EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PEDRO TEIXEIRA: Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom e Amigo

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No dia 12 de Dezembro festejou-se o fim da expedição de Pedro Teixeira, o explorador português que subiu e explorou o rio Amazonas em 1639. Consta que era alto e robusto. "Curiuá-Catu", o Homem Branco Bom e Amigo, como lhe chamavam os Índios, foi homenageado em 10.12.09 no Senado brasileiro, com a presença de João Carlos Moura, Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, de onde ele era natural, para que ninguém esqueça o que fez por Portugal e pelo Brasil. Nasceu em Cantanhede (Coimbra, Portugal) e faleceu em Belém do Pará, no Brasil, em cuja Catedral está sepultado.

Em Portugal, só há, na Ajuda, em Lisboa, uma estrada com o seu nome e em Cantanhede, onde nasceu, uma estátua. No Brasil, onde morreu a 6 de Junho de 1641, o seu rosto foi estampado nas notas de cinco cruzeiros e o Papa João Paulo II, em 1980, fez uma viagem entre Belém do Pará e Manaus num navio de guerra que tinha o seu nome. No final da sua vida foi nomeado capitão-mor do Grão Pará. Está sepultado na catedral de Belém.

"Curiuá-Catu", o Homem Branco Bom e Amigo, fez-se acompanhar dos seus amigos índios, numa expedição que partiu de Gurupá, a 28 de Outubro de 1637, com 2.000 mil pessoas (70 portugueses e o resto índios). Subiram os rios Amazonas e Negro e chegaram à cidade de Quito, actual capital do Equador, voltando a Belém do Pará 26 meses depois da partida (a 12 de Dezembro de 1639). O rio Amazonas passava, assim, a pertencer na sua totalidade a Portugal (então sob o domínio da Coroa espanhola). Um feito extraordinário para a época.

"Pedro Teixeira é um herói esquecido que precisa de ser recuperado", disse Aloizio Mercadante, o senador brasileiro que está a lançar um movimento para "resgatar a memória, reconhecer e valorizar a imensa contribuição" que este português de Cantanhede, teve na História do Brasil. A sessão de homenagem que se realizou no Senado Federal, em Brasília, para comemorar os 370 anos da expedição deste o "desbravador" português, partiu de uma proposta sua. Para o senador a contribuição daquele a quem chamam o conquistador da Amazónia, no processo de constituição e afirmação da soberania territorial, foi decisiva e deve ser celebrada por portugueses e brasileiros.

"A Pedro Teixeira se deve quase metade do nosso território actual. Mais de 62 por cento da Amazónia está em território brasileiro por causa dele", explicou, lembrando que a região, além de património da humanidade, tem a maior concentração de água doce do planeta e é a mais importante floresta tropical.

Agora que o Brasil "deixou de ser um problema na agenda internacional e passou a ser parte da solução", é possível que o país olhe para a sua história com "orgulho e auto-estima". E à medida que isso acontecer, acrescenta Mercadante, o Brasil terá obrigatoriamente de reconhecer a imensa contribuição de Portugal.

Pedro Teixeira era um militar que participou na fundação da cidade de Belém, a capital do estado do Pará, e que depois se destacou em várias missões militares, combatendo holandeses, ingleses e franceses.

Quando dois padres e quatro soldados espanhóis chegaram perdidos a Belém, com a novidade de que o rio Amazonas era navegável, o governador do estado do Grão-Pará e Maranhão pediu a Pedro Teixeira para organizar a expedição até Quito (na época parte do vice-reinado do Peru).

No regresso, com testemunhas espanholas, Teixeira regista a posse das terras para o reino de Portugal. "Como naquela época Portugal estava subordinado à Coroa espanhola, o livro que relata essa epopeia, em 1641 [Novo Descobrimento do Grande Rio Amazonas e a Viagem de Pedro Teixeira Águas Arribas, de Frei Cristobal d"Acuña] acaba sendo queimado e isso não foi valorizado nem pela historiografia portuguesa nem brasileira", explica o senador, que quer chamar a atenção para este "vulto histórico" que parece estar condenado ao esquecimento.

O seu nome não consta do Livro dos Heróis da Pátria (ou Livro de Aço) que está no Panteão da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves, em Brasília, e nem sequer figura na lista de candidatos. Mercadante preparou um projecto de lei para que o nome de Pedro Teixeira seja inscrito neste Livro de Aço. Propõe também que a história da expedição do navegador português passe a fazer parte dos currículos escolares no Brasil. E em Portugal de que se está à espera?

A expedição de Pedro Teixeira era composta por 70 canoas (45 de grandes dimensões, com vinte remadores cada). Acompanhavam o explorador 70 soldados portugueses e 1200 índios, muitos deles "flecheiros" (arqueiros), que levaram as suas mulheres e filhos.

Teixeira (cuja data de nascimento se situa entre 1570 e 1585) era de ascendência nobre e foi para o Brasil em 1607, conta a autora do livro “A Expedição de Pedro Teixeira - A Sua Importância para Portugal e o Futuro da Amazónia” (ed. Ésquilo), a brasileira Anete Costa Ferreira, investigadora de ciências sociais e história luso-amazónica, esteve na sessão de homenagem em Brasília.

O navegador falava o tupi - língua com origem no povo tupinambá - e essa era uma das razões pelas quais era tão acarinhado pelos índios. "Sempre fez amizade com os índios, o que lhe valeu de muito", explicou aquela.

A descrição desta expedição chega até nós através de um documento que está na Biblioteca da Ajuda (Relazion del General Pedro Teixeira de el rio de las Amazonas para el Senhor Príncipe, 1639). "É o diário de bordo que Pedro Teixeira fez durante a viagem. Esse é o grande documento que o celebrizou e é um levantamento geral da fauna, da flora, do minério, dos costumes... Entra tudo o que ele foi vendo no seu trajecto", explica a investigadora. Incluindo os canibais.

Nessa grande expedição, Pedro Teixeira fixou uma série de territórios até então desconhecidos, como as ilhas das Areias ou Santa Luzia. Na viagem de regresso a Belém do Pará descobre o rio Negro (onde mais tarde se ergueu a cidade de Manaus) e o rio Madeira, um grande afluente do Amazonas.

Um dos feitos mais importantes da expedição é a fundação do povoado de Franciscana, oficializada a 16 de Agosto de 1639. Obedecendo às ordem do governador, Pedro Teixeira toma posse desse território, mas diz que o faz para a Coroa portuguesa (e não para a espanhola). Com a nova povoação, o navegador quis homenagear todos os missionários franciscanos.

Amazónia sem amazonas
No documento que se encontra na Biblioteca da Ajuda, Teixeira conta ainda que, tanto na ida como na volta da expedição do rio Amazonas, não viu as amazonas, mas, apesar de nunca se ter cruzado com elas, relata que lhe chegaram muitas notícias delas. Diz mesmo que estariam "a seis jornadas" do sítio em que se encontravam e que teriam 300 aldeias ou mais, com "quinhentos ou oitocentos casais" cada: "Aqui acabam-se as flechas furadas perigosas e, ainda que as haja por todo o rio, não matam como as do Sul", escreveu.

A documentação sobre este conquistador do Brasil é esparsa. "Em Portugal pouca coisa há", diz Anete Costa Ferreira, lembrando que o historiador Jaime Cortesão (também de Cantanhede) apresentou no IV Congresso de História Nacional no Brasil, em 1949, O significado da expedição de Pedro Teixeira à luz de novos documentos. Em 2002 foi realizado o documentário Curiua-Catu: A Grande Expedição de Pedro Teixeira 1637-1639, realizado por Carlos Barreto.

A “PT - Portugal Telecom” associou-se à homenagem no Senado Brasileiro, lançando o Prémio Pedro Teixeira para estudantes portugueses e brasileiros, dos 12 aos 18 anos. Os três melhores trabalhos sobre a vida e o impacto dos feitos de Teixeira na história de Portugal e do Brasil irão ter como prémio uma viagem cultural ao Brasil (se forem portugueses) ou a Portugal (se forem brasileiros). Será ainda lançado um site em português e inglês dedicado a perpetuar a memória deste grande explorador português.

Segundo consta, os Índios de Belém do Pará ainda hoje recordam e veneram Pedro Teixeira.

Quem pretender mais informação sobre “Curiá-Catu”, pode obtê-las através do seguinte link:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/amazonia/pedro-teixeira.php.

Jorge da Paz Rodrigues

15-12-2009