os negros trouxeram à cultura do Brasil 3


Começa aqui a pôr em prática o sentido plural da lusofonia. Quis mostrar a necessidade de se dedicar mais aos Estudos Africanos, por sua presença marcante da Lusofonia.

Deu destaque à vertente africana da lusofonia. Abriu um portal de amplas perspectivas.

Agostinho foi um espírito de convergência. Ia abrindo novos espaços que expandiam e articulavam as suas ideias matriciais, dando-lhes novos horizontes, multiplicando-se. Nunca se dispersou.


10. Em 1963, visita o Japão, Macau e Timor, com bolsa da UNESCO.

De volta a Portugal (1975) visita a Galiza.

Em 1987, visita Olivença, onde deixou marcas de seu gênio e de sua generosidade.

Em 1988, visitou Moçambique.

Com sua atividade múltipla e pelo Espírito de União dos Povos Lusófonos, com que sempre trabalhou, Agostinho lançou as sementes férteis da Lusofonia pluricontinental, em perspectivas universais, na perspectiva do Quinto Império, sob as luzes do Divino Espírito Santo, Agostinho deu novas e amplas perspectivas à Lusofonia Mundial.


11. Agostinho foi o verdadeiro inspirador da criação da CPLP: a união de povos soberanos: unir-se para crescer e prosperar, nas dimensões materiais e espirituais.

O objetivo era:

Unir-se para superar o subdesenvolvimento e as decorrentes chagas sociais e as chagas da guerra civil.

Unir-se para superar antagonismos, aceitando a diversidade.

Unir-se para reencontrar-se com o progresso, consigo mesmo e com os seus amigos.

Unir-se para dar uma educação melhor a todo o povo.

Unir-se para, juntos, construirmos um futuro melhor, sem abdicar da liberdade.

Unir-se para produzir mais alimentos e mais riquezas para a nação e emprego, para todos poderem alimentar-se e alimentar suas famílias.

Unir-se para construir uma nação próspera, com o bem-estar do povo.

Unir-se para saber ir além do progresso material, superando e ultrapassando o economicismo capitalista, cultivando os valores humanos e o bem-estar de todos.

Agostinho deu contribuição destacada às ideias matriciais da Lusofonia, em toda a sua amplitude e complexidade.

Agostinho ajudou a dar unidade ao mundo da Lusofonia, dando a cada povo o seu valor, sem discriminações. Semeou o espírito da confraternização. Fez o que todos podem fazer, se quiserem...

Somou suas ideias e sua ação, às ideias e ações de milhares de outras pessoas inspiradas, que germinam nas terras férteis da Lusofonia, dando-lhes novas forças. Suas ideias não se caracterizam pelo ineditismo, mas pela operacionalização e articulação de novas forças, e pelo espírito que as fecundou. Ele faz acontecer.

Sua visão de mundo passa pela confraternização de todos os povos, com a instauração do quinto Império Espiritual, na busca de um mundo com mais justiça, generosidade, prosperidade material e espiritual e mais paz.

Por estes posicionamentos de Agostinho, dizemos que ele foi um “arauto de um mundo em expansão”, preconizando uma nova era da humanidade.

J. J. Peralta