EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quarta-feira, 10 de março de 2010

AGOSTINHO DA SILVA: ARAUTO DE UM MUNDO EM EXPANSÃO

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I - UM PARADIGMA DO MUNDO LUSÓFONO


1. Agostinho da Silva, na sua visão profética e dinâmica da história, sonhou sempre com um mundo melhor para todos. Foi um homem apaixonado pela vida; um cidadão do mundo. É um marco cultural da segunda metade do século XX. Nasceu no Porto, em 1906, e morreu em Lisboa, em 1994.

Foi um português da estirpe dos grandes construtores da nacionalidade e dos grandes descobridores do mundo; Foi um bandeirante, no arrojo e na ousadia de suas ideias, e na competência e coragem de praticá-las. Foi um grande inspirador e um exímio obreiro da lusofonia.

Foi um homem plural, como Fernando Pessoa. Via a essência do ser português. Personificou a alma lusa. Agostinho da Silva foi, como Pessoa, um indisciplinador de almas, um decifrador de enigmas, um provocador de pessoas, para que elas próprias achassem e construíssem o próprio caminho.

Foi um dos homens de maior destaque, no mundo da Língua Portuguesa, no século XX. Sua contribuição à Lusofonia assumiu dimensões gigantescas, pelas perspectivas que foi abrindo e pelo seu espírito genuinamente humanista. Foi um homem de um pensamento sólido, múltiplo e articulado. Atuou intensamente no Brasil, de 1944 a 1969.


2. Foi descobrindo e difundindo as grandes forças que regem os destinos da humanidade, superando egoísmos e desvendando dúvidas e inquietações. Foi um homem notável, modesto e discreto, movido por incontida determinação.

Agostinho focou-se nas forças que impelem o espírito da lusitanidade: a identidade, com alteridade, articulada com a cordialidade e a tolerância. Levou essa equação a todas as dimensões da vida.

Essa equação possibilitou que os portugueses dessem novos mundos ao mundo, nos séculos XV, XVI e XVII.

Só o espírito lusitano poderia viabilizar a imensa epopéia dos descobrimentos de novas terras e o relacionamento cordial com novas gentes.

O espírito dos descobrimentos é a marca do povo português, que ainda perdura. Foi a força motriz de Agostinho.

Essas forças ainda impulsionam os descobridores dos tempos modernos, pelos tempestuosos mares interiores, numa perspectiva espiritualista.

Agostinho foi um homem de uma lucidez extraordinária: um visionário. Sentiu as dimensões permanentes e ainda atuais das forças matriciais que levaram a cultura e a língua portuguesa pelos quatro cantos do mundo, sentiu a força estupenda que sustenta e impulsiona a Lusofonia, no contexto da modernidade.

Sem nostalgias, ele procurava abrir novos caminhos de esperança, pelo cultivo e defesa de valores do mais autêntico humanismo, superando valores espúrios e mascarados.

Foi um pensador e um obreiro sagaz, construtor de Universidades e de Institutos de Pesquisa. Abriu espaços para a sociedade crescer por dentro.


3. A Identidade e Alteridade são as forças motrizes que fizeram de Agostinho um arauto da esperança, um otimista, um homem cheio de vida, um cavaleiro da esperança.

Um homem que creditava na vida e que irradiava vida e esperança, em todos que dele se aproximavam. Um homem sem arrogância e sem vaidades vazias; um homem humilde que sabia onde estava a grandeza da pessoa humana: no seu caráter, na sua generosidade e benquerença, sem hipocrisia e sem farisaísmos... Foi um homem de portas e coração aberto para todos.

Diziam que ele tinha um coração maior que o mundo.

Diz Agostinho:

“Temos de aprender duas coisas:

Aprender quão extraordinário é o mundo

e aprender a ser bastante largo, por dentro,

para o mundo todo poder entrar”1

Agostinho foi um homem de grande visão; acreditava na educação séria, como o caminho para superar a miséria e as mazelas sociais.

Na perspectiva em que coloca seu pensamento, seus sentimentos e sua ação, Agostinho comporta-se como um homem universal. Atrai, a si, pessoas de todas as filosofias, ou atitudes políticas. Todos o ouvem, com atenção e receptivamente. Assim é até hoje, e será por muito tempo. Personificou o espírito da Lusofonia.


4. Agostinho foi uma pessoa afirmativa e positiva.

Como Sócrates, não dava soluções: ensinava as pessoas a encontrá-las; provocava; inquietava e mostrava caminhos. Apontava, mas não fazia caminhos para ninguém. Respeitava a liberdade e a competência de cada um.

Assim as pessoas cresciam pelo próprio mérito, e conseguiam forças para crescer mais. Agostinho não dava o peixe a quem tinha fome, a não ser excepcionalmente; dava o anzol e ensinava a pescar. Foi um criador de pessoas livres e altruístas.

Em toda a sua vida, Agostinho foi um homem sincero, coerente e leal a seus princípios humanísticos. Foi um amante da liberdade. Ele é uma mensagem viva. Nele o saber e o fazer, o pensar e o querer estavam plenamente articulados.

Foi um educador (ex-ducator = tirar de dentro). Nunca quis fazer discípulos. Quis um mundo de pessoas livres. Por isso dizemos que Agostinho é um arauto de um mundo melhor, um paradigma da Lusofonia.


II – PERFIL DE UM HOMEM REALIZADOR


5. Agostinho foi um homem dedicado, competente e empreendedor.

Foi um homem determinado e de grandes ideais. De tão simples, sua atuação e a sua vida, nada tinham, na aparência, que revelasse nele mais que um homem comum. Nele, nada segue os códigos de grandes feitos espetaculares, cinematográficos, com apelo a “efeitos especiais”, irreais, a que nos acostumamos no nosso mundo mediático, onde vale mais o que parece e aparece do que a essência do que se é.

Por fora foi sempre um típico homem simples, cordial e generoso. Por dentro teve uma alma de gigante.

Agostinho foi um extraordinário homem comum.


6. Pertenceu a uma geração que deu ao mundo, em nosso meio, grandes sábios, com idênticas marcas. Aqui destacamos: Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Fernando Pessoa. Como Agostinho, todos cultivaram idênticos ideais humanistas, altruístas e lusófonas, em perspectivas plurais e universais. São pessoas que somam e multiplicam forças, solidários nos princípios matriciais que os inspiram.

Na Espanha destacamos Miguel de Unamuno e Ortega y Gasset, muito bem relacionados com Portugal.

Desta estirpe encontramos, pelo país, milhares de Pessoas. Elas se

distinguiram pela genialidade, que os fez Paradigmas; por uma vida dedicada ao bem-comum e por um espírito de sinceridade, simplicidade e entusiasmo. Caracteriza-os uma visão franciscana da vida e do mundo e um pensamento sólido, profundo, consistente e ousado, numa religião para além das igrejas, com liberdade interior.

“Para essa “geração”, São Francisco é o São Paulo de uma nova igreja dos simples, diz Eduardo Lourenço.

Eram pessoas de espírito socrático: sábio, altruísta, simples e desprendido. Eram pessoas de altos ideais, como o Cristo do Evangelho, voltados ao bem comum...

Pensar em Agostinho, é, um pouco, sentir uma sombra de São Francisco de Assis , passando lépido, com seu bordão...

Sempre peregrinando por um mundo a descobrir e a reconstruir.

Pensou em perspectivas universais, onde cabem todas as contribuições, sem discriminação.

Foi um homem que acreditou que é possível construir um mundo melhor.

Olhou o mundo como algo, em permanente processo de construção e reconstrução: algo sempre a haver, ao abrir-se para novas perspectivas dinâmicas.

Foi um homem de pensamento e um homem de ação; um pensador consistente e um realizador coerente. Pensar, querer e realizar era sua plataforma de atuação.

Foi um homem da terra e um homem do espírito, do mundo das ideias e da ação transformadora. Foi um filósofo comprometido com a vida das pessoas e do universo. Agostinho dialogou desinibido, com o mundo dos homens, com mundo das ideias e com o mundo do Espírito.


7. Agostinho foi um homem aberto a tudo: aberto para a vida, para as energias do universo, que nele se integram por todos os sentidos: pela visão, pela audição, pelo tato, pelo olfato e sabor, e todos os mais que houver.

Dentro dele, de seu espírito, de sua alma, havia lugar para tudo e para todos. O que tinha: (saber, sabedoria e até seus bens), tudo repartia e compartilhava. Amava e cultivava a vida.


A sua visão do outro, da alteridade, integrava-se no seu ser, na sua identidade. Vivia para o “outro”. Foi um educador pleno. Um ser humano pleno, um homem cativante, por suas ideias, modo de vida e visão de mundo.

Foi um homem de pensamento e de ação: um construtor; um transformador de vidas, um iluminador de caminhos. Foi luz, onde passou.

Para levar a teoria, à prática, foi um criador de universidades e um exímio professor.

Foi um homem cheio de vida, e se realizou na convivência ativa e dinâmica. Nada lhe faltava, porque tudo repartia... Isto parece paradoxal, mas, nele, é bem real. Foi o típico homem consciente: o cidadão do mundo.

Foi um homem sem máscaras. Por isso as pessoas não tinham receio de a ele se dirigirem, como quem se dirige a um amigo, sempre de portas abertas.

Dentro do espírito lusitano, que era sua força matricial, foi um homem de perspectivas universais


III – ABRINDO CAMINHOS – REFLEXÃO E AÇÃO


8. Nasceu em 1906, no Porto... Em 1944, com 38 anos, emigra para o Brasil, para prosseguir a sua obra, buscando novas oportunidades. Teve-as.

Do Brasil descobriu melhor a alma e a força profunda de Portugal.

Aqui, a sua vida toma novas dimensões e novos rumos.

Aqui, Agostinho da Silva pôde realizar suas perspectivas universais, da vida e da mente típica portuguesa, sempre aberta a novas descobertas.

Sua personalidade de pensador, místico e mestre encontra aqui um campo fértil. Sua missão de professor e seu humanismo e dedicação às grandes causas da humanidade, sem distinção de classe ou de nível sócio-cultural, aqui germinaram. O espírito brasileiro combina muito bem e enriquece e dinamiza o espírito lusitano.

Do Brasil vê-se melhor Portugal e toda a força da Lusofonia.


Para ele, a unidade e a soberania de Portugal é essencial. Por isso, manda um recado claro e veemente:

“Nunca mais se deve falar na questão de unir a Espanha e Portugal”.

A visão universal e planetária de Portugal, poderá levar os dois países ibérico a olharem-se mutuamente como “outro”, numa relação criadora de identidade e alteridade.

Foi um Semeador. Quem dele precisou foi atendido. Semeou para as próximas gerações colherem. Semeou rabanetes para as próximas refeições e semeou jacarandá para as futuras gerações.

Sua vontade e disposição para o trabalho, para servir o país de adoção, fizeram dele, como diz Eduardo Lourenço:

“o homem dos sete ofícios, profeta, pedagogo, sábio, naturalista (...)

um pólo de vida ativamente contemplativa2”.


Fez amigos, por toda a parte onde atuou, de Norte a Sul do país.

Em tudo o que pôs as mãos e o seu ideal, agiu como fermento transformador.

Onde esteve, fez a diferença, ajudando a abrir novas perspectivas e novos rumos às pessoas e às instituições onde atuou.

Este homem extraordinário, além de professor e foi um pai de família. Com esta repartia também a sua vida, a sua sabedoria e a sua generosidade.


9. Uma das marcas deixadas por Agostinho foi seu carinho pela cultura portuguesa e pelo mundo lusófono.

Ajudou a formar Centros de Estudos Portugueses, em diversas universidades em diversos Estados do Brasil. Em 1954 é nomeado Diretor dos Serviços Pedagógicos da Exposição Histórica do IV Centenário da cidade de São Paulo, onde seu sogro Jaime Cortesão desenvolveu um trabalho extraordinário.

Em 1959, funda o Centro de Estudos Africanos e Orientais, na Universidade Federal da Bahia. Uma instituição inovadora, revolucionária, dentro do espírito de Gilberto Freire: visão de um País e de uma lusofonia multiracial e plural. Com isto Agostinho deu sequência aos trabalhos pioneiros de Gilberto Freire e Nina Rodrigues, valorizando e fazendo justiça às ricas contribuições que os negros trouxeram à cultura do Brasil 3


Começa aqui a pôr em prática o sentido plural da lusofonia. Quis mostrar a necessidade de se dedicar mais aos Estudos Africanos, por sua presença marcante da Lusofonia.

Deu destaque à vertente africana da lusofonia. Abriu um portal de amplas perspectivas.

Agostinho foi um espírito de convergência. Ia abrindo novos espaços que expandiam e articulavam as suas ideias matriciais, dando-lhes novos horizontes, multiplicando-se. Nunca se dispersou.


10. Em 1963, visita o Japão, Macau e Timor, com bolsa da UNESCO.

De volta a Portugal (1975) visita a Galiza.

Em 1987, visita Olivença, onde deixou marcas de seu gênio e de sua generosidade.

Em 1988, visitou Moçambique.

Com sua atividade múltipla e pelo Espírito de União dos Povos Lusófonos, com que sempre trabalhou, Agostinho lançou as sementes férteis da Lusofonia pluricontinental, em perspectivas universais, na perspectiva do Quinto Império, sob as luzes do Divino Espírito Santo, Agostinho deu novas e amplas perspectivas à Lusofonia Mundial.


11. Agostinho foi o verdadeiro inspirador da criação da CPLP: a união de povos soberanos: unir-se para crescer e prosperar, nas dimensões materiais e espirituais.

O objetivo era:

Unir-se para superar o subdesenvolvimento e as decorrentes chagas sociais e as chagas da guerra civil.

Unir-se para superar antagonismos, aceitando a diversidade.

Unir-se para reencontrar-se com o progresso, consigo mesmo e com os seus amigos.

Unir-se para dar uma educação melhor a todo o povo.

Unir-se para, juntos, construirmos um futuro melhor, sem abdicar da liberdade.

Unir-se para produzir mais alimentos e mais riquezas para a nação e emprego, para todos poderem alimentar-se e alimentar suas famílias.

Unir-se para construir uma nação próspera, com o bem-estar do povo.

Unir-se para saber ir além do progresso material, superando e ultrapassando o economicismo capitalista, cultivando os valores humanos e o bem-estar de todos.

Agostinho deu contribuição destacada às ideias matriciais da Lusofonia, em toda a sua amplitude e complexidade.

Agostinho ajudou a dar unidade ao mundo da Lusofonia, dando a cada povo o seu valor, sem discriminações. Semeou o espírito da confraternização. Fez o que todos podem fazer, se quiserem...

Somou suas ideias e sua ação, às ideias e ações de milhares de outras pessoas inspiradas, que germinam nas terras férteis da Lusofonia, dando-lhes novas forças. Suas ideias não se caracterizam pelo ineditismo, mas pela operacionalização e articulação de novas forças, e pelo espírito que as fecundou. Ele faz acontecer.

Sua visão de mundo passa pela confraternização de todos os povos, com a instauração do quinto Império Espiritual, na busca de um mundo com mais justiça, generosidade, prosperidade material e espiritual e mais paz.

Por estes posicionamentos de Agostinho, dizemos que ele foi um “arauto de um mundo em expansão”, preconizando uma nova era da humanidade.

J. J. Peralta