EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): autores em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

Para o 22º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.



Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

IKEA - A mente mobilada é uma mente consumada?




“IKEA WAY


«A família como empresa, a empresa como família.» O lema é de Ingvar Kamprad, mentor de um conceito de negócio inédito que procurou estender a todos os trabalhadores contagiando-os com o seu alento e as virtudes que considera indispensáveis ao bom funcionamento da empresa.


A pedido dos membros do grupo sintetizou os seus princípios no Testamento de Um Comerciante de Móveis, a "base espiritual" da IKEA, editado pela primeira vez em 1976. Até à data, cerca de 100 mil exemplares já foram distribuídos entre os colaboradores espalhados por todo o mundo. Os mandamentos são nove e consistem em orientações claras: oferecer uma ampla gama de artigos a preços acessíveis à maioria; cultivar o 'espírito IKEA' (baseado no desejo de renovação, na atitude de poupança e na humildade que caracterizam o fundador); utilizar os lucros como recursos; alcançar bons resultados com poucos meios; tomar a simplicidade como uma virtude; apostar sempre numa linha diferente; concentrar forças, reconhecendo que não é possível estar em todo o lado ao mesmo tempo; assumir sempre as responsabilidades. Finalmente, a recomendação quanto ao futuro: uma empresa que pensa ter chegado à meta perde a sua força vital, por isso, diz Kamprad, "ainda está quase tudo por fazer". Motivar os trabalhadores para os valores da 'IKEA Way' acima descritos é uma das grandes preocupações do empresário, daí que periodicamente organize seminários na Suécia com o objectivo de lhes incutir este espírito. Para que os milhares de pessoas que emprega não percam o sentido de comunidade que sempre promoveu no seio do grupo, o fundador surpreende com visitas ou iniciativas inesperadas. Veja-se o 'Big Thank You', o prémio do milénio: o total mundial de vendas do dia 9 de Outubro de 1999 foi repartido por todos, para agradecer o empenho e o esforço em nome da empresa.”


Fonte: DN


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A mercantilização da ‘espiritualidade’! Não, não se trata, na sua forma mais pura, da venda de livros, workshops de meditação transcendental, velinhas e incensos, terapias com nomes de fazer corar a aura… é algo de mais preocupante: trata-se da transposição do discurso ligado à espiritualidade e à religião para o horizonte da vida mercantilizada, despojada do mais que a tornava grácil e indemne, por mais constrangida que fosse por todos os tipos de coação à servidão.


Há várias organizações meramente mercantis que se apropriaram do discurso religioso, por exemplo a AMWAY (acrónimo de ‘I am the way’), quem já assistiu a uma das suas acções de missionação para o consumo não pôde certamente deixar de reparar nas semelhanças gritantes com o modus operandi de algumas seitas religiosas (e uso aqui ‘seita’ apenas por comodidade discursiva). Em vez de Deus/Cristo, o dinheiro e em vez da Igreja, a organização que, num esquema piramidal de partilha dos lucros das vendas garante um enriquecimento rápido e fácil aos que forem mais fiéis ao esquema. O mesmo se passa com a empresa Rainbow que vende aspiradores que, segundo a propaganda oficial, não são aspiradores, mas verdadeiros agenciadores de milagres para quem os adquirir. As vendas processam-se num clima de venda bíblica, por assim dizer. É melhor do que borrifos da água do Jordão ou bênçãos aos urros e com desmaios e bocas a espumar. É muito mais higiénico. Até para a conta bancária de quem compra.


Numa sociedade mercantilizada só importa o que vale e o valor é atribuído em função da utilidade: ‘o João vale porque serve para produzir e para consumir’, o João desde o momento da sua concepção que é trabalhado por uma urdidura libidinal que lhe dá um suporte identitário a partir do qual se irá apropriar de si e do mundo. Bem poderia trazer um código de barras na moleirinha para melhor se ver catalogado neste gigantesco armazém em que nos confinamos. Falo no plural porque lidamos aqui com processos que escapam ao âmbito daquilo a que tradicionalmente se chama a vontade individual ou colectiva.


Também podemos prescindir da categoria ética da dignidade. Lembrando o cantochão kantiano: a dignidade seria o próprio o que não tem valor ou preço, do que está acima de qualquer valoração possível, algo que estaria acima de qualquer valor, por mais elevado. Mas a própria filosofia kantiana já está impregnada pelo sémen que gerou o actual sistema do mundo: a Razão completamente desprovida de carnalidade, instituidora dum desejo sem motivo e sem indeterminação, uma Razão arrancada ao seu elemento ‘natural’ – o Espírito. Mas não se trata do Espírito amarrado à logomaquia finalista que acabará por dar no hegelianismo, mas o espírito sem mais para além do mais que ultrapassa sempre tudo, o leve excesso que transborda qualquer envasamento mental (e não só).


Entre nós temos o ‘Homem Sonae’, essa espécie de sobre-homem que procura pôr em prática a cartilha do engenheiro Belmiro, a troco dum emprego mal pago numa qualquer grande superfície ao serviço do consumismo geral. E não faltam vozes a defender que essa cartilha possa servir de base principial ao nosso sistema educativo. Nada que não acabará por acontecer, vendo bem o sentido para onde caminham as coisas.


Mas a cartilha do senhor Ingvar Kamprad também poderia servir para esse efeito. Só tem nove ‘mandamentos’. Para não ser repetitivo só me vou referir a três:


Primeiro mandamento: ‘oferecer uma ampla gama de artigos a preços acessíveis à maioria’. A minoria que se lixe, se não puder comprar, a conformidade social é para quem consome, não para quem se consuma. E nada mais importante do que ‘oferecer uma ampla gama de artigos’, o consumismo vive da diversidade do mesmo. Uma mesa é uma mesa e serve para o que serve uma mesa, mas há que dar a volta ao texto, pintalgar aqui ou ali, tirar ou pôr pernas, alimentar a gula adventícia do cliente, servir-lhe o mesmo com um lifting que o torne menos habitual. E a felicidade da maioria está em poder mergulhar nessa orgia industrial em que se lhe oferece um manancial de artigos, na sua forma mais orgástica - o levar tudo numa caixa que se pode abrir em casa e, no caos dos parafusos, das peças por montar, dos folhetos em Sueco e Português desmantelado, participar na febre da produção, montar peça-a-peça o móvel barato que vem investido da mais-valia de servir para mais do que uma função utilitária, já que a sua função principal é a de fundar um modo de vida, legitimar uma forma de apropriação de si e do mundo, daí a adesão da maioria a este tipo de oferta. As pessoas ao montarem um móvel Ikea sentem que se completam, mesmo que façam a batota de contratarem a montagem do móvel. É quase o mesmo que fazer uma lipo-aspiração em vez de ir correr à volta do quarteirão. Evita-se a caca de cão e tem-se menos maçada.


Segundo mandamento: ‘cultivar o 'espírito IKEA'. Qual honrar pai e mãe, esbracejar pela Pátria, amar a Deus, ou reverenciar qualquer coisa que se assemelhe a algo não mercantilizável… Por mais que se mate e destrua por cegueira patrioteira ou fideísta, amar parece-me, no meu modo de ver que a terra há-de comer, muito superior ao cultivar do espírito IKEA, “baseado no desejo de renovação, na atitude de poupança e na humildade que caracterizam o fundador”. E poderíamos ficar com o pai e com a mãe, amá-los, só por si, já ajudaria a que nos tornássemos melhores. Mas reconheçamos que este fundador parece um pouco melhor do que o nosso Belmiro porque ao desejo de renovação e à atitude de poupança alia a humildade. Mas, no fundo, trata-se, em ambos os casos, de fascismo de polichinelo, o único que pode passar pelos interstícios dos inúmeros filtros de que se mune a nossa aceitação deste mundo como o único possível, mas trata-se dum totalitarismo tão brutal quanto o ‘outro’. O lema do ‘fundador’ - «A família como empresa, a empresa como família» - poderia passar por um lema do Terceiro Reich, isto sem abuso hermenêutico. Não me prendo a qualquer conceito de família, mas é importante que o amor vivido através de laços mais fortes que qualquer tragédia ou cataclismo não seja comparado à relação entre membros duma organização empresarial. Uma empresa não é uma igreja ou uma comunidade unida por uma intencionalidade espiritual e ‘empresarializar’ a família é uma forma radical de expropriação da vida, tornada propriedade sem dono, completamente sujeita ao desapossamento ontológico em que consistem os vínculos laborais nesta sociedade anómica. Esta forma de fanatização dos trabalhadores/empregados/funcionários é um sintoma de que se calhar já não prestamos para nada que valha a pena.


Terceiro mandamento: ‘utilizar os lucros como recursos’. Ou seja, o lucro não é um fim em si, mas a manutenção do sistema gerador de lucro, o lucro é a razão de ser de todo o dispositivo empresarial-libidinal, mas só porque permite a perpetuação do estado de coisas resultante da implementação deste eficientíssimo sistema de moral. E o ‘fundador’ é poupadinho, não por uma virtude de carácter, mas porque gastar não faz parte da sua economia libidinal, não é algo que lhe dê prazer ou lhe aumente o gozo existencial. Ora, estamos face a algo que ao qual se recusa o estatuto de mercadoria, a própria disposição que instaura um regime de mundificação do mundo. Já não se trata duma instituição religiosa ou metafísica, mas meramente funcional e económica. Hoje é a economia que é o ópio do povo. Paradoxalmente, só poderemos ser marxistas abandonando o terreno do materialismo. O que significa que o sistema de subjugação ‘ganhou’: ser materialista reforça o sistema instaurador de alienação e de exploração. Uma embrulhada…


E não adianta brandir a ‘Cultura’ contra este estado de coisas, porque mesmo a cultura com ‘C’ grande está perpassada por um largo espectro de dinamicidades de mercantilização. Por maior que seja o ‘C’, não há fuga. Porque a atitude correcta não é a fuga, mas o investimento na presença, o fortalecimento da eudemonia, porque o sentido da criação cultural não é o lucro ou qualquer tipo de mais-valia egolátrica, mas o excesso, a demasia, a diferenciação não reprodutível.


Talvez já só o demo nos possa salvar.


E depois, quem precisa de Salvação?


A Perdição é um salto/salvamento, um não querer mais que bem querer…

Publicado por Paulo Feitais