EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Entrevista

Publico a entrevista que dei ao nº1 da revista Om Yess (Dezembro de 2009), enquanto presidente da União Budista Portuguesa:

1. Pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso de vida e como é que ele o conduziu ao Budismo?

Por um lado, tive a felicidade de ter um pai que se interessava por yoga e espiritualidade e que desde cedo me deu livros interessantes para ler e me ensinou técnicas de relaxação. Por outro, desde pequeno tive a convicção absoluta de já ter existido antes desta vida e de ir continuar a existir depois dela. Até que, após uma adolescência turbulenta, em busca do sentido da existência, e de um curso de Filosofia que me mostrou as limitações do mero conhecimento intelectual, acabei por descobrir o yoga, a meditação e o budismo num centro budista tibetano, em Lisboa. Isso possibilitou-me conhecer e receber ensinamentos e iniciações de um mestre como Dilgo Khyentse Rinpoche e, na sequência disso, tentar seguir o ensinamento de mestres como Sua Santidade o Dalai Lama, Kyabje Trülshik Rinpoche, Tulku Pema Wangyal Rinpoche e Jigme Khyentse Rinpoche.

2. Como caracteriza o Budismo e qual o seu objectivo?

O Dharma ou Via do Buda, conhecido no Ocidente como Budismo, consiste nos ensinamentos e métodos transmitidos pelo Buda Shakyamuni (566-486 a. C.) para que os seres reconheçam a sua própria natureza de Buda, um estado da mente livre de todos os obscurecimentos conceptuais e emocionais e no qual assim perfeitamente se manifestam todas as suas qualidades cognitivas e afectivas, nomeadamente a omnisciência, a visão da natureza última de todas as coisas e um amor e compaixão infinitos e imparciais por todos os seres.

A base do ensinamento do Buda Shakyamuni consiste na exposição das Quatro Nobres Verdades, segundo uma perspectiva terapêutica: 1 – o diagnóstico é o reconhecimento de que todas as experiências condicionadas são dukkha, termo que implica as noções de sofrimento, insatisfação, mal-estar, frustração e imperfeição; 2 – a etiologia consiste em indicar como causas de dukkha a ignorância, no sentido do desconhecimento da natureza última da mente e dos fenómenos, que leva à crença na percepção de uma separação e dualidade entre o sujeito e o objecto, o suposto eu e o mundo, e daí ao egocentrismo do desejo possessivo e da aversão; 3 – o remédio consiste no nirvana ou cessação do sofrimento por abolição das suas causas; 4 – a aplicação do remédio é a via que assume três aspectos: ética (não prejudicar nenhum ser vivo e fazer tudo para o bem de todos), meditação (libertar a mente de todos os conceitos e emoções negativas que a agitam, desenvolvendo uma atenção concentrada, calma e pacífica) e sabedoria (o conhecimento directo da natureza pura de todas as coisas e o viver em conformidade com isso, pondo a vida ao serviço do bem e da libertação de todos os seres).

Assumindo aspectos filosóficos e religiosos de acordo com as necessidades dos seres e das culturas onde se manifesta, o chamado Budismo é fundamentalmente uma via para curar e libertar a mente do facto de ser causadora de sofrimento para si e para os outros.

3. Quais são as principais correntes do Budismo?

Há muitas correntes no Budismo, mas todas se podem inserir nos chamados Três Veículos, correspondentes a diferentes ciclos do ensinamento do Buda, complementares entre si: o Hinayana, representado hoje pela escola Theravada, que põe a tónica na libertação individual; o Mahayana, que acentua a sabedoria da vacuidade do eu e dos fenómenos e o amor e compaixão universal, destacando a figura do Bodhisattva, aquele que deseja chegar ao estado de Buda para aí levar todos os seres; o Vajrayana, que parte da visão de que a natureza de Buda está presente em todas as coisas e combina a sabedoria e a compaixão na forma de meios mais rápidos de progresso espiritual, que podem levar ao despertar numa única vida. O Theravada, todavia, não aceita esta ideia dos Três Veículos.

4. Qual a importância da figura do Mestre no Budismo?

É muita, sobretudo no Mahayana e no Vajrayana, em que o mestre é visto como um Buda vivo e como a manifestação exterior do Mestre interior, que é a nossa própria natureza de Buda, a qual necessita de um espelho onde se reflectir, para que a reconheçamos. Sem um mestre, facilmente se cai em todo o tipo de auto-enganos espirituais, que em vez de nos libertarem nos levam a um reforço do ego e ao chamado materialismo espiritual. É contudo extremamente importante verificar se o mestre é autêntico e se vive de acordo com o que ensina, tal como é decisivo não cair numa devoção dualista, idólatra e cega. Mestre é aquele que nos liberta de toda a dualidade, inclusive da dualidade entre mestre e discípulo.

5. Encontra alguma relação entre o Yoga e o Budismo?

Segundo a tradição, o Buda, antes de atingir o Despertar, foi discípulo de dois mestres indianos, que lhe transmitiram os conhecimentos e práticas tradicionais de meditação e yoga, que ele dominou rapidamente, ao ponto de lhe ser proposto passar a ser o mentor daquelas comunidades. O Buda seguiu todavia a sua busca, pois não considerou haver encontrado naqueles estados meditativos a libertação que procurava para transmitir aos outros. No Budismo, sobretudo no Vajrayana, fala-se contudo de vários níveis de yoga, o que na via budista são outros tantos níveis de experiência não dualista da natureza primordial da mente, a qual se considera desde sempre desperta e iluminada.

6. Como sabe, Ahimsá - Não Violência – é um dos pilares éticos da filosofia do Yoga, e a instauração definitiva de uma Era de Paz o nosso grande objectivo. Qual poderá ser a contribuição do Budismo para a Paz Mundial?

Ahimsá é também um dos pilares éticos e meditativos do Budismo, que assume como princípio fundamental vigiarmos as nossas acções mentais, verbais e físicas de modo a que não só não sejam factores de sofrimento para nós e para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, mas se convertam ainda em causas da sua felicidade. Também desejamos a Paz no planeta e no universo e dedicamos toda a energia positiva das nossas acções e práticas para que isso aconteça e todos os seres sejam felizes. Estamos todavia convictos de que isso só pode acontecer se todos os seres fizerem o esforço individual por disciplinar e transformar as suas mentes e os seus pensamentos, palavras e acções e não consideramos que haja qualquer evolução necessária nesse sentido. Caso não haja esforço ético e espiritual, o mundo humano continuará a ser um mundo condicionado pelas ilusões, emoções e acções negativas, como acontece em todo o samsara, que abrange os mundos não-humanos, inclusive divinos. Enquanto não se transcender o samsara tudo é impermanente e não é possível haver Paz senão numa mente desperta, que se libertou da ilusão do eu e do não-eu, bem como de todos os conceitos e emoções decorrentes.


7. Como é vivido o Budismo em Portugal? Quer-nos falar um pouco das actividades da União Budista Portuguesa?

O Budismo está em franco crescimento em Portugal, tal como na Europa e no Ocidente em geral. A União Budista Portuguesa foi fundada em 1997 para reunir e federar as escolas budistas autênticas presentes no nosso país, sendo a representante oficial do Budismo perante o Estado e a sociedade portuguesa. Temos delegações de Norte a Sul, incluindo na Madeira, e promovemos o estudo e prática do Budismo convidando mestres das diferentes escolas e tradições, organizando seminários, conferências, cursos e retiros com eles e com instrutores com dezenas de anos de prática. Nesse sentido participámos na organização das duas vindas de Sua Santidade o Dalai Lama a Portugal, em 2001 e 2007. Damos aulas de yoga e meditação e organizamos cursos de introdução à meditação e à filosofia budista, que têm uma grande procura. Temos um grupo de tradução, responsável por versões portuguesas de vários textos clássicos budistas. Temos emissões regulares no programa “A Fé dos Homens”, na RTP 2 e agora também na rádio. Damos uma particular importância ao diálogo inter-religioso e assumimos com Sua Santidade o Dalai Lama o compromisso de tudo fazer em Portugal para o promover. Nessa linha, participamos num Encontro mensal de Meditação Inter-Religiosa, no qual praticantes de diferentes confissões e filosofias vivem em conjunto a experiência do silêncio. Muitos de nós participamos ainda individualmente em várias actividades de serviço social, como o apoio aos sem-abrigo, no âmbito de um projecto chamado CASA, que não se limita a budistas. Desenvolvemos também várias actividades em prol dos animais, como a libertação de marisco vivo. As nossas actividades podem ser consultadas em www.uniaobudista.pt

8. Depois de tantos anos de ocupação chinesa no Tibete, o que tem falhado e o que poderemos ainda fazer?

O que tem falhado é um efectivo apoio e solidariedade a nível dos governos em todo o mundo, que por motivos políticos e económicos continuam a apoiar a China e a sacrificar os direitos humanos. A via é continuar a divulgar as atrocidades cometidas pelas autoridades chinesas e a fazer pressão a nível da sociedade civil para que os nossos governos se coloquem não do lado dos carrascos mas das vítimas.

9. Como explica o facto do Budismo ter praticamente desaparecido da Índia, tendo sido essa região a pátria de Buda?

Há várias razões, desde a oposição do Budismo à organização social em castas, que gerou a reacção violenta das castas superiores, até às invasões islâmicas, que destruíram os grandes centros da cultura e espiritualidade budista, como a grande Universidade monástica de Nalanda, onde ensinaram sábios como Nagarjuna, destruída no final do século XII e que chegou a contar com 10 000 alunos e 1500 professores.


10. No seu entender, a eleição de Obama poderá contribuir para uma mudança decisiva do panorama económico, social, político e cultural a nível internacional? E como perspectiva o futuro dos seres humanos tal qual os vê hoje?

Sinceramente, não creio que uma mudança decisiva e um futuro melhor para o homem e o planeta possa vir de algum líder político instalado no sistema, por mais poderoso que seja, pois ninguém chega ao poder sem ter de fazer concessões aos grandes grupos de interesses político-económicos que regem o mundo. A alternativa real passa por não alimentarmos a ilusão que nos leva a esperarmos tudo dos outros, ou de um Salvador, por mais carismático que seja, assumindo antes a nossa responsabilidade – a sua e a minha, leitor – por sermos desde já essa diferença que queremos ver surgir no mundo. Tal qual os vejo hoje, os seres humanos, se não mudarem radicalmente, continuarão a ser o que sempre têm sido: seres iludidos e sofredores. Porém, se em vez de sonhos cor-de-rosa sobre o futuro do mundo, se decidirem a transformar-se realmente, então vejo-os como Budas em potência.

11. Quer-nos falar um pouco sobre o Partido Pelos Animais? Porquê esta necessidade de dar uma contribuição à causa pública? Terá o Budismo influenciado a sua decisão?

É óbvio que o Budismo não me podia deixar indiferente a um projecto de defender a natureza e todas as formas de vida senciente, humana e não-humana, embora o PPA não seja um partido budista. Estou convicto que urge, para bem do planeta, do homem e dos animais, mudarmos radicalmente a mentalidade especista que nos governa, semelhante à racista e sexista, que nos leva a considerar que o homem, por ter uma diferente forma de inteligência, tem o direito de instrumentalizar os animais, que experimentam emoções e sensações de dor e prazer como nós. A defesa da natureza e do bem-estar animal impõe-se hoje como o novo paradigma mental, ético e civilizacional. Disso depende a própria sobrevivência e dignidade da espécie humana. Como budista, não posso deixar de considerar que o modo como tratamos os animais resulta, pela lei da causalidade kármica, em graves problemas ambientais, sociais e de saúde para o ser humano.

12. Como concilia a sua actividade de filósofo, escritor, budista, político, professor e homem? Como vive o Budismo no seu dia a dia?

Com a sensação de falta de tempo, como é óbvio! (risos) Na verdade, sinto-as pessoalmente como complementares e inseparáveis, embora saiba conter cada uma dentro dos seus limites próprios, no que respeita à relação com os outros. Creio que todos nós somos multifuncionais e que temos a potencialidade de “ser tudo, de todas as maneiras”, como diziam Pessoa e Agostinho da Silva, com quem muito aprendi. Procuro levantar-me cedo, fazer uma sessão de meditação e levar para a vida quotidiana, além de uma mente centrada no aqui e agora, uma outra visão das coisas, a visão de todos os seres como manifestações do próprio Buda, de modo a que isso impregne todos os meus pensamentos, palavras e acções. Mas sou apenas alguém que tenta praticar isso, com muitas imperfeições, e que tem muito caminho pela frente.

13. Poderia propor aos nossos leitores uma pequena prática, acessível a todos?

Esqueçam tudo o que acabaram de ler, bem como todas as vossas ideias e preocupações. Endireitem a coluna e sintam o corpo e a respiração durante uns momentos. Depois observem os vossos pensamentos e emoções, sem os combater e sem se deixarem arrastar por eles. Não tentem esvaziar a mente. Observem apenas o que nela surge e logo se dissipa, como nuvens no céu. Permaneçam assim dois ou três minutos.
Pensem agora em alguém que realmente amam, mais incondicionalmente, com menos expectativas de reconhecimento ou retribuição. Pode ser alguém que já partiu desta vida. Sintam-no e, se possível, visualizem-no diante de vós. Sintam como seria bom se o pudessem libertar de tudo o que o possa fazer sofrer, agora e no futuro, e como seria bom oferecer-lhe tudo o que possa tornar feliz, a todos os níveis, para sempre. Comecem então a inspirar, docemente, sentindo que o estão a libertar de tudo o que haja de negativo, sob a forma de um fumo cinzento que converge para o centro do vosso coração, no meio do peito. Mal esse fumo vos toca, transforma-se em luz branca ou dourada e é essa luz que, na expiração, lhe oferecem, impregnando-o totalmente e levando-lhe toda a saúde, bem-estar e felicidade. Continuem assim, sem qualquer receio, transmutando toda a negatividade em luz. Após alguns momentos, incluam todos os seres na inspiração e na expiração, libertando-os de toda a negatividade, transmutando-a em luz e oferecendo essa luz a todo o universo, em todas as direcções. Finalmente, numa expiração, deixem-se dissolver nessa luz, que dissolve igualmente todas as coisas. E permaneçam nesse estado, luminoso, sem limites, para além de todos os conceitos e palavras. Antes que voltem os pensamentos habituais, dediquem mentalmente o que fizeram para o bem, a paz e a felicidade de todos os seres.

Integrem esta experiência na vossa vida quotidiana, recordando que tudo quanto vêem e percepcionam à vossa volta é manifestação dessa mesma luz. E sejam felizes!

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