EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Lingua Madrasta


Dias de palha-de-aço. Pardacentos, transbordantes dum mofo difícil de descrever. Horas marteladas entre papeladas escritas a desgosto. Vidas mastigadas numa orgia de bacantes meio cegas e já perto da última derrota, enfim, não somos todos carne animada duma esperança provisória?

Os conselhos de turma servem para quê? Em princípio, para avaliar os alunos.

Mas avaliar, esse acto pedagógico sublime, difícil, não é julgar a valia antropológica das pessoas que têm a desdita de se verem encerradas na escola no período mais viçoso das suas vidas.

Num conselho de turma típico temos, se tivermos alguma sorte, um açougueiro-mor – mais frequentemente, uma açougueira – a pessoa que lecciona Português.

Português, na escola portuguesa, é a Língua Madrasta. Se fosse Materna conseguira iluminar os corações dos alunos e conduzi-los à descoberta das potencialidades ocultas da sua mente. Mas não. Aquilo que deveria ser o tesouro mais precioso à disposição da pessoa que 'dá' Português, os erros dos seus alunos, as falhas que, com uma ponderada e interessada correcção poderiam conduzi-los à descoberta duma subjectividade criativa, acabam por ser pregos de amortalhar cristos.

É claro que há excepções.E são muitas.

Lembro-me agora duma das situações mais bizarras da minha vida: enquanto director de turma tive que ler o comentário duma pessoa que 'dava' Português no cabeçalho dum teste dum aluno. Quem mo mostrava era o pai. Calmo, mas com uma imensa tristeza nos olhos. O seu filho era apelidado de imbecil pela douta criatura, em quatro linhas de azedume escritas com um despeito fora deste mundo. O aluno era portador duma deficiência profunda, o síndrome de Asperger. O seu maior problema era dar demasiado trabalho aos professores. Tinha uma disgrafia grave, devidamente comprovada por perícias médicas. E mesmo assim a senhora queixava-se que a letra do aluno era ilegível e que ela não se sentia obrigada a ler o que ele escrevia.

O pai perguntou-me o que é que a escola pretendia fazer com o seu filho. Haveria uma lista para extermínio? Eu respondi-lhe que iria perguntar ao primeiro SS que encontrasse.

Quando confrontei a professora do ensino especial com a situação a resposta que me deu é que o pai queria era que lhe passassem o filho de qualquer maneira. Vendo que tinha encontrado a pessoa que procurava, antes de lhe perguntar pela existência da lista, perguntei-lhe como é que ela via a permanência daquele aluno na escola. Respondeu-me que o aluno era imbecil e que não deveria estar numa turma normal do ensino secundário. Haveria outros percursos que lhe seriam mais adequados, mas os pais queriam por força que o filho continuasse na escola.

O pai tinha-me dito que considerava a socialização importantíssima, uma vez que o filho estava a entrar na adolescência e talvez fosse positiva a sua interacção com adolescentes. E isso era algo que não encontraria a não ser na escola secundária.

Para me inteirar da situação do aluno desloquei-me à escola onde ele concluíra o ensino básico. Falei com alguns dos seus antigos professores, mas foi a sua antiga directora de turma que me deixou de rastos. Quando lhe contei o que se passava aquela colega com mais de trinta anos de serviço desfez-se em lágrimas. O “João” fora um dos seus alunos mais queridos. Muito infantil, mas com uma bondade capaz de encher o mundo. A causa das lágrimas fora eu ter-lhe contado que o aluno se auto-agredia violentamente dentro da sala de aula, em frente dos seus colegas, e repetia “tu és burro!”, “tu és burro”, “tu és burro”... Qualquer energúmeno mais letrado consegue perceber que se trata duma reacção à frustração. Mas a Língua Madrasta não brinca em serviço. Às vezes eu brinco e digo que foi a Língua Portuguesa que foi feita para os alunos e não os alunos para a Língua Portuguesa (também digo que o Camões era zarolho, só para ver cara dos alunos incrédulos com o espectáculo dum professor a gozar com o seu principal instrumento de tortura). Mas com coisas sérias não se brinca. O respeitinho é bonito e serve para pôr na ordem quem não preenche os princípios da conformidade marrónica. Não é por acaso que alguns dos 'melhores' alunos parecem chanfrados pela mão do melhor dos torneiros.

Aquela professora que chorou convulsivamente disse-me que a sua tristeza a impedia de manifestar a sua revolta. E disse-me para ter cuidado.

O professor de Matemática mostrou-me alguns trabalhos do João e disse-me que ele por vezes podia ser brilhante. Mas tinha que se sentir aceite pelo professor. Demorou até que desabrochasse.

No conselho de turma disse à pessoa que 'dava' Português que, no meu caso, depois dos testes, pedia ao aluno para me ler o teste e eu passava-o a computador. Levava-o para casa e corrigia-o compaginando-o com o manuscrito do aluno. A senhora disse-me que não lhe pagavam para fazer esse trabalho e que achava uma estupidez o que eu fazia. Se eu tivesse o mesmo sistema de valores da senhora, atendendo a que eu ganhava metade do seu salário, menos tostão , a coisa dava pela metade, aí se poderia medir o tamanho da minha estupidez.

O resultado é que, quando as notas do aluno foram vertidas para a pauta, a minha, e logo a Filosofia, era a única positiva. Eu lavrei uma declaração para a acta na qual me penitenciava por só conseguir dar onze ao aluno, uma vez que, nunca tendo tido formação na área do ensino especial, era a primeira vez que tinha um aluno com Asperguer. E pedia a compreensão do conselho de turma para a necessidade de poder ter que dar notas superiores ao aluno nos próximos períodos e que se deveria ter a nota do primeiro período como uma aproximação e sem que isso pudesse ser visto como um juízo sobre as capacidades do aluno.

Caiu o Carmo e a Trindade. A professora do ensino especial, recém-eleita vice-presidente do conselho executivo, estava na reunião e disse, em frente de todos os professores da turma, que eu estava a prestar um péssimo serviço à educação. Foi um conselho de turma no mínimo agitado.

E dava-se o caso de eu já não estar a presidir àquela reunião, uma vez que fui director de turma por um mês e meio, a substituir um professor que ficara doente. A professora que 'dava' Português achava impossível que aquele aluno, com um 3 na pauta a Língua Madrasta pudesse ter 11 a Filosofia. Eu disse, sem brincar, que a Filosofia tinha sido feita para os alunos e não os alunos para a Filosofia e que o mesmo se passava com a escola.

À professora do ensino especial disse-lhe que não tinha categoria sequer para beijar o chão que os meus alunos pisavam. Entre ameaças de processo disciplinar, os trabalhos lá andaram até ao encerro da reunião.

Nesse dia jurei que faria tudo para destruir a escola, fazê-la implodir. Iria fazer tudo para maravilhar os meus alunos, para os levar a questionarem antes de quererem a santa paz da ruminância. A todo o momento podem acontecer coisas 'estranhas'. Num teste, por exemplo, uma das questões pode ser um desafio de monta: os alunos têm que provar que eu não sou Deus.

A coisa é deveras difícil.

Há também as aulas do contra. Quem me deu esta ideia foi um jovem colega de Filosofia. Comprei-lhe a ideia com um abraço e uma frise de limão. E a coisa funciona assim: durante a aula eu irei transmitir uma informação falsa. O aluno que conseguir descobrir a marosca ganha um prémio. Pode ser, por exemplo, o último álbum do José Cid. Uma coisa de monta.

O resultado é uma aula em que sou bombardeado por perguntas do princípio ao fim. É claro que eu nunca transmito informações erradas, mas tudo o que digo e apresento aos alunos é escrutinado sem piedade. E lá se vai a minha armadura de sumidade. Deixo de me sumir perante os alunos. A coisa torna-se mágica.

Há outra ideia daquele colega que eu também aplico por vezes: o jogo dos sonhos. E funciona assim: cada aluno escreve num papel o sonho que gostaria de ver realizado. Depois, os papéis são baralhados e redistribuídos. Se alguém lhe calhar o seu, volta a pô-lo a circular. Por vezes há que misturar os sonhos de várias turmas para coisa dar certo, ou eu fico responsável por um sonho. Quem recebe um sonho dum colega deve fazer tudo para que ele se realize.

Os sonhos poderão ser realizados de forma indirecta, se alguém sonhar em ir à Lua podem oferecer-lhe um documentário sobre a ida à Lua, ou algo de semelhante. Uma vez um rapaz que queria ter muito dinheiro recebeu um saco com 10 euros em moedas de um cêntimo. Uma coisa bem pensada.

Este ano uma aluna escreveu: “queria ter uma varinha mágica que me permitisse acabar com o sofrimento de todas as pessoas”. Eu li o papel e perguntei-lhe o que é que ela via de mal nos animais e ela pediu-mo de volta, riscou 'todas as pessoas' e escreveu 'todos os que sofrem'.

Isso deu-me a convicção de que ela não precisará de varinha mágica. Mas estou com um problema: como a turma é ímpar cabe-me a mim realizar-lhe o sonho. O meu problema é: o que fazer para não acabar com o sonho?

E pronto, hoje apeteceu-me escrever isto depois de ter participado em dois conselhos de turma. E o meu maior problema é que quase não 'dou' negativas. É estranho.

Talvez não tenha nascido para professor.



Paulo Feitais

umoutroportugal.blogspot.com

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