EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

IKEA - A mente mobilada é uma mente consumada?




“IKEA WAY


«A família como empresa, a empresa como família.» O lema é de Ingvar Kamprad, mentor de um conceito de negócio inédito que procurou estender a todos os trabalhadores contagiando-os com o seu alento e as virtudes que considera indispensáveis ao bom funcionamento da empresa.


A pedido dos membros do grupo sintetizou os seus princípios no Testamento de Um Comerciante de Móveis, a "base espiritual" da IKEA, editado pela primeira vez em 1976. Até à data, cerca de 100 mil exemplares já foram distribuídos entre os colaboradores espalhados por todo o mundo. Os mandamentos são nove e consistem em orientações claras: oferecer uma ampla gama de artigos a preços acessíveis à maioria; cultivar o 'espírito IKEA' (baseado no desejo de renovação, na atitude de poupança e na humildade que caracterizam o fundador); utilizar os lucros como recursos; alcançar bons resultados com poucos meios; tomar a simplicidade como uma virtude; apostar sempre numa linha diferente; concentrar forças, reconhecendo que não é possível estar em todo o lado ao mesmo tempo; assumir sempre as responsabilidades. Finalmente, a recomendação quanto ao futuro: uma empresa que pensa ter chegado à meta perde a sua força vital, por isso, diz Kamprad, "ainda está quase tudo por fazer". Motivar os trabalhadores para os valores da 'IKEA Way' acima descritos é uma das grandes preocupações do empresário, daí que periodicamente organize seminários na Suécia com o objectivo de lhes incutir este espírito. Para que os milhares de pessoas que emprega não percam o sentido de comunidade que sempre promoveu no seio do grupo, o fundador surpreende com visitas ou iniciativas inesperadas. Veja-se o 'Big Thank You', o prémio do milénio: o total mundial de vendas do dia 9 de Outubro de 1999 foi repartido por todos, para agradecer o empenho e o esforço em nome da empresa.”


Fonte: DN


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A mercantilização da ‘espiritualidade’! Não, não se trata, na sua forma mais pura, da venda de livros, workshops de meditação transcendental, velinhas e incensos, terapias com nomes de fazer corar a aura… é algo de mais preocupante: trata-se da transposição do discurso ligado à espiritualidade e à religião para o horizonte da vida mercantilizada, despojada do mais que a tornava grácil e indemne, por mais constrangida que fosse por todos os tipos de coação à servidão.


Há várias organizações meramente mercantis que se apropriaram do discurso religioso, por exemplo a AMWAY (acrónimo de ‘I am the way’), quem já assistiu a uma das suas acções de missionação para o consumo não pôde certamente deixar de reparar nas semelhanças gritantes com o modus operandi de algumas seitas religiosas (e uso aqui ‘seita’ apenas por comodidade discursiva). Em vez de Deus/Cristo, o dinheiro e em vez da Igreja, a organização que, num esquema piramidal de partilha dos lucros das vendas garante um enriquecimento rápido e fácil aos que forem mais fiéis ao esquema. O mesmo se passa com a empresa Rainbow que vende aspiradores que, segundo a propaganda oficial, não são aspiradores, mas verdadeiros agenciadores de milagres para quem os adquirir. As vendas processam-se num clima de venda bíblica, por assim dizer. É melhor do que borrifos da água do Jordão ou bênçãos aos urros e com desmaios e bocas a espumar. É muito mais higiénico. Até para a conta bancária de quem compra.


Numa sociedade mercantilizada só importa o que vale e o valor é atribuído em função da utilidade: ‘o João vale porque serve para produzir e para consumir’, o João desde o momento da sua concepção que é trabalhado por uma urdidura libidinal que lhe dá um suporte identitário a partir do qual se irá apropriar de si e do mundo. Bem poderia trazer um código de barras na moleirinha para melhor se ver catalogado neste gigantesco armazém em que nos confinamos. Falo no plural porque lidamos aqui com processos que escapam ao âmbito daquilo a que tradicionalmente se chama a vontade individual ou colectiva.


Também podemos prescindir da categoria ética da dignidade. Lembrando o cantochão kantiano: a dignidade seria o próprio o que não tem valor ou preço, do que está acima de qualquer valoração possível, algo que estaria acima de qualquer valor, por mais elevado. Mas a própria filosofia kantiana já está impregnada pelo sémen que gerou o actual sistema do mundo: a Razão completamente desprovida de carnalidade, instituidora dum desejo sem motivo e sem indeterminação, uma Razão arrancada ao seu elemento ‘natural’ – o Espírito. Mas não se trata do Espírito amarrado à logomaquia finalista que acabará por dar no hegelianismo, mas o espírito sem mais para além do mais que ultrapassa sempre tudo, o leve excesso que transborda qualquer envasamento mental (e não só).


Entre nós temos o ‘Homem Sonae’, essa espécie de sobre-homem que procura pôr em prática a cartilha do engenheiro Belmiro, a troco dum emprego mal pago numa qualquer grande superfície ao serviço do consumismo geral. E não faltam vozes a defender que essa cartilha possa servir de base principial ao nosso sistema educativo. Nada que não acabará por acontecer, vendo bem o sentido para onde caminham as coisas.


Mas a cartilha do senhor Ingvar Kamprad também poderia servir para esse efeito. Só tem nove ‘mandamentos’. Para não ser repetitivo só me vou referir a três:


Primeiro mandamento: ‘oferecer uma ampla gama de artigos a preços acessíveis à maioria’. A minoria que se lixe, se não puder comprar, a conformidade social é para quem consome, não para quem se consuma. E nada mais importante do que ‘oferecer uma ampla gama de artigos’, o consumismo vive da diversidade do mesmo. Uma mesa é uma mesa e serve para o que serve uma mesa, mas há que dar a volta ao texto, pintalgar aqui ou ali, tirar ou pôr pernas, alimentar a gula adventícia do cliente, servir-lhe o mesmo com um lifting que o torne menos habitual. E a felicidade da maioria está em poder mergulhar nessa orgia industrial em que se lhe oferece um manancial de artigos, na sua forma mais orgástica - o levar tudo numa caixa que se pode abrir em casa e, no caos dos parafusos, das peças por montar, dos folhetos em Sueco e Português desmantelado, participar na febre da produção, montar peça-a-peça o móvel barato que vem investido da mais-valia de servir para mais do que uma função utilitária, já que a sua função principal é a de fundar um modo de vida, legitimar uma forma de apropriação de si e do mundo, daí a adesão da maioria a este tipo de oferta. As pessoas ao montarem um móvel Ikea sentem que se completam, mesmo que façam a batota de contratarem a montagem do móvel. É quase o mesmo que fazer uma lipo-aspiração em vez de ir correr à volta do quarteirão. Evita-se a caca de cão e tem-se menos maçada.


Segundo mandamento: ‘cultivar o 'espírito IKEA'. Qual honrar pai e mãe, esbracejar pela Pátria, amar a Deus, ou reverenciar qualquer coisa que se assemelhe a algo não mercantilizável… Por mais que se mate e destrua por cegueira patrioteira ou fideísta, amar parece-me, no meu modo de ver que a terra há-de comer, muito superior ao cultivar do espírito IKEA, “baseado no desejo de renovação, na atitude de poupança e na humildade que caracterizam o fundador”. E poderíamos ficar com o pai e com a mãe, amá-los, só por si, já ajudaria a que nos tornássemos melhores. Mas reconheçamos que este fundador parece um pouco melhor do que o nosso Belmiro porque ao desejo de renovação e à atitude de poupança alia a humildade. Mas, no fundo, trata-se, em ambos os casos, de fascismo de polichinelo, o único que pode passar pelos interstícios dos inúmeros filtros de que se mune a nossa aceitação deste mundo como o único possível, mas trata-se dum totalitarismo tão brutal quanto o ‘outro’. O lema do ‘fundador’ - «A família como empresa, a empresa como família» - poderia passar por um lema do Terceiro Reich, isto sem abuso hermenêutico. Não me prendo a qualquer conceito de família, mas é importante que o amor vivido através de laços mais fortes que qualquer tragédia ou cataclismo não seja comparado à relação entre membros duma organização empresarial. Uma empresa não é uma igreja ou uma comunidade unida por uma intencionalidade espiritual e ‘empresarializar’ a família é uma forma radical de expropriação da vida, tornada propriedade sem dono, completamente sujeita ao desapossamento ontológico em que consistem os vínculos laborais nesta sociedade anómica. Esta forma de fanatização dos trabalhadores/empregados/funcionários é um sintoma de que se calhar já não prestamos para nada que valha a pena.


Terceiro mandamento: ‘utilizar os lucros como recursos’. Ou seja, o lucro não é um fim em si, mas a manutenção do sistema gerador de lucro, o lucro é a razão de ser de todo o dispositivo empresarial-libidinal, mas só porque permite a perpetuação do estado de coisas resultante da implementação deste eficientíssimo sistema de moral. E o ‘fundador’ é poupadinho, não por uma virtude de carácter, mas porque gastar não faz parte da sua economia libidinal, não é algo que lhe dê prazer ou lhe aumente o gozo existencial. Ora, estamos face a algo que ao qual se recusa o estatuto de mercadoria, a própria disposição que instaura um regime de mundificação do mundo. Já não se trata duma instituição religiosa ou metafísica, mas meramente funcional e económica. Hoje é a economia que é o ópio do povo. Paradoxalmente, só poderemos ser marxistas abandonando o terreno do materialismo. O que significa que o sistema de subjugação ‘ganhou’: ser materialista reforça o sistema instaurador de alienação e de exploração. Uma embrulhada…


E não adianta brandir a ‘Cultura’ contra este estado de coisas, porque mesmo a cultura com ‘C’ grande está perpassada por um largo espectro de dinamicidades de mercantilização. Por maior que seja o ‘C’, não há fuga. Porque a atitude correcta não é a fuga, mas o investimento na presença, o fortalecimento da eudemonia, porque o sentido da criação cultural não é o lucro ou qualquer tipo de mais-valia egolátrica, mas o excesso, a demasia, a diferenciação não reprodutível.


Talvez já só o demo nos possa salvar.


E depois, quem precisa de Salvação?


A Perdição é um salto/salvamento, um não querer mais que bem querer…

Publicado por Paulo Feitais