EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Uma "Cultura do Ente" face a uma "Cultura do Entre" - Contributo para a compreensão de novos paradigmas interculturais

O diálogo intercultural é, nos nossos dias, mais do que uma necessidade incontornável, ele é, outrossim, um imperativo social e humano; o justo caminho para a aproximação a uma cultura de paz (1) e de aceitação participada do outro e com o outro. Esse “outro” até aqui considerado como “estrangeiro”, “estranho”, desconhecido, e que, por isso mesmo, se afigura como gerador de medos e de desconfianças.
O velho paradigma das relações entre culturas tem colocado o homem, desde há milhares de anos, numa atitude defensiva, agressiva e, quantas vezes, autista e desconfiada face ao que é diverso. O medo de mais uma “nova” e irremissível perda – depois do anunciado luto de “deus” e da “expulsão” primeira do homem – afigura-se como um dos mais difíceis nós a desfazer no actual paradigma cultural, que vê o homem como ente separado da realidade, separado, por isso, de si mesmo e do mundo.
Não tem sido fácil ao homem compreender que sujeito e objecto não são fenómenos separados; que não há, a não ser como ilusão, isso de “eu” e de “meu”. Só a visão de uma cultura livre da ideia de posse poderá ser condição essencial para que a cultura do entre se desenhe como possibilidade, caminho que se apresenta para contrariar, por assim dizer, uma cultura de guerra, uma cultura “doente”.
Seremos nós capazes e estaremos dispostos a renunciar? É a pergunta que, em primeiro lugar, devemos fazer, quando iniciamos uma qualquer via, percurso ou caminho. Porque é sempre de uma renúncia que se trata. Renunciar a quê? É o que tentaremos perceber, perscrutando no pensamento, a lembrança do que é Real, no futuro que nos leva à Origem. Como tudo o que é ontológico.
As posturas que obstaculizam o encontro entre culturas têm na base, parece isto claro, o medo da perda de alguma coisa. É grande o pânico do homem de se ver desapossado, desenraizado de algo que configura, na sua mente, o que pensa que seja o que ele é e até mesmo o que sonha ser. Aí entramos na zona dos mitos que configuram a identidade de um indivíduo, de um povo. Mitos que impregnam o ser de Ser, mas que, na realidade não têm significativo peso ôntico. Ver-se-á, num olhar mais atento, nesses mitos, (2) a relatividade que lhes “limpará a face”, para poderem ser vistos na sua real essência, esta comum a todo o ser humano “caído” no mundo. E a essência do homem é ser no mundo com o que, de divino, há em si e naquele.
Os medos atrás referidos dominam, muitas vezes de modo inconsciente, o homem e configuram um “muro” que tapa e esconde a luz de uma nova visão. Ver-se o homem despido de identidade: de mitos, de pátria, de ser; ver-se “sem ente”, ver-se em falta, “doente”, não tem sido de fácil aceitação. Não é, pois, sem resistências de vária ordem que o homem embarca nesta nova viagem. Viagem que tem que ser feita com as naus que tecem índias ainda mais insituadas, ainda mais afastadas no nevoeiro do nevoeiro mais perdido dos tempos. Até que se ache no princípio o fim que se busca, ou tão só se esbatam ou fundam ambos os conceitos, e sejamos sem princípio e sem fim, eternamente sendo.
É terrível o engano que consiste em confundir identidade, com superioridade, e mito, com o Absoluto. É bem de ver que a identidade cultural é do foro do relativo, que as contingências e características que enformam a mente do indivíduo, não são mais do que umas de entre outras, no fundo variado da “Realidade”; tão válidas umas quanto as outras. E que os mitos são ainda os “arredores” do que importa verdadeiramente entender. O pensamento enquistado do homem resiste à ideia de abrir pontes de diálogo e de aceitação com o outro, por receio de perder a sua especificidade, a sua identidade, esquecendo que, desse encontro, ambas as culturas saem enriquecidas, desenvolvendo-se, por conseguinte, uma verdadeira atitude de crítica construtiva proveitosa para todos, conforme salienta R. Panikar. (3). É preciso compreender que se trata, de um outro ângulo de visão, de curar, de “iluminar”, de ver a uma nova luz o que é essencial e comum a todo o “novo” ser que desperta para um novo e premente “real”: a visão do ser desperto, livre de mais uma das suas “doenças”: a do culto do ente.
Na realidade, o homem comporta-se, ainda, como alguém que defende um conjunto de “territorializações” que vão cimentando uma cultura do ente, rejeitando, assim, o novo paradigma que se apresenta como alternativa: uma cultura do entre. Como se tudo tivesse que estar separado por pequenos “territórios” na posse de cada um e vedados a todos os outros. Como se fossemos seres sem Ser, corpos sem alma, movendo-se num “inferno”, esse lugar temido e temível onde “escolhemos” viver. Nada de mais errado! A vida não tem que ser esse ou outro inferno. Uma cultura que assim age é uma cultura doente e geradora de piores males.
Interessante é verificar, como se de um sofrimento por antecipação se tratasse, que esse desconforto na presença do outro, face ao outro, não se tem esbatido, ao contrário do que seria de supor. Na verdade, tem até aumentado por imposição do próprio sistema político e social, das suas dinâmicas competitivas e agressivas, nos diversos níveis da vida. O homem vê-se empurrado, manipulado e, na escassez de tudo, no esgotamento de todos os recursos, vê-se coagido a querer para si o que a todos falta, numa competição desenfreada por uma cultura “ter”. É o próprio sistema político, social e económico que se encarrega de gerar novas dificuldades e entraves ao livre encontro entre os homens e entre culturas, fazendo pesar sobre os ombros do homem dos países mais pobres a luta pela sobrevivência, e sobre os mais poderosos, o receio de perderem o poder que os mantém no topo deste vazio que a todos faz adoecer.
Por estas razões, ninguém se arrisca a perder, deixando-se estar confortavelmente – pensam eles e porventura ainda nós – repousados nas estruturas e hábitos mentais que julgam mais seguros, reproduzindo modelos gastos e ineficazes. Isto apesar da comunicação em rede, possibilitar uma mais rápida e eficaz troca de informação e de saber a todos os níveis entre todos os povos de todos os lugares.
Não percebeu, ainda, o homem dos nossos dias, que tem que estar preparado para receber e dar, sem medo de, com isso, se perder, pois não há o que perder, numa cultura em que não há a posse de algo, ou de si. Tudo é relação, não há conquista. Não se trata de encher, de acumular, antes de esvaziar. Porque a humanidade ainda não percebeu (é preciso que se lhe mostre, experienciando), que o homem, no interior de si mesmo, ali onde não é possível mentir ou fingir, não há o que seja ente, e que esta noção é geradora de “doença”: a doença da cultura do ente.
Entenda-se, por outro lado, que não é fácil ao homem perder ou ver oscilar a base confortável que o colocava no topo da hierarquia da natureza, logo a seguir a Deus ou ao que se considerar a instância suprema e/ou divina que tem tido a função de “governar” o mundo: a única colocada acima do homem e que lhe tem servido de exemplo, modelo e guia para sua orientação no difícil mundo onde foi colocado, após a bem ou mal contada expulsão do “Paraíso”.
À medida que os seres humanas se consciencializarem que o antigo paradigma, baseado no domínio e na supremacia de um povo relativamente a outros, caducou, faliu; melhor se vai entendendo o erro em que labora o humano querendo dominar pela força e pelos processos mais violentos, o que, na verdade, o enfraquece em razão, em justiça, em ética e em moral. Facilmente, não fora a muita ganância e cegueira, chegaria à conclusão da inutilidade dos seus esforços em separar, o que antes estava unido, considerando seriamente a necessária “religação” à natureza. Por isso, o diálogo intercultural terá que abranger e tocar todos os pontos em cada ponto que toca. Como uma esfera que roda sobre si e em que cada ponto é todos os pontos e nenhum. É entre! Entre todos e tudo o que há no Todo de que somos: interior e exterior, Oriente e Ocidente, dentro e fora, Princípio e Fim em cada coisa que é.
Finalmente, importa valorizar a “esfera” em que gira o que somos, esse sem dentro e sem fora, tal como o “outro”, o planeta, o universo e tudo o que existe, mais o que sonhado passa a existir. É nesse equilíbrio, nesse movimento evolutivo nascido a cada instante, feito de tradição e novidade, olhado sem preconceito, no respeito pela vida de todos e pelas “suas” realizações, que se constrói uma “cultura do entre” que a todos penetra de uma mesma participação e sacralização. Tudo irradiando a mesma luz do fundo em fundo de tudo.
Assinalamos, por fim, a título de curiosidade, que no centro do "EnTre" se situa, mesmo que somente do ponto de vista simbólico a física figura do Tau, a letra “T”, em Português, aquela que marca com um sinal, todos os viventes. Um Tau de Luz, em que todos sejamos agraciados de ser Tudo e Nada. Mito essencial da humanidade e de todos os seres sencientes.

Notas (1),(2) e (3) – Ideias retiradas do texto de Raimon Panikar Paz e Interculturalidad. Una reflexión filosófica, Barcelona, Herder, 2006)


Publicado por Maria Sarmento no blogue da ENTRE:
arevistaentre.blogspot.com

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